Você não é coreana, muito menos a sua pele!

09/01/2019  •  Por Thereza  •  Beleza, Pense

Bom, talvez você até seja uma leitora coreana, mas, no geral, acredito que 99,9% do meu público não seja, portanto, sua pele não é coreana, você não precisa necessariamente seguir os tais 10 passos, 11 rotinas e 12 métodos.

Bom, seria hipocrisia falar que não amo e consumo esse universo, que já fiz dezenas de posts só em 2018 (e não pretendo parar em 2019) e a febre foi até oficializada como Hit de Beleza da nossa retrospectiva! Mas que comecemos o ano com essa pequena reflexão que há tempos venho pensando e buscando me reeducar com parcimônia, logo, compartilho com vocês.

Por muitos anos, talvez por toda essa geração digital, maquiagem era TUDO. Era o suprassumo de beleza, gastávamos rios de dinheiro com o batom matte ou paleta colorida e no final… saía tudo no banho. Nos sentíamos lindas, empoderadas, a maquiagem democratizou, surgiram marcas baratinhas, ficou mais acessível… mas tudo saía no banho. Bom, por mim tudo bem, mas a reflexão foi além.

Em tempos de desconstrução, demaquilaram a maquiagem, a pele ultra reboco ficou leve e o contorno, bom, um blush tá mais que ótimo. Junto a isso, há umas 2 temporadas chegou a febre coreana de cuidado extremo com a pele. Tudo começou com as sheet masks, depois veio um produto a mais, uma essence, gadgets de beleza, muitos passos… pronto, essa rotina tirou espaço das maquiagens no nosso banheiro, talvez literalmente falando.

Eu confesso que 2018 foi o ano em que mais me interessei por pele e menos por maquiagem. Me preocupei muito com protetor solar, mudei minha rotina de produtos, inseri vitamina c, óleos, Foreo, repensei até o algodão que passava na minha pele. Acho que no geral, esse universo coreano teve um saldo positivo na minha rotina, mas sempre cabe uma reflexão.

É preciso entender que, enquanto uma maquiagem nos diverte, melhora a autoestima, muda a sua personalidade instantaneamente entre um delineado e um glitterzinho, o movimento da skincare vem a médio prazo… e pode nem vir. Com o frenesi da tal rotina coreana, convenhamos, nem todo produto pode ser eficiente ou, pior, você talvez nem preciso disso! É que com esse movimento, muitas vezes compramos por comprar, por influência alheia e sem nenhum aval médico, com isso, nos afastamos cada vez mais da nossa referência de pele brasileira.

E vou além, é preciso questionar a opressão que as próprias coreanas sofrem para chegarem ao ponto de usar uma quantidade absurda de 10, 20 produtos POR DIA. Li uma matéria falando que a misoginia na Coréia do Sul é tão forte e essa geração de skincare acaba, indiretamente, agravando essa situação e aprisionando milhares de mulheres. O que era pra ser autocuidado, prazer e bem-estar, acaba potencializando algo que temos lutado pra acabar, o tal padrão de beleza.

A indústria de beleza sul-coreana está cada vez mais poderosíssima, em 2017 faturou 13 bilhões de dólares e tem a taxa mais alta de cirurgias plásticas para fins estéticos por habitante no mundo, se tornando assim um procurado “destino cirúrgico”. Com todo esse movimento, muitas coreanas tem buscado desconstruir esse universo, se liberando dessas amarras de beleza, logo, isso também pode virar moda por aqui.

Além disso, é importante questionar o fator clima! Enquanto cada vez mais marcas tem desenvolvido fórmulas exclusivas pro nosso país tropical, a gente vai e busca produtos de uma região totalmente diferente da nossa? Pois é, no final e o mais importante, de todas as dermatologistas que conversei, a maioria acaba rechaçando essa overdose coreana e sugerindo o bom senso e, claro, que consulte seu médico!

A ideia é acabar com a graça do cuidado com a pele? De jeito nenhum. Continuarei falando sobre produtos e tratamentos, mas é preciso refletir o quanto podemos também estar ficando refém desse caro universo. Enquanto a maquiagem é mais eficiente, a skincare é mais transformadora, mas se ambas forem usadas com parcimônia e bom senso, tudo fica bem.  Portanto, que em 2019 usemos toda essa multiplicação de produtos e informações apenas a nosso favor, combinado?!

 

Os posts mais lidos de 2018

31/12/2018  •  Por Thereza  •  Pense

Adeus 2018! Mais um ano se passou e pra mim esse foi especial, afinal, completamos 10 anos de Fashionismo! É com muita certeza que afirmo que esse blog é a grande jornada da minha vida, pois não só mudou meus planos, como transformou quem eu sou, me trouxe mais maturidade, reflexão e, lógico, muita leveza, pois sou muito feliz e privilegiada em poder trabalhar com o que amo!

Nesse ano tivemos mais de 500 posts, uma ligeira mudança na linha editorial, um amadurecimento meu que acho que foi traduzido pelos posts e redes sociais, acho que tudo isso faz parte do nosso crescimento e fico mais que feliz de poder compartilhar isso com vocês. Em 2019 mais mudanças transformadoras virão, não vejo a hora em poder compartilhar com vocês.

E o Fashionismo apenas existe por conta de vocês, do apoio, interação, comentários e críticas. Que em 2019 sigamos juntas com novos assuntos, matérias, entretenimento, informação, que o Fashionismo seja aqueles 5 minutos de graça do seu dia, estou aqui pra isso!

Gostaria também de agradecer a todos os patrocinadores e parceiros do Fashionismo! Sem eles, essa empresa seria apenas hobby e eu não conseguiria transformar meus planos e ideias em prática. Meu muito obrigada também às pessoas que trabalham comigo, que colaboram por um Fashionismo melhor, especialmente ao Rodrigo, que está comigo nessa e é essencial pra tudo isso funcionar <3

Separei agora os 20 posts mais lidos de 2018, tem de tudo! Moda, beleza, comportamento, abaixo os links do Fashionismo tradiuzido em 2018, vem nessa tour e te vejo ano que vem!

1. URGENTE: PARE DE ESFREGAR CREME NO ROSTO

2. SANDÁLIA POLÊMICA: 11 LOOKS QUE DERAM CERTO

CASAMENTO REAL URGENTE: O COMPRIMENTO AGORA É GRATO

4. TOP9: VITAMINA C PARA O ROSTO

5. 25 FORMAS DE USAR CALÇA CLOCHARD

6. O QUE PODEMOS APRENDER COM A GRAVIDEZ DA KYLIE

7. CREME DE LIMPEZA DERCOS SENSICARE DA VICHY

8. 4 COISAS QUE APRENDI SOBRE PROTEÇÃO SOLAR

9. OS LOOKS DO BAILE DA VOGUE 2018

10. 3 FILMES COMÉDIA ROMÂNTICA PRA ASSISTIR NA NETFLIX

11. TENDÊNCIA VERÃO ANOS 90: BOLSA DE CONTA

12. CALÇA NO TAPETE VERMELHO: 10 LOOKS PRA SE INSPIRAR

13. O PRODUTO CAPILAR BRASILEIRO QUE VEM ENCANTANDO AS GRINGAS

14. O DELINEADOR CERTO PRO SEU TIPO DE OLHO

15. VOCÊ COMPRA EM BRECHÓ?

16. MEUS BATONS COR DE MORTADELA

17. COMO O MINDFULNESS TEM MUDADO MINHA PERSPECTIVA SOBRE A VIDA

18. A MODA ESTÁ FEIA (E TÁ TUDO BEM)

19. ERA MA VEZ O DOLCE E O GABBANA

20. ESSA É A TENDÊNCIA MAIS BIZARRA DE 2018

Beijos, Thereza!

O triste fim da Revista Glamour americana

29/11/2018  •  Por Thereza  •  Pense

Relembrando um post antigo de 2012, no qual conversamos sobre o então triste fim da saudosa revista Capricho. Bom, o site da Capricho ainda existe e deve arrebatar um séquito de adolescentes, mas estamos falando de revista, papel, aquele brilho, folhas, um cheiro de impresso. Isso tem se tornado cada vez mais escasso e agora foi a vez da Glamour americana encerrar suas atividades na versão impressa.

A publicação existe há 79 anos e desde sempre foi a revista feminina número 1 em vendas nos Estados Unidos. Enquanto a Vogue sempre foi aspiracional e high fashion, a Glamour prezava por ser uma revista feminina autêntica, muito descolada, com matérias não só sobre moda, mas também comportamento e estilo de vida, sem contar os editoriais de moda charmosos e sempre um nome atraente na capa.

E tá vendo essa bela capa com a Amber Heard? Pois bem, é a última edição impressa da Glamour US, sinal dos tempos. Algo que já vem acontecendo há muito tempo, mas quando vemos um mega título como esse deixando de existir fisicamente, dá uma tristeza sim. A Glamour vai seguir existindo online com seu site, mas não teremos mais papel pra folhear, arrancar, cheirar (sim, eu adoro cheio de revista).

Quando era criança, meu sonho era ter uma banca de jornal pra ler todas as revistas gratuitamente rs #empreendedora. Ler uma revista é mais do que se informar ou se distrair, pra mim, faz parte de uma experiência, uma desconexão com o momento e a imersão num belo mundo paralelo, e não vai ter página da web que vai mudar isso (e falo isso escrevendo numa página na web rs). Ler uma revista é cultural.

Ok, eu passei a ler bem menos, não por preguiça, mas muito pela falta de proximidade com as pautas sempre iguais, distantes da minha realidade e sem representatividade alguma. As mesmas cartas marcadas, nomes amigos, pessoas plantadas por assessorias, infelizmente essa seguirá sendo realidade e não vai ter revolução digital que vá mudar engrenagem tão antiga.

Eu, Thereza, não gosto de ler apenas legenda do Instagram, amo ler um bom texto, uma matéria que me capta, uma notícia fresca , mas tudo isso precisa me empolgar, atiçar, me deixar curiosa. Precisa valer o clique, sabe? E sempre digo isso em relação ao mundo dos blogs, antigamente a gente escrevia qualquer coisa e todo mundo lia, ia atrás. Os tempos são outros, não podemos escrever qualquer coisa e pronto, precisa valer a pena, pode ser fútil ou reflexivo, mas o desafio é captar o leitor naqueles 2 segundos que ele passa por você diante de uma vitrine com milhares de outras ofertas.

Quem produz conteúdo precisa CONQUISTAR o leitor. Esse é o desafio e tem sido um GRANDE desafio em tempos de like por like.

Será que com o fim da Glamour impressa, o digital vai substituir à altura? O que faz você deixar de ler 2 linhas de legenda do Instagram ou ver uma foto que te prende por apenas 3 segundos, para algo fora dessa nova ordem mundial, mas ainda essencial e indispensável?

O trabalho é mútuo. Enquanto consumidora, quero sim comprar revistas e entrar em sites, mas também buscarei valorizar apenas as marcas (não é mais revista ou blog, mas marca!) que criarem um conteúdo relevante, interessante e também atento à agenda atual.

Agora enquanto produtora de conteúdo, me esforço diariamente em sempre trazer conteúdo fresco, atual, novas pautas além do óbvio, ser sensível aos dias de hoje e ainda manter a essência original desse adorável universo de leitura rápida e interessante na internet. É um malabarismo, mas seguimos tentando.

E 2019 tá aí, em termos de conteúdo e informação de moda, o que vocês gostariam de ver e consumir de fato nessa nova era em constante transformação? O que merece atenção e o que deve ficar pra trás?

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