De onde vem as tendências de moda: das décadas passadas aos dias de hoje

10/10/2019  •  Por Thereza  •  Pense, Tendência

Mais um post sobre nossa série especial, “De onde vem as tendências de moda”! Se falamos de tendência, no post 2 citamos a precursora Elizabeth I, como podemos identificar as tendências pelas eras? Exercício bom para os atentos e apaixonados por moda!

ANOS 50

Se os anos 50 foi tomado pela era pós-guerra, e a “retomada” do glamour e feminilidade. A silhueta – muito oriunda dos desfiles de alta costura – tinha cintura marcada e saia rodada cada vez mais curta (ainda que na altura do tornozelo). Usava-se muitos acessórios, tais como, luvas, chapéus e joias. O mundo da moda era regido pelas divas hollywoodianas, como Audrey Hepburn e Marylin Monroe e o rock dava o tom, ambos eram o grande foco de influência da moda e cultura em geral.

ANOS 60

Depois da formalidade (e feminilidade da década anterior), os anos 60 foram um pouco mais descolados (ainda que numa era formal) e tem um nome que dita a moda: mini saia! Além disso, fala-se de conforto, depois de décadas (séculos) de aprisionamento feminino, o corte era reto, simples e muito prático. De Brigitte Bardot a Twiggy, uma época importante de transição da moda.

ANOS 70

Já nos anos 70, muito fácil pensar: Jeans, Woodstock, o visual hippie, estampas psicodlélicas, flores, franjas e cores, muitas cores. Provavelmente uma década muito marcante, com um quê caricato pra uns, mas cheios de memória de moda para muitos outros, até mesmo aqueles que não viveram tal era. Até hoje o saudoso David Bowie e a soberana Cher ditam e inspiram uma década marcante.

ANOS 80

Anos 80 já vai ficando um pouco mais fresco na memória (pelo menos na minha, apesar de ainda criança): glam, ousadia, brilho e exagero, que época boa para se estar vivo! E se um nome define a década: extravagância, uma mulher é a síntese do período (e até hoje, claro!): Madonna.

ANOS 90

Anos 90, esse dá pra falar com tranquilidade (e sem recorrer aos livros de histórias). Entramos numa era mais minimalista, em contraponto à ousadia oitentista. Do grunge às topmodels, era uma década, eclética e, provavelmente a mais divertida, onde nos guiávamos pela tv, novela, cinema, celebridade, ou seja, qualquer coisa que a gente via pela frente.

ANOS 00

Anos 00, creio mais uma década de transição, afinal, os anos 90 foram tão fortes, símbolos da música e tv surgiram no final dos 90 e ainda levaram sua herança pro milênio seguinte. E aí uma transição marcante: a internet e a fast fashion. Quando o assunto é moda, elas são essenciais pra onde quero chegar depois de resumir uns 60 anos!

 

Se em cada década conseguimos elencar uma moda e um símbolo, como vamos lembrar de grandes tendências dessa década ’10 nos livros de história do futuro? Eu não sei e sabe o motivo? Nunca houve uma década onde houvesse tantas referências… passadas e misturadas! Com o advento da internet, nos enchemos de inspiração e profusão de referências numa miscelânea de tendências nunca antes vista. Estaríamos perdendo a essência e a autenticidade necessária pra ditar e marcar uma década?

Você consegue citar alguma moda, uma grande tendência autoral pra deixar registrado nos anais da moda? Eu só penso em tênis, o grande registro que veio forte e democrático, de resto, entre instamodels e looks do dia, a década está para acabar e provavelmente precisamos ver de longe pra saber qual foi a grande tendência ’10. Apostas?

 

De onde vem as tendências de moda: Da Elizabeth I ao streetstyle

08/10/2019  •  Por Thereza  •  Moda, Pense, Tendência

De volta com nossa série “De onde vem as tendências?”, no 1º post falamos da nossa ideia inicial de tendência, os desfiles e visão do estilista que se propaga moda afora, mas agora vamos dissecar um pouco a tendência literalmente – e antigamente! – falando? O que o dicionário nos diz sobre a palavra tendência?

“Disposição natural que leva algo ou alguém a se mover em direção a outra coisa ou pessoa; inclinação: tendência dos corpos para a terra; tendência à mentira. Evolução de alguma coisa num sentido determinado; orientação: os estilistas se pautam nas tendências mundiais. Propensão que orienta alguém a fazer ou realizar determinada coisa; vocação: ela tinha tendência para música. Direcionamento comum de um grupo determinado; movimento: governo com tendências ditatoriais”

Beleza, mas de onde surgiu a tendência de moda de fato? Recorri a um livro pra entender a origem da tendência-de-moda e ela vem do século XIV, mais especificamente da realeza britânica: roupas eram usadas para mostrar RIQUEZA. Se alguém pudesse descartar uma roupa apenas depois de algumas semanas de uso, essa pessoa seria considerada riiiiicah (ler com a voz da Carolina Ferraz).

A capacidade de trocar de roupa com mais frequência estava ligada a ter dinheiro extra e…. ser fashion! As pessoas que queriam se apresentar mais ricas do que realmente são também mudariam de aparência com mais frequência. Uma das mais antigas “trendsetters” era a rainha Elizabeth I (pra você ter ideia, só de luvas, ela tinha mais de 2000 pares), que ditou a moda durante seu reinado. Em outras palavras, uma tendência da moda era algo que um rei ou rainha gostava. E junto com a tendência, sempre tem alguém a ditando, logo, sendo referência.

Agora de volta à contemporaneidade, se os estilistas ditam as tendências, quem sempre as conduziu para o mundo real na prática? As revistas! Elas que traduziam a mensagem dos estilistas – muitas vezes conceitual demais para um mero mortal – e as deixavam mais palpáveis para a vida real. Elas sintetizam as tendências e as deixavam mais populares ou exclusivas – no sentido de excludente mesmo.

Mas as coisas mudaram e, vejam só, a internet agora comanda a febre das tendências. Se as revistas catapultavam e definiam as tendências, quem as democratizou? A internet, mais precisamente os blogs/veículos de moda que a traduziam de maneira democrática, empática e gratuita.

Mas qual é o turning point desse ciclo das tendências? Se antes eles chegavam através da dobradinha bureau+estilista, agora elas também vem de onde? Sim, do streetstyle! As ruas tem se tornado a grande disruptora no mundo da moda. Muito por conta das próprias influencers montando seus looks para parecerem mais reais, logo, inspiradores, mas muito também por conta das tendências em grupos específicos, sejam os hipster ou os “early adopters”. Por exemplo, os londrinos são conhecidos por esse lado de lançar tendências à sua maneira e até mesmo avesso ao que é visto nas passarelas.

E a internet que deixa tudo isso mais fácil e possível, conseguimos nos inspirar de maneira democrática e mais prática à vida real e, cada vez mais, são os tais bureaus de estilo e estilistas que usam desse meio como referência de análise de estilo e prognóstico de tendência. Isso sempre existiu, mas a internet facilitou essa relação. Bom pra gente!

Amanhã, na continuação da nossa série especial, falaremos mais a fundo do caminho inverso – e muito tradicional – de onde surgem as tendências!

 

 

Série especial: De onde vem as tendências de moda

07/10/2019  •  Por Thereza  •  Pense

Com a super viralizada do “cardigan sexy” da Katie Holmes e que postamos aqui, me veio uma reflexão definitiva que há tempos pensava: de onde vem de fato as tendências de moda? Eis que comecei a pesquisar pro post, refletir o conceito, dissecar as ideias, ler matérias e livros… que o post ficou TÃO grande, logo, virou uma série!

Em 12 anos de Fashionismo é a primeira vez que isso acontece e gostei tanto desse formato que em breve teremos outros! De hoje até sexta serão 5 posts falando sobre o tema, afinal, falamos de moda, gostamos de tendências, portanto, conhecer sua origem é importante pro nosso entendimento de moda e consumo.

De onde vem as tendências de moda? Essa pergunta seria mais fácil e óbvia anos atrás: das passarelas. Claro, as passarelas apresentam os conceitos, seja baseado na intuição de uma marca,  no “senso comum” de estilistas ou em apostas específicas. Beleza, mas de onde surgem as tendências de fato e antes do desfile propriamente dito?

O leigo, apesar de entusiasta de moda, de primeira diria no senso estético ou aposta/tino do estilista, mas é muito além disso. Acha que o Marc Jacobs, a Miuccia Prada, o Olivier Rousteing e cia tem um grupo no Zap pra definir que essa temporada será só sobre polka dots, minimalismo e cetim? Claro que não.

Anos atrás rolou uma tentativa – podemos dizer, mal sucedida – de “see now, buy now” e de comprar o look direto da passarela, essa realidade não pôde ser aplicada na prática e ainda seguimos com aquele gap de 9 meses do desfile pra venda final nas lojas propriamente dita. Na realidade, nosso guarda-roupa é previsto aaanos antes, as tendências são “planejadas” com 2 ou 3 anos de antecedência e sabe como?

Tudo através de bureaus de estilo. Estamos falando de moda e não do lado “bonito” da coisa, mas sim da indústria, do business, da bufunfa! Esse mercado arrecada mais de 3 bilhões de dólares anualmente, gera milhares de emprego e é uma das artes mais democráticas da sociedade moderna, portanto, o assunto é muito mais estratégico e menos, digamos, inspirador. “Hoje a Carolina Herrera decidiu resgatar a moda do peplum”, não é beeem assim, portanto, quanto mais as marcas souberem onde estão pisando, logo, investindo, melhor o retorno como um todo!

tendencia de moda

E é aí que entram os tais bureaus de estilo, empresas que estudam com até 5 anos de tendência comportamento de consumo, seja na moda ou em outros segmentos. O mais famoso é o WGSN que se intitula “Criando o amanhã – Previsão de tendências”, abaixo selecionei um trecho do site deles que pode nos ajudar a decupar a tal origem da tendência.

“Nós definimos o que vai acontecer amanhã para que você possa tomar decisões inteligentes hoje. Os nossos analistas mundiais de tendências e cientistas de dados se concentram incessantemente em decodificar o futuro para fornecer uma visão sólida e confiável sobre o amanhã. Com uma equipe de especialistas nos cinco continentes,  englobamos análises diárias de tendências, dados analíticos de varejo e entendimento sobre o público consumidor”.

Seja uma loja recém inaugurada ou uma grande maison em busca de análise mercadológica, eles recorrem a esses bureaus de estilo. Eles oferecem alguns serviços como, “aprimore o planejamento de suas coleções ao ter acesso a previsões de cores e tendências com mais de 2 anos de antecedência. Inspire-se com mais de 22 milhões de imagens e com milhares de desenhos técnicos e designs, livres de direitos autorais. Aumente as vendas seguindo as tendências apresentadas em mais de 250 matérias novas por mês”. O serviço é muito usado não apenas para moda, mas também para decoração e beleza. E não só estilistas usam a ferramenta, mas também jornalistas de moda e, obviamente, a indú$tria.

E a própria indústria têxtil pode ser responsável por certos modismos, seja despejando toneladas e toneladas de um tecido específico, por exemplo, cetim ou linho, dois tecidos do momento e que tem suas fases. Ou até mesmo uma estampa como oncinha ou pied-de-poule.

“Ah, então os verdadeiros criativos são os coolhunters?”, não! Eles “ensinam a pescar”, tudo através de um processo longo e complexo de observação apurada e detalhada do que ocorreu no passado e do que acontece no presente. Eles observam sinais, indicadores importantes, fragmentos, estudam de arte a política, para aí sim traçar um prognóstico. No geral, o surgimento de uma tendência tem um mix científico e intuitivo.

E aí que entram os estilistas, eles fazem o “peixe” à sua maneira, os bureaus dão o norte, apresentam um senso comum, mas aí que entra cada CRIATIVIDADE, dna, história e visão de cada estilista e essa é a essência da moda e desdobramento de cada tendência.

E sim, existem aqueles estilistas disruptivos e que nadam contra a maré e é isso que deixa a moda mis interessante e heterogênea. A tendência dos próximos anos será minimalismo? Então toma glam eighties. Os bureaus deixam as marcas cientes do espaço em que eles operam e as coisas acontecendo ao seu redor, pro estilista até mesmo decidir ir com ou CONTRA tal movimento.

Tudo é feito através de estudos, pesquisas e comparativos nos 4 cantos do mundo, de uma badalada grande metrópole a um vilarejo cheio de história fora do mapa, existe estudo, mas sem deixar de lado a tal da intuição. São dezenas de bureaus pelo mundo, cada um com perfil e ponto de vista, mas de uns tempos pra cá o formato de pesquisa mudou. Hoje, mais do que nunca, é preciso estudar o caminho inverso da moda, se antes era das passarelas pras ruas, hoje é preciso analisar o caminho inverso e originário das ruas. Esse será o tema do nosso post de amanhã!

 

 

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