Jameela Jamil, cristal empoderado e fada do body positive!

16/01/2019  •  Por Thereza  •  Saúde

Se você nunca assistiu The Good Place (aqui tem minha resenha dessa série mara), provavelmente você não conhece Jameela Jamil, mas estou aqui para te apresentar esse ícone de mulher, linda por fora e maravilhosa por dentro.

JAMEELA JAMIL

Jameela tem 32 anos, é britânica e de família indiana, já trabalhou como modelo, apresentadora, dj e seu primeiro papel na tv mesmo foi no seriado. Mas vamos falar de uma outra Jameela, a feminista e nome importante no movimento body positive. Jameela não é padrão hollywoodiano, especialmente por sua ascendência indiana, mas ela vem falando especialmente sobre quebra de padrões e a desconstrução da cultura do corpo magro e inatingível em tempos de Instagram e obsessão pela beleza filtrada.

Selecionei 3 histórias na qual Jameela usou de sua força e redes sociais para falar algo importante.

JAMEELA JAMIL E KHLOÉ KARDASHIAN

Semana passada a Khloé postou um texto bem problemático em seu Stories dizendo o seguinte: “Duas coisas que uma garota quer: 1) Perder Peso 2) Comer”. E isso é tão triste, especialmente da parte da Khloé que acabou de ter uma menina e, viver num mundo no qual queremos APENAS ISSO, é triste demais.

Daí Jameela, sempre ativa nas redes sociais buscando combater esse tipo de discurso, desabafou, “Isso me deixa triste. Espero que minha filha cresça querendo mais do que isso. Eu quero mais que isso. Enviando amor para essa pobre mulher. Essa indústria fez isso com ela. A mídia fez isso com ela. Queridas garotas, QUEIRAM MAIS DO QUE ISSO.”

Aos que responderam Jameela falando que era apenas uma brincadeira e um meme, ela continuou, “Não se esqueçam que somos adultos, então não entendemos as narrativas da mesma forma que as crianças o fazem. Não estou aqui para protegê-las, estou aqui para dizer às crianças vulneráveis para não seguirem esta maneira de pensar, antes que coloquem a magreza como uma prioridade e temam a comida”. 

E Jameela tem razão ao afirmar que a indústria fez isso com a Khloé, que cai numa espiral do que ela sempre foi vítima ao mesmo tempo do que a família propaga. É complicado, é triste e hoje, 2019, não podemos achar graça de algo tão sério, somos todas vítimas desse sistema.

JAMEELA JAMIL X CHÁ DETOX E CARDI B.

Quem nunca cruzou com uma publicação daqueles chás milagrosos? As gringas adoram e aqui no Br temos versões similares e que prometem mundos e fundos… mas calma galera,  é só um chá! E foi a vez da atriz se indignar com uma super famosa promovendo a moda da vez.

“Eles contrataram a Cardi B para promover o absurdo – e laxante – chá detox. DEUS, espero que todas essas celebridades evacuem em público.” Diferente da Khloé, eventualmente verborrágica, mas dessa vez engoliu a seco, Cardi respondeu Jameela bem 5a série style, “Eu nunca vou evacuar em público, porque tem banheiros públicos por todos os lados… e arbustos”.

Cardi B. não entendeu o cerne da questão e a problematização de algo que promove algo inconcebível, sem contar que muitas vezes é mais um placebo. Sempre implacável, dessa vez Jameela precisou usar um pouco de humor e deboche pra ver se povo entende, na próxima ela desenha.

Mas aí ela seguiu e foi fundo na questão, acha que essas famosas e influenciadoras fitness usam o artifício de um inofensivo chá para conseguir aquele corpo “dos sonhos”? Jameela foi categórica, “Nos dê os cupons de desconto para seus nutricionistas, chefs pessoais, personal trainers, photoshops e cirurgiões plásticos, seus sanguinários mentirosos!”. Tem mais o que falar?

JAMEELA X CULTURA DO CORPO PERFEITO

Pode não ser direcionado a famosa x ou y, mas a atriz sempre busca promover a pauta e empoderar especialmente jovens meninas que são aos maiores vítimas – muitas vezes inconsciente – desse universo.

“Eu não vou parar até ensinarmos as pessoas a serem melhores aliadas para as mulheres e pararem de vender esses produtos que parecem medicamentos, mas são apenas merd*s sem função. PAREM DE SEGUIR AS PESSOAS QUE LHE DIZEM COISAS QUE FAZEM TE SENTIR MAL.”

Sei que para uns que não acompanham a atriz, podem achar que ela está provocando e querendo “aparecer”, mas não, há anos a atriz busca promover o movimento body positive, pois já viveu na pele na adolescência essa questão de peso & julgamento.

E pra mim é um sopro de esperança numa timeline infestada de fakes e filtros. Quem não segue a atriz, vale acompanhá-la no Instagram pessoal e no da campanha I Weigh, Twitter e, claro, acompanhar The Good Place, porque se tem um bom lugar… é por perto da Jameela.

 

Você não é coreana, muito menos a sua pele!

09/01/2019  •  Por Thereza  •  Beleza, Pense

Bom, talvez você até seja uma leitora coreana, mas, no geral, acredito que 99,9% do meu público não seja, portanto, sua pele não é coreana, você não precisa necessariamente seguir os tais 10 passos, 11 rotinas e 12 métodos.

Bom, seria hipocrisia falar que não amo e consumo esse universo, que já fiz dezenas de posts só em 2018 (e não pretendo parar em 2019) e a febre foi até oficializada como Hit de Beleza da nossa retrospectiva! Mas que comecemos o ano com essa pequena reflexão que há tempos venho pensando e buscando me reeducar com parcimônia, logo, compartilho com vocês.

Por muitos anos, talvez por toda essa geração digital, maquiagem era TUDO. Era o suprassumo de beleza, gastávamos rios de dinheiro com o batom matte ou paleta colorida e no final… saía tudo no banho. Nos sentíamos lindas, empoderadas, a maquiagem democratizou, surgiram marcas baratinhas, ficou mais acessível… mas tudo saía no banho. Bom, por mim tudo bem, mas a reflexão foi além.

Em tempos de desconstrução, demaquilaram a maquiagem, a pele ultra reboco ficou leve e o contorno, bom, um blush tá mais que ótimo. Junto a isso, há umas 2 temporadas chegou a febre coreana de cuidado extremo com a pele. Tudo começou com as sheet masks, depois veio um produto a mais, uma essence, gadgets de beleza, muitos passos… pronto, essa rotina tirou espaço das maquiagens no nosso banheiro, talvez literalmente falando.

Eu confesso que 2018 foi o ano em que mais me interessei por pele e menos por maquiagem. Me preocupei muito com protetor solar, mudei minha rotina de produtos, inseri vitamina c, óleos, Foreo, repensei até o algodão que passava na minha pele. Acho que no geral, esse universo coreano teve um saldo positivo na minha rotina, mas sempre cabe uma reflexão.

É preciso entender que, enquanto uma maquiagem nos diverte, melhora a autoestima, muda a sua personalidade instantaneamente entre um delineado e um glitterzinho, o movimento da skincare vem a médio prazo… e pode nem vir. Com o frenesi da tal rotina coreana, convenhamos, nem todo produto pode ser eficiente ou, pior, você talvez nem preciso disso! É que com esse movimento, muitas vezes compramos por comprar, por influência alheia e sem nenhum aval médico, com isso, nos afastamos cada vez mais da nossa referência de pele brasileira.

E vou além, é preciso questionar a opressão que as próprias coreanas sofrem para chegarem ao ponto de usar uma quantidade absurda de 10, 20 produtos POR DIA. Li uma matéria falando que a misoginia na Coréia do Sul é tão forte e essa geração de skincare acaba, indiretamente, agravando essa situação e aprisionando milhares de mulheres. O que era pra ser autocuidado, prazer e bem-estar, acaba potencializando algo que temos lutado pra acabar, o tal padrão de beleza.

A indústria de beleza sul-coreana está cada vez mais poderosíssima, em 2017 faturou 13 bilhões de dólares e tem a taxa mais alta de cirurgias plásticas para fins estéticos por habitante no mundo, se tornando assim um procurado “destino cirúrgico”. Com todo esse movimento, muitas coreanas tem buscado desconstruir esse universo, se liberando dessas amarras de beleza, logo, isso também pode virar moda por aqui.

Além disso, é importante questionar o fator clima! Enquanto cada vez mais marcas tem desenvolvido fórmulas exclusivas pro nosso país tropical, a gente vai e busca produtos de uma região totalmente diferente da nossa? Pois é, no final e o mais importante, de todas as dermatologistas que conversei, a maioria acaba rechaçando essa overdose coreana e sugerindo o bom senso e, claro, que consulte seu médico!

A ideia é acabar com a graça do cuidado com a pele? De jeito nenhum. Continuarei falando sobre produtos e tratamentos, mas é preciso refletir o quanto podemos também estar ficando refém desse caro universo. Enquanto a maquiagem é mais eficiente, a skincare é mais transformadora, mas se ambas forem usadas com parcimônia e bom senso, tudo fica bem.  Portanto, que em 2019 usemos toda essa multiplicação de produtos e informações apenas a nosso favor, combinado?!

 

O triste fim da Revista Glamour americana

29/11/2018  •  Por Thereza  •  Pense

Relembrando um post antigo de 2012, no qual conversamos sobre o então triste fim da saudosa revista Capricho. Bom, o site da Capricho ainda existe e deve arrebatar um séquito de adolescentes, mas estamos falando de revista, papel, aquele brilho, folhas, um cheiro de impresso. Isso tem se tornado cada vez mais escasso e agora foi a vez da Glamour americana encerrar suas atividades na versão impressa.

A publicação existe há 79 anos e desde sempre foi a revista feminina número 1 em vendas nos Estados Unidos. Enquanto a Vogue sempre foi aspiracional e high fashion, a Glamour prezava por ser uma revista feminina autêntica, muito descolada, com matérias não só sobre moda, mas também comportamento e estilo de vida, sem contar os editoriais de moda charmosos e sempre um nome atraente na capa.

E tá vendo essa bela capa com a Amber Heard? Pois bem, é a última edição impressa da Glamour US, sinal dos tempos. Algo que já vem acontecendo há muito tempo, mas quando vemos um mega título como esse deixando de existir fisicamente, dá uma tristeza sim. A Glamour vai seguir existindo online com seu site, mas não teremos mais papel pra folhear, arrancar, cheirar (sim, eu adoro cheio de revista).

Quando era criança, meu sonho era ter uma banca de jornal pra ler todas as revistas gratuitamente rs #empreendedora. Ler uma revista é mais do que se informar ou se distrair, pra mim, faz parte de uma experiência, uma desconexão com o momento e a imersão num belo mundo paralelo, e não vai ter página da web que vai mudar isso (e falo isso escrevendo numa página na web rs). Ler uma revista é cultural.

Ok, eu passei a ler bem menos, não por preguiça, mas muito pela falta de proximidade com as pautas sempre iguais, distantes da minha realidade e sem representatividade alguma. As mesmas cartas marcadas, nomes amigos, pessoas plantadas por assessorias, infelizmente essa seguirá sendo realidade e não vai ter revolução digital que vá mudar engrenagem tão antiga.

Eu, Thereza, não gosto de ler apenas legenda do Instagram, amo ler um bom texto, uma matéria que me capta, uma notícia fresca , mas tudo isso precisa me empolgar, atiçar, me deixar curiosa. Precisa valer o clique, sabe? E sempre digo isso em relação ao mundo dos blogs, antigamente a gente escrevia qualquer coisa e todo mundo lia, ia atrás. Os tempos são outros, não podemos escrever qualquer coisa e pronto, precisa valer a pena, pode ser fútil ou reflexivo, mas o desafio é captar o leitor naqueles 2 segundos que ele passa por você diante de uma vitrine com milhares de outras ofertas.

Quem produz conteúdo precisa CONQUISTAR o leitor. Esse é o desafio e tem sido um GRANDE desafio em tempos de like por like.

Será que com o fim da Glamour impressa, o digital vai substituir à altura? O que faz você deixar de ler 2 linhas de legenda do Instagram ou ver uma foto que te prende por apenas 3 segundos, para algo fora dessa nova ordem mundial, mas ainda essencial e indispensável?

O trabalho é mútuo. Enquanto consumidora, quero sim comprar revistas e entrar em sites, mas também buscarei valorizar apenas as marcas (não é mais revista ou blog, mas marca!) que criarem um conteúdo relevante, interessante e também atento à agenda atual.

Agora enquanto produtora de conteúdo, me esforço diariamente em sempre trazer conteúdo fresco, atual, novas pautas além do óbvio, ser sensível aos dias de hoje e ainda manter a essência original desse adorável universo de leitura rápida e interessante na internet. É um malabarismo, mas seguimos tentando.

E 2019 tá aí, em termos de conteúdo e informação de moda, o que vocês gostariam de ver e consumir de fato nessa nova era em constante transformação? O que merece atenção e o que deve ficar pra trás?

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