Tendência verão 2019: pochete (curvinha da barriga, pânceps…)

14/08/2018  •  Por Thereza  •  Pense

Extra! Extra! Tendência verão nas páginas da Vogue: Beyoncé revela sua pochetinha. Não, não a bolsa que prende na cintura, mas sim a CURVINHA DA BARRIGA. Beyoncé foi capa da edição de setembro da Vogue, falou sobre profissão, relacionamento e maternidade, foi também a primeira vez que um homem negro fotografou a capa da revista mais importante do mundo, mas o assunto que muito rodou por aí foi a Beyoncé assumindo sua “Fupa – Fat Upper Area”.

Isso deveria ser desimportante, deveria ser comum e banal, mas não. Ok, vamos falar da curvinha da barriga, qual é o problema dela? Confesso que sou ligeiramente noiada com a minha e por muuuitos anos usei a tal-da-terceira-peça, não como artifício de moda pra incrementar o look, mas pra disfarçar minha pochete que já foi inha, ão, ela sempre esteve lá, nunca importou o peso mais ou menos padrão, a pochetinha sempre esteve lá

Agora se a gente tá aqui pra desmitificar e até mesmo descomplicar questões de beleza que por muitas gerações permeavam nossa vida, tais como: olho tudo boca nada, mistura de estampas… DEIXE A CURVINHA DA BARRIGA EM PAZ. Sabe a famigerada expressão da barriga negativa? Pois bem, deixe a barriga também ser positiva,  good vibes, namastê, qual é o problema? É só uma curva de um órgão do corpo humano sob uma blusa ou vestido, quem se importa?

Bom, muita gente se incomoda com a sua e tantos outros reparam a curva alheia. Eu ainda me incomodo com a minha (bem menos do que antes), mas fazer o que? Confesso que sou mais prática e menos com frases prontas de autoestima na ponta da língua, pra mim o “é o que tem pra hoje” é o que resolve e essa é a nossa curvinha na barriga hoje, se amanhã vai ser maior ou menor, que nos importemos cada vez menos. Talvez eu tenha um pensamento cada vez mais #mindfulness de deixar rolar, mas acima de tudo buscando desconstruir essas crenças limitantes que enraizaram na nossa cabeça por anos e, afinal, qual é o problema da tal curva da barriga? Às vezes são só gases rsrs ou às vezes você nasceu assim (na realidade todos nascemos assim, e era tão fofo rsrs). Seja fisiologia ou constitucional, é só uma curva na barriga.

Agora se até Beyoncé está convivendo com a sua curvinha de boaça, sabe a rainha da barriga negativa? Outro dia a Candice Swanepoel foi notícia por surgir com uma barriga “SALIENTE” numa praia de Vitória, Espírito Santo. “Puxa, até a top da Victoria’s Secret está ~quebrando padrões”, nem tanto, ela simplesmente tinha acabado de parir e estava feliz toda vida com seu corpo natural, mas foi, implacavelmente, julgada.

No final das contas, nem é só um corpo, é a curva do um órgão do corpo projetado num pedaço de pano e que incomoda muita gente, não é socialmente aceita e ainda “atrapalha o look”. Quando isso vai ser 100% normalizado? Ainda não sei, mas estamos aqui pra deixar banalizar a coisa toda, vamos?

O triste fim de muitas revistas

07/08/2018  •  Por Thereza  •  Pense

Reproduzindo o título de um post que escrevi em 2015, quando foi anunciado o fim da adorada revista Capricho. É que ontem foi comunicado que o Grupo Abril encerrou as atividades das seguintes revistas: Elle, Boa Forma, Cosmopolitan, Vip, Viagem & Turismo, Mundo Estranho, Arquitetura, Casa Claudia e Minha Casa. Títulos como Veja, Claudia e Exame foram poupados.

Sinal dos tempos. Tempos esses que já temos notado há anos e vale lembrar que não é exclusividade do Brasil. Lá fora, títulos importantes são extintos cada vez mais, outros tem sua periodicidade reduzida e muitos ainda se tornam exclusivos no digital.

A culpa é de quem? Da crise? Da Dilma, do Lula ou do Temer? Da Internet? É tudo culpa do Instagram? Em 2015 já conversamos nesse post aqui sobre como a forma que consumimos moda-e-informação está mudando. E eu ainda não sei a resposta exata desses questionamentos que pairam sobre a sociedade moderna, mas nos resta refletir alguns pontos.

Até quando o fim de uma Capricho, Gloss ou Elle, nos impacta mais no quesito saudosismo ou no fato de perder algo do nosso cotidiano? Cá entre nós, qual foi a última vez que você comprou a revista Elle ou qualquer outra similar? Ver uma capa incrível (eles fazem cada uma maravilhosa) e retwittar, não conta. Quantas vezes dedicamos nosso tempo a folhear e consumir integralmente o conteúdo de uma revista?

E vou além, estendo essa reflexão até mesmo pro mundo de leitura digital. Vejo muita gente lamentar não ter mais bom conteúdo de moda online, blogs desatualizados e sites desinformados. Sei que vocês estão me lendo nesse exato momento, eu agradeço demais e saiba que me esforço muito pra conseguir manter o Fashionismo com um público cativo, atualizações diárias e sustentável, mas quanto tempo a maioria das pessoas dedica de fato a ler blogs e sites de moda, beleza ou do universo feminino em geral?

Estaríamos todos nós, alienadamente, numa espiral de Instagram e redes sociais e seus conteúdos mais rápidos, superficiais e efêmeros? Até onde lamentar o fim de uma revista é mais memória de um passado do que um sentimento real de ausência no nosso cotidiano hoje?

Vocês sabem que já bati inúmeras vezes na tecla de prestigiar quem cria conteúdo de verdade e além do óbvio. E, honestamente, acho que mais do que nunca, valorizar e endossar quem faz conteúdo autoral e autêntico, seja uma das soluções pra gente sair dessa tal espiral que estamos automaticamente vivendo.

Hoje li algo muito interessante no Twitter, “Estamos na era da informação, mais desinformados do que nunca” e é isso. Temos um mundo de possibilidades, ir além, mas ainda estamos prezando pelo básico, pelo trivial. Outro dia LI uma pessoa ESCREVER “alguém ainda lê hoje em dia?”. O que nos resta? É possível viver apenas vendo ou assistindo? Eu não consigo.

Dito tudo isso, vale lembrar que a questão da extinção dessas inúmeras revistas mundo afora, vai muito além da gente não estar mais comprando revista na banca, mas sim de como muitos títulos se perderam nessa nova era digital que, convenhamos, nem é mais tãão nova assim, mas é rápida e engole muita gente.

Se no boom dos blogs, muitas revistas e “gente analógica” rechaçava esse tipo de ferramenta e conteúdo… bom, é o que tem pra hoje. A mudança na forma de se comunicar estava justamente aí (aqui), quem soube migrar – livre de preconceitos, conseguiu superar e se juntar.

Da nossa parte, é preciso desligar o automático, refletir, pensar fora da caixa e buscar canalizar nosso já escasso tempo pra consumir conteúdo de verdade. Valorizar o autoral e ter a percepção que em tempos de fake news, conteúdo de verdade é real e precisa ser exaltado. É fazer  mea culpa e uma reflexão sobre como o que consumindo hoje, pode ecoar na nossa própria vida amanhã. É inserir de volta na nossa rotina uma cadência de conteúdo, diversão e arte (isso dá uma música rsrs).

E você, me conta como dedica e canaliza seu tempo na hora de consumir conteúdo na internet!

 

Ser velho está na moda

01/08/2018  •  Por Thereza  •  Pense

Eu tenho um “mantra” que gosto muito de espalhar por aí e pretendo levar até o último dia de minha vida – e espero que esse dia seja daqui uns 70 anos rsrs: nossa ambição deveria ser > ficar velho <. Velho deveria ser elogio, coisa boa, status!

Seu velho {Leia com entonação elogiosa}!

Afinal, vivemos para que? Para envelhecer. Envelhecer bem, com saúde, com história, ok alguns creminhos, mas simplesmente envelhecer, botar a maior quantidade de vela no bolo, riscar muitas folhas de calendário. Pense nisso e leverá a vida de uma forma diferente.

Infelizmente nos esquecem disso e vivemos querendo parecer mais jovens, só que cada vez mais velhos (ok, ainda bem). Isso até me lembrou um post que fiz ano passado – e provavelmente foi meu favorito do anosobre quando vamos querer parecer ter a idade que temos. Bom, onde eu quero chegar com essa introdução ao post? É que, com todo o respeito, “ser velho está na moda”. Sim, deveria ser um clássico atemporal, mas está na moda.

Se vivemos a era da inclusão, moda democrática, mulheres negras, gordas, baixas, enfim, gente-fora-do-tal-padrão fazendo sucesso no mundo da moda, as mulheres mais velhas estão com tudo! Ainda bem.

O mundo da moda sempre foi cruel e encerrou carreiras lá pelos 20 e alguns anos, mas as coisas tem melhorado! Parece que agora ser “mais velha” não é apenas algo cronológico, é um fato oficializado e que também tem tido seu espaço no mercado da moda.

Ano passado, capas de importantes revistas deram o tom ao “movimento”: Hellen Mirren foi capa da Allure, Lauren Hutton estrelou a Vogue Itália e Meryl Streep figurou na edição de aniversário da Vogue US. Ok, atrizes e expoentes que podem ser mais que “simples” modelos desse precioso nicho, mas sim, tem muitas mulheres acima de 60 que tem trabalhado cada vez mais exclusivamente sendo modelos.

Conhece Lyn Slater? Ela tem 64 anos, é professora e blogueira de moda. Moradora de Nova York, Lyn se intitula “ícone acidental”, sua hashtag oficial é #AgeIsNotAVariable, ou seja, idade não é uma variável, e tudo isso pois sua idéia nunca foi quebrar barreiras da idade, ela basicamente se veste sem pensar nos seus 64 anos, simples assim.

Seu instagram tem mais de 530 mil seguidores, é modelo contratada da Elite e já descolou campanhas com Mango e outras marcas.

De blogueira para modelo, conhece Maye Musk? Ela tem 70 anos, começou modelando aos 15 anos e hoje é um dos maiores nomes da área. Ela estrela várias campanhas, é embaixadora da CoverGirl, já desfilou para Dolce & Gabanna e foi capa de Elle e NYTimes.

Maye reconhece que os tempos são outros e que 5 anos atrás nada disso seria possível, mas que hoje em dia, marcas trabalharem com modelos mais velhas é mais que cota, é representatividade (e ainda vende muito!).

E onde há um ~nicho, há uma revista para isso! A Renaissance Mag é um revista feita exlusivamente por e para mulheres acima de 40 anos. Do editorial à capa de revista, a revista tem uma faixa etária bem ampla, mas busca mostar que há força e poder (e um mercado enorme!) além do universo dominante dos 20 ou 30 anos.

“Nossa, eu tenho 20 e tal e esse não é meu tipo de público”, ok, pode AINDA não ser, mas a própria Mango  revelou que ao contratar Lyn, não só trouxe um público novo de +50 para suas lojas, mas principalmente os próprios millennials não apenas se impactaram, mas se sentiram inspirados.

E é assim mesmo que eu me sinto: inspirada! Inspirada quando vejo uma mulher mais velha e confiante, bem sucedida, confortável com sua pele e corpo e ainda naturalizando a idade.

Talvez um dia a idade se torne só número e vamos querer ter declaradamente mais e mais idade.

 

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