Problematizando o Victoria’s Secret Fashion Show 2017

20/11/2017  •  Por Thereza  •  Moda, Pense

Hoje rolou em Shanghai mais uma edição do desfile mais aguardado do ano: o Victoria’s Secret Fashion Show. Nada de Chanel, Dior ou Elie Saab, o desfile da marca de lingerie é um acontecimento que reúne dúzias de modelos em looks suntuosos e com quê apoteóticos. Bom, isso todo mundo já sabe e conhece, sim, eles praticamente são sempre iguais, mas irresistíveis, confesse.

victoria's secret fashion show

O que mudou esse ano? O local. O VSFS costuma ser em NY, já viajou até LA, Paris e Londres, mas agora o foco foi a China. Promover uma nova cultura? Não necessariamente, mas sim atingir outros consumidores e encantar um novo mercado poderosíssimo.

Bom, a ideia capitalista prometia ser boa, mas começou a dar errado quando algumas de suas principais estrelas tiveram seu visto negado. Várias modelos, incluindo Gigi Hadid e ainda Katy Perry (que cantaria) já se envolveram em polêmicas com a China, fazendo uso de gestos e até roupas que são considerados racistas no país. No mais, a China vive sob ditadura e, apesar de comercialmente aberta, é politicamente fechada, com isso, essas questões são mais que culturais e se a marca quis desfilar lá, isso deveria ter sido planejado e respeitado.

victoria's secret fashion show

Dito tudo isso, vamos ao desfile na prática? Eu seria hipócrita em dizer que não adoro esse frenesi, que não fico encantada com os looks, alegorias e adereços, vocês sabem que todo ano postamos sobre e até com um viés mais bem humorado, analisando as poses e bate cabelo, mas pra mim a graça não é mais a mesma. Cada vez mais algo me incomoda: o padrão. A gente não pode fechar os olhos para todos os corpos iguais, logicamente, magros, muito magros, corpos perfeitos, muitos dirão. O que é perfeito?

Há de se mencionar que, em tempos de Fashion Weeks que existe uma média de 2 modelos negras por desfile (falamos sobre isso nesse post aqui), o VSFS até se ~esforça em prezar pela diversidade. Esse ano foram 55 modelos de 20 países e, diferente dos outros anos, mais modelos negras e chinesas.

victoria's secret fashion show

Mas e os corpos? E as manas gordas, plus size, curvy, como quiser chamar?

Não teve umazinha pra contar história. Nem umazinha pra dizer “olha como quebramos padrões”. Em tempos que a sociedade cada vez mais se mostra atenta a essas questões e, principalmente, cada vez mais marcas tem buscado se mostrar inclusivas, seja nas passarelas ou numa grade mais democrática, a Victoria’s Secret parece que parou no tempo e no espaço.

Você pode amar esse universo, você pode ser magra, você pode até não se importar com isso, mas é preciso fazer uma reflexão, simples assim. Saem os looks, tutoriais de maquiagem e dicas de cabelos, e entra o pensamento dessa nova era que todos nós estamos não só vendo, como vivendo.

victoria's secret fashion show

Top models como Ashley Graham e Candice Huffine tem ganhado mais e mais destaque no meio e, não apenas como uma modelos plus size, mas como apenas mais uma modelo, simples assim. Daí chega a VS e é incapaz de dar espaço para essas mulheres? E vale lembrar que o padrão da marca anda tão deturpado, que dizem que a Izabel Goulart foi barrada por não ter o dito corpo ideal, vejam só.

Eu não entendo. Quer dizer, entendo sim, a tal da diversidade vai até a página 2 e a maior marca de lingerie do mundo, sempre com seus desfiles apoteóticos e suas lingeries deslumbrantes, fica demodé no assunto que tá mais na moda: a quebra de padrões.

Muita gente pode pensar sobre o tal do inspiracional e “é disso que o povo gosta”, mas só isso não paga as contas de empresa nenhuma. Enquanto a VS vem sofrendo com a queda do faturamento, foi noticiado recentemente que marcas de lingerie  que aumentaram sua grade, viram um faturamento maior que em qualquer outro segmento da moda.

É uma pena, é triste, mas ainda bem que diariamente vemos mais e mais mulheres representando esse novo cenário e, mais do que moda, está virando um clássico, um lugar comum. Vamos banalizar isso, vamos acostumar nosso olhar a ver mulheres com diversos corpos, tamanhos e alturas na passarela. E que vergonha de uma empresa com a Victoria’s Secret não ter se atentado pra isso em pleno 2017.

victoria's secret fashion show

Feliz ano velho, VSFS. Melhore.

Ed Westwick é acusado de estupro.

07/11/2017  •  Por Thereza  •  Celebridades, Pense

Foram dezenas de posts sobre Gossip Girl aqui no Fashionismo. Dos looks das personagens aos saudosos lives, também tinham os posts únicos e exclusivamente dedicados ao personagem Chuck Bass. Geralmente era uma foto e uma frase e só. Esses posts bombavam, eram centenas (sem exagero) de comentários para uma simples foto. O personagem era um ídolo de uma geração.

Já o ator Ed Westwick, nem tanto. Agora mais do que nunca. Ele sempre foi muito blasé, dava umas entrevistas sem graça, mas a gente projetava o icônico – e muito problemático, diga-se de passagem –  personagem nele.  Mas hoje saiu uma notícia que eu precisava compartilhar, se por anos exaltamos, que sejamos as primeiras a rejeitá-lo, criticá-lo e, o mais importante, fazer barulho para essa situação não passar impune.

Em meio a todo esse Efeito Harvey Weinsten (o produtor de cinema que vem sendo denunciado por assédio por dezenas de atrizes), muitas mulheres tem tido força e compartilhado suas histórias de abuso sexual. E hoje foi a vez do ator, a atriz Kristina Cohen fez um relato emocionante e acusando-o de estupro há 3 anos, na casa dele. Ela contou que estava lá com seu namorado, amigo de Ed, e depois de um pedido de sexo a três pelo ator, declinado por ela, Kristina estava cansada e acabou cochilando no quarto de hóspedes e eis que desperta com…

“Ed em cima de mim e seus dedos entrando em meu corpo. Eu disse a ele para parar, mas ele era forte. Eu lutei contra ele o máximo que pude, mas ele agarrou meu rosto com as mãos, me sacudiu e disse que queria me foder. Fiquei paralisada, aterrorizada. Eu não conseguia falar nem me mover. Ele me segurou e me estuprou.”

O relato completo é triste, doloroso e muito real, você pode ler completo aqui. Homens poderosos, com boa rede de relacionamento e que são mais fortes – não só fisicamente – que qualquer mulher vítima.

🙏🏼

Uma publicação compartilhada por Kristina Cohen (@kristinamariecohen) em

Agora junto a isso já li comentários questionando “e se não for verdade”, “ela nem é tão famosa assim, isso deve ser mentira” e por aí vai. O machismo de preferir acreditar no estuprador do que na vítima e isso acontece tanto. Logo, finalizo o post com o comentário muito importante que li no Grupo do Fashionismo de uma leitora que trabalha com essa questão do acolhimento no quesito saúde mental das mulheres que passam por isso.

“Primeiro, a gente sempre parte da ideia que a denúncia/relato é verídico. Por quê? Porque o custo emocional de fazer esse tipo de relato é absurdamente alto. Tem um milhão de variáveis envolvidas. Primeiro, o peso emocional de reviver momentos traumáticos. Segundo, vivemos num contexto em que SEMPRE vai ter alguém duvidando, questionando, achando estranho, culpabilizando a vítima, perguntando pq ela não fez nada pra se defender, pq ela se colocou numa situação x, y z… Como resultado disso, a pessoa, além de ter que lidar com a dificuldade de reviver o passado pra contar o que aconteceu, já faz o relato com o peso/medo/ansiedade de saber que vai vir uma porção de aversivos e punições muito intensas logo depois que ela abrir a boca. Essa tensão prévia ao relato faz as pessoas demorarem mais tempo pra conseguir denunciar, ou mesmo desistir.

Terceiro, fazer um BO pra esse tipo de delito é mais que um parto, sério. As equipes em delegacias em geral não tem um bom preparo pra acolher uma pessoa na situação de alguém que acabou de ser abusada. Todas as coisas sobre “consequências do relato” que eu falei antes acontecem, em geral, também no momento do BO. Fazer a denúncia envolve exames, questionamentos e todo um processo extremamente desgastante. No caso da Kristina, tem relações de poder e exposição de imagem que agravam muito a situação.

Esse cara tem fãs que agravariam a questão dos questionamentos e retaliações pela denúncia. Esse cara tem dinheiro, é famoso. Esse cara é um homem. Por último, existe relato falso? Existe. Um a cada tipo mil. Então se não for considerar as variáveis psicológicas, vamos considerar a matemática probabilística.”

Dito tudo isso, que ele seja punido e que da nossa parte a gente compartilhe esse caso pra fazer muito barulho, boicote  unfollow (eu só não tiro o rodapé agora porque eu não sei de programação, mas vai sair logo) e que isso não fique impune. xoxo

 

Não compre hoje, o look do dia de amanhã!

31/10/2017  •  Por Thereza  •  Pense

Dos diferentes criadores de “Não compre carro hoje, espere até amanha”, não compre o seu look de hoje pra eventualmente usar amanhã.

Veja bem, eu não tô dizendo pra você ser desorganizada e não agendar seus looks, mas o nome ja diz: é look do dia, do dia de hoje, da existência agora, do tempo presente, #mindfulness.

Explico.

Eu já perdi as contas de quanta roupa já comprei pensando coisas como: “semana que vem eu vou emagrecer um pouquinho e vai caber”, “no dia da festa estarei desenchadinha e o último botão vai fechar”, “esse material cede fácil”, “o couro desse sapato super laceia”. Eu não vou mais comprar roupa e condicionar a um futuro hipotético, não vou mesmo.

E a pior parte, e a mais comum de todas, eu não vou mais manter roupa no meu armário na esperança de um dia voltar a caber. Vocês tem roupas que esperam um dia voltar a caber e ficar legal? E, veja só, não tô dizendo nem a respeito de uma dieta radical, mas daquela blusinha que não te cabe mais simplesmente porque seus peitos cresceram, sua coxa ficou mais sarada, sei lá, você mudou. Isso sem falar no estilo, em 2009 era o seu, hoje nem tanto.

Outro dia postei sobre a organização de armario à la Marie Kondo (post que vale reler sempre) e ela é pragmática: não mantenha roupa que não caiba em você. Isso pode ser frustrante. Vou reproduzir aqui um dos critérios do descarte de Marie:

“Esse item deixa você feliz? Aquela saia que você comprou um tamanho menor e nunca conseguiu usar, um livro encostado por muito tempo, nada disso provavelmente te deixa feliz, mas sim pressionada ou é simplesmente algo inútil pra você.”

Ah Thereza, mas eu não vou sair jogando fora estimadas roupas. Claro que não, em tempos de brechós e Enjoeis, voce pode até faturar um pouquinho e ainda ser sustentável, mas manter o que não te pertence? Pense bem, quebre esse hábito, dê uma variada.

Vamos fazer um exercício? Lógico que até existe uma ou outra roupa com apelo sentimental, mas quantas roupas, seja aquela brusinha da Zara ou sainha da Renner, que não te pertencem mais? Aquele item que você guarda no armário e simplesmente não cabe mais em você, não é seu estilo?! Enfim, pense nisso.

 

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