Como ter um blog

27/03/2017  •  Por Thereza  •  Pense

Entra na internet, cria um nome, registra um domínio, se cadastra no wordpress e compartilha o que você ama.

Resolvi falar sobre blogs hoje, porque o Fashionismo completou 9 anos ontem e me deu vontade de falar! Ao longo dessa quase década e mais de 7.100 posts publicados, uma certeza: eu faço o que amo. E, ao longo dos últimos anos, tenho buscado cada vez mais defender esse veículo blog. Amo quando tem post novo de amigas blogueiras, fico triste quando blogs param de ser atualizados, torço por uma nova geração se formando e busco incentivar quem deseja ter – ou voltar a ter – seu domínio na Internet.

Ao longo dos últimos 5 anos, vimos a invasão das redes sociais, a hegemonia do Instagram e sua vida perfeita e editada, a presença generalizada do Facebook e “no que você está pensando”. Tem também o Twitter e suas adoráveis aleatoriedades e até mesmo o Pinterest e seu mundo cor de rosa (pantone 13-520 tcx). Junto a isso, vimos o Youtube se transformar de lugar para ver vídeos aleatórios, para ser palco de um verdadeiro reality show, show!

O que difere o blog disso tudo? É que, enquanto em todos esses acima, você é /algumacoisa, no blog você.é.com.br. Literalmente falando, é o seu domínio, é seu e pronto. Se um dia o Mark Zuckerberg quiser virar um monge tibetano e desligar os servidores do Vale do Sílicio, seudomínio.com.br seguirá intacto. Ok, isso não é suficiente, eu sei, mas se você seguir criando bom conteúdo, de forma genuína, autêntica e interessante, você será lida/vista/assistida.

Digo isso, porque enxergo o blog como a origem de tudo, a base, a sede do seu conteúdo. É lá (ok, aqui) que falaremos das coisas, compartilharemos nossos textos, ideias, novidades, looks. Uns chamam de revista digital, outros de portfolio online, ainda tem aqueles que falam site ou portal, mas o blog é um veículo de informação na internet, um local pra você falar sobre o que ama, domina, o que você quer compartilhar com o mundo. As redes sociais são uma forte ferramenta, mas complementam o tal conteúdo do blog, umas de forma até mais relevante, mas o legal do blog é que ele pode ir além dos 140 caracteres do Twitter ou 24 horas do Snap/Stories, um blog pode ir bem além.

Vez ou outra me perguntam o que fazer pra ter um blog (nem vou mencionar a palavra sucesso ou não, porque isso vai depender de outros fatores e também do ponto de vista) e eu amo falar sobre isso, defender esse universo e querer cada vez mais e mais gente blogando. Enquanto Instas e Faces andam tentando definir o que vemos, é tão bom ter a autonomia de poder entrar no www que bem entender. Acredite, esse movimento de ter o conteúdo livre e independente – como era 5 ou 7 anos atrás, está voltando. Ainda bem, afinal, pagamos a internet pra ver o que a gente quiser e não o que o Mark definir (Mark, please, não diminui meu alcance orgânico, hein).

E voltando à pergunta sobre como fazer um blog, talvez a resposta não tenha fórmula, mas seja mais simples que se imagine: fale sobre o que você ama. Ama moda? Fale sobre ela. Adora sapatos e bolsas? Blogs de nicho tem um alto alcance. Gastronomia, decoração, coisas saudáveis, imagens bonitas, poesia, ter blog é gratuito e o retorno não tem preço, acredite.

Quando me perguntam como ter ~criatividade pra manter um blog com muitos posts e sempre atualizado. A resposta é igualmente simples, se afogue em inspiração. Sério, se rodeie de ideias, seja uma revista, um programa, uma ida ao shopping, uma amiga descolada. As minhas ideias de posts vem do dia a dia, do que vejo, intuição, de uma sensibilidade que fui apurando com o tempo. Afinal, falo do que eu amo, portanto vem tudo natural e totalmente incorporado ao meu dia a dia. E justamente por isso que gosto de ler blog de gente na 1a pessoa, se eu gosto de alguém, eu quero saber o que ela curte, o que ela pensa e até o que ela compra #influenciadadigitalmente.

E o mais legal de ter seu blog, não é só compartilhar ideias, mas sim TROCAR ideias. Os blogs começaram fazendo sucesso 10 anos atrás justamente por isso, a gente lia um post e sabia que tinha uma pessoa tão real e amiga quanto você disposta a trocar ideias e isso é incrível.

Se o mundo como um todo está em plena transformação, acredito que esse movimento pela volta dos bons tempos da vida real retorna com tudo. Assim sendo, espero ver uma nova geração de blogs, blogueiras e gente na internet disposta a falar de coisas, pessoas ou, simplesmente, trocar ideias! Sem nenhuma pretensão, mas com altas expectativas.

Se você pensa em ter – ou voltar a ter – um blog, o que eu posso falar é: faça, se jogue, vai dar certo. E você, que não quer ter, mas acompanha blogs (“antigamente eu lia tantos, hoje são poucos”, eu recebo muito esse tipo de comentário, entendo e fico triste, pois também sinto essa falta), leia mais, se abra para outros, veja o blogroll, isso vai ser muito legal e sem dúvida reforçará esse ideal.

Nesses 9 anos, já fiz muitos posts falando do universo dos blogs e suas transformações e afirmações, mas hoje fico muito feliz em ver que nessa década, o tal do boom passou e hoje vemos bons clássicos, gratas surpresas e uma nova geração disposta a seguir compartilhando ideias, simples assim!

E você, enquanto leitora, o que gosta de ver em blogs? E enquanto blogueira, o que tem pensado? Se curtirem o tema, podemos ter uma tag fixa sobre pra gente trocar ideias e saber de todos os lados!

Carta aberta à blusinha curta

13/03/2017  •  Por Thereza  •  Estilo, Moda, Pense

Sumam, pfvr! Esse sim é o grande comprimento ingrato.

Explico, estava passeando pelas Forever 21 e fast fashions da vida e elas estavam infestadas, tipo enxame mesmo, de blusinhas curtas. Uns tops que pararam pela metade, uma economia de blusa que provavelmente fizeram 2 e lucraram 4. Você olha assim de longe a blusa pendurada no cabide e vê o maior potencial “nossa que brusinha maneira”, mas aí chega perto e pá, ela parou ali meio palmo acima do umbigo.

A blusinha é legal, tinha tudo pra ser sucesso, mas nasceu e foi ao cabide prematuramente. Why?! Veja bem, nem é a moda do top cropped oficialmente em si, mas é blusinha faltando pano mesmo! Ela pára na esquina do nada com o lugar nenhum, é um padrão não definido, é uma coisa quase nonsense, um esquisitice fantasiada de viscolyra.

Entendo, as marcas estão criando cada vez mais roupa pros millenials pra molecada, isso é roupa de adolescente em 1994 e nem falo da volta da trend dos anos 90, mas sim de roupa incompleta e mal elaborada. E a questão nem é ser – ou não ser – magra e colocar o abdômem pra jogo, é uma blusa infelizmente curta e que não favorece provavelmente ninguém. Eu não sei a origem dessa trend e nem onde ela vai chegar, mas é uma pena ver blusa com potencial ser desperdiçada com 5cm de pano a menos.

E mais, a própria Forevinha é rainha nisso não só no comprimento, mas você vê de longe uma blusa com potencial e na hora de pegar… tem uma coisa esquisita, seja “Tacos”, um recorte aleatório, uma coisa sem sentido… eu já disso comprimento ingrato? Aliás, não sei se tenho ficado mais velha ou seletiva, mas tenho conseguido cada vez menos comprar roupa na marca, tudo muito curto, muito estranho ou muito pequeno, os padrões estão cada vez mais deturpados e limitados, mas isso é papo pra outro post.

E vocês, já perceberam essa onda da semi brusinha e sofreram com um modelo quaaase perfeita?

New York Política Fashion Week

21/02/2017  •  Por Thereza  •  Fashion Week, Moda, Pense

Alguém tem alguma dúvida que a moda é uma ferramenta poderosíssima para falar de assuntos que abrangem um universo muito além do look do dia? Pois bem, nessa última New York Fashion Week, dezenas de estilistas mostraram que não estão satisfeitos com algumas questões que tangem nossa sociedade.

E é impossível não falar de Trump! Seu posicionamento contra a imigração foi um dos principais assuntos dos protestos vistos nas passarelas, afinal, muitos dos estilistas são imigrantes, trabalham com imigrantes e tem amigos imigrantes, ou seja, que a roupa seja a voz contra essa intolerância.

Junto a isso, vimos cada vez mais espaço ao movimento feminista. Se em outubro passado, Dior falou “We Should All Be Feminist” (título do livro da escritora nigeriana, Chimamanda Ngozi Adichie), nessa edição várias marcas endossaram o movimento, seja através de t-shirts, looks inteiros, detalhes, músicas, enfim, desde quando a moda é fútil? Não só movimenta uma indústria riquíssima, como nos abre espaço pra debater. Vamos aos destaques!

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TOMMY HILFIGER O estilista inaugurou a temporada, lá em Los Angeles, com um desfile repleeeto de insta-top-models e uma mensagem, mesmo que discreta, importante. O “Tied Together” é uma campanha criada pelo site Business of Fashion com o intuito de movimentar a indústria da moda em solidariedade a imigrantes e minorias.

A ideia é que seja “um movimento silencioso e não necessariamente uma declaração política, mas sim de positividade em apoio à humanidade, incentivando  entusiastas da moda e  pessoas de fora da indústria a participar”. Topa?

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PRABAL GURUNG Sem dúvida o manifesto de Prabal Gurung foi o de maior impacto da temporada. O estilista, nascido em Singapura, levou à passarela dezenas de modelos e t-shirts com mensagens da vez e palavras de ordem.

Ele contou que participou da Marcha das Mulheres – manifestação que rolou no último mês em várias cidades dos EUA e mundo – e os cartezes que viu o inspiraram pra criar essas camisetas. Pra completar o movimento, o estilista foi um dos poucos a se preocupar com inclusão de outro tema cada vez mais falado, trazendo modelos plus size à passarela.

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JONATHAN SIMKHAI O estilista sensação do red carpet, que veste nomes como Kylie Jenner e Emily Ratajkowski, não só encerrou o desfile com sua camiseta “Feminist AF” (af = as fuck = %#&!@*), mas também distribuiu pra todo o frontrow do evento.

Melhor maneira de propagar a mensagem entre influencers selecionadas, que logo botaram em prática pelas ruas da cidade.

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ALICE + OLIVIA, CREATURE OF COMFORT E CINQ À SEPT Sejam em camisetas ou moletons, a ideia é passar a mensagem. “Seja a mudança que você quer ver no mundo”, “Somos todos seres humanos” e “Eu amo todo mundo”, mensagens simples, mas com endereço certeiro.

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PUBLIC SCHOOL Já a super cool e alternativa, Public School, substituiu a ex-célebre e agora famigerada frase dita por Trump, “Make America Great Again”, por “Make America New York”, numa referência ao fato da cidade ser sempre receptiva e viver em harmonia com todos o tipo de raça, gênero, gente, simples assim.

LÍNGUA FRANCA Paralelamente à NYFW, uma marca foi lançada justamente pra dar voz em formato de looks às mensagens da vez. A Língua Franca tem uma coleção bordada que destaca a luta dos imigrantes, a saudade do Barack e ainda um possível grito de liberdade pra Melania.

THE ROW A marca das gêmeas Ashley e Mary Kate Olsen também deram voz ao manifesto. Assim como sua marca, super cool e minimal, o recado foi bordado de forma discreta em detalhes das roupas. Palavras como “diginidade”, “liberdade” e “esperança”, como deve ser!

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CHRISTIAN SIRIANO Por fim, Christian Siriano foi simples, mas certeiro e reproduziu o título de uma música do Depeche Mode, afinal, ~gente é gente e como a letra diz “Pessoas são pessoas, então porque é que você e eu temos que nos dar tão mal?”. Aliás, o estilista segue cada vai mais inclusivo – teve post assim sobre ele aqui – e mostrando um casting bastante heterogêneo, ponto pra ele!

Vale dizer que basicamente todas essas camisetas tem venda revertida pra instituições que falam sobre mulheres, imigrantes ou basicamente lutam contra Trump. Sabemos que o feminismo é a pauta da vez, muita gente acaba surfando na onda, mas se no final todos estão falando e quem precisa está colhendo frutos, o saldo é mais que positivo!

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