Tecido feito de abacaxi? Laranja?? Algas???

08/04/2019  •  Por Thereza  •  Moda, Pense

Sustentabilidade e fast fashion, palavrinhas que nunca combinaram muito. Agora convenhamos, os tempos são outros, podemos ainda comprar em marcas de moda rápida, consumir esse tipo de roupa, mas cada vez mais temos ficado atentos à mudança do mercado no que diz respeito à sustentabilidade.

E as marcas de fast fashion que não se adaptam e buscam o mínimo de evolução… ficam pra trás! Marcas gigantes – e polêmicas – já tem lançado linhas exclusivas e trabalhadas na sustentabilidade, como a H&M Conscious (falamos aqui) e Zara Join Life (falamos aqui). Se isso ainda é muito pouco num universo que precisa de uma mudança mais drástica, na semana passada foi anunciado um importante passo na descoberta de novos materiais, olha essas 3 inovações  no meio de tecnologia têxtil que a H&M vai lançar na sua próxima coleção.

Piñatex, uma alternativa de couro feita a partir da fibra de celulose das folhas de abacaxi (que se tornam resíduos depois que a fruta é colhida). Essas folhas são descartadas da colheita de abacaxi, portanto, a matéria-prima não requer recursos ambientais adicionais para produzir. Esse neo couro será usado em sandálias e botas.

Orange Fiber, um tecido semelhante à seda feito com cascas de laranjas no final do ciclo de produção de suco, ideal para ser usado em vestidos leves e finos. Em 2017 postei aqui sobre a Salvatore Ferragamo e o uso da casca de laranja italiana para desenvolvimento de tecido para a criação de seus icônicos lenços.

Bloom Foam, uma espuma de alto desempenho feita a partir de biomassa de algas, que “limpa o ambiente e reduz o risco de proliferação de algas, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis”, segundo o site da empresa que ainda afirma que 225 garrafas de água são economizadas para cada par de calçado usado com o material. Essa espuma será usada principalmente nos solados dos calçados da marca.

Segundo a H&M, seu grande desafio é aliar sustentabilidade ao estilo, “Se a estética não for 100%, nossos clientes provavelmente não vão gostar”. As fotos acima são da campanha da nova coleção (lançada agora em abril) e que já usam os 3 materiais, além do cada vez mais comum algodão orgânico.

E esse papo me lembrou muito de uma palestra que assisti ano passado do Oskar Metsavaht (aka Osklen) no lançamento do seu documentário sobre sustentabilidade. Ele bateu nessa mesma tecla e revelou que o grande desafio da sua marca é trazer essa dose de fashionismo às roupas sustentáveis e tirar o estigma que roupa assim não tem estilo.

Confesso que ainda estou longe de abolir marcas não-sustentáveis do meu armário, mas amo esse universo de tecnologia e descoberta de novos materiais no mundo da moda, sem dúvida um tema que precisa fazer muito mais parte de quem ama – e trabalha –  com moda!

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