Estilista do Dia: Christopher John Rogers

05/05/2021  •  Por Thereza  •  Estilo, Moda

Estilista do Dia é uma das tags mais antigas daqui do Fashionismo e, particularmente, uma das minhas favoritas! Nela, a ideia é compartilhar nomes em ascendência no mundo da moda e/ou que estão dando o que falar por alguma razão fashion específica.

Por aqui, já percorremos a história de nomes como Jason Wu (o primeiro da tag num post lá de 2010), Jacquemus, Virgil Abloh, Carly Cushnie, Christian Siriano, Brandon Maxwell, entre tantos outros. E o nome do estilista do dia de hoje vocês nem precisam anotar, pois o céu será o limite para Christopher John Rogers.

Imagina cair nas graças de Rihanna, Michelle Obama, Cardi B. – e isso só pra citar algumas – num curto período de tempo? Pois bem, o feito pertence a Christopher John Rogers, estilista de 27 anos, nascido na Louisianna e que construiu sua carreira no Brooklyn. Ele começou a criar roupas ainda criança, inspirado nas histórias em quadrinhos que lia. Seu senso estético começou a evoluir graças a muitos experimentos, que iam de tecidos baratos e aleatórios até mesmo à modelagens com saco de lixo.

O turning point da carreira de CJR? A premiação do CFDA (Council of Fashion Designers of America). Em 2019, o estilista foi agraciado com o “FASHION FUND” um prêmio que não é uma estatueta, mas sim uma boa grana para alavancar e estruturar a marca, importantíssimo, especialmente em tempos tão difíceis da moda (e do mundo, né).

E Christopher foi escolhido justamente por se destacar no meio, logo, faturou U$400.000 e 1 ano de mentoria do Conselho – o que é muito importante, visto que muitos jovens estilistas em ascensão não conseguem lidar com o Business da moda e se perdem no meio do caminho! Esse prêmio já foi dado a estilistas em início de carreira, como, Joseph Altuzarra e Proenza Schouler, hoje nomes estabilizados da moda.

Agora o que é que CJR tem? Uma moda viva, autoral, cores e mais cores. Segundo ele, sua moda serve pra “basicamente encorajar as pessoas a ocupar espaço, a se assumirem”. E o que chama a atenção são os shapes fora do comum, ousadia, cores saturadas, “A cor é a forma como vejo o mundo, mais do que qualquer referência específica, qualquer década, ou tipo de roupa, ou silhueta.”

Pra ele, cor é o método que o faz feliz e a forma que ele deseja fazer as pessoas felizes. Resumindo, ele cria roupas com ousadia, alegria e o uso de cores está no dna da marca. O sucesso é tanto que ele virou hit recente no tapete vermelho e até com coleção para a fast fashion Target, popularizando mais ainda a sua marca. Mas o ponto alto de sua carreira veio num ato político: Kamala Harris usando um trench coat de sua marca na posse de Joe Biden, em janeiro.

Como um estilista negro, CJR se torna mais ainda representativo e sua moda – e voz – se destacam especialmente no tapete vermelho, onde cada vez mais, se tornou um espaço não apenas para vermos lindos vestidos, mas também pra elas usarem uma roupa com mensagem e simbologia.

Nessa geração de estilistas, Christopher John Rogers se destaca, é o ar fresco que a moda precisa respirar e a exuberância que os admiradores gostam de contemplar. E mostra que tem um longo caminho pela frente e desde já aclamado por nomes como Tracee Ellis Ross, Lady Gaga, Zendaya e grande elenco. É pra ficar de olho!

Conheciam o estilista? Gostam dessa tag?

Estilista do dia: Jacquemus

05/07/2018  •  Por Thereza  •  Moda

Anote esse nome: Simon Porte Jacquemus, estilista francês de 28 anos e a nova sensação da moda francesa com sua Jacquemus. Há algumas temporada ele vem numa boa ascendência, mas 2018 tem sido O ano dele.

O que difere Jacquemus do tão competitivo universo fashion parisiense? Ele mesmo traduz, “eu comecei com nada e do nada. Queria criar algo para essa nova garota francesa que eu não via na passarela; a garota que consegue ver poesia moderna em uma camiseta branca”. Sabe o estereótipo da garota parisiense super cool, despretensiosa e blasé? Bom, a ideia dele é quebrar isso!

Numa recente matéria sobre o designer, falou-se mais do motivo de seu sucesso e sua despretensiosidade natural,  “quando ele apareceu, não se estava pensando fora da caixa. Simplesmente não havia caixa nenhuma! Ele não estudou moda, não tinha nenhuma habilidade aprendida na faculdade, nenhum conhecimento do sistema da moda. Sua energia era tão irresistível, tão real e genuína… E suas roupas são sexies de uma maneira que as marcas avant-garde não fazem”.

Resumindo, Jacquemus é a síntese da nova moda francesa, depois de uma geração de marcas que buscavam reinterpretar grandes maisons e também de marcas pseudo descoladas, como a polêmica Vetements, a marca é considerada um sopro de ar fresco vindo diretamente do sul da França (onde Simon nasceu). Agora vamos falar de suas roupas?

jacquemus

Rihanna, Beyoncé, Kim Kardashian e grande elenco, AMAM as peças sexies, ousadas e com cara de conforto do estilista. Segundo ele, sua marca comunica uma “elegância despojada, sensual e atemporal, remetendo um universo solar e natural, como de minha origem, na região de Provence”.

Os shapes de suas roupas são femininos, com mega decotes, mas ao mesmo tempo peças largas, com muito tecido e silhuetas exageradas!

Por falar nisso, o que me fez chamar a atenção no estilista, foi esse 1º look que a Kim Kardashian usou há uns meses. Parece uma camisa social desconstruída, é super sexy, decote profundo, mas com jeito de confortável e com aquele tecido de algodão bom de vestir. Essa semana ela ainda usou uma versão longa do mesmo look e até Emily Ratakowski, musa da marca, também já teve seu little white dress!

jacquemus

E não pense que são só as roupas que chamam a atenção do estilista sensação, os acessórios também! E foco nas bolsas, nas bolsinhas, nas tiny bags. No início do ano já postei sobre elas e os modelos estão nas mãos (ou dedo mindinho) das famosas! E bem como seus sapatos, com pegada geométrica arquitetônica, também tem sido desejo entre e-commerces e fotos pelo Instagram.

Pra quem gosta de moda mesmo e ver essa nova onda de estilistas, vale ficar de olho em Jacquemus e na sua força pra chacoalhar a moda francesa!

Era uma vez a Dolce & Gabbana…

26/06/2018  •  Por Thereza  •  Estilo

Uma marca italiana famosíssima, criada por Domenico Dolce e Stefano Gabbana, sempre com peças extravagantes, estampas mirabolantes e desfiles capotantes. Inegável sua força nos tapetes vermelhos, editoriais de moda e qualquer lugar que tenha moda, tem D&G. Ou teria?

Tudo muito bom, tudo muito bem. Eis que de uns anos pra cá, a marca tem sido mais falada por suas polêmicas em entrevistas e redes sociais, do que por seus – inegáveis – belíssimos vestidos e acessórios.

Tudo meio que começou em 2013, numa entrevista sobre sua coleção #DGFamily, ao ser questionado o fato de não ter filhos, Domenico afirmou, “uma criança quando nasce deve ter um pai e uma mãe. Ou pelo menos deveria ser assim. Não me convencem aqueles que eu chamo de filhos da química, crianças sintéticas. Úteros de aluguel, quase escolhidos por catálogo. E depois vá explicar a essas crianças quem é a mãe”.

A polêmica foi muito forte e na época, nomes como, Courtney Love, Madonna, Victoria Beckham e Elton John (que tem filhos através de fertilização in vitro), vieram a público demonstrar insatisfação e sugerir boicote à marca, com a #BoycottDolceGabbana.

Depois disso, foram muitas outras polêmicas e comentários preconceituosos e gordofóbicos no Instagram. Num deles, ao ser criticado por seu tênis escrito “Magra e maravilhosa”, ele respondeu assim, “Quando a idiotice distorce a realidade!!! Inacreditável!!! Da próxima vez vamos escrever ‘Amo ser gorda e cheia de colesterol’. Pra todos os haters: muuuuito obrigado, recebemos 20% mais pedidos por esses sapatos depois dos seus comentários. Amo vocês, eu sou magro e maravilhoso”.

Vale lembrar que o modelo “Thin & Gorgeous” de fato foi ~sucesso e até aqui no Brasil, a versão bolsa foi vista recentemente nas mãos de Giovanna Lancelotti, na estréia da última novela das 9. Gostaria de acreditar que ela não leu a mensagem (ou não sabe inglês?!??), mas quem usa uma afirmação dessa, compactua com a gordofobia.

E a mais recente polêmica da dupla mexeu com o fandom errado: Selena Gomez, a nº 1 do Instagram! Numa postagem com fotos da cantora, Stefano comentou do nada, “ela é tão feia!!!”. O bullying pegou muito mal e os Selenators não deixaram barato, mas parece que o estilista nem se importou e seguiu com o deboche.

Onde quero chegar com tudo isso? É que talvez as polêmicas finalmente passem a doer no bolso e no prestígio da dupla. Confesso que não entendo quem, em sã consciência dos acontecimentos, usa a marca, mas parece que já existe um movimento poderoso para boicotar Dolce & Gabbana dos tapetes vermelhos.

Na semana passada, rolou nos EUA um painel sobre “O futuro do tapete vermelho”, promovido pelo site The Business of Fashion, com diversos nomes importantes da área e a marca foi assunto.

A top stylist, Karla Welch (1° lugar no ranking do THR), que cuida de nomes como Justin Bieber, Lorde, Karlie Kloss e Amber Heard, disse que já estava atenta ao posicionamento da marca, mas com o caso de Selena foi a “gota d’água” e revelou que mandou tirar imediatamente todas as roupas e acessórios da marca de suas araras de produção.

Já Jason Bolden, stylist responsável pelos looks de Taraji P. Henson, Gabrielle Union e Mary J. Blidge contou que boicota a marca há anos, justamente por conta de seu lado controverso, “apesar dos belos vestidos”.

Nem Selena Gomez, nem Kate Young (stylist da cantora e de muitos outros nomes importantes, como Dakota Johnson e Michelle Williams), se posicionaram a respeito, mas sem dúvida a marca, que pouco fez, não fará mais parte do seu repertório fashion. Acho que já era hora e ainda bem que os stylists precisaram tomar a frente dessa situação desnecessária e ultrapassada.

E vocês, conseguem ainda admirar a marca ou pessoas preconceituosas não passarão, apesar dos lindos vestidos?!