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O que é que a Phoebe Philo tem?

03/08/2021  •  Por Thereza  •  Estilo, Moda

Se você é ligada em moda, mais precisamente em grandes nomes da moda, notou que no último mês uma notícia tomou conta dos noticiários especializados: o retorno de Phoebe Philo. Depois de mais de 3 anos da sua saída da Céline, a estilista em breve retornará em seus próprios termos, aka, marca própria!

Daí o burburinho foi tanto que me fizeram uma pergunta, “Thê, pq esse retorno está causando tanto fuzuê?, logo, a sua dúvida vira um post, obrigada!

Phoebe Philo é uma estilista inglesa de 48 anos, estudou na prestigiada Central Saint Martins, em Londres, e seu primeiro trabalho de destaque foi na francesa Chloé, como assistente de Stella McCartney, até essa seguir carreira solo.

Então, em 2001 assumiu a direção criativa da marca e foram 5 anos de grande sucesso ainda que com a discrição que Phoebe preza. A marca produziu não apenas hits (como a Paddington bag, a bolsa com cadeado), mas um movimento de moda que certamente fomos impactadas em nossas pacatas rotinas de uma era pré-blogs e internet.

Foi aí que Phoebe, num considerado ato de ~loucura, dada a sua força ascendente na moda, pediu demissão para cuidar da sua família e voltar para Londres.

Foram 2 anos de período à paisana, até seu retorno para uma então apagada Céline e esse foi o grande turning point de sua carreira, da marca e também, pq não dizer, da moda como enxergamos hoje. Foram 9 intensos anos que deixam um legado até hoje (dizem que Bottega Veneta bebe dessa água).

E é aí que vem a pergunta “o que é que a Phoebe Philo tem?”, o que uma mulher super discreta, sem redes sociais (uma vez disse, “o mais chique que se pode ser é não existirmos no Google?”) e longe do mercado há anos pode ter de tão retumbante no seu retorno?

É aí que vale a explicação da sua importância no mundo da moda, a frente de um movimento que inspira marcas e tem premissas básicas, mas contundentes: minimalismo + conforto + sofisticação.

Phoebe sempre uniu com maestria itens aparentemente simples, porém complexos. E tudo depois de uma geração mais ousada, exagerada, nutrida de logomanias, sua Celine era discreta, cool, de linhas limpas e o que era pra ser apenas mais um ~estilo de vida, se tornou um movimento.

Para Phoebe, suas roupas eram menos sobre exibição de corpo e mais sobre conforto, a roupa era um objeto de bem-estar. E aos que achavam que sua moda não era sexy… que nada, pra ela, a tal imagem sexy se relacionava muito mais com o poder de uma mulher em se vestir e sentir bem do que propriamente com o seu corpo à mostra.

Outro ponto de destaque era a visão de uma mulher contemporânea e neo mãe sobre a moda sem ser clichê, sendo muito fashion ainda que 100% confortável e discreta. Tudo isso se dava ao fato de suas roupas serem mais racionais, atendendo a demanda de suas clientes e não pela simples vontade da estilista criar algum fashionismo qualquer.

Suas peças na Céline sempre buscavam uma espécie de “solução” e fugiam de qualquer linha cronológica de moda, movimento ou tendência. O resultado? Atemporal e as outras marcas assim passaram a refletir essa tal nova era.

Já seu feminismo na moda era mais contundente, ainda que mais discreto que uma t-shirt à la “We should all be feminist” , o simples ato da licença maternidade, de ser “dona de casa” por um período sabático diz muito do seu poder sobre sua carreira. Ainda que privilegiada, Phoebe sempre deixou claro esse seu lado e na moda sempre tratou as roupas com racionalidade e praticidade.

Junte a isso, o universo esportivo e o casamento perfeito que Phoebe fazia com a alfaiataria criando praticamente um uniforme de estilo para sua cliente sempre de forma confortável, ainda que muito (muito!) luxuosa. A própria estilista sempre foi exemplo de vestir pretinho básico e seu tênis Adidas Stan Smith branco velho de guerra.

Resumindo, sua moda se baseava em elegância sem esforço numa época que as marcas sequer tentavam, quando não era um modus operandi de fato e isso mudou nos dias de hoje e muito graças à Phoebe. 

Corta pra 2021 e a fatídica notícia que deixou o povo da moda ouriçado: no início de julho foi anunciado o retorno e Phoebe, agora em carreira solo, mas com um acionista minoritário, a super poderosa LVMH, maior conglomerado de moda e que detém a própria Céline, ou seja, relacionamento antigo.

A ideia de Phoebe é justamente manter o controle de suas criações, ter total liberdade de calendário, mas, claro, manter um suporte financeiro, afinal, a moda precisa disso.

Agora os mais aficcionados já especulam o que vem por aí. Depois de 3 anos afastada do mercado, o mundo mudou e não apenas no que diz respeito à pandemia, mas também o modo de viver, temas como sustentabilidade, diversidade racial e de corpos estão em pauta, sem contar o empoderamento feminino e a forma com a qual marcas comunicam moda.

A Phoebe focará no povo Gen Z ou para um público mais maduro, discreto, sem redes sociais? 2022 dirá e isso de alguma forma refletirá diretamente no nosso vestir do futuro, afinal, Phoebe Philo sempre teve uma grande habilidade de antecipar o que mulheres querem vestir.

 

 




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10 Comentários
  1. Avatar
    Mariana - 03/08/21 - 18h34

    Pura inspiração!

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  2. Avatar
    Camila - 03/08/21 - 20h59

    O fato de eu não saber se essas fotos são antigas ou recentes diz muito! Atemporal mesmo!

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  3. Avatar
    Juliana - 03/08/21 - 21h07

    Clap clap clap!!! So vindo no seu site mesmo para conseguir um review nao-generico sobre esta noticia!!!

    Obrigada pelo conteudo de qualidade (de sempre)!

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  4. Avatar
    Nathalia - 04/08/21 - 13h08

    não sei o que vem por aí no novo fashionismo, mas posts como esse são maravilhosos!

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  5. Avatar
    Pousadas Praia do Rosa - 04/08/21 - 15h24

    Que perfeição

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  6. Avatar
    Aline Costa - 04/08/21 - 19h43

    Uma moda realmente atemporal que ficamos até em dúvida em quando elas foram lançadas, né?

    Agora fiquei com uma dúvida, se Phoebe não tem redes sociais será que a marca dela terá? Ou somente site e loja física?

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  7. Avatar
    Caroline® - 05/08/21 - 10h29

    Só uma pequena correção: o tênis queridinho dela é o Adidas Stan Smith (em homenagem ao tenista americano da década de 70). Stan Lee era desenhista, ícone dos quadrinhos que criou os X Men e os Vingadores….

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      Thereza - 06/08/21 - 00h11

      hahaha nossa é isso mesmo!! dá onde eu tirei Stan Lee meu deus kkk obrigada vou corrigir!

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    Marina Sampaio - 14/08/21 - 07h57

    Que post maravilhoso! Deu pra entender toda a história e importância da Phoebe.

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  9. Avatar
    celina - 17/08/21 - 23h40

    adoro o fato dela não ter redes sociais, low profile total. depois de ser mãe a torcida fica maior ainda pelas mães e por suas vitórias.

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