Tudo que você precisa saber sobre vinho uruguaio!

23/06/2017  •  Por Rodrigo  •  Vinho

Vinho uruguaio? Quando pensamos em vinhos sulamericanos, os primeiros que vem à cabeça são os chilenos, argentinos e brasileiros. É até compreensível se levarmos em conta a quantidade de rótulos disponíveis no nosso mercado, mas não podemos esquecer de um país que está elevando o nível de seus vinhos à esfera internacional.

O pequeno e charmoso Uruguai está simplesmente arrebentando no quesito qualidade. O país possui uma antiga cultura do vinho, mas foi na última década que despontou como um grande produtor, tanto para consumo interno como para as exportações. Novas vinícolas entraram no jogo com uma produção de vinhos fantásticos, ao passo que as mais tradicionais se modernizaram para levantar a bandeira uruguaia nos quatro cantos do mundo.

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Tudo que você precisa saber sobre vinho orgânico

01/06/2017  •  Por Rodrigo  •  Vinho

Já é fato consumado o apelo que os alimentos orgânicos tem nos dias de hoje, desde frutas, cereais, grãos até carnes e produtos de origem animal, os orgânicos são a opção número 1 de quem busca não só por uma alimentação e estilo de vida saudável, como também por um consumo responsável e sustentabilidade ambiental. Essa onda de comida orgânica, muito mais de que moda, tem tudo para ser a nova ordem mundial quando o assunto é preservação do meio ambiente, saúde, qualidade de vida e dignidade dos animais.

E quanto ao vinho? Se na nossa alimentação, os orgânicos estão com tudo, no mercado dos vinhos a coisa não é diferente. A cada ano o número de produtores que optam por um estilo de produção mais natural só cresce, ao passo que os consumidores enxergam de forma positiva essa iniciativa, criando uma demanda que movimenta uma economia em ascensão.

Até aí tudo bem, é normal que o mercado crie essa migração para os vinhos orgânicos, mas como eles são feitos, quais os benefícios e como encontra-los?

Em primeiro lugar, devemos saber que os vinhos orgânicos são certificados por órgãos reguladores para garantir a origem e método de produção da  bebida. Essa certificação geralmente fica em destaque no rótulo, então é bem fácil de identificar. Há também duas outras categorias mais específicas e que estão causando um impacto mais que positivo no mercado, os biodinâmicos e os vinhos naturais. O mais legal é que esses estilos de vinho estão cada vez mais fáceis de serem encontrados em lojas ou e-commerces, logo ninguém precisa ir ao uma feira de orgânicos para achar.

Vinhos Orgânicos

São vinhos produzidos sem nenhum tipo de fertilizante químico, pesticida ou defensivos agrícolas no solo e na videira. Os compostos químicos no trato do vinhedos são substituídos por adubo natural que em muitos casos, é utilizado a partir de criação animal nos arredores do mesmo, na tentativa de se criar um ecossistema próprio e sustentável. É o tipo de vinho que representa seu terroir e seu solo de origem.

Vinhos Biodinâmicos

Assim como os orgânicos, não fazem uso de agrotóxicos, porém além disso, os produtores trabalham com uma filosofia de biodiversidade e agricultura sustentável na qual a natureza funciona como um elemento vivo. O solo é mineralizado com  produtos naturais, o controle de pragas é obtido através da plantação de flora nativa e a colheita é realizada seguindo os ciclos da lua. Enfim, é a integração perfeita entre o vinho e a natureza. Todo vinho biodinâmico é também orgânico e como tal, possui um certificado no próprio rótulo.

Vinhos Naturais

Pode-se considerar o mais extremo dos orgânicos. Além do tratamento natural dos vinhedos, os naturais são os que sofrem menos intervenção do homem na produção. Leveduras artificiais ficam de fora, dando lugar às nativas, não é permitido nenhum tipo de aromatizante e técnicas para camuflar defeitos, como a correção de acidez. Além disso, o vinho não é filtrado e pode ter sedimentos naturais na garrafa. É o vinho do jeito que a natureza projetou, sem maquiagem alguma, a expressão mais natural da uva. Diferentemente dos orgânicos e biodinâmicos, os naturais não tem certificação ainda, mas como o movimento está em alta, inclusive no Brasil, é provável que isso mude.

Como não poderia faltar, duas ótimas sugestões de vinhos orgânicos para vocês conhecerem.

Cuatro Vacas Gordas 2015 – Corte de Malbec com Cabernet Sauvignon, esse vinho argentino é bem diferente da maioria dos argentinos que lotam nossas prateleiras. Elegante, exótico e delicado, com aromas de fruta do conde, jabuticaba e ameixa. Tem doçura de fruta madura e frescor de ervas ao mesmo tempo. Mineral e leve na boca, é companheiro ideal para aperitivos ou massas com molhos leves em geral. Tipo de vinho divertido e facinho de beber, de R$97 por R$79,90

Cacique Maravilla 2014 – Pontuadíssimo chileno do Vale do Bío Bío. Blend de Cot (nome da Malbec no sul da França), País e Cabernet Sauvignon, o Cacique é o tipo de vinho que leva a assinatura da natureza na sua elaboração. Esqueça tudo o que você conhece de Malbec, pois esse lembra os Malbecs franceses do século passado. No nariz, temos couro, tabaco, defumado, um delicioso floral que lembra lavanda. Na boca tem ótima acidez e potencial gastronômico para harmonizar com vários tipos de comida, de pizza a cordeiro. Como o vinho é natural e não foi filtrado, pode apresentar alguns sedimentos. De R$130 por R$99,90.

Então, se animaram para os orgânicos? Posso dizer por experiência própria, que adoro. Além de deliciosos, saudáveis e cheios de história, trazem benefícios para a natureza, para que produz e principalmente para que degusta. Outra coisa, muitos deles não levam sulfitos (responsável pela ressaca) na composição. Qualquer dúvida, é só deixar um comentário.

Como identificar se o vinho está estragado

05/05/2017  •  Por Rodrigo  •  Vinho

É possível que já tenha acontecido com algum de vocês: provar um vinho e ter a nítida impressão de estar estragado ou com sabor muito desagradável. Aí você pensa, será que não estou com meu paladar apurado o bastante para apreciar o vinho? Desse modo, é importante dizer que os vinhos são compostos de elementos vivos que podem sofrer alterações e simplesmente estragar. Eu mesmo já me deparei com vinhos “passados” e com aromas muito deteriorados, do tipo que não dá nem pra cheirar de novo.

Há uma enormidade de fatores que contribuem para isso, mas o que importa, é que ninguém tem a obrigação de tomar algo defeituoso. Então, aqui vão algumas dicas preciosas e sem enrolação para que você possa identificar defeitos (de fabricação ou de armazenamento) no vinho e assim, exigir sua troca ou reembolso com respaldo e conhecimento.

Gosto de Rolha: Defeito bem comum que afeta não apenas os vinhos, mas principalmente quem os toma e tem que fazer cara de que está adorando pra não parecer deselegante. Esse gosto extremamente desagradável se dá pela contaminação da rolha por fungos, o que resulta em aromas de mofo, cortiça, papelão e até cachorro molhado. Se perceber isso ao cheirar o vinho, pode trocar dizendo que o vinho está Bouchonée como dizem os franceses. Muitos produtores evitam esse problema com screw cap, que são tampas de rosquear no lugar das rolhas, estas costumam dar mais esse tipo de problema.

Gosto de Vinagre: O que acontece se você deixar um vinho aberto por meses? Ele vira vinagre. Isso ocorre devido à presença do ácido acético que em contato com o oxigênio presente na garrafa, manda o vinho literalmente pro vinagre. Um dos maiores responsáveis por esse defeito é o oxigênio, que mesmo sendo fundamental para o desenvolvimento da bebida, se administrado em excesso pode oxidar o vinho. Os grandes vinhos de sobremesa, como o Jerez, passam por uma oxidação forçada com intuito de desenvolver aromas característicos, porém isso é proposital e controlado, diferente de quando ocorre por falha na produção ou no estoque.

Exposição exagerada ao sol ou a rolha muito seca são causas também, por esse motivo é bom armazenar os vinhos longe do sol e preferencialmente deitados para evitar que a rolha resseque e quebre criando fissuras para o ar passar. Entretanto, se você comprar um vinho avinagrado, com cheiro de acetona ou até xixi de gato, é provável que ele tenha sido mal estocado, assim sendo, pode solicitar a troca alegando que o produto está oxidado ou com excesso de acidez volátil.

Cheiro de Animal: Outro problema que de vez em quando aparece. Já provou algum vinho com cheiro de estábulo ou chiqueiro, sim chiqueiro? Eu já, mas descobri que se trata de um defeito causado pela levedura Brettanomyces, carinhosamente apelidada de Brettque contamina o vinho e produz esses aromas nada agradáveis. Isso se dá, principalmente por falta de cuidados e até mesmo limpeza nas vinícolas, pois se trata de uma contaminação.

Vale ressaltar que alguns produtores de vinhos consagrados da Borgonha ou de Chateauneuf Du Pape usam a Brett propositalmente para agregar mais complexidade e caráter aos vinhos. Contudo, isso é realizado com maestria e como resultado, um espetacular de aroma de couro. Já nos casos dos vinhos defeituosos, o sabor fica terrível e você deve trocar a garrafa. Pode dizer que o vinho está com cheiro de Brett, ou se quiser ser mais específico, esterco.

Cheiro de Enxofre: Não é o diabo que está por perto, mais sim um vinho com defeito (tem gente que acha até pior). O cheiro de enxofre ocorre pela adição de SO2, ou dióxido de enxofre, no vinho. Apesar de ser utilizado em toda indústria vinícola com o objetivo de conservar a bebida, quando usado na dosagem errada, dá um aroma bem peculiar de fósforo.

Já existem alguns vinhos SO2 free, que não utilizam a substância, que por um acaso é a mesma que gera a ressaca. Troque a garrafa sem pestanejar se o vinho tiver cheiro de enxofre. Se quiser parecer super entendido, pode dizer que o dióxido de enxofre foi mal administrado na produção. Se o responsável pela troca não entender do que se  trata, ficará até com medo de perguntar.

Vinho Passado: Vinho sem sabor, com um adocicado estranho caindo pro vinagre, gosto de cozido ou com a cor opaca e sem brilho, pode ser sinal de que ele já cruzou o Cabo da Boa Esperança. Vinho é vivo, ou seja, nasce, se desenvolve, declina e morre. Aquela máxima de que vinho bom é vinho velho, só se aplica a um percentual muito pequeno dos grandes vinhos. A maioria pode ser degustada na “juventude”.

Evite comprar vinhos baratos de safras muito antigas, pois é bem provável que já tenham perdido o viço. Uma dica, é colocar a garrafa contra a luz e analisar a cor, se estiver brilhante e viva ok, mas se já estiver com aquele tom opaco, já era. Você pode observar também se a rolha está meio saltada, tipo saindo da garrafa, isso é sinal de que o vinho “cozinhou”, ou seja, ficou muito tempo exposto ao sol.

Então, gente, espero que tenham aproveitado as dicas. Existem muitos outros motivos para um vinho estragar, mas eu quis pegar os principais e mais comuns. O mais importante é saberem identificar se o vinho está estragado ou com defeito, e não terem receio algum de trocar e explicar o motivo! Afinal, se a vida é muito curta pra tomar vinho ruim, imagina vinho estragado?

Qualquer dúvida, elogio, crítica ou sugestão, é só deixar um comentário. Se tiver alguma sugestão de post, só falar!