Todo Vinho é vegano?

31/05/2019  •  Por Rodrigo  •  Vinho

Alguém já se perguntou se vinho pode se encaixar na categoria de produto vegano? Afinal, por se tratar de uma bebida obtida através da fermentação da uva, é mais que natural que se enxergue o vinho como tal. Contudo, posso afirmar que boa parte, pra não dizer a maioria, dos vinhos não são! Mas pode isso Arnaldo?

Para um vinho ser produzido e comercializado, ele passa por vários processos distintos, do vinhedo à garrafa e em algumas dessas etapas, produtos de origem animal podem ser utilizados principalmente no acabamento da bebida. Chocados?

Entre os processos na fabricação do vinho, um especificamente, tende a fazer uso de componentes animais. Falo do processo de clarificação, que como o nome já diz, tem como objetivo clarificar, filtrar e purificar o vinho que após a vinificação pode apresentar uma aparência turva ou opaca. Assim, é muito comum adicionar albumina (clara de ovo) no vinho dentro do tanque para remover impurezas e deixá-lo mais límpido e com brilho. Isso ocorre, pois a albumina serve como um ímã para que os sedimentos sólidos que se encontram nos vinhos fiquem colados nela (não é por menos que esse processo também é chamado de colagem) e depois descartados antes do engarrafamento. É também permitido usar gelatina e colágeno de origem animal para a clarificação e até mesmo a Caseína, proteína do leite super famosa no meio da musculação.

Esses produtos, além de tirarem a turbidez do vinho, funcionam como aceleradores de evolução, fazendo que o produto fique pronto para consumo mais rápido. No entanto, é válido lembrar que esses processos, são utilizados há séculos no mundo dos vinhos, mas que não necessariamente fazem parte da composição do produto em si, que por sua vez apresenta somente traços desses componentes.

E vinho vegano, existe de fato? Com o aumento de pessoas aderindo ao veganismo, seja por questões de saúde, consciência ou gosto, é normal procurar cada vez mais por produtos desse segmento. Produtos orgânicos também estão em alta, mas no caso dos vinhos a filosofia orgânica se aplica nos vinhedos, nos quais não são utilizados defensivos agrícolas e componentes químicos. Assim, vinhos orgânicos podem também conter traços de proteína animal.

Mas será que existe uma luz no fim do túnel para os enófilos veganos?

Claro! Procure por vinhos que não passam pelo processo de clarificação. Vinhos biodinâmicos e naturais, muitas vezes não são filtrados ou clarificados, então veja se no rótulo tem informações como “vinho não filtrado”, “não clarificado” ou “sem colagem”. Há também vinhos com certificados de vegano (um tanto raros no Brasil), que mesmo passando por esses processos, os componentes animais são substituídos por vegetais. Vinhos Kosher também não utilizam nada de origem animal na elaboração. Agora, devemos ter em mente mais uma vez que os vinhos “não veganos” apresentam apenas traços de proteína animal e você não estará ingerindo essa proteína de fato ao consumir o produto, é mais uma questão de conceito vegano. De qualquer forma, nem o melhor sommelier do mundo é capaz de identificar se um vinho é vegano ou não.

Agora, depois de tanta explicação, não poderia deixar de indicar um grande vinho natural para representar todo esse conceito. O Cacique Maravilha Pipeno 2017 é um delicioso tinto chileno, biodinâmico e natural, produzido com a rara uva Pais, não filtrado e com uma cor um pouco mais turva. Esse vinho esbanja aromas de morangos frescos, violetas, leve toque defumado e muita vivacidade. Corpo suave, taninos leves, acidez refrescante e muita personalidade e o melhor, ainda vem num “garrafão” de 1 litro. Tão bom que tinha que vir com mais vinho! Vale muito conhecer, não apenas esse rótulo, como todos os da vinícola

vinho vegano

Seja você vegano ou não, pra quem curtiu a filosofia super legal da vinícola, ele está numa ótima promo aqui. Espero que tenham gostado do post. Se tiver qualquer dúvida ou se conhecer vinhos veganos, é só deixar um comentário!

Da piscina à pizza, 4 vinhos por até R$36

12/04/2019  •  Por Rodrigo  •  Vinho

Semana retrasada fiz esse post aqui falando sobre os Champagnes preferidos da Thereza, e também de todo apelo afetivo que ela tem com a bebida. Como sei que Champagne não é algo barato, e difícil de ser consumido no dia-a-dia de 99% das pessoas (me incluo nesses 99%), resolvi ir para o outro extremo nesse post, e fazer uma seleção de vinhos com ótimo custo x benefício. Lembrando que vinho barato é fácil de encontrar, porém o pulo do gato é garimpar produtos de valor acessível e que entregam mais do que custam. E é aí que eu entro! Sem mais delongas, vamos aos vinhos:

Que tal degustar um branco leve na piscina?

Partridge Unfiltered Pinot Gris 2017 – Pensou em frescor, pensou nesse argentino produzido com a cepa Pinot Gris, famosa na Itália pelo nome Pinot Grigio. Qualquer vinho feito com essa uva tem como característica a leveza, e o sabor cítrico e floral. Perfeito para dias quentes. De R$42,90 por R$36.

Urmenta Chardonnay 2018 – Outro branco que vai encantar quem gosta de vinhos de estilo delicado. Com aromas de abacaxi e maracujá, esse chileno é a melhor pedida para um fim de tarde na praia na companhia de uma sardinha frita! Melhor que isso, só o preço, R$26.

Vinho e churrasco, com certeza!

Nederburg 56 Hundred Pinotage 2017 – Sul-africano elaborado com a uva emblemática do país, a Pinotage. Se você estiver pensando num churrasquinho em casa com os amigos, pode ir nesse vinho que não tem erro. Seus aromas de ameixa madura, especiarias e toque leve de chocolate e seu médio corpo e taninos macios, vão combinar bem da asinha de frango à picanha. R$36,90 por esse belo tinto.

Sua pizza de domingo pode ficar ainda melhor!

Root: 1 Reserva Heritage Red 2017: Corte chileno muito bem feito das uvas Cabernet Sauvignon, Carmenere, Syrah e Petit Verdot. Aromas clássicos dos bons exemplares do Chile, como cassis, ameixa, leve mentolado, pimenta e madeira. Com corpo médio, taninos elegantes e boa acidez, harmoniza perfeitamente com pizzas de sabor mais intenso como as de calabresa ou quatro queijos. De 41 por R$35.

 

Agora aproveitando o tema vinho, nessa semana o Fashionismo lançou seu novo programa dentro do podcast Fashionismo para ouvir, o Wine & Talk! Uma vez por mês, Thereza e eu bateremos um papo descontraído sobre os vinhos, suas delícias e sabores. No 1o episódio falamos para quem tem dificuldade em iniciar nesse universo e o caminho das pedras pra começar com louvor. Espero que gostem, o FPO está presente nas principais plataformas digitais!

 

5 Champagnes favoritos da Thereza!

29/03/2019  •  Por Rodrigo  •  Viagem, Vinho

São raras as situações na vida nas quais nos deparamos com sensações tão intensas e reveladoras ao ponto de acharmos que atingimos a iluminação, algo místico, transcendental, que nos eleva ao nirvana. É assim que eu descreveria a Thereza ao se ver diante de uma garrafa de Champagne, um momento digno de registro rs. Seja num evento, onde esse líquido precioso é servido, seja em casa, quando ela me permite degustar escassos ml, com um olhar singelo que diz “é só isso que você vai beber”, ou em viagens nas quais, anos depois ela ainda consegue descrever os locais onde degustamos. A verdade é que Champagne de fato é algo espetacular, uma poesia engarrafada.

Então, poesia à parte, esse post é uma ode à Thereza e aos 11 anos do Fashionismo, pois falarei sobre os seus Champagnes favoritos,  do mais básico (champagne básico é difícil) ao mais sublime, reservado à ocasiões mais que especiais. E todas as fotos do post são do dia da nossa visita à cave de Moet/Dom Perignon em Épernay (mais precisamente na Avenida do Champagne rs), região de Champagne na frança e teve post aqui.

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Primeiramente, é importante lembrar que para ser considerado e denominado como Champagne, a bebida tem que ser produzida na região de Champagne, pelo método champenoise, que consiste no processo de produção no qual a segunda fermentação é realizada dentro da garrafa, o que proporciona cremosidade e aromas muito característicos, como o de torrefação e até um certo amanteigado. Entretanto, mesmo que um espumante seja produzido pelo mesmo método champenoise, não quer dizer que ele seja Champagne de fato, a não ser que tenha sido feito na sua região de origem.

Na prática, todo Champagne é um espumante, porém nem todo espumante é Champagne. Espumantes são produzidos em todo o mundo com nomes variados, como Prosecco na Itália, a Cava espanhola, no Brasil temos um nível de excelência na produção desse tipo de vinho (que não deve em nada para muitos importados), mas nenhum pode ser chamado de Champagne, independente da qualidade, é questão legislação mesmo. Aqui tem um post completo sobre o assunto.

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E por que a Thereza ama Champagne? Garanto que não é pelo status da bebida, sempre presente em eventos de moda e red carpets, mas sim, pelo sabor característico que ela possui. Mesmo não sendo algo que nós, meros mortais possamos degustar todos os dias por causa do $$$, é digno de ser apreciado em algumas ocasiões. E aproveitando o momento mindfullness que ela está, acabou aprendendo como aproveitar cada momento, cada gota na mais pura contemplação, ótimo para a garrafa durar mais!

Sem mais enrolação, vamos aos champagnes que a The mais ama, logo, altamente recomendados pra quem também curte o universo:

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Moet & Chandon: Nossa primeira experiência com a bebida foi com conhecidíssimo Moet, então é fácil afirmar que o apelo emocional é grande. Há 10 anos estávamos num restaurante e confesso que na época não tínhamos muita noção, pois assim como muita gente, achávamos que tudo era Champagne e que Chandon e Moet Chandon eram a mesma coisa.

Pois bem, eis que surge o sommèlier e nos oferece uma garrafinha baby (187ml) de Moet que o restaurante estava promovendo. Ao primeiro gole, nossa visão de mundo mudou! Eu ainda lembro do olhar de contemplação da Thereza ao comparar a mineralidade e salinidade da bebida com as lágrimas de um querubim kkk (cada k é um perlage). A partir daquele dia, sua vida nunca mais foi a mesma e os nossos bolsos também, quando veio a conta achávamos que seriam poucos 2 dígitos, mas surpreendentemente viraram quase 3.

Piper-Heidsieck: Outro Champagne que conversa com os nosso sentimento, afinal, foi a bebida do nosso casamento! Ele traz o lado mais cítrico dos Champagnes com aromas de limão siciliano e toques minerais. Encantador!

Perrier Jouet: O que define esse Champagne é a cremosidade. Tem menos aromas de leveduras e mais notas frutadas, como de pêra madura e maçã verde. Delicioso na boca, cheio de fruta, perlage finíssimo e um final persistente e amendoado. Tipo de Champagne que não tem erro e que vale o investimento.

Canard-Duchêne: Não muito conhecido do grande público, esse Champagne tem uma pegada mais artesanal, estilo de boutique. Mostra todos os traços que caracterizam um Champagne. Aromas de torrefação, tostado (Thereza ama), flores e um sabor de frutas maduras e gengibre. Elegante e com boa complexidade.

Nicolas Feuillatte: Outro néctar incrível pra quem gosta de um estilo mais moderno. Aromático, exibe notas de pêssego, especiarias, frutas secas e até aquele saboroso toque de brioche característico dos grandes Champagnes. Mesmo sendo um dos Champagnes mais vendidos na França, por aqui não encontramos em qualquer lugar, mas vale procurar, pois comparados com marcas com forte apelo de marketing, ele tem um bom custo x benefício.

Dom Perignon: Reservado para ocasiões mais que especiais, esse é um ponto fora da curva quando o assunto é Champagne. Folclórico e cheio de história, é tido – com certa controvérsia –  como o primeiro vinho espumante do mundo.

Diz a lenda que foi produzido acidentalmente pelo monge Dom Perigon que ao produzir um vinho branco vedou a garrafa com cera de abelha. Com o tempo o açúcar da cera entrou em contato com o líquido e aconteceu a segunda fermentação. Com a pressão, as rolhas das garrafas começaram a explodir e o sortudo monge percebeu que o vinho tinha ficado efervescente. Pensando que havia perdido toda sua produção, experimentou o até então desconhecido champagne e disse a célebre frase “Venham rápido, irmãos, estou bebendo estrelas”. E é essa a definição de quem bebe esse champagne.

Dom Perignon é um vintage, ou seja, produzido com uvas de um único ano, por isso tem a safra estampada no rótulo. Feito apenas em anos perfeitos, ele impressiona pelos diferentes sabores que cada safra proporciona. Mas o que importa é a elegância inquestionável, o perlage que parece um mousse e seus aromas amanteigados, salinos, de frutas brancas, flores avelãs, mel e mais um monte de coisa. Lembro de uma safra que tomamos que parecia que estávamos saboreando ostras frescas de tão mineral que era. Claro que é investimento não dos mais baratos, mas é uma experiência sensorial. Para a Thereza, pelo menos uma vez ao ano, ela precisa beber estrelas!

champagne fashionismo

Espero que tenham gostado da nossa seleção de champagnes pra celebrar – mesmo que seja textualmente – a semana dos 11 anos do Fashionismo! E você, tem algum champagne favorito?!

 

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