Forever 21, o barato saiu caro(?)

12/07/2019  •  Por Thereza  •  Pense

Forever 21, só quem viveu sabe. A marca sempre foi a solução extra barata pra quem curte uma fast fashion e seus modismos. Nos bons tempos de dólar a 2 e pouco, com viagens mais frequentes, quem nunca fez uma sacolada na forevinha mais próxima, bom, naquela época era distante. Foi só em 2014 que a marca finalmente aportou no Brasil, para surpresa geral.

Lembro que em 2012, numa série de posts que tinha falando sobre marcas de moda, fiz um da Forever 21 que foi sucesso na época. Contava sobre a origem, a família sul coreana e as filhas herdeiras que estavam dispostas a elevar o patamar da marca, numa era que o e-digital ainda engatinhava. Dito e feito, a marca explodiu e veio parar até aqui no rejeitado Brasil.

Vocês lembram do lançamento? Filas tão homéricas que uma pessoa – muito espirituosa – fez até um twitter @filadaforever21 e mostrando que ela não tinha fim. Em pouco tempo vimos que eles chegaram de mala e cuia, com preços até razóaveis, diante do dólar já teimando em subir. A moda em si era aquela coisa de sempre, nada muito uau, mas o trivial suficiente para arrebatar multidões – especialmente as mais jovens.

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O tempo passou, nos últimos 3 ou 4 anos as coisas mudaram e não estou falando apenas da crise global. Nossa forma de consumir moda mudou. Ressignificamos várias coisas. Houve uma reviravolta no mundo. Outras marcas surgiram e novos propósitos idem. Onde a Forever 21 entra nessa? Na realidade, ela sai dessa.

No mês passado, o Wall Street Journal publicou uma matéria falando que a F21 contratou consultores para planejarem sua reestruturação financeira, renegociar os contratos de aluguéis e contratar um novo empréstimo. Daí acendeu um alerta sobre a $aúde da marca.

No início do ano eles já apresentavam sinais de desgaste com a venda de seu headquarter em Los Angeles por U$166mi. Vendeu para ir para um maior? Que nada, para enxugar custos, fazer caixa e começar a se reorganizar.

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O que aconteceu com a Forever 21? Numa época na qual todas as marcas estavam diminuindo seus espaços físicos, pensando e planejando o digital, a marca começou a ocupar todos os espaços vazios de shoppings. Lembra que postei aqui sobre a “morte” dos shoppings? Enquanto várias marcas faliam ou focavam no digital, a F21 ocupava esses espaço e pagava aluguéis altíssimos.

A ideia da família Chang na época, era ser uma loja de departamento para toda a família. Mas o que acontecia era o contrário, pois tais lojas faliam e os jovens – público majoritário da marca, só pensavam em comprar online e de lojas mais, digamos, éticas.

E com o aumento das lojas, o que aconteceu? Mais inventário e menos moda. A marca não contratou novos funcionários pra ocupar tal espaço e a loja passou a ficar uma zona. E os clientes que ainda faziam compras analógica, não saiam bem impressionados com a experiência. É aquilo que a gente sempre conversa, pra uma marca existir fisicamente em shopping, precisa fazer MUITO sentido, precisa ser uma experiência quase que transcendental, o que não acontece no caso.

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Em termos de números, em 2010 eram 480 F21 pelo mundo e em 2018 eram 800. Se antigamente, a média de tamanho de uma loja era de 3500m², agora com a enxugada, o tamanho é de 2000m². E o mais preocupante e que fez a marca procurar ajuda dos especialistas. Apesar da Forever 21 ser capital fechado e não revelar seus números,  um analista do setor estima que as vendas caíram 20% ou 25% no ano passado.

E se pouco tempo atrás o casal proprietário estava nas cabeças da lista da Forbes dos biolionários, com fortuna estimada em U$6bi, atualmente não passa da ~bagatela de U$1,6BI.

Oficialmente só se fala em reestruturação, mas estima-se de fato que em algum momento a  empresa esteja considerando a falência. Isso significa que vai desaparecer do nada? Também não, grandes marcas já fizeram isso (recentemente a Victoria’s Secret foi uma delas) e, em tempos mundias bicudos, é comum e necessário.

O que certamente vai acontecer é que a marca vai diminuir espaços e aparar arestas. Na China, eles encerraram suas operações e na Inglaterra, de 100 lojas, atualmente são apenas 3. No Brasil não se tem notícia, uns até dizem que a liquidação está fora do comum (seria pra liquidar inventário?), mas tem um tempinho que não vou e não posso afirmar nada.

Sei que nos últimos tempos ressignificamos muito a relação com o consumo e, marcas polêmicas e não alinhadas com esse novo posicionamento, ficam pra trás, mas como a gente gosta de falar de business de moda e consumo… achei legal compartilhar essas infos. Inclusive no #FashionismoParaOuvir de hoje, falo um pouco mais sobre o assunto, vale ouvir nosso podcast!

 

Riley Rose, a empreitada de beauté da Forever 21

01/10/2017  •  Por Thereza  •  Beleza, Compras, Viagem

Não satisfeita em dominar a moda com brusinhas de 2 dígitos, viscolycra e bodies, agora a Forever 21 investe em novos negócios, mais precisamente beleza! Riley Rose é a nova marca da empresa, desenvolvida pelas filhas do Sr. Chang, Linda e Ester (falamos dela e do império todo nesse post imperdível aqui, vale ler).

Enquanto a marca mãe vende até um ou outro produto de beleza (aqui no Br só chegam os acessórios, como esponjas e afins), a Riley promete ser uma loja só sobre maquiagem e pronta pra competir com gigantes, como Sephora e Ulta, porém com foco nos millennials.

A marca venderá marcas como TonyMoly, Winky Lux, Essie, R+Co, Stila e Laura Geller. Dos achadinhos coreanos (dna da F21) às marcas dessa nova geração criada no celeiro digital, sem dúvida uma boa opção para as maníacas por beleza. E um dos diferenciais da Riley, será nos produtos difíceis de achar, de marcas cult, novos talentos e alternativos, especialmente nesse universo de beauté coreano. Sobre os preços, de  U$2 to U$189, ou seja, de um tudo!

O lançamento da primeira Riley Rose ocorreu nesse final de semana em Glendale, na California e a contar pelas fotos da decoração, foi feita pra atrair justamente essa parcela jovem (mas eu, com 35, fui atraída com sucesso), onde cada cantinho é um flash pro Instagram.

Acima, fotos da 1a campanha e aos interessados, a empresa contou que até o fim do ano serão abertas outras Riley Rose pelo país e em novembro será a vez do e-commerce. Quem sabe dentro de algumas décadas teremos Riley brasileira.

 

 

 

FOREVER 21 TÁ FICANDO ADULTA MESMO!

21/01/2016  •  Por Thereza  •  Moda, Tendência

A última vez que falei da Forever 21 por aqui, foi nesse post contando o novo posicionamento da marca, que deixa de ser estritamente 21, pra também navegar em idades mais avançadas, tipo pro público mais, digamos, balzaquiano. Desde então, em visitas sistemáticas à Forevinha mais perto, tenho notado exatamente isso.

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E é a linha Contemporary que representa esse novo e interessante momento da marca. Pensa numa versão Zara mais fresh, com peças básicas, mas também aquela modinha esperta e, o principal, com tamanhos mais razoáveis (que o fígado e o estômago caibam alinhados numa circunferência só).  Essa linha, diferente das outras, tem medidas mais democráticas, ainda que limitadas (lembrando que a marca tem coleção plus size),  mas mostra que de fato que atingir um novo público.

E vendo a nova campanha da marca, também dá pra notar a tal pegada mais cool e menos teen,  com styling caprichado, modelos do momento, observem!

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Para a próxima temporada, dá pra notar que a década de 70 segue firme e forte, mas com toques nineties de roupas mais casuais, muito jeans, tênis e aquela bandana marota. Nada que não tenhamos visto recentemente, o que só confirma que esse momento mais cool e menos over segue firme e forte!

Empolgada com a campanha, fui dar uma olhada no lookbook do site gringo (a marca ainda não tem e-commerce br) e amei várias coisas. O melhor disso é que notei que muitas dessas peças JÁ estão no Brasil, ou seja, estamos no compasso.

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Entre meus destaques, foco total nessa pegada neutra, earth colors e similares, é tão sofisticado e elegante e, como falei nesse post aqui, boa chance de ficarmos ~na moda~ só dependendo da cor. Além disso, curti os looks com jeans, dos vestidos, passando pela ciganinha, até a saia queridinha do Pinterest.

Daqueles tempos de Forevinha toda trabalhada na viscolycra, essa nova fase das peças com um pouco mais de qualidade (eles afirmam isso), garantem que, pelo menos na teoria, compraremos menos e valorizaremos o item mais. Sai a peça descartável, entra o ideal um pouco mais duradouro.

E vocês, já perceberam e aprovam esse novo momento da Forever 21?

 

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