Como o Mindfulness tem mudado minha perspectiva sobre a vida

15/01/2018  •  Por Thereza  •  Pense, Saúde

“Nós só temos um momento pra viver, e é o agora, mas tendemos a nos apegar mais ao passado ou projetar o futuro. É raro notarmos o que está acontecendo no presente”

Sempre quando viajo, costumo falar em voz alta e de repente, “estou no lugar tal”, “estou fazendo coisa tal”. Seja num ponto turístico ou restaurante que sonhava conhecer, eu falo pra quem está do meu lado (que muitas vezes não entende rs) que eu estou naquela hora e naquele lugar fazendo algo que sempre quis fazer, é como se eu tivesse registrando aquilo na minha mente.

Eu não sabia, mas isso é Mindfulness puro (em português, Atenção Plena)! Conheci essa técnica no início do ano passado e posso dizer que minha vida simplesmente mudou. E foco aí na palavra simples. Coisas simples mudaram, mas que fizeram toda a diferença, entende? Explico.

Meu primeiro contato com o Mindfulness foi na fila do mercado, onde ficam aquelas revistinhas. Era uma publicação de saúde e tinha uma foto de um mulher estressada na capa e a chamada era algo como “descubra a nova técnica de meditação que está na moda e transformará sua vida”, daí eu comprei, claro. Logo depois, comecei a ver uma ou outra pessoa falando sobre a tal técnica e pronto, entrei nesse universo até então desconhecido e talvez desacreditado pra uma pessoa cética feito eu.

Mas afinal, do que se trata o Mindfulness? Apesar de ter uma referência budista, não é nada religioso, é uma técnica científica de meditação, é um estilo de vida que te faz simplesmente prestar a atenção no momento presente, te faz recuperar os sentidos. É um treino mental que te tira do piloto automático da vida e te mantém atenta, porém relaxada. Te faz receber as coisas que estão acontecendo com você (sejam as boas ou ruins), realizar, aceitar, encarar ou simplesmente aproveitar. O benefício é a conscientização da vida agora, encarand0-a de frente, mas com serenidade, a idéia é você valorizar cada bom momento da vida, mas também estar pronto pra lidar com as dificuldades de forma mais preparada e ponderada. Você fica mais resiliente, tudo isso a uma respiração de distância.

Como isso acontece? Treinando seu cérebro basicamente através da respiração, do reconhecimento do seu corpo, sensações e pensamentos. É uma percepção daquilo que você está sentindo e até mesmo ouvindo, se conectando com momentos cotidianos que formam o tal momento presente. Isso ocorre seja você deitado ouvindo sua respiração, caminhando e observando cada paisagem ou até administrando pensamentos nocivos. Muitas vezes, a Atenção Plena é também buscar se concentrar no nada, mas o mais importante: ter a plena noção e domínio da sua mente. Parece uma viagem ou uma loucura, mas é simples e MUITO eficiente.

Por que eu precisei do Mindfulness? Nada grave, mas eu tenho umas questões e até bagagens de vida, sou ligeiramente ansiosa e estressada, e quem não é um pouco disso nos dias de hoje? E o que mais me incomoda, a hipocondria. Eu sempre acho que posso estar com a próxima doença x e ter o piripaque y, com isso, muitas vezes esse misto de medo e ansiedade me consumia a um ponto que me incapacitava de realizar até mesmo simples tarefas. Junto a isso, o advento da idade deixava tais medos mais próximos, mais reais e me aproximava de pensamentos que talvez eu desejasse ter apenas aos 80 anos (se Deus quiser eu vou chegar lá rsrs).

Eu sempre fui muito tranquila, desapegada, mas sabia que esses pensamentos não eram mais apenas exceções e estavam me tirando do eixo de forma recorrente, logo, sem necessidade de ~intervenção maior, o Mindfulness tem me ajudado a me encontrar e buscar até mesmo um propósito. É simples, mas não é de uma hora pra outra.

O primeiro passo pra imersão ao Mindfulness, foi comprar o livro Atenção Plena, acredito que ele seja o mais famoso e é muito direto ao ponto. Ele faz uma boa introdução à técnica e depois completa com 8 exercícios de meditação pra ler/fazer 1 por semana, que vão da mais simples e com técnicas de respiração e BodyScan, até mesmo aquelas de “emergência” para quando você se vê estressado. O livro ainda tem exercícios bem legais como “liberadores de hábitos” e outras técnicas rápidas que deixam tudo mais interessante. Ele ainda vem com cd pra você ter a meditação guiada (mas eu ouvi todas online aqui).

O legal dessa técnica é que eles também desmitificam um pouco da meditação clássica (os mais ortodoxos dizem que Mindfulness é americanizada demais), você não precisa botar uma roupa zen, esticar um tapete, fazer pose, com o Mindfulness você pode se conectar no meio do trabalho, deitada antes de dormir, enfim, simplifica-se. O que se sugere, e acredito que isso sirva pra tudo na vida, é criar um hábito, sejam 5, 10 ou 20 minutos, que você busque um tempo conectado com você.  A meditação é uma prática simples que ganha poder com a repetição, ela não resolve nada a curto prazo, mas fornece a perspectiva de que é possível melhorar.

Outra coisa legal que aprendi mais ainda com a técnica, é que ela é mais que uma respiração, ela te dá mais compaixão. Ela ajuda você a observar seus pensamentos sem julgamento, ela basicamente respeita tudo que passa pela sua cabeça, te acolhe e te ajuda a tomar um rumo antes que qualquer pensamento negativo desencadeie sobre você. Agora mais do que isso,  ela te incentiva a ser uma pessoa melhor para com os outros, ter mais empatia e compreensão. Segundo eles, a parte do cérebro que é ativada como sentimos de empatia genuína é a mesma que é acionada pela meditação da atenção plena: a ínsula.

O legal é que em tempos de vida agitada e pessoas cada vez mais multiconectadas, o mindfulness tem surgido forte como uma forma de terapia barata, simples e eficiente. Nos Eua, existem aulas para crianças entenderem desde cedo e desde sempre foi recomendado pelo Ministério da Saúde como forma eficaz e cientificamente comprovada no combate às doenças ~modernas, que vão de ansiedade a síndrome do intestino irritável.

Esse post está ficando enorme e merecia uns 5 capítulos, mas vale lembrar que aqui eu obviamente não ensino ninguém a meditar, apenas compartilho minha experiência e incentivo fortemente que se deem a chance de fazer o mesmo. Se trocamos dicas de moda e beleza, acredito que esse universo de bem estar tem ganhado mais espaço e mais importância no nosso universo, pois no final das contas está tudo meio ligado! Se vocês curtem o tema, posso voltar com mais pautas pra gente trocar ideias (posso falar de mais livros sobre o tema) e se você tem vivenciado esse momento presente, conte sua história, quem sabe assim não incentiva mais e mais gente!

“Mindfulness significa conscientizar-se plenamente da vida que você já tem, em vez de focar na vida que você gostaria de ter.”

 

Problematizando o termo anti-idade (e a capa mais bonita do ano!)

15/08/2017  •  Por Thereza  •  Beleza, Pense

Outro dia conversamos sobre a idade que temos e a pressão da sociedade em nos empurrar a juventude como objetivo de vida, quando deveria ser justamente o contário (a meta é ser velhinha, afinal, sinal que vivemos muito rs). Eis que ontem me deparei com a capa da Allure que não só nos premiou com a maravilhosa Helen Mirren, como trouxe um debate válido.

Já disse aqui várias vezes que a Allure é minha revista favorita. Ela é de beleza, mas tem moda, comportamento, pra mim é o guia da mulher antenada e interessada nesse universo, mas sem afetação ou pretensão.

E a capa de setembro – a principal edição do ano – vem pra quebrar paradigmas, afinal, quantas vezes a gente vê uma mulher de 72 anos esfregando na capa suas rugas, histórias e muita inspiração? O recheio está igualmente lindo.

E além da entrevista, na qual Helen fala da sua relação com Hollywood, feminismo e como é envelhecer sabendo tirar proveito disso, um manifesto me chamou a atenção. O fim do termo anti-idade.

Como uma revista de beleza vai deixar de falar uma palavra tão comum? Como vão parar de dar dicas de produto anti envelhecimento, muitos deles bancados por patrocinadores? A revista não vai propor que as pessoas parem de usar produtos com essa finalidade, pelo contrário, eles vão continuar indicando, falando, só sugerem a mudança da nomenclatura, simples assim.

“Queiramos, ou não, estamos sutilmente reforçando a mensagem de que o envelhecimento é uma condição e que precisamos lutar contra ele”. Né? E sigo citando a editora da Allure, Michelle Lee, “Se tem algo inevitável nessa vida, é que ficaremos velhos. Cada segundo. Cada minuto. E mais, muitos de nós não teremos a oportunidade de envelhecer. Com isso, ficar velho é algo incrível e significa que tivemos a chance, todo o dia, de viver uma vida feliz, simples assim.” Né??

Já contei pra vocês que minha nova idade me deixou um pouco mais reflexiva (ou sensível, rs)  com esse tema e essa questão, digamos existencial. Ao mesmo tempo que tenho 9 produtos de skincare na minha cabeceira que uso antes de dormir (e eu amo essa rotina), tenho pavor de agulha e nunca me arrisquei em nada mais ousado, apesar de ter vontade. Junto a tudo isso, esse tema tem me chamado muito mais atenção que 1 ano atrás.

E ver um manifesto de uma revista do porte da Allure nos faz simplesmente parar pra pensar e ao menos quebrar uma condição automática e totalmente enraizada na nossa rotina, envelhecer é ruim? Sem hipocrisia, a idade chega e surgem problemas, é natural, mas é importante rever conceitos e até estigmas que só trazem mais peso pra nossa luta diária de aceitação.

E a revista segue falando sobre o peso da tal da ANTI-IDADE, junto a ela vem expressões que deveriam ser banidas ou, ao menos, revistas: “ela parece ótima para a idade que tem”, “ela é linda para uma senhora de idade”. Isso é tão automático, quem nunca pensou ou até mesmo falou algo parecido? Tipo aquela história que falei da Sandy, 34, estar “conservada”. No lugar disso, a revista sugere substitutos: “Ela está ótima”, “Ela é linda”.

E a Allure finaliza, “Parabéns às marcas que já refletiram sobre o termo, e quem ainda não o fez, sabemos o quão é difícil rever embalagens e o marketing de todo um produto, mas essa conversa precisava ser iniciada para haver a mudança e celebração da beleza de cada idade”. E a própria Helen conta que já teve essa conversa com a L’Oréal (marca na que ela é uma das  embaixadoras) e eles já estão em processo de rever esse conceito. Achei bacana!

Eu achei tão incrível e certeiro da Allure propor essa mudança e só prova que com o tempo temos questionado hábitos e caminhando pra uma mudança positiva e um mundo mais fácil de se viver!

E vocês, já pararam pra pensar no termo anti-idade? A gente quer sim creminhos e afins, mas e o peso da palavr? Sei que muita gente pode achar até exagero, mas são esses detalhes que desenham um novo momento e no futuro a gente olha pra trás e acha transformador.

 

Eu não posso mais usar sapatilha!

14/08/2017  •  Por Thereza  •  Acessórios

Outro dia recebi um diagnóstico do meu ortopedista: eu não posso mais usar sapatilha! Justo eu, a rainha da sapatilha :o Bom, não é tão radical assim, eu até posso, mas tenho que reduzir o uso drasticamente, e eu explico o motivo.

Tenho pé cavo. Isso é o oposto do pé chato, ou seja, possuo o arco plantar excessivamente alto. Na prática, é uma redução significativa na área da planta dos pés, cuja função é dar apoio, com isso, eu acabo forçando mais o tendão do calcanhar e adjacências, sabe quando um elástico puxa muito?

Quando era mais nova e descobri esse fato – que é super comum – meu médico mandou eu usar uma mini palmilha pra me dar mais conforto e fazer menos esforço, mas quem disse que usei? Usei pouco, daí com o tempo a dor foi ficando mais incômoda, até nessa última viagem que fiz pra NY ter sido cansativa além da conta.

Eu não sou lá a pessoa mais atlética do mundo, desde o ano passado tenho feito exercícios regularmente, mas quando eu viajo, eu ando como se fosse uma peregrinação, eu ando muito, e nessa viagem usei e abusei da sapatilha, ou seja, doeu e me incomodou. Daí que ao voltar ao médico, ele mandou eu reduzir bastante o uso e focar em saltinhos pra descansar um pouco meu tendão de fazer esforço.

saltinho-dica

Onde a moda entra nessa? Saltinhos! Tenho buscado mais e mais saltos baixos, médios, pois os vertiginosos eu já tenho (mas nem uso tanto). No final das contas, achei até um bom alerta, afinal, confesso que estava um pouco preguicosinha de subir no salto, mas chegou a hora de investir em saltos médios e, ainda bem, o mercado tá cheio de opções super legais!

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Como o meu momento #saudismo, pode ser o seu momento salto médio, fiz uma seleção de modelos fofos! Muita gente acaba associando esse tamanho de salto a sapato de vovó, mas então as vovós estão estilosas, porque o modelo tá super na moda, numa pegada parisian girl.

Já falei das slingbacks da Chanel e Dior e agora tem um mundo de versões tropicalizadas e charmosas, que tal? É aquele tipo de salto que te inclina na medida do sucesso, sem você precisar subir no palanque!

Bom, depois desse momento íntimo e pessoal da minha anatomia rs, fica a dica de um modelo chiquezinho e charmoso, curtem?

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