As sheet masks foram longe demais: Existe agora uma pra vagina!

24/09/2018  •  Por Thereza  •  News

Batom vaginal é coisa do passado, a onda agora é… sheet mask vaginal?? Pois muito que bem, a obsessão coreana por skincare ganhou um novo capítulo e as onipresentes sheet masks agora tem uma versão, digamos, íntima! Mais precisamente carvão para a região da vulva!

sheet mask vagina

Na semana passada, a Allure contou que a Two L(i)ps lançou uma máscara facial… quedize, vulval, a Blackout.  A marca foi fundada em Singapura por Cynthia Chua, proclamada “rainha da vulva” e que diz já ter cuidado de mais de 4000 vulvas em seu badalado spa. No site eles se orgulham, “A PRIMEIRA MÁSCARA DE CARVÃO ATIVADO INFRAVERMELHO  PARA A SUA VULVA”, também pudera rsrs.

Mas pra que serve a danada? Segundo a marca, “o processo de 4 etapas da Blackout acalma, desintoxica, clareia e hidrata a vulva, com a ajuda de carvão ativado por infravermelho”.  Afinal, pra que a gente quer um carvão ativado por infravermelho nas nossas intimidades? Capitalismo Ele serve pra aumentar a drenagem linfática e ainda desintoxicar a região. A máscara ainda tem camomila para acalmar, alcaçuz pra iluminar o tom da pele e aloe vera pra ajudar a hidratar.

O veredito dos ginecologistas? Bem óbvio! Vaginas são autolimpantes e se “regeneram”. Outro dia saiu uma matéria falando que tem sido cada vez mais comum espinhas na região, mas nada isso ainda é justificativa pra ter uma rotina de skincare numa área tão sensível e autossuficiente.

Confesso que acho incrível essas invenções de moda e ver o surgimento de novas marcas e produtos que daqui uns 5 anos a gente vai olhar pra trás e pensar “como pudemos viver sem isso?”, mas acho que tudo tem um limite e talvez a sheet mask vaginal seja um.

Às vezes a ideia nem seja compartilhar a novidade, mas trazer uma reflexão de como essas marcas surgem, muito que em função das redes sociais, vem trazer algo que a gente sequer precisa. Uma ou outra futilidade, tudo bem, mas quando começa a mexer na saúde íntima, aí talvez exija mais que um bom senso, mas um limite.

A título de curiosidade, no site da Two L(i)ps uma máscara é vendida por U$25. E não deixe de conversar com sua dermatologista sobre como esse mundo acelerado tem tentado mudar nosso comportamento sobre algo tão importante, e simples.

++ LEIA TAMBÉM: SHEET MASKS PARA PEITO E BARRIGA?? POIS BEM ++

 

Polêmica! A invasão de produtos de beleza para a vagina

30/07/2017  •  Por Thereza  •  Beleza

No início do mês fiz um post casual de um assunto banal (ou que ao menos deveria ser): vagina. Casualmente vi o tal batom vaginal e postei um pouco chocada e curiosa, e taí um tema popular: logo se tornou o post mais lido do mês e agora já figura entre os 3 posts mais lidos do ano no Fashionismo.

(falar de)Vagina tá na moda, é mole? É que só por esses dias comecei a ver por aí (veja esse vídeo)  outros produtos e tratamentos para o nosso órgão genital, uns me causaram curiosidade, outros me chocaram e alguns… bom, trouxe pra cá os principais e suas polêmicas envolvidas. Falar de vagina deveria ser mais comum, mas é um papo sério, em todo caso esse post será ilustrado com gifs da Sex & the City.

ILUMINADOR VAGINAL

Não dos mesmo criadores do batom vaginal, o iluminador vaginal. Enquanto um parecia ser mais inocente, apenas um produto 100% natural pra tirar o ressecado da parte íntima, já o iluminador é pura firula e vaidade íntima.

O The Perfect V é um iluminador que tem função de clarear e minimizar qualquer imperfeição (??) da nossa região íntima. Ele contém vitamina E e o creme tem um efeito aveludado que ~garante o brilho e luz na região. A quem interessar possa – espero que ninguém – ele está à venda apenas na Escandinávia por U$43 e a marca tem outros produtos pra desnecessitada região.

SAUNA VAGINAL

Isso mesmo, uma sauna para a sua vagina. O V-Steam é sucesso nos Estados Unidos e garante fazer um detox e rejuvenescer a região, mas como? Durante 45 minutos você fica sentada numa espécie de cabana íntima e recebe um vapor medicinal repleto de ervas aromáticas como: alecrim, manjericão e ainda absinto e ameixa.

O calor dilata os vasos da região, aumentando a circulação sanguínea, garantindo mais oxigenação e ainda relaxando a região e músculos pélvicos. Dizem que o tratamento ainda melhora a saúde e desejo sexual das mulheres, deixando-as mais empoderadas, sexies e confidentes. O procedimento é feito no V-Spot uma clínica que fica em pleno Upper East Side e promove cuidados íntimos e polêmicas.

O tratamento parece até inocente e saudável, mas ginecologistas alertam: “A vagina não precisa de detox. Nunca. Nossa vagina é autolimpante, por isso temos boas bactérias”.

PREENCHIMENTO LABIAL ÍNTIMO

É aí que a gente vê que talvez a humanidade não tenha lá dado muito certo. Sem querer ser a julgadora, mas o universo da estética está perdendo um pouco a noção. O tal do V-Plump foi criado pra garantir um voluminho extra nos lábios inferiores. O processo é feito injetando preenchimento do seu próprio sangue nos grandes lábios. Esse “simples” processo ainda rejuvenesce e estimula a região.

Pra que aumentar? Com a superfície maior, maior o prazer, garantem os especialistas e ginecologistas da mesma V-Spot. Segundo eles, o procedimento é usado por várias famosas que não recomendam por questões óbvias (é segredo).

A mesma clínica ainda tem um “Estreitamente vaginal”, um laser que vai no canal vaginal e rejuvenesce as paredes trazendo de volta a sensação original, firmeza, elasticidade e lubrificação. A técnica já foi usada e falada por nada menos que: Kris Jenner.

PEDRA DE JADE VAGINAL

Essa é a maior polêmica de todas. Gwyneth Paltrow tem o site super badalado, o Goop, e por lá assuntos ginecológicos são comuns. Ela compartilha suas dicas favoritas (ela já disse amar a tal sauna), mas um deles causou muita polêmica nos EUA, especialmente pela relevância da atriz: pedras de jade na vagina.

Esqueça o pompoarismo, o tal “jade egg”, segundo ela, é uma tradição milenar chinesa, e busca incrementar a energia sexual, tonificar, enrijecer os músculos da região, melhorar o controle da bexiga, regular o ciclo menstrual e, em tempos de empoderamento feminino, “aumentar o senso de conexão com nós mesmas e nossa força interior”, filosofa Gwy.

Parece interessante, certo? Mas uma junta médica veio a público repudiar a divulgação, logo uso,  das tais pedras (à venda no Goop). Enquanto especialistas em terapia holística, afirmam que as pedras tem poder de cura e recuperação da sexualidade feminina, os médicos alertam os perigos das pedras não esterelizadas numa região tão delicada e vão além, “Há muitas práticas antigas que agora sabemos que são ruins. Prefiro que minha ciência seja biologicamente plausível”, faz sentido.

A polêmica foi tanta, que a própria Gwyneth veio a público esclarecer – e defender ainda mais – o tal uso das pedras e mostrar o quanto elas vem reconectando as mulheres com seu corpo, tudo através de exercícios diários de 15 minutos da mais pura contração e conexão. Que tal?

Em tempos de empoderamento feminino e a força do feminismo como um todo, é preciso entender o que de fato é legítimo e saudável pro nosso melhor conhecimento íntimo e o que é apenas uma manobra do capitalismo pra ganhar dinheiro às custas de algo tão delicado e pessoal.

Tenho adorado ler – logo, compartilhar – mais sobre o tema, normalizar algo tão forte que temos em comum, mas ao mesmo tempo é preciso ficar atenta, alerta e, lógico, visitar seu ginecologista regularmente.