Série especial: De onde vem as tendências de moda

07/10/2019  •  Por Thereza  •  Pense

Com a super viralizada do “cardigan sexy” da Katie Holmes e que postamos aqui, me veio uma reflexão definitiva que há tempos pensava: de onde vem de fato as tendências de moda? Eis que comecei a pesquisar pro post, refletir o conceito, dissecar as ideias, ler matérias e livros… que o post ficou TÃO grande, logo, virou uma série!

Em 12 anos de Fashionismo é a primeira vez que isso acontece e gostei tanto desse formato que em breve teremos outros! De hoje até sexta serão 5 posts falando sobre o tema, afinal, falamos de moda, gostamos de tendências, portanto, conhecer sua origem é importante pro nosso entendimento de moda e consumo.

De onde vem as tendências de moda? Essa pergunta seria mais fácil e óbvia anos atrás: das passarelas. Claro, as passarelas apresentam os conceitos, seja baseado na intuição de uma marca,  no “senso comum” de estilistas ou em apostas específicas. Beleza, mas de onde surgem as tendências de fato e antes do desfile propriamente dito?

O leigo, apesar de entusiasta de moda, de primeira diria no senso estético ou aposta/tino do estilista, mas é muito além disso. Acha que o Marc Jacobs, a Miuccia Prada, o Olivier Rousteing e cia tem um grupo no Zap pra definir que essa temporada será só sobre polka dots, minimalismo e cetim? Claro que não.

Anos atrás rolou uma tentativa – podemos dizer, mal sucedida – de “see now, buy now” e de comprar o look direto da passarela, essa realidade não pôde ser aplicada na prática e ainda seguimos com aquele gap de 9 meses do desfile pra venda final nas lojas propriamente dita. Na realidade, nosso guarda-roupa é previsto aaanos antes, as tendências são “planejadas” com 2 ou 3 anos de antecedência e sabe como?

Tudo através de bureaus de estilo. Estamos falando de moda e não do lado “bonito” da coisa, mas sim da indústria, do business, da bufunfa! Esse mercado arrecada mais de 3 bilhões de dólares anualmente, gera milhares de emprego e é uma das artes mais democráticas da sociedade moderna, portanto, o assunto é muito mais estratégico e menos, digamos, inspirador. “Hoje a Carolina Herrera decidiu resgatar a moda do peplum”, não é beeem assim, portanto, quanto mais as marcas souberem onde estão pisando, logo, investindo, melhor o retorno como um todo!

tendencia de moda

E é aí que entram os tais bureaus de estilo, empresas que estudam com até 5 anos de tendência comportamento de consumo, seja na moda ou em outros segmentos. O mais famoso é o WGSN que se intitula “Criando o amanhã – Previsão de tendências”, abaixo selecionei um trecho do site deles que pode nos ajudar a decupar a tal origem da tendência.

“Nós definimos o que vai acontecer amanhã para que você possa tomar decisões inteligentes hoje. Os nossos analistas mundiais de tendências e cientistas de dados se concentram incessantemente em decodificar o futuro para fornecer uma visão sólida e confiável sobre o amanhã. Com uma equipe de especialistas nos cinco continentes,  englobamos análises diárias de tendências, dados analíticos de varejo e entendimento sobre o público consumidor”.

Seja uma loja recém inaugurada ou uma grande maison em busca de análise mercadológica, eles recorrem a esses bureaus de estilo. Eles oferecem alguns serviços como, “aprimore o planejamento de suas coleções ao ter acesso a previsões de cores e tendências com mais de 2 anos de antecedência. Inspire-se com mais de 22 milhões de imagens e com milhares de desenhos técnicos e designs, livres de direitos autorais. Aumente as vendas seguindo as tendências apresentadas em mais de 250 matérias novas por mês”. O serviço é muito usado não apenas para moda, mas também para decoração e beleza. E não só estilistas usam a ferramenta, mas também jornalistas de moda e, obviamente, a indú$tria.

E a própria indústria têxtil pode ser responsável por certos modismos, seja despejando toneladas e toneladas de um tecido específico, por exemplo, cetim ou linho, dois tecidos do momento e que tem suas fases. Ou até mesmo uma estampa como oncinha ou pied-de-poule.

“Ah, então os verdadeiros criativos são os coolhunters?”, não! Eles “ensinam a pescar”, tudo através de um processo longo e complexo de observação apurada e detalhada do que ocorreu no passado e do que acontece no presente. Eles observam sinais, indicadores importantes, fragmentos, estudam de arte a política, para aí sim traçar um prognóstico. No geral, o surgimento de uma tendência tem um mix científico e intuitivo.

E aí que entram os estilistas, eles fazem o “peixe” à sua maneira, os bureaus dão o norte, apresentam um senso comum, mas aí que entra cada CRIATIVIDADE, dna, história e visão de cada estilista e essa é a essência da moda e desdobramento de cada tendência.

E sim, existem aqueles estilistas disruptivos e que nadam contra a maré e é isso que deixa a moda mis interessante e heterogênea. A tendência dos próximos anos será minimalismo? Então toma glam eighties. Os bureaus deixam as marcas cientes do espaço em que eles operam e as coisas acontecendo ao seu redor, pro estilista até mesmo decidir ir com ou CONTRA tal movimento.

Tudo é feito através de estudos, pesquisas e comparativos nos 4 cantos do mundo, de uma badalada grande metrópole a um vilarejo cheio de história fora do mapa, existe estudo, mas sem deixar de lado a tal da intuição. São dezenas de bureaus pelo mundo, cada um com perfil e ponto de vista, mas de uns tempos pra cá o formato de pesquisa mudou. Hoje, mais do que nunca, é preciso estudar o caminho inverso da moda, se antes era das passarelas pras ruas, hoje é preciso analisar o caminho inverso e originário das ruas. Esse será o tema do nosso post de amanhã!