De onde vem as tendências de moda: dos modismos aos novos clássicos

11/10/2019  •  Por Thereza  •  Tendência

Você sabe – tecnicamente falando – quanto tempo dura uma tendência? Os experts na área de coolhunting dizem que elas variam de 2 a 5 anos, mas arrisco dizer que atualmente, nessa era digital, a timeline mudou… pro bem e pro mal.

E o retorno de uma tendência? Se antigamente demorava 20 ou 30 anos para o ciclo recomeçar, agora em 7 ou 10 elas já voltam. Um bom exemplo é o neon, em 2009 ele estava em todas, 10 anos depois, olha ele aí novamente! Abaixo tem dois pontos de vista que enxergo dessa geração da tendência em tempos de digital e profusão de informação.

MODISMO SATUROU GERAL

Chega a tendência, você vê espalhado RAPIDAMENTE (veja bem, é muito rápido) por desfiles > revistas >> veículos de moda >>> streetstyle >>>>> abismo >>>> loja. É tudo tão rápido, interessante, instigante, bombou, já tem brusinha na Renner, saturou… próxima!

Esse é o lado “ruim” de uma tendência em tempos digitais. Ela vem muito rápido, a gente mal tem tempo de analisar, se inspirar e, quando chegar lá na ponta da cadeia da loja fast fashion (que tá deixando de ser fast)… você talvez nem queira mais ou perdeu o timing.

TENDÊNCIA TRANSFORMADA EM CLÁSSICO

Mas tem o lado bom dessa cadeia de tendências, elas vem, seja da maneira que for, há tempos não usávamos, chegou, viralizou…. curti, me encontrei… e vou usar pra sempre, é O NOVO CLÁSSICO!

Um bom exemplo é até mesmo nossa tradicional tag  da retrospectiva “Tendência clássica”, costumo dizer que é aquela que veio pra ficar, mas vamos usar por mais que uma temporada e incorporar ao nosso armário.

Alguns exemplos clássicos recentes que já saíram daquele ciclo da tendência, mas seguem forte: o tênis. Sim, podemos encaixar o tênis casual no fator ex-tendência, novo clássico. No post anterior contei que pra mim o item é o clássico do milênio e, se a gente parar pra pensar, não era TÃO usado (além de fatores, digamos, aeróbicos) 10 ou 15 anos atrás. Além disso, pense até mesmo no linho, na calça clochard ou culotte e por aí vai, tendências que vieram pra ficar e, tudo isso, graças à internet, democratização e possibilidade da gente transformar qualquer modinha da vez em ESTILO PESSOAL!

E sabe de onde vem essa nossa tal evolução pessoal? Autoconhecimento, liberdade, até mesmo a informação de moda vem a nosso favor, ficamos maduras, interpretamos tendências, tiramos o melhor do modismo, “ah, nesse verão vou comprar uns tops de neon, pq sei que só vou usar nessa temporada” e tá tudo bem, e por aí vai!

Podem ter dúzias de bureaus, centenas de estilistas e milhares de fashionistas, mas cada vez mais estamos no domínio  e comando das tendência e interpretando-as À NOSSA MANEIRA! É uma época boa pra moda da gente.

Espero que tenham curtido a série de posts!

 

De onde vem as tendências de moda: das décadas passadas aos dias de hoje

10/10/2019  •  Por Thereza  •  Pense, Tendência

Mais um post sobre nossa série especial, “De onde vem as tendências de moda”! Se falamos de tendência, no post 2 citamos a precursora Elizabeth I, como podemos identificar as tendências pelas eras? Exercício bom para os atentos e apaixonados por moda!

ANOS 50

Se os anos 50 foi tomado pela era pós-guerra, e a “retomada” do glamour e feminilidade. A silhueta – muito oriunda dos desfiles de alta costura – tinha cintura marcada e saia rodada cada vez mais curta (ainda que na altura do tornozelo). Usava-se muitos acessórios, tais como, luvas, chapéus e joias. O mundo da moda era regido pelas divas hollywoodianas, como Audrey Hepburn e Marylin Monroe e o rock dava o tom, ambos eram o grande foco de influência da moda e cultura em geral.

ANOS 60

Depois da formalidade (e feminilidade da década anterior), os anos 60 foram um pouco mais descolados (ainda que numa era formal) e tem um nome que dita a moda: mini saia! Além disso, fala-se de conforto, depois de décadas (séculos) de aprisionamento feminino, o corte era reto, simples e muito prático. De Brigitte Bardot a Twiggy, uma época importante de transição da moda.

ANOS 70

Já nos anos 70, muito fácil pensar: Jeans, Woodstock, o visual hippie, estampas psicodlélicas, flores, franjas e cores, muitas cores. Provavelmente uma década muito marcante, com um quê caricato pra uns, mas cheios de memória de moda para muitos outros, até mesmo aqueles que não viveram tal era. Até hoje o saudoso David Bowie e a soberana Cher ditam e inspiram uma década marcante.

ANOS 80

Anos 80 já vai ficando um pouco mais fresco na memória (pelo menos na minha, apesar de ainda criança): glam, ousadia, brilho e exagero, que época boa para se estar vivo! E se um nome define a década: extravagância, uma mulher é a síntese do período (e até hoje, claro!): Madonna.

ANOS 90

Anos 90, esse dá pra falar com tranquilidade (e sem recorrer aos livros de histórias). Entramos numa era mais minimalista, em contraponto à ousadia oitentista. Do grunge às topmodels, era uma década, eclética e, provavelmente a mais divertida, onde nos guiávamos pela tv, novela, cinema, celebridade, ou seja, qualquer coisa que a gente via pela frente.

ANOS 00

Anos 00, creio mais uma década de transição, afinal, os anos 90 foram tão fortes, símbolos da música e tv surgiram no final dos 90 e ainda levaram sua herança pro milênio seguinte. E aí uma transição marcante: a internet e a fast fashion. Quando o assunto é moda, elas são essenciais pra onde quero chegar depois de resumir uns 60 anos!

 

Se em cada década conseguimos elencar uma moda e um símbolo, como vamos lembrar de grandes tendências dessa década ’10 nos livros de história do futuro? Eu não sei e sabe o motivo? Nunca houve uma década onde houvesse tantas referências… passadas e misturadas! Com o advento da internet, nos enchemos de inspiração e profusão de referências numa miscelânea de tendências nunca antes vista. Estaríamos perdendo a essência e a autenticidade necessária pra ditar e marcar uma década?

Você consegue citar alguma moda, uma grande tendência autoral pra deixar registrado nos anais da moda? Eu só penso em tênis, o grande registro que veio forte e democrático, de resto, entre instamodels e looks do dia, a década está para acabar e provavelmente precisamos ver de longe pra saber qual foi a grande tendência ’10. Apostas?

 

De onde vem as tendências de moda: Da Elizabeth I ao streetstyle

08/10/2019  •  Por Thereza  •  Moda, Pense, Tendência

De volta com nossa série “De onde vem as tendências?”, no 1º post falamos da nossa ideia inicial de tendência, os desfiles e visão do estilista que se propaga moda afora, mas agora vamos dissecar um pouco a tendência literalmente – e antigamente! – falando? O que o dicionário nos diz sobre a palavra tendência?

“Disposição natural que leva algo ou alguém a se mover em direção a outra coisa ou pessoa; inclinação: tendência dos corpos para a terra; tendência à mentira. Evolução de alguma coisa num sentido determinado; orientação: os estilistas se pautam nas tendências mundiais. Propensão que orienta alguém a fazer ou realizar determinada coisa; vocação: ela tinha tendência para música. Direcionamento comum de um grupo determinado; movimento: governo com tendências ditatoriais”

Beleza, mas de onde surgiu a tendência de moda de fato? Recorri a um livro pra entender a origem da tendência-de-moda e ela vem do século XIV, mais especificamente da realeza britânica: roupas eram usadas para mostrar RIQUEZA. Se alguém pudesse descartar uma roupa apenas depois de algumas semanas de uso, essa pessoa seria considerada riiiiicah (ler com a voz da Carolina Ferraz).

A capacidade de trocar de roupa com mais frequência estava ligada a ter dinheiro extra e…. ser fashion! As pessoas que queriam se apresentar mais ricas do que realmente são também mudariam de aparência com mais frequência. Uma das mais antigas “trendsetters” era a rainha Elizabeth I (pra você ter ideia, só de luvas, ela tinha mais de 2000 pares), que ditou a moda durante seu reinado. Em outras palavras, uma tendência da moda era algo que um rei ou rainha gostava. E junto com a tendência, sempre tem alguém a ditando, logo, sendo referência.

Agora de volta à contemporaneidade, se os estilistas ditam as tendências, quem sempre as conduziu para o mundo real na prática? As revistas! Elas que traduziam a mensagem dos estilistas – muitas vezes conceitual demais para um mero mortal – e as deixavam mais palpáveis para a vida real. Elas sintetizam as tendências e as deixavam mais populares ou exclusivas – no sentido de excludente mesmo.

Mas as coisas mudaram e, vejam só, a internet agora comanda a febre das tendências. Se as revistas catapultavam e definiam as tendências, quem as democratizou? A internet, mais precisamente os blogs/veículos de moda que a traduziam de maneira democrática, empática e gratuita.

Mas qual é o turning point desse ciclo das tendências? Se antes eles chegavam através da dobradinha bureau+estilista, agora elas também vem de onde? Sim, do streetstyle! As ruas tem se tornado a grande disruptora no mundo da moda. Muito por conta das próprias influencers montando seus looks para parecerem mais reais, logo, inspiradores, mas muito também por conta das tendências em grupos específicos, sejam os hipster ou os “early adopters”. Por exemplo, os londrinos são conhecidos por esse lado de lançar tendências à sua maneira e até mesmo avesso ao que é visto nas passarelas.

E a internet que deixa tudo isso mais fácil e possível, conseguimos nos inspirar de maneira democrática e mais prática à vida real e, cada vez mais, são os tais bureaus de estilo e estilistas que usam desse meio como referência de análise de estilo e prognóstico de tendência. Isso sempre existiu, mas a internet facilitou essa relação. Bom pra gente!

Amanhã, na continuação da nossa série especial, falaremos mais a fundo do caminho inverso – e muito tradicional – de onde surgem as tendências!

 

 

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