O blogroll de moda e beleza de 2019!

27/03/2019  •  Por Thereza  •  Estilo

Todas as blogueiras da minha geração (2007-2010) cresceram por conta de uma única palavra, o blogroll! Era essa listinha de blogs amigos – que geralmente fica na lateral do layout, que catapultou basicamente todos os blogs. Era o famoso boca a boca dos primórdios digitais, se você gostava de um blog, ia ali no blogroll e abria-se um mundo de possibilidades e blogs relacionados.

E eu nunca enxerguei blogs – consequentemente, blogueiras – como competição. Sempre parti do princípio que ler blog é hábito, portanto, quanto mais blogs você lê, melhor. Nos dias de hoje, quando leio alguém falando que só lê 1 ou outro blog, confesso que fico triste, pois quero que as pessoas leiam cada vez mais blog e  – aqueles que perderam o tal hábito –  (man)tenham esse saudável e charmoso costume na sua rotina.

Na mesma quantidade que eu leio gente me falando que “as pessoas não leem mais blogs como antigamente”, também escuto tantas outras pessoas falando “gostaria de ler mais blogs, mas poucos são atualizados e/ou tem qualidade”. E é aí que entra o ponto, o problema não são os blogs, mas quem os escreve, o blog segue uma ferramenta poderosa, ágil e útil, só que nos últimos anos, a questão se tornou quem bloga… e não o blog, entende?

Produzir conteúdo não é fácil, requer 3 pontos importantes: produtividade, assiduidade e criatividade, com isso, em tempos de redes sociais rápidas (e, muitas vezes, frívolas), produzir conteúdo de qualidade, relevante e que te faça sair de algum app, digitar www ou simplesmente “arrastar aqui”, se tornou um desafio maior. Blogs são um veículo de conteúdo como qualquer site, portal, jornal ou revista, a diferença é que, hoje em dia, é mais difícil ainda produzir um conteúdo relevante e frequente.

Outro dia abri uma enquete no Stories perguntando quais blogs que as pessoas leem rotineiramente HOJE. Blogs que tem assiduidade, frequência (a regra era que todos os blog listados abaixo estivesse atualizados nesse mês) relevância, com isso e pra celebrar nossa semana especial, fiz uma lista dos 20 blogs de moda/beleza/lifestyle mais falados por vocês e, claro, basicamente todos lidos e recomendados por mim também.

 

Chata de Galocha

Coisas de Diva

2 Beauty

Thássia Naves

Garotas Estúpidas

Dia de Beauté

Living Gazette

Bedside Notebook

Silvia Braz

Makeup Atelier

GWS Mag

Moda pé no chão

Futilish

Karla Lopes

Um ano sem Zara

E aí, beleza

GWS Mag

Pausa para feminices

Belezinha

Depois dos quinze

Essa é foi uma lista baseada nos comentários de vocês, nos que eu acompanho e, em comum, que estejam nesse mesmo universo do Fashionismo! Existe um mundão lá fora de blogs incríveis, atualizados, de todos os estilos, temas e nichos. De literatura a viagem, gastronomia a nerdice, tranforme a palavra blog em veículo de comunicação que um mundo incrível se (re)abre pra você :)

Você que tem que valorizar a roupa e não a roupa que tem que valorizar

25/03/2019  •  Por Thereza  •  Pense

FASHIONISMO-11-ANOS

Eu estou exausta de crenças de moda limitantes. Cansei de guias-oficiais-de-itens-imprescindíveis-que-tem-que ter-no-armário. Cansei de supostamente ter que seguir a receita certa pra arrumar uma mala de viagem. Cansei também de roupa que só fica bem em gorda ou magra, listra que valoriza, estampa que atrapalha, cansei.

Apesar do carnaval ter sido outro dia, quero começar uma resolução de ano novo e conto com vocês: vamos parar de colocar limitações nas roupas, chega de dizer que roupa x não valoriza corpo Y. Que tal A GENTE valorizar a roupa? Desculpa brusinha, mas você não tem que me valorizar, quem tem que te valorizar sou eu.

fashionismo

Why so revolts, Thereza? Não é revolta (ok, um pouco rs), é uma saturação dessa engrenanem da moda que sistematicamentee muitas vezes sem a gente perceberdelimita cada vez mais nosso armário com regras mais ultrapassadas que as aulas de etiqueta que nossas avós tinham em 1900 e bolinha.

É que outro dia estava vendo os stories de 2 pessoas (não digo quem, não é uma denúncia, mas uma simples reflexão), e uma estava dando dica de quem tem quadril largo deve evitar isso e quem é baixinha deve evitar aquilo outro. Daí pula pro stories seguinte e tá lá uma outra pessoa dando dica de itens imprescindíveis num armário (nem é o capsula).

Ai Thereza, isso nem é novidade. Óbvio que não é, provavelmente nem deixará de ser, mas olhando assim, um atrás do outro, de pessoas diferente e que de comum só tinham a moda, cansa um pouco essa “sistematização” da moda. E já pensou o quanto isso limita e estigmatiza a formação do nosso próprio estilo pessoal? Quem disse que no checklist do seu armário básico tem que ter um vestido preto tubinho e uma saia lápis risca de giz? Vai que seu trabalho nem é formal ou simplesmente você não gosta e ponto.

fashionismo

Acho que vivemos tempos tão libertadores – olha a pochete triunfando aí lindamente, que propagar esse tipo de conteúdo é um retrocesso. Logicamente faço mea culpa e, apesar de me achar até razoável nesse lance de ~ditar regras, impossível ficar 11 anos escrevendo sobre moda – passando por uma geração e transformação inteira – e não entrar nesse círculo vicioso de dizer certo ou errado, up ou down, in ou out.

Em 2009 fiz um post – bastante ilustrado, no qual eu afirmava categoricamente que mulher de coxa grossa não podia usar short e sabe o motivo pelo qual eu disse isso? Porque eu tinha (tenho) coxa grossa e vivi numa sociedade e mídia que me induziram a reproduzir esse discurso, ainda bem que mudei e hoje em dia reflito sobre toda e qualquer palavra que escrevo nesse blog, mas minhas coxas continuam as mesmas :)

fashionismo

Muito bem, estamos quase em 2020, que tal esquecermos disso tudo? Obviamente não pretendo ser radical e acho que de fato a moda é um excelente aliado pro nosso bem estar fashion e existem nortes que devemos seguir de acordo com nosso estilo ou até mesmo ocasião, mas que tal deixar de dizer que tal roupa não nos valoriza? Que tal abandonar esses discursos genéricos que não acrescentam em nada? Pílulas de moda indigestas e que só segregam e afastam do nosso intento mais soberano,  que é se sentir/vestir bem.

Um adendo – muito comum e falo com propriedade, bora também parar de falar que só vai usar tal peça quando emagrecer, vamos deixar de condicionar o uso de uma roupa ao nosso peso ou biotipo, mas isso é pauta pra um outro post :)

Há tempos venho pensando sobre isso e acho que vocês percebem, pois coloco em prática aqui nos posts de moda do Fashionismo, mas sabe quando te dá uma vontade de falar, extravasar? Pois bem, essa semana o Fashionismo faz 11 anos, temos uma série de posts especiais e também tem tanto tempo que não faço post de comportamento de moda que esse é simplesmente pra deixar registrado todo esse processo que estamos vivendo nos últimos tempos, você e eu :)

fashionismo

Que agora a gente valorize cada roupa e que possamos nos vestir baseada mais no nosso desejo e humor e menos nas regrinhas obsoletas disfarçadas de #dicaamiga. Vista a roupa, não deixe que ela vista você.

Jameela Jamil, cristal empoderado e fada do body positive!

16/01/2019  •  Por Thereza  •  Saúde

Se você nunca assistiu The Good Place (aqui tem minha resenha dessa série mara), provavelmente você não conhece Jameela Jamil, mas estou aqui para te apresentar esse ícone de mulher, linda por fora e maravilhosa por dentro.

JAMEELA JAMIL

Jameela tem 32 anos, é britânica e de família indiana, já trabalhou como modelo, apresentadora, dj e seu primeiro papel na tv mesmo foi no seriado. Mas vamos falar de uma outra Jameela, a feminista e nome importante no movimento body positive. Jameela não é padrão hollywoodiano, especialmente por sua ascendência indiana, mas ela vem falando especialmente sobre quebra de padrões e a desconstrução da cultura do corpo magro e inatingível em tempos de Instagram e obsessão pela beleza filtrada.

Selecionei 3 histórias na qual Jameela usou de sua força e redes sociais para falar algo importante.

JAMEELA JAMIL E KHLOÉ KARDASHIAN

Semana passada a Khloé postou um texto bem problemático em seu Stories dizendo o seguinte: “Duas coisas que uma garota quer: 1) Perder Peso 2) Comer”. E isso é tão triste, especialmente da parte da Khloé que acabou de ter uma menina e, viver num mundo no qual queremos APENAS ISSO, é triste demais.

Daí Jameela, sempre ativa nas redes sociais buscando combater esse tipo de discurso, desabafou, “Isso me deixa triste. Espero que minha filha cresça querendo mais do que isso. Eu quero mais que isso. Enviando amor para essa pobre mulher. Essa indústria fez isso com ela. A mídia fez isso com ela. Queridas garotas, QUEIRAM MAIS DO QUE ISSO.”

Aos que responderam Jameela falando que era apenas uma brincadeira e um meme, ela continuou, “Não se esqueçam que somos adultos, então não entendemos as narrativas da mesma forma que as crianças o fazem. Não estou aqui para protegê-las, estou aqui para dizer às crianças vulneráveis para não seguirem esta maneira de pensar, antes que coloquem a magreza como uma prioridade e temam a comida”. 

E Jameela tem razão ao afirmar que a indústria fez isso com a Khloé, que cai numa espiral do que ela sempre foi vítima ao mesmo tempo do que a família propaga. É complicado, é triste e hoje, 2019, não podemos achar graça de algo tão sério, somos todas vítimas desse sistema.

JAMEELA JAMIL X CHÁ DETOX E CARDI B.

Quem nunca cruzou com uma publicação daqueles chás milagrosos? As gringas adoram e aqui no Br temos versões similares e que prometem mundos e fundos… mas calma galera,  é só um chá! E foi a vez da atriz se indignar com uma super famosa promovendo a moda da vez.

“Eles contrataram a Cardi B para promover o absurdo – e laxante – chá detox. DEUS, espero que todas essas celebridades evacuem em público.” Diferente da Khloé, eventualmente verborrágica, mas dessa vez engoliu a seco, Cardi respondeu Jameela bem 5a série style, “Eu nunca vou evacuar em público, porque tem banheiros públicos por todos os lados… e arbustos”.

Cardi B. não entendeu o cerne da questão e a problematização de algo que promove algo inconcebível, sem contar que muitas vezes é mais um placebo. Sempre implacável, dessa vez Jameela precisou usar um pouco de humor e deboche pra ver se povo entende, na próxima ela desenha.

Mas aí ela seguiu e foi fundo na questão, acha que essas famosas e influenciadoras fitness usam o artifício de um inofensivo chá para conseguir aquele corpo “dos sonhos”? Jameela foi categórica, “Nos dê os cupons de desconto para seus nutricionistas, chefs pessoais, personal trainers, photoshops e cirurgiões plásticos, seus sanguinários mentirosos!”. Tem mais o que falar?

JAMEELA X CULTURA DO CORPO PERFEITO

Pode não ser direcionado a famosa x ou y, mas a atriz sempre busca promover a pauta e empoderar especialmente jovens meninas que são aos maiores vítimas – muitas vezes inconsciente – desse universo.

“Eu não vou parar até ensinarmos as pessoas a serem melhores aliadas para as mulheres e pararem de vender esses produtos que parecem medicamentos, mas são apenas merd*s sem função. PAREM DE SEGUIR AS PESSOAS QUE LHE DIZEM COISAS QUE FAZEM TE SENTIR MAL.”

Sei que para uns que não acompanham a atriz, podem achar que ela está provocando e querendo “aparecer”, mas não, há anos a atriz busca promover o movimento body positive, pois já viveu na pele na adolescência essa questão de peso & julgamento.

E pra mim é um sopro de esperança numa timeline infestada de fakes e filtros. Quem não segue a atriz, vale acompanhá-la no Instagram pessoal e no da campanha I Weigh, Twitter e, claro, acompanhar The Good Place, porque se tem um bom lugar… é por perto da Jameela.

 

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