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A moda está feia (e isso é ótimo)!

19/02/2018  •  Por Thereza  •  Moda, Pense

Bom dia, leitoras! Passado janeiro, carnaval… feliz ano novo! Nosso “primeiro” post do ano vem com uma revelação, um sentimento, uma tendência meio que, digamos, abstrata, subjetiva, mas muito importante de se observar: a moda está feia. A moda está “desajeitada, mal ajambrada, esquisita, primitiva”. E isso é bom, explico.

Voltamos para 2016 e esse post aqui da Rihanna, fada precursora das moda. No tal texto, eu ligeiramente estranhava – mas reverenciava – que Rihanna estava usando umas roupas estranhas. Não que Riri fosse uma patricinha ou fashion victim convicta de sempre usar looks bonitinhos e da vez, mas ela estava um ponto fora da curva, bom, mal sabíamos que esse ponto já era 2018. O título era uma pergunta “O que Rihanna está querendo dizer com esses looks?” e eu mesma me respondo: lindíssima, falou tudo.

Agora explico, lembra desse post de janeiro dos “dad sneakers” e aqueles tênis feiões do papai? Pois bem, eles são uma febre, desejo, fascínio e sensação, a NYFW acabou e só se via isso, dos originais da Balenciaga, LV e Chanel, aos genéricos da Zara e qualquer outra marca acessível que queira capitalizar com essa moda feia.

Bom, podemos de cara pensar “nossa esse povo tudo fashion victim”, mas na real, vamos pensar além dos 2 segundos e um pouco do reflexo da Rihanna: a tal moda feia tem um propósito maior. Li uma matéria muito legal no WW falando um pouco disso e do tal ciclo da moda. Vocês conseguem me dizer qual era a grande febre fashion 10 anos atrás? Pois bem, refresco sua memória: Hervé Leger e o models body-con embalados a vácuo. Vestidos belíssimos, não podemos negar, mas zero confortáveis e não lá muito democráticos.

Agora o que os inocentes tênis do papai indicam? Que a moda tá esquisita sim, meio feiosa ok, mas confortável e desapegada. É aquilo que já profetizou nossa pensadora contemporânea, Tati Quebra Barraco, “é feio, mas tá na moda”. E vamos ver pelo lado positivo, todo mundo ganha, mas sabe como? Desapega também.

Pensa na expressão do comprimento ingrato? Vamos exercitar nosso olhar pra isso ser apenas mais um comprimento, vamos nos habituar e inserí-lo na nossa estética. Tipo como temos feito, por exemplo, com a pochete. A famigerada pochete é mais que item fashion vigente (ainda mais depois do carnaval), ela deve ser elevada a status de clássico e muito nesse caso pelo fato da gente simplesmente desapegar de achar que tá aumentando a barriga ou nos livrar de qualquer estereótipo que vem acoplado nela – e de quebra a danada ainda é super prática.

Voltando ao universo fashion na prática, sabe 2 responsáveis por essa revolução, digamos, espiritual? Uma é a marca Vetementes (já falamos dela aqui, vale ler pra entender um pouco sua estética), que desconstrói looks, shapes, proporções, alegorias e adereços. De bônus, Demna Gvsalia, estilista da marca, agora também bate ponto na Balenciaga, a responsável pela febre do tal tênis do pai. Além deles, a Gucci vem fortíssima na transformação do bonito, com uma moda mais extravagante e adoravelmente exagerada. Aquelas desfiles que a gente não entende? Algumas temporadas depois vem transformando nossa estética na prática.

Por fim (e talvez o mais importante), sabe a moda ostentação que a gente observa por aí e eventualmente nos repele tamanha a não-identificação? Essa tal “moda feia” é um passo importante para a quebra desse ciclo vicioso e saturado, é o toque de realidade que faz falta e vai tirar essa beleza engessada que vivemos nessa era Instagram. A Bella Hadid usando roupas feias terá um belo propósito a médio prazo, acredite.

Todas as fotos do post foram dessa temporada da NYFW, você vai necessariamente usar igual? Você que sabe, mas sem dúvida podemos receber o recado que a moda está ampliando, diversificando e deixando a tal estética mais frouxa e livre. Um bom indicativo na prática é só ver a nova coleção da Zara que vem um pouco assim, peças mais amplas, um quê genderless, misturas inusitadas e muito conforto. A sempre tão segregadora moda agora está mais tolerante e descontruída, e é basicamente isso que a gente leva, é libertador e vale ficar atenta pro ano que começa!

E vocês, já perceberam essa gradual mudança e como encaram essa nova estética?

 




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26 Comentários
  1. Dani - 19/02/18 - 08h53

    Oi Thê!
    Estava pensando justamente nisso ontem, mas, embora respeite muito a sua opinião, não vejo identificação ou um propósito real na “moda feia”. Na verdade, me parece um ciclo (como o dos Hervé Leger que vc falou) cujo principal propósito é chamar a atenção no meio de tanta gente que tem atenção. Mas só.
    Adoro roupas confortáveis e deixei de ser escrava do scarpin, mas não me parece nada prático trabalhar (passear, fazer compras, etc) cheia de peças e camadas, com uma pochete na cintura ou blusas caindo pelos ombros.
    Veja bem, é uma opinião pessoal e, assim como o gosto, cada um tem o seu.
    Acho super válido pensar fora da nossa zona de conforto e é inegável que moda mudou: é totalmente possível trabalhar de tênis e terno, uma coisa impensável há 10 anos atrás, mas acho que há de se ter bom senso – até que ponto essa “moda feia” é real e reflete a nossa busca pelo novo e pelo se sentir bem?
    Beijos

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    • Natalha - 19/02/18 - 10h23
    • Carol - 19/02/18 - 12h01

      Concordo com você!

    • Thereza - 19/02/18 - 12h11

      Mas é um ciclo também, sem dúvida! Que nem o dos anos 80, que veio depois do normcore, dois opostos. O que difere esse é que é mais sobre liberdade e um pouco da ruptura com essa condição que a gente vive do bonito, do feed perfeito do Instagram. Acho que pelas fotos das muitas camadas é pq os gringos estão no inverno, mas certeza que vai ter uma versão mais “feia” no verão. Acho que no final das contas fica da gente treinar nosso olhar e passar a normalizar certas coisas como pochete, comprimento ingrato, crocs, roupa sem passar e por aí vai. Não é sobre necessariamente a gente usar (eu não me vejo usando), mas sobre ver que a moda está mais ampla e menos limitadora! Bjs!

  2. Vitoria Gonçalves - 19/02/18 - 09h53

    Que reflexão importante! Eu acho que a moda tá aí justamente pra causar incômodo, estranhamento, tirar a gente da nossa zona de conforto diante dos padrões de bonito e feio. E eu acho isso tão importante…. E pra mim na real não importa se agora “o que tá na moda” é usar roupa desconstruída, tênis enorme, etc; pra mim, isso vem pra mostrar mais uma.possibilidade. quer usar isso? Pode. Nao quer? Pode também!!!

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    • Joana - 19/02/18 - 10h05

      Nossa, suuuper concordo!!Essa liberdade de escolher oq quiser, sem a coluna de revista de moda classificando em “certo ou errado”, “in e out” é sensacional!

  3. Joana - 19/02/18 - 10h00

    Os últimos looks das kardashian/jenner refletem muito isso. Quando vi aquela galera usando moletom de tudo que é jeito, como se não houvesse amanhã torci o nariz e lamentei porque eu sabia que seria a moda do “futuro” , mas quando você começa a analisar o entorno , seja em lojas e nas ruas e vê aquela repetição eterna, o mais do mesmo, você acabando vendo esse movimento com outros olhos.Essa moda “feia” tem
    Muito mais autonomia e personalidade, vide o desfile da Burberry de ontem, o de despedida do estilista de décadas da casa.Só sei que é muito interessante não ver mais roupa-receita-de-bolo e estou ansiosa pra ver no que vai dar, como isso vai refletir na rua e no nosso armário, onde ela encaixa?!

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  4. Wedja Tainelly - 19/02/18 - 10h23

    Sempre gostei desse street stlyle mais ousado, diferentão…por um tempo ele era muito montado ”arrumado”. Amo essa estética mais desconstruída, assimétrica..Se pensar em movimentos sociais que vem influenciando a moda, a diversidade nas passarelas, protestos por mais inclusão e afins..isso faz todo o sentido,visto que, se temos mais pessoas diversas, precisamos ter mais roupas diversas, mais formas, mais cores, mais texturas..tudo para que essa diversidade encontre sua representatividade em estilo e formas…e claro moda sempre foi e sempre será pra mim uma maneira de se divertir tbm, brincar de vestir os meus ”eus” então algo assim é totalmente bem-vindo, mostra que agnt pode sim se permitir a usar comprimentos e combinações que estranhe aos olhos, mas isso que é legal. Eu amo uma parte do livro da Carol Garcia ”moda é comunicação” que ela fala sobre adjetivos. Quando vc tem adjetivos pra classificar um desfile, uma peça, um look é pq vc já viu aquilo, vc reconhece e seu cérebro já sabe qual palavra usar para isso, não é algo novo…mas quando vc vê algo realmente inovador, te traz estranheza, vc não sabe bem se é bonito ou feio, se gosta ou não, pq aquilo sim é realmente novo. Seja a forma de usar uma peça, seja o formato de um tênis…Por mais modas que nos deixem sem adjetivos <3

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  5. Geovana Weber - 19/02/18 - 11h19

    Apesar de entender, não sei se concordo. Acho que mais que desconstruído ou libertador, a moda ta feia mesmo. Até porque essas tendências horrorosas só usa mesmo que é das moda, não vejo muito gente real sendo influenciada por tudo isso.
    Inclusive, acho que até está afastando um pouco pessoas que realmente gostam da moda mas não fazem parte do meio. Tá muito feio, muito além do que alguém poderia usar até numa festa a fantasia kkkkkkkkk Eu que busco moda pra me inspirar, tá dificil de achar algo legal até no pinterest. Pra mim, a moda anda realmente desanimadora.

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    • Ju Aquino - 05/03/18 - 11h49

      Geovana, pra mim tambem ta dificil!!!! Ô epoca sofrida.. rsrs

  6. Stella Ravalhia - 19/02/18 - 12h12

    Que post incrível, The <3
    Quem mais poderia fazer uma citação da rainha Tati? Só você vahaha

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  7. Camila Valeriano - 19/02/18 - 12h58

    Nossa eu amo quando você faz esses textos reflexão com muita informação de moda :heart: Dito isso, eu acho que essa nova moda é boa porque deixa cada um livre para usar o que quiser, sem cagação de regra!!!

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  8. Valter Rosa - 19/02/18 - 13h25

    Olá, boa tarde para você.!!!
    Embora, seja razoável.!!!

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  9. Junior Santoa - 19/02/18 - 14h35

    eu acho tão libertadora <3 você pode usar o que quiser e como quiser.

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  10. Nattany Martins - 19/02/18 - 14h44

    Já tinha percebido todo esse espírito de feiura e confesso que me inspira. Os looks são mais acessíveis e menos óbvios e com esse movimento de moda sustentável e compras em brechó , a gente ganha muito mais possibilidade.
    Cada um com sua esquisitisse e cada vez menos gente igual embalada a vácuo. :sunglasses: :facepunch:

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  11. Lidia Corrêa - 19/02/18 - 15h27

    Meu Deus, que post maravilhoso! Concordo muito Thê, amei essa perspectiva!

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  12. Juliana - 19/02/18 - 16h31

    Achei bem legal essa sua observação The,e na real também tô amando essa abertura de não ser “sempre sexy” ou romântica” mas sim poder se sentir beem confortável e ir trabalhar com tênis ,sapatos baixos e não se sentir “desleixada”.Aos pouco o mercado vai se abrindo por uma maior de fato democratização que nada tem a ver com compras mas sim de silhuetas e estilos.

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  13. Paloma - 19/02/18 - 19h37

    O bom da moda estar feia é q eu não compro nada há algum tempo kkkkk

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    • DENISE EVELYN MACHADO DE ALMEIDA - 19/02/18 - 22h05

      Aí gnt, não dá!! Acho válido Realmente para as pessoas que querem usar o que querem, mas essas modelos que estavam mostrando a virilha um dia desses, não me influenciam. A moda dos tempos brancos que aumentaram cada vez mais de tamanho e salto, alpercatas, eu torci o nariz, nas lojas, há 1 ano. Seis meses depois, estavam os mesmos sapatos feiões nas lojas, todos em promoção!! Acho que a brasileira em geral, é bem tradicional e menininha, gosta de se sentir bonita, não compra moda que as deixe feias não.

  14. Beatriz Lima - 20/02/18 - 00h38

    Lindíssima, falou tudo mesmo

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  15. Natalha - 20/02/18 - 11h30

    Eu acho que esses “looks feios” são milimetricamente calculados, nao os vejo como algo espontâneo do tipo “coloquei qualquer roupa e estou bem”… pelo contrário, eu tenho a impressão que elas devem passar horas montando esses looks feios! Deve dar um trabalhão! Hehehehe

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  16. ANGELICA - 20/02/18 - 11h40

    Nossa, as vezes parece que as pessoas leem o texto mas nao fazem a interpretação do texto né. Palmas para Theresa, praticamente a unica blogueira com conteudo. Quando The fala da moda feia, nao está falando no look montado pra passarela, no look pensado em msiturar estampas da blogueirinha q vive da aparencia dela, está falando de um conceito que vem por trás, onde o corpo da mulher nao está em primeiro plano, onde o conforto e a liberdade de expressão estão chegando com tudo. Você é livre pra vestir oq quiser, e quem achar a roupa feia, sem combinar, amassada, etc etc, problema da pessoa, a moda trará isso sim. Eu mesma estou farta do feed falso do instagram. Quando saio nas ruas, inclusive nos lugares que as tais digitais influenciers frequentam, so vejo pessoas comuns, e pq elas se tornaram comuns? Pq as do instagram nao existem na vida real. A moda abrirá nossas cabeças mais ainda. Por uma geração menos fútil, tomara.

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    • SILVIA ELAINE DA SILVA - 21/02/18 - 13h15

      Amém pro seu comentário! Nossa, parece que fazem questão de não entender…

  17. SILVIA ELAINE DA SILVA - 21/02/18 - 13h15

    E mais, bora lembrar que gosto é construção e que o que é belo pra mim, pode não ser pra vc, né nom? No mais, ultimamente quero é conforto.

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  18. Elis Chiachia - 26/02/18 - 10h12

    Achei o texto maravilhoso! Conforto e identidade são fundamentais! Mas acho que esse processo ainda demoraria um pouco pra realmente acontecer. Por mais que esse tipo de moda pareça acessível, eu não imagino ninguém usando nenhum desses looks na “vida real dia-a-dia” sem um milhão de olhares tortos
    Tem tudo pra ser libertador, mas acho mais demorado de acontecer do que uma moda bonita.

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  19. Cinthia Pascueto - 30/05/18 - 00h42

    Chegando atrasada, mas amando demais esse post! Eu tenho entrado muito nessa onda conforto > beleza, e tenho achado tão mais leve, divertido! Ainda não tinha pensado como isso pode ser reflexo da própria moda, porque sinceramente tenho ficado com preguiça acumulada de uns anos pra cá. E que bom que está assim! Dá uma sensação boa de quando eu curtia moda como forma de expressão, identidade… que seja um movimento e não uma tendência! Que venha visceral, com autenticidade – mais “uso porque amo” do que “uso porque é moda”.

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