O triste fim de muitas revistas

07/08/2018  •  Por Thereza  •  Pense

Reproduzindo o título de um post que escrevi em 2015, quando foi anunciado o fim da adorada revista Capricho. É que ontem foi comunicado que o Grupo Abril encerrou as atividades das seguintes revistas: Elle, Boa Forma, Cosmopolitan, Vip, Viagem & Turismo, Mundo Estranho, Arquitetura, Casa Claudia e Minha Casa. Títulos como Veja, Claudia e Exame foram poupados.

Sinal dos tempos. Tempos esses que já temos notado há anos e vale lembrar que não é exclusividade do Brasil. Lá fora, títulos importantes são extintos cada vez mais, outros tem sua periodicidade reduzida e muitos ainda se tornam exclusivos no digital.

A culpa é de quem? Da crise? Da Dilma, do Lula ou do Temer? Da Internet? É tudo culpa do Instagram? Em 2015 já conversamos nesse post aqui sobre como a forma que consumimos moda-e-informação está mudando. E eu ainda não sei a resposta exata desses questionamentos que pairam sobre a sociedade moderna, mas nos resta refletir alguns pontos.

Até quando o fim de uma Capricho, Gloss ou Elle, nos impacta mais no quesito saudosismo ou no fato de perder algo do nosso cotidiano? Cá entre nós, qual foi a última vez que você comprou a revista Elle ou qualquer outra similar? Ver uma capa incrível (eles fazem cada uma maravilhosa) e retwittar, não conta. Quantas vezes dedicamos nosso tempo a folhear e consumir integralmente o conteúdo de uma revista?

E vou além, estendo essa reflexão até mesmo pro mundo de leitura digital. Vejo muita gente lamentar não ter mais bom conteúdo de moda online, blogs desatualizados e sites desinformados. Sei que vocês estão me lendo nesse exato momento, eu agradeço demais e saiba que me esforço muito pra conseguir manter o Fashionismo com um público cativo, atualizações diárias e sustentável, mas quanto tempo a maioria das pessoas dedica de fato a ler blogs e sites de moda, beleza ou do universo feminino em geral?

Estaríamos todos nós, alienadamente, numa espiral de Instagram e redes sociais e seus conteúdos mais rápidos, superficiais e efêmeros? Até onde lamentar o fim de uma revista é mais memória de um passado do que um sentimento real de ausência no nosso cotidiano hoje?

Vocês sabem que já bati inúmeras vezes na tecla de prestigiar quem cria conteúdo de verdade e além do óbvio. E, honestamente, acho que mais do que nunca, valorizar e endossar quem faz conteúdo autoral e autêntico, seja uma das soluções pra gente sair dessa tal espiral que estamos automaticamente vivendo.

Hoje li algo muito interessante no Twitter, “Estamos na era da informação, mais desinformados do que nunca” e é isso. Temos um mundo de possibilidades, ir além, mas ainda estamos prezando pelo básico, pelo trivial. Outro dia LI uma pessoa ESCREVER “alguém ainda lê hoje em dia?”. O que nos resta? É possível viver apenas vendo ou assistindo? Eu não consigo.

Dito tudo isso, vale lembrar que a questão da extinção dessas inúmeras revistas mundo afora, vai muito além da gente não estar mais comprando revista na banca, mas sim de como muitos títulos se perderam nessa nova era digital que, convenhamos, nem é mais tãão nova assim, mas é rápida e engole muita gente.

Se no boom dos blogs, muitas revistas e “gente analógica” rechaçava esse tipo de ferramenta e conteúdo… bom, é o que tem pra hoje. A mudança na forma de se comunicar estava justamente aí (aqui), quem soube migrar – livre de preconceitos, conseguiu superar e se juntar.

Da nossa parte, é preciso desligar o automático, refletir, pensar fora da caixa e buscar canalizar nosso já escasso tempo pra consumir conteúdo de verdade. Valorizar o autoral e ter a percepção que em tempos de fake news, conteúdo de verdade é real e precisa ser exaltado. É fazer  mea culpa e uma reflexão sobre como o que consumindo hoje, pode ecoar na nossa própria vida amanhã. É inserir de volta na nossa rotina uma cadência de conteúdo, diversão e arte (isso dá uma música rsrs).

E você, me conta como dedica e canaliza seu tempo na hora de consumir conteúdo na internet!

 

Ser velho está na moda

01/08/2018  •  Por Thereza  •  Pense

Eu tenho um “mantra” que gosto muito de espalhar por aí e pretendo levar até o último dia de minha vida – e espero que esse dia seja daqui uns 70 anos rsrs: nossa ambição deveria ser > ficar velho <. Velho deveria ser elogio, coisa boa, status!

Seu velho {Leia com entonação elogiosa}!

Afinal, vivemos para que? Para envelhecer. Envelhecer bem, com saúde, com história, ok alguns creminhos, mas simplesmente envelhecer, botar a maior quantidade de vela no bolo, riscar muitas folhas de calendário. Pense nisso e leverá a vida de uma forma diferente.

Infelizmente nos esquecem disso e vivemos querendo parecer mais jovens, só que cada vez mais velhos (ok, ainda bem). Isso até me lembrou um post que fiz ano passado – e provavelmente foi meu favorito do anosobre quando vamos querer parecer ter a idade que temos. Bom, onde eu quero chegar com essa introdução ao post? É que, com todo o respeito, “ser velho está na moda”. Sim, deveria ser um clássico atemporal, mas está na moda.

Se vivemos a era da inclusão, moda democrática, mulheres negras, gordas, baixas, enfim, gente-fora-do-tal-padrão fazendo sucesso no mundo da moda, as mulheres mais velhas estão com tudo! Ainda bem.

O mundo da moda sempre foi cruel e encerrou carreiras lá pelos 20 e alguns anos, mas as coisas tem melhorado! Parece que agora ser “mais velha” não é apenas algo cronológico, é um fato oficializado e que também tem tido seu espaço no mercado da moda.

Ano passado, capas de importantes revistas deram o tom ao “movimento”: Hellen Mirren foi capa da Allure, Lauren Hutton estrelou a Vogue Itália e Meryl Streep figurou na edição de aniversário da Vogue US. Ok, atrizes e expoentes que podem ser mais que “simples” modelos desse precioso nicho, mas sim, tem muitas mulheres acima de 60 que tem trabalhado cada vez mais exclusivamente sendo modelos.

Conhece Lyn Slater? Ela tem 64 anos, é professora e blogueira de moda. Moradora de Nova York, Lyn se intitula “ícone acidental”, sua hashtag oficial é #AgeIsNotAVariable, ou seja, idade não é uma variável, e tudo isso pois sua idéia nunca foi quebrar barreiras da idade, ela basicamente se veste sem pensar nos seus 64 anos, simples assim.

Seu instagram tem mais de 530 mil seguidores, é modelo contratada da Elite e já descolou campanhas com Mango e outras marcas.

De blogueira para modelo, conhece Maye Musk? Ela tem 70 anos, começou modelando aos 15 anos e hoje é um dos maiores nomes da área. Ela estrela várias campanhas, é embaixadora da CoverGirl, já desfilou para Dolce & Gabanna e foi capa de Elle e NYTimes.

Maye reconhece que os tempos são outros e que 5 anos atrás nada disso seria possível, mas que hoje em dia, marcas trabalharem com modelos mais velhas é mais que cota, é representatividade (e ainda vende muito!).

E onde há um ~nicho, há uma revista para isso! A Renaissance Mag é um revista feita exlusivamente por e para mulheres acima de 40 anos. Do editorial à capa de revista, a revista tem uma faixa etária bem ampla, mas busca mostar que há força e poder (e um mercado enorme!) além do universo dominante dos 20 ou 30 anos.

“Nossa, eu tenho 20 e tal e esse não é meu tipo de público”, ok, pode AINDA não ser, mas a própria Mango  revelou que ao contratar Lyn, não só trouxe um público novo de +50 para suas lojas, mas principalmente os próprios millennials não apenas se impactaram, mas se sentiram inspirados.

E é assim mesmo que eu me sinto: inspirada! Inspirada quando vejo uma mulher mais velha e confiante, bem sucedida, confortável com sua pele e corpo e ainda naturalizando a idade.

Talvez um dia a idade se torne só número e vamos querer ter declaradamente mais e mais idade.

 

2 x Ashley Graham na capa da Vogue e da Bazaar!

04/07/2018  •  Por Thereza  •  Pense

Ashley Graham, 30 anos, a 1oª modelo mais bem paga do mundo e ícone plus size. Aliás, Ashley não gosta de receber esse rótulo, “a Indústria da moda insiste em me chamar de plus size, mas prefiro pensar que esse é o “my size” e pronto”, mas reconhece que é um “nicho” no qual, ao ser de uma certa forma categorizado, mostra sua força e QUE FORÇA!

Ashley Graham é O nome quando o assunto é modelo fora do ~padrão vigente. Daqui uns 50 anos, quando não houver padrão algum (assim espero rsrs), lembraremos de Ashley como precursora desse novo mundo. Hoje, 2018, ainda estamos bem longe do razoável, mas é preciso reconhecer que é um avanço comparado com 5 anos atrás.

Quando o assunto são desfiles, foco na inclusiva NYFW, que é a edição mais democrática (e não só em relação a tamanho, mas também raça, idade) e esqueça a preconceituosa Paris Fashion Week (com modelos cada vez mais magras, que foi preciso uma lei pra tentar regularizar essa questão). Agora quando falamos de capas e editoriais, sem dúvida esse mês será lembrado por Ashley Graham onipresente e em dose dupla em 2 grandes publicações mundiais.

Semana passada foi divulgada a capa da Vogue Arabia com Ashley Graham e Paloma Elsesser que, além de plus size, também é negra e latina (já que estamos falando de representatividade). E eu achei a capa o máximo!

Gosto, porque não é aquela capa wannabe inclusiva, com modelos plus, mas com roupas disfarçando suas curvas, pelo contrário, são roupas exuberante (amei os looks Balmain) e que exaltam a beleza e vivacidade das duas. Vale lembrar que é uma Vogue Arabia e esse decote já foi uma ousadia, por isso elas ficaram mais vestidas dentro da piscina (isso ocorre em todas as edições da VA, sempre mais cobertas).

Depois disso, ontem saiu  mais uma dobradinha de capas da Ashley, dessa vez solo na Harpers Bazaar UK e eu estou apaixonada!

A primeira capa é um lindeza, você sente o frescor daqui e transmite uma coisa boa. Já a segunda é exuberante e divertida, como se fosse um Stories da Ashley, casual, mas glamurosa!

Sei que muitos ainda rechaçam esse tipo de representatividade, a maioria pelo preconceito velado, mas também outras por acharem que é migalha ou feito de forma errada.

Agora acho que posso dar meus 2 centavos nesse tema e falar com o mínimo de propriedade: me sinto inspirada. Olho uma Ashley e me sinto livre, dá até pra respirar aliviada e perceber que de fato os tempos são outros. É o tal do  *Representatividade importa*.

Sim, Ashley ainda é mais ~padrão do que propriamente gorda, mas mesmo assim, ela é uma voz, não só um corpo, mas uma voz que rege esse novo momento e muitas vezes fala de forma natural sobre o tema, é tipo banalizar uma pauta que deveria ser comum, ainda bem! Ashley não necessariamente levanta bandeiras o tempo todo, ela é A bandeira ambulante, a personificação que ser fora do tal padrão é possível, aliás, não deveria existir padrão algum, as pessoas deveriam simplesmente existir.

Minha única observação nessa onda plus size (ou qualquer outro rótulo que queira chamar), é que eu gostaria de ver outras modelos, mais modelos, muitas modelos em mais capas e editoriais! Ashley pode ter aberto as portas, mas que o mercado cada vez mais note e dê espaço para outras modelos (aliás, essa semana tem #poraí com uma modelo dessa nova safra).

Lembro que ano passado achei o máximo – logo postei aqui – a top na capa da Vogue América, é um super feito, mas hoje me incomodo um pouco com a tal roupa que disfarça (sem contar o controverso photoshop) usada por ela na capa.

Mas que bom que as coisas avançam e melhoram, acho que no final das contas, nosso olho fica mais sagaz, a gente admira, mas também aponta questões que podem ser melhoradas. Quando o tema é esse, sempre busco me questionar, pensar se é pouco, se é um token ou “não faz mais que sua origação”, mas às vezes, nem que seja por 2 minutos ou 2 capas, que a gente simplesmente contemple e compartilhe algo importante assim.

E vocês, conseguem perceber o avanço e como está se tornando mais comum ou ainda acham longe do razoável?!

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