Seus cílios são lindos!

22/05/2018  •  Por Thereza  •  Maquiagem, Pense

Esse ano tem sido O ano no qual temos ressignificado nossa relação com a maquiagem. Não digo nem de radicalismo do reboco x zero maquiagem, mas de todo o procedimento e necessidade em si de, por exemplo, usar mais primer ou menos base. Vamos tanto no automático, que às vezes é bom saber que uma pessoa faz algo de diferente pra gente tentar. Maquiagem deveria ser mais tentativa e erro do que piloto automático.

No início do ano, postei aqui sobre a nossa necessidade de querer esconder tanto os poros. Essa pequena reflexão veio da musa maquiadora, Katie Jane Hughes, que sempre preza por uma pele mais real, mas com uma make ainda muito criativa.

Ano passado postei aqui um bate papo com a Fabiana Gomes, maquiadora da MAC, que trouxe uma boa reflexão, “as pessoas devem elogiar sua pele e não querer saber o id da sua base”. Eis que nessa última semana vi uma outra pequena reflexão que me fez parar pra pensar, logo, compartilhar com vocês!

A Glossier, marca super cool de maquiagem, lançou seu rímel Lash Stick e o slogan, “Efeito colateral comum: “seus cílios estão lindos” (ao invés de de “qual rímel você está usando?”)”. E na hora que eu li, pensei, uau isso faz tanto sentido! Não que a gente queira esconder nossos truques de beleza criados pelo homem, mas quero que eles sejam uma ferramenta complementar e que realcem nossa beleza natural.

Eu sou muito apaixonada por rímel, acho que tenho uns 10 ou 12 tubinhos que uso frequentemente. Já fui de rímel que dá muito volume, que deixa tudo emaranhado, que alonga, mas agora estou numa fase daquele que define. E acho que tudo isso é sinal dos tempos e daquela sensação de querer estar mais pura e menos montada. Isso logicamente é uma fase e, ainda bem, que temos um mundo de possibilidades, mas que bom que podemos viver tranquilamente querendo ter apenas cílios penteados e sem aquela obrigação de parecer cilhuda o tempo todo.

Sobre o rímel da Glossier, parece muito interessante a proposta:

“248 formulações depois: o rímel perfeito pro dia a dia. Lash Slick alonga, curva e esculpe, aumentando a aparência de seus cílios naturais em vez de agrupá-los ou deixá-los emplastado. Fibras pequenininhas revestem os cílios da raiz às pontas, enquanto os polímeros formadores levantam e firmam cada fibra no lugar. E é resistente à água (não à prova d’água), então Lash Slick lava com água morna no final do dia.”

O lifestyle mais “naturalista” da marca tem ganhado cada vez mais adeptos num mundo que as pessoas tem ressignificado sua relação dependente de maquiagem. Lógico que há muito marketing envolvido, especialmente por se tratar de uma empresa e não de uma ong, mas vez ou outra é tão bom ler pequenos fatos que nos fazem questionar toda essa grande engrenagem de beleza.

E você, como é sua relação com seus cílios?

Cannes, salto alto é opcional

15/05/2018  •  Por Thereza  •  Moda

Estamos no meio da luxuosa temporada de Cannes, um dos principais festivais de cinema do mundo. Estatuetas, luxo, glamour, ostentação. O tapete vermelho recebe os nomes mais famosos e poderosos do universo e, ao mesmo tempo que filmes são premiados, vemos os vestidos mais deslumbrantes feitos pelos mais nobres estilistas em atividade.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas… reza a lenda algo muito retrógrado, pra não dizer machista: a organização proíbe que as mulheres atravessem o red carpet usando rasteirinha e sapatos flat em geral. A regra não é escrita, mas é um dresscode velado do festival e que faz parte da tradição de décadas. O evento está em sua 72ª edição e já estava mais do que na hora das mulheres mudarem essa ultrapassada formalidade.

salto alto cannes

Há 2 anos, alguns fatos chamaram a atenção da mídia  acerca do tema. Várias produtoras foram barradas por usarem salto baixo, uma delas, inclusive, tinha um dos pés amputados. Logo após o incidente, Julia Roberts, em sinal de protesto, atravessou o tapete descalça. Daí, imediatamente os organizadores do evento vieram a público se desculpar e contemporizar a situação.

Dizem que de 2017 pra cá, o tal dresscode ficou mais flexível, produtoras e nomes que chamam “menos atenção” dos fotógrafos já conseguem entrar com sapatos mais baixos e fica tudo bem. Mas um fato que aconteceu ontem em Cannes reacendeu o debate, não só do dresscode, mas especialmente dos limites dos saltos vertiginosos, tudo pelo fashionismo?

kristen stewart cannes

kristen stewart cannes

Kristen Stewart tirou seu Louboutin dos pés no meio do tapete e subiu as escadas rumo à sessão de cinema. Isso não é lá muito novidade em se tratando da atriz que, por muitas vezes, já tirou os sapatos durante premiações, isso quando não foi de tênis mesmo e pronto, Kristen é muito autêntica. Nessa ocasião, não foi dito oficialmente se essa atitude dela tenha sido alguma forma de protesto. Kristen Stewart simplesmente não se sente confortável de salto alto e tá tudo bem.

Obviamente que tirar o sapato no meio de milhares de fotógrafo, no evento mais badalado do mundo, já é um manifesto por si só. Se isso é algo forçado por seu PR apenas pra causar e gerar pautas e fotos, jamais saberemos, mas o fato é: é preciso rever toda essa obrigação de sair com salto 12 por aí.

Ano passado mesmo, postei sobre a minha condição ortopédica rs e de quanto estou cada vez menos usando saltos altíssimos, não só pelo conforto, mas por questão de saúde mesmo. Por outro lado, nem a rasteirinha é a solução pra mim, mas sim saltos baixos, 5cm, kitten heels, salto bloco. A ideia é tentar desconstruir a política do 12 cm ou nada.

Para Cannes, uma boa sugestão de como é possível ter uma rasteirinha ou sapatilha e ainda harmonizar bem com um belo longo. Pra gente da vida real, a montagem acima inspira e mostra que não é apenas possível, mas sinal de conforto, personalidade e estilo.

No caso específico da Kristen Stewart, talvez ela até goste de salto, ache bonito, mas não se sinta confortável na hora h. Quem nunca viu um salto lindíssimo, comprou, usou e não se habituou? Mas tão bonito de rosto.

Já no quesito técnico de styling e sua relação de amor x ódio com Louboutin (que sabemos que não é o sapato mais confortável do mundo), não temos conhecimento se existe um contrato (isso é super comum) que a faz usar a marca assim de forma extenuante, já que ela segue com seus scarpins indefectíveis da sola vermelha. Lembrando que a atriz é embaixadora oficial da Chanel e taí sapato confortável e com vários tipos de salto.

Não sabemos o motivo pela qual ela não diminui a altura dos saltos, mesmo aparentemente se sentindo desconfortável com a maioria deles, ainda mais Kristen sendo tão “free spirit” e nada “fashion victim”. Jornalisticamente falando, tenho curiosidade, mas isso é o de menos, no mais, que gestos oficiais como o da Julia e involuntários como o da Kristen, ajudem a tirar o estigma da obrigação de usar salto alto o tempo todo.

Seja no tapete de Cannes ou na pedra portuguesa perto da sua casa, salto alto é lindo, mas é opcional.

 

Você compra em brechó?

15/05/2018  •  Por Thereza  •  Pense

Quando eu falo brechó, o que te passa pela cabeça? Eu consigo vislumbrar 2 extremos, de um lado peças vintages e com um quê sofisticado de outrora (falar outrora é tão de outrora rs adoro), achados Dior e Chanel de décadas passadas, mas por outro lado, muita gente associa brechó com quinquilharia, coisa velha e mofo. Enfim, são 2 universos de um nicho cada vez mais poderosíssimo.

Mês passado li uma matéria muito interessante no Fashionista, logo compartilho com vocês. O ThredUP, que é o maior brechó online do mundo, estima que até 2022, o universo de revenda de peças (que vai muito além de um brechó na prática) vai faturar certa de U$49bilhões, superando até mesmo o faturamento de gigantes da moda, leia-se fast fashions. Enquanto os formatos tradicionais de venda tem crescido em média 2% ao ano (isso é até muito, já que as gigantes cada vez mais enfrentam prejuízos), empresas de venda de peças usadas crescem até 49% no ano, babado!

Os responsáveis por esse novo panorama da moda? Os millennials, sempre eles, salve salve! No assunto consumo, dada a enorme demanda, eles são muito impulsivos na hora da compra, porém usam em média 5 vezes uma peça de fast fashion, com isso, o mercado dos “semi novos” aumenta. Mas por outro lado, são mais conscientes e propensos a comprar de marcas com preocupação ambiental e também começar a vender suas próprias peças usadas. O que no passado poderia ser uma ~vergonha pros jovens, hoje é uma forma de negócio e ainda com um quê consciente.

Agora se você acha que esse universo de resale é feito só com os tradicionais brechós, super se engana. Hoje em dia cada vez mais surgem marcas apostando no viés da consignação,  nichos específicos (lembra da moda do aluguel de bolsas?) e até aluguel de roupas usadas. O que num passado digital recente era exceção, até 2022 parece que se tornará cada vez mais regra.

Lembro que quando morei fora, adorava desbravar brechós, eles eram comuns e daquele achado vintage chic no West Village até um 2 dígitos baratex em Williamsburgh, parece que na gringa isso é mais comum e aceitável que no Brasil. Espero que nos próximos anos possamos nos acostumar mais com esse novo universo e que tenhamos cada vez mais opções que mesclam fashionismo e sustentabilidade.

E qual é a relação de vocês com a revenda de looks?!

Página 5 de 38« Primeira34567Última »