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O fim da Henri Bendel e o que podemos entender dessa nova era

18/09/2018  •  Por Thereza  •  Moda, Pense

Há anos conversamos aqui no Fashionismo sobre a transformação do varejo e a forma que consumimos moda, seja digital ou analogicamente. As coisas não são mais as mesmas, e nem estou falando de uma década pra cá, mas de 3 ou 5 anos… muita coisa mudou.

Na última sexta-feira foi anunciado o encerramento das atividades da já saudosa Henri Bendel. Pra quem não conhece, a marca tinha sua flagship cravada no coração da 5a Avenida, ao lado de nomes como Bergdorf Goodman, Louis Vuitton, Tiffany e grande elenco.

henri bendel

Henri Bendel já foi cenário para Blair Waldorf em Gossip Girl, Carrie Bradshaw e Becky Bloom já foram vistas com a icônica sacola listrada. A marca era figura recorrente no imaginário de muitas fashionistas que visitavam Nova York em busca de fazer parte de um sonho, como aquele visto na TV (e uma comprinha de leve).

Eu, particularmente, adorava entrar na loja pra me sentir em Nova York de fato. Adorava o clima fun fashion que a loja tinha, adorava os acessórios, as ilustrações que estampavam as bolsas, amava as velas (aliás, foi a marca quem me inspirou a fazer a minha própria vela de peônias e champagne). Por lá encontrávamos de acessórios a livros, cases de celular a maquiagem, era uma loja de departamento diferente, era lúdica e tinha aroma de Nova York.

Henri Bendel existia há 123 anos, passou por muita coisa, mas não sobreviveu à era digital sedenta por números, likes e uma rapidez de posicionamento. Li uma matéria muito legal no Business of Fashion elencando alguns dos motivos do fim e acho importante compartilhar, pois, podemos até não ser lojistas ou empreendedores, mas isso diz respeito ao nosso universo de consumo e moda.

henri bendel

A CULPA É DA VICTORIA’S SECRET?

Tanto Henri Bendel quanto Victoria’s Secret, fazem parte do grupo L Brands, esse tipo de gestão é normal no mundo corporativo, onde grandes conglomerados administram várias marcas. E no comunicado oficial, eles revelaram que “a Henri Bendel está sendo extinta para que a holding possa melhorar a lucratividade do grupo e focar em marcas maiores que tenham maior potencial de crescimento”.

Muito se fala que a própria VS tem tido dias difíceis, por conta da alta competitividade e surgimento de muitas marcas de lingerie (a maioria dessas muito mais inclusiva e democrática que a Victoria), com isso, HB foi quase um bode expiatório na tentativa do grupo recuperar sua força e receita. Eles afirmam que “dos cerca de U$12 bilhões em faturamento que a L Brands trouxe no ano passado, todas as lojas de Henri Bendel foram responsáveis ​​por minúsculos U$85 milhões e perderam dinheiro em custos operacionais, um valor estimado de U$ 45 milhões só neste ano. Henri Bendel está operando no vermelho há pelo menos dois anos”.

A ERA DIGITAL PODE TE ENGOLIR

Se você não engolir a internet, ela te engole. E provavelmente a grande culpa do fim da marca tenha sido essa falta de traquejo com a internet numa era em que você não pode simplesmente existir, mas tem que ser ativo 24/7, seu feed precisa ser perfeito, suas redes sociais bem administradas, seus estilistas precisam ser influenciadores e, bom, essa vocês já sabem o que vou dizer: ter relacionamento com blogueiros e afins é essencial pra fazer a marca presente… e, confesso, mal via a Henri Bendel fazer nada disso.

E se um dia são blogs, outro dia são blogs e Instagram, daí outro tem blogs, Instagram, youtube, e tem sites, redes sociais xpto…. um turbilhão de ideias e, resumo da ópera? É preciso se ADAPTAR DIARIAMENTE, e quem não faz isso fica pra trás. Estagnar é o maior erro em tempo de velocidade de ideias, informação e competição. E isso vale pra marca, pra influenciador e toda e qualquer pessoa que queria viver nessa era digital.

O PERIGO DO LIMBO

A questão também é que a marca vivia um perigoso limbo. Não era high fashion como uma Gucci, Prada ou sua vizinha – e também loja de departamento – Bergdorf Goodman e muito menos era popular como fast fashion tipo Zara ou H&M. A marca se aproximava mais a uma Kate Spade que, apesar de também sofrer com a crise, tem uma artilharia e investimento muito maiores.

E quem frequentava a loja, sabia que algo ia errado. Lembro que quando morei na cidade e frequentava a loja, semana sim e outra também, ela era muito mais efervescente, vendia de tudo, tinha milhares de eventos, ativações, enfim, era O acontecimento da cidade numa era em que o digital engatinhava. Com o tempo, e por decisão da L Brands, eles passaram a focar só em acessórios da marca própria, os corners de maquiagens saíram e a loja perdeu um pouco do charme. O tamanho também foi reduzido, o que era multimarca virou apenas 1 andar de acessórios e quinquilharias, ok, adoráveis quinquilharias, mas dava pra perceber que a marca estava numa sobrevida.

  

A culpa é da marca, da Victoria’s Secrete ou da Internet? Difícil encontrar um algoz, mas nós somos as vítimas, pois perdemos mais um espaço de moda, um local físico, tangível, vivo, que fez – e poderia seguir fazendo – a diferença. Ano passado foi a vez da Colette em Paris e agora a Henri Bendel.

O que nos resta? Sei que não é só isso, mas posso de cara dizer: vamos para as ruas, fomentar a economia do analógico e não deixar o digital sobrepor a força que é andar pela rua, olhar uma vitrine, entrar numa loja e viver uma experiência. Que mais marcas encarem esse desafio e que mais pessoas entendam que o offline é preciso também.

E vocês, o que esperam de uma loja física? O que faz diferença na hora de entrar e se torna mais relevante que o digital?




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13 Comentários
  1. Nina - 18/09/18 - 14h51

    Poxa que triste, estive lá mês passado e quando passamos na frente meu namorado perguntou que loja era aquela, porque achou bacana. Expliquei rapidamente mas nem imaginava que iria fechar :(

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  2. Larissa Michels - 18/09/18 - 17h11

    “O que nos resta? Sei que não é só isso, mas posso de cara dizer: vamos para as ruas, fomentar a economia do analógico e não deixar o digital sobrepor a força que é andar pela rua, olhar uma vitrine, entrar numa loja e viver uma experiência. Que mais marcas encarem esse desafio e que mais pessoas entendam que o offline é preciso também.”

    eu amei essa parte! e concordo com tudo The,.. tenho uma loja, estilo de departamentos mas nao vendemos roupas e calçados, de resto temos de tudo um pouco ,e ta sendo um desafio estar nas redes sociais! eu que to cuidando pq somos uma loja de pequeno porte, ainda nao temos condicoes de ter alguem so pra isso, mas creio que daqui a pouco sou “obrigada” a procurar alguem ou alguma empresa mesmo.. enfim, desabafei! hahaha

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  3. Suzane - 18/09/18 - 23h22

    Sou super resistem a compras online pq amo a experiência de andar na loja, ver todas as tendencias, sentir os tecidos, ver as combinações, sentir cheirinho de loja! E amo ver a composição de cacarecos que as lojas de departamento tem! Sou fã de uma boa tarde no shopping, de conversar com as amigas no provador, brincar de fazer o look da amiga e desfilar.. enfim, tudo que a compra pela internet nunca vai poder proporcionar!

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  4. Samira - 19/09/18 - 05h29

    Eu sou super a favor de loja física, o online não me convence muito. Gosto da experiência, de tocar, provar, se for uma loja pequena conversar com a vendedora. Se quisermos continuar tendo lojas bacanas pra entrar precisamos prestigiá-las.

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  5. ANGELICA - 19/09/18 - 08h53

    eu sou fascinada pela praticidade das compras virtuais, há anos não compro em lojas físicas, as vezes encontro algo bacana em fast fashions e acabo provando e comprando, mas loja loja loja tenho na vdd um certo pavor. Já fui mal atendida tantas vezes, já fui duramente olhada de cima abaixo e julgada pelo que vestia, já me tentaram empurrar coisas horriveis que nao faziam meu estilo ou disseram que roupas que vestiram péssimo em meu corpo estavam “lindaaaas” de forma tão falsa, que realmente não suporto entrar em lojas. Shopping para mim é para serviços (salão, refeições…), não compras, já há bastante tempo.
    As lojas virtuais estao cada vez melhores, e nao tem nenhum vendedor mal humorado ou me julgando e decidindo se quer me atender ou não.

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    • Helô - 19/09/18 - 12h44

      Outro dia fui em uma maldita loja, onde meu marido havia comprado uma peça de roupa para mim, era para ser um vestido que eu havia visto no site da marca, mas a vendedora disse que eu tinha me enganado e empurrou um macaquinho com a mesma estampa. comprei o bendito vestido pelo site mesmo e fui trocar o macaquinho, que tinha entrado na promoção e estava pela metade do preço . Elas não haviam fornecido nota fiscal, eu sei, erro dele, mas abri o aplicativo do banco e mostrei quanto paguei, elas trocaram pelo valor real que paguei, mas puxaram a etiqueta da nova peça e disse que eu não teria mais direito a troca. cheguei em casa, adivinha? Ela rasgou a peça no lugar da etiqueta! Fiquei com tanta raiva, com o prejuízo e uma certeza: Compras só pela internet! Chega de vendedor falso no cangote, vendedor mal humorado e vendedor arrogante!

  6. SILVIA ELAINE DA SILVA - 21/09/18 - 16h12

    Amo suas análises!

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  7. Nattany Martins - 22/09/18 - 12h00

    Acho que todas nós já passamos alguma péssima experiência em loja, tem seus pontos negativos, mas pode ser sim interessante.
    Como costumo comprar em brechós e bazares geralmente tenho liberdade de fazer o que quiser. Nunca tive uma experiência em loja de luxo como essa, gostaria muito. Quem sabe um dia? hahaha’

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  8. Clarissa - 23/09/18 - 11h35

    Triste, amava a Geni bendel. Na época que morei em NY também ia sempre dar uma olhadinha nas coisas kkkk

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    • Clarissa - 23/09/18 - 11h36

      HENRI… maldito corretor!

  9. […] – O fim da Henri Bendel e o que podemos entender dessa nova era […]

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  10. Ana Luiza Carvalho - 26/09/18 - 16h09

    Triste ver isso com uma loja que apareceu em basicamente tudo o que eu vi sobre Nova Iorque em toda a minha vida. Fico feliz de ter podido entrar pelo menos uma vez antes do fim :(
    E eu amo loja física, poder pegar na peça, sentir a textura e principalmente provar no meu corpo, só compro online realmente quando tem mais jeito ou é o único jeito de comprar determinada peça porque fora isso, voto sempre pela loja física

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  11. Danielle - 30/09/18 - 21h32

    Acho uma pena ver uma marca desse tamanho terminar assim, mesmo não sendo meu nicho de consumo. Até porque acho que com 123 anos de história, é muito mais sobre esses anos todos ditando moda, efervescência cultural e parte de NY, do que apenas vender roupa, acessórios ou maquiagem… Enfim, fica como ensinamento para revermos o digital x analógico e tentar entender essas mudanças diárias, como pessoas ou como marcas!

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