Esqueça a felicidade, procure alegria

30/10/2018  •  Por Thereza  •  Pense, Saúde

Tom e Vinícius tinham um ponto quando cantaram a célebre música A Felicidade, “Tristeza não tem fim, felicidade sim. A felicidade é como uma pluma, que o vento vai levando pelo ar, voa tão leve, mas tem a vida breve…”.

Não, esse não é um post deprê, muito que pelo contrário, li uma reflexão tão bacana no Goop (o site de lifestyle da Gwyneth Paltrow) e me veio primeiro a lembrança dessa música e depois a ressignificação de palavra felicidade.

O tema surgiu no podcast entre Oprah e Gwyneth, ou seja, sente o poder da conversa e a apresentadora foi categórica, “’Felicidade’ não é nem mesmo uma palavra que eu uso para mim, pois a felicidade parece temporal” e o tema seguiu com a escritora Ingrid Fetell Lee, sugerindo que, ao invés de procurarmos felicidade, que busquemos joy, aka alegria e prazer. “Antes de começar a pesquisar a alegria, eu a via como essa coisa intangível e efêmera que simplesmente passa flutuando por nós. E quanto mais eu mergulhava nisso, mais eu percebia que, culturalmente, buscamos a felicidade de forma implacável,  mas negligenciamos a alegria”. E sim, há uma diferença entre felicidade e alegria.

Segundo Ingrid, “Felicidade é uma avaliação ampla de como nos sentimos sobre nossas vidas, e isso é frequentemente medido ao longo do tempo. A felicidade inclui muitos fatores diferentes: Como nos sentimos em relação ao nosso trabalho, se sentimos que temos um senso de significado e propósito. Como nos sentimos sobre a nossa saúde e também sobre nossos relacionamentos. Todos esses fatores diferentes entram em saber se estamos felizes ou não”. E ela completa, “a felicidade pode às vezes ser um pouco vaga”

E sobre a alegria e prazer, que pra mim sintetizam a adorável palavra JOY em questão, “a alegria é muito mais simples e imediata. Os psicólogos definem a alegria como uma experiência momentânea intensa de emoção positiva. Pode ser medido através da expressão física direta. Então, a sensação de sorrir, rir e querer saltitar. Temos esse sentimento quando algo nos dá uma faísca de alegria. E ela sintetiza: a felicidade é algo que medimos ao longo do tempo. Alegria é sentir-se bem no momento, e é realmente sobre esses pequenos e simples momentos.

E justamente nessa última frase que eu quero chegar e convergir com o nosso papo sobre mindfulness e viver O-MOMENTO-PRESENTE. Enquanto a busca pela felicidade requer tempo, planejamento, expectativa, ansiedade e até mesmo decepção, alegria é o agora, sãos os simples gestos e pequenos momentos que fazem a diferença. Quando a gente olhar pra trás, os tais momentos de felicidade se tornarão algo grande e importante na nossa memória, enquanto a felicidade… bom, a felicidade às vezes de fato pode ser um pouco vaga.

E a alegria tem a ver com bem-estar? Ingrid afirma que sim e de uma maneira importante e profunda, “pesquisas mostram que experimentar pequenos momentos de alegria regularmente reduz o estresse. Quando passamos por algo muito estressante, se tivermos um momento de alegria, pode realmente acelerar a recuperação física do estresse também. Com o tempo, isso pode ter um efeito positivo no sistema cardiovascular. A alegria foi até conectada em alguns estudos à longevidade”.

Sabia que as pessoas são até 12% mais produtivas quando sentem – E VALORIZAM – essas pequenas alegrias do cotidiano? E vamos falar de beleza, afinal “a alegria é uma emoção contagiante e uma das descobertas mais intrigantes é que a alegria nos torna mais atraentes fisicamente. Os cientistas descobriram que, quando rostos supostamente de aparência normal estão sorrindo, as pessoas os classificam como mais atraentes do que rostos “bonitos” que não estão sorrindo. Então, quando exibimos alegria, acabamos atraindo pessoas”. Sei que tudo isso pode parecer muito simples, filosófico ou hipotético, mas depois de desconstruir as palavras e entender seus significados, valorizo mais a alegria de agora do que a felicidade do futuro.

Acho que no final das contas essa reflexão é válida e é cada vez mais importante aproveitarmos o momento presente, buscar pelos simples prazeres da vida e que tudo isso sim, pode representar a felicidade como um todo. Fiquei super feliz lendo essa matéria e alinhando com minhas visões, a Ingrid tem um livro chamado “Joyful – O Poder Surpreendente das Coisas Ordinárias para Criar Felicidade Extraordinária”, no qual ela compartilha argumento convincente para a busca da alegria, “momentos alegres podem ser fugazes, mas eles não são necessariamente uma força passiva. Você pode ativamente envolvê-los em seu dia, em sua vida e sintonizá-los ao seu redor”, deu vontade de ler!

E vocês, já pensaram em desmembrar esse ato de felicidade com momentos de alegria e prazer?

 

 

O fim da Henri Bendel e o que podemos entender dessa nova era

18/09/2018  •  Por Thereza  •  Moda, Pense

Há anos conversamos aqui no Fashionismo sobre a transformação do varejo e a forma que consumimos moda, seja digital ou analogicamente. As coisas não são mais as mesmas, e nem estou falando de uma década pra cá, mas de 3 ou 5 anos… muita coisa mudou.

Na última sexta-feira foi anunciado o encerramento das atividades da já saudosa Henri Bendel. Pra quem não conhece, a marca tinha sua flagship cravada no coração da 5a Avenida, ao lado de nomes como Bergdorf Goodman, Louis Vuitton, Tiffany e grande elenco.

henri bendel

Henri Bendel já foi cenário para Blair Waldorf em Gossip Girl, Carrie Bradshaw e Becky Bloom já foram vistas com a icônica sacola listrada. A marca era figura recorrente no imaginário de muitas fashionistas que visitavam Nova York em busca de fazer parte de um sonho, como aquele visto na TV (e uma comprinha de leve).

Eu, particularmente, adorava entrar na loja pra me sentir em Nova York de fato. Adorava o clima fun fashion que a loja tinha, adorava os acessórios, as ilustrações que estampavam as bolsas, amava as velas (aliás, foi a marca quem me inspirou a fazer a minha própria vela de peônias e champagne). Por lá encontrávamos de acessórios a livros, cases de celular a maquiagem, era uma loja de departamento diferente, era lúdica e tinha aroma de Nova York.

Henri Bendel existia há 123 anos, passou por muita coisa, mas não sobreviveu à era digital sedenta por números, likes e uma rapidez de posicionamento. Li uma matéria muito legal no Business of Fashion elencando alguns dos motivos do fim e acho importante compartilhar, pois, podemos até não ser lojistas ou empreendedores, mas isso diz respeito ao nosso universo de consumo e moda.

henri bendel

A CULPA É DA VICTORIA’S SECRET?

Tanto Henri Bendel quanto Victoria’s Secret, fazem parte do grupo L Brands, esse tipo de gestão é normal no mundo corporativo, onde grandes conglomerados administram várias marcas. E no comunicado oficial, eles revelaram que “a Henri Bendel está sendo extinta para que a holding possa melhorar a lucratividade do grupo e focar em marcas maiores que tenham maior potencial de crescimento”.

Muito se fala que a própria VS tem tido dias difíceis, por conta da alta competitividade e surgimento de muitas marcas de lingerie (a maioria dessas muito mais inclusiva e democrática que a Victoria), com isso, HB foi quase um bode expiatório na tentativa do grupo recuperar sua força e receita. Eles afirmam que “dos cerca de U$12 bilhões em faturamento que a L Brands trouxe no ano passado, todas as lojas de Henri Bendel foram responsáveis ​​por minúsculos U$85 milhões e perderam dinheiro em custos operacionais, um valor estimado de U$ 45 milhões só neste ano. Henri Bendel está operando no vermelho há pelo menos dois anos”.

A ERA DIGITAL PODE TE ENGOLIR

Se você não engolir a internet, ela te engole. E provavelmente a grande culpa do fim da marca tenha sido essa falta de traquejo com a internet numa era em que você não pode simplesmente existir, mas tem que ser ativo 24/7, seu feed precisa ser perfeito, suas redes sociais bem administradas, seus estilistas precisam ser influenciadores e, bom, essa vocês já sabem o que vou dizer: ter relacionamento com blogueiros e afins é essencial pra fazer a marca presente… e, confesso, mal via a Henri Bendel fazer nada disso.

E se um dia são blogs, outro dia são blogs e Instagram, daí outro tem blogs, Instagram, youtube, e tem sites, redes sociais xpto…. um turbilhão de ideias e, resumo da ópera? É preciso se ADAPTAR DIARIAMENTE, e quem não faz isso fica pra trás. Estagnar é o maior erro em tempo de velocidade de ideias, informação e competição. E isso vale pra marca, pra influenciador e toda e qualquer pessoa que queria viver nessa era digital.

O PERIGO DO LIMBO

A questão também é que a marca vivia um perigoso limbo. Não era high fashion como uma Gucci, Prada ou sua vizinha – e também loja de departamento – Bergdorf Goodman e muito menos era popular como fast fashion tipo Zara ou H&M. A marca se aproximava mais a uma Kate Spade que, apesar de também sofrer com a crise, tem uma artilharia e investimento muito maiores.

E quem frequentava a loja, sabia que algo ia errado. Lembro que quando morei na cidade e frequentava a loja, semana sim e outra também, ela era muito mais efervescente, vendia de tudo, tinha milhares de eventos, ativações, enfim, era O acontecimento da cidade numa era em que o digital engatinhava. Com o tempo, e por decisão da L Brands, eles passaram a focar só em acessórios da marca própria, os corners de maquiagens saíram e a loja perdeu um pouco do charme. O tamanho também foi reduzido, o que era multimarca virou apenas 1 andar de acessórios e quinquilharias, ok, adoráveis quinquilharias, mas dava pra perceber que a marca estava numa sobrevida.

  

A culpa é da marca, da Victoria’s Secrete ou da Internet? Difícil encontrar um algoz, mas nós somos as vítimas, pois perdemos mais um espaço de moda, um local físico, tangível, vivo, que fez – e poderia seguir fazendo – a diferença. Ano passado foi a vez da Colette em Paris e agora a Henri Bendel.

O que nos resta? Sei que não é só isso, mas posso de cara dizer: vamos para as ruas, fomentar a economia do analógico e não deixar o digital sobrepor a força que é andar pela rua, olhar uma vitrine, entrar numa loja e viver uma experiência. Que mais marcas encarem esse desafio e que mais pessoas entendam que o offline é preciso também.

E vocês, o que esperam de uma loja física? O que faz diferença na hora de entrar e se torna mais relevante que o digital?

Tendência verão 2019: pochete (curvinha da barriga, pânceps…)

14/08/2018  •  Por Thereza  •  Pense

Extra! Extra! Tendência verão nas páginas da Vogue: Beyoncé revela sua pochetinha. Não, não a bolsa que prende na cintura, mas sim a CURVINHA DA BARRIGA. Beyoncé foi capa da edição de setembro da Vogue, falou sobre profissão, relacionamento e maternidade, foi também a primeira vez que um homem negro fotografou a capa da revista mais importante do mundo, mas o assunto que muito rodou por aí foi a Beyoncé assumindo sua “Fupa – Fat Upper Area”.

Isso deveria ser desimportante, deveria ser comum e banal, mas não. Ok, vamos falar da curvinha da barriga, qual é o problema dela? Confesso que sou ligeiramente noiada com a minha e por muuuitos anos usei a tal-da-terceira-peça, não como artifício de moda pra incrementar o look, mas pra disfarçar minha pochete que já foi inha, ão, ela sempre esteve lá, nunca importou o peso mais ou menos padrão, a pochetinha sempre esteve lá

Agora se a gente tá aqui pra desmitificar e até mesmo descomplicar questões de beleza que por muitas gerações permeavam nossa vida, tais como: olho tudo boca nada, mistura de estampas… DEIXE A CURVINHA DA BARRIGA EM PAZ. Sabe a famigerada expressão da barriga negativa? Pois bem, deixe a barriga também ser positiva,  good vibes, namastê, qual é o problema? É só uma curva de um órgão do corpo humano sob uma blusa ou vestido, quem se importa?

Bom, muita gente se incomoda com a sua e tantos outros reparam a curva alheia. Eu ainda me incomodo com a minha (bem menos do que antes), mas fazer o que? Confesso que sou mais prática e menos com frases prontas de autoestima na ponta da língua, pra mim o “é o que tem pra hoje” é o que resolve e essa é a nossa curvinha na barriga hoje, se amanhã vai ser maior ou menor, que nos importemos cada vez menos. Talvez eu tenha um pensamento cada vez mais #mindfulness de deixar rolar, mas acima de tudo buscando desconstruir essas crenças limitantes que enraizaram na nossa cabeça por anos e, afinal, qual é o problema da tal curva da barriga? Às vezes são só gases rsrs ou às vezes você nasceu assim (na realidade todos nascemos assim, e era tão fofo rsrs). Seja fisiologia ou constitucional, é só uma curva na barriga.

Agora se até Beyoncé está convivendo com a sua curvinha de boaça, sabe a rainha da barriga negativa? Outro dia a Candice Swanepoel foi notícia por surgir com uma barriga “SALIENTE” numa praia de Vitória, Espírito Santo. “Puxa, até a top da Victoria’s Secret está ~quebrando padrões”, nem tanto, ela simplesmente tinha acabado de parir e estava feliz toda vida com seu corpo natural, mas foi, implacavelmente, julgada.

No final das contas, nem é só um corpo, é a curva do um órgão do corpo projetado num pedaço de pano e que incomoda muita gente, não é socialmente aceita e ainda “atrapalha o look”. Quando isso vai ser 100% normalizado? Ainda não sei, mas estamos aqui pra deixar banalizar a coisa toda, vamos?

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