Tudo é uma eterna logomania

02/07/2019  •  Por Thereza  •  Pense

Na semana passada, depois do post da “bRusinha mais cara do mundo”, a da Chanel, surgiu um interessante debate no Grupo do Fashionismo e aqui na caixa de comentários, “euuu, pagar pra usar a marca dos outros estampada no peito? nem pensar” e pensamentos similares, questionadores e problematizadores acerca de logomania.

Daí veio a reflexão, a logomania provavelmente existe desde que existe a moda. Não sei quem foi a primeira, mas impossível falar da origem da onda e não pensar no Louis Vuitton.

A marca foi fundada em 1854, mas logo em 1896,  Georges – o filho do Louis, criou o LV entrelaçado, pois suas malas de viagem já estava sendo copiadas e essa foi uma forma de criar uma identidade pra sua marca.

logomania louis vuitton

E logomania é isso, identidade. É um símbolo que representa uma empresa, um artifício visual pra se destacar no meio da multidão ou basicamente fornecer um senso de pertencimento, seja à uma classe, cultura ou até mesmo a um estilo.

E pode ser bem ou mal usada, mas sempre fez, faz e sem dúvida seguirá fazendo parte desse meio da moda e é irresistível para muitas pessoas, seja as versões mais extravagantes com Versace e Gucci ou as mais discretas com Goyard e Dior.

Agora como o tema original do post foi Chanel, a marca sempre se viu envolvida nesse meio logomaníaco e é, sem sombra de dúvida, o logo mais famoso do mundo, reconhecido por entusiastas e desencanados nos 4 cantos do mundo.

E os C’s interligados, criados pela própria Gabrielle, bien sûr, tem um significado misterioso. Alguns acreditam que a inspiração veio dos C’s usados pela rainha francesa Claude e por sua nora, Catherine de Medici. Outros acreditam que a inspiração veio dos vitrais do  Château de Crémat, em Nice, local que Coco sempre frequentou.

Já um outro lado da história, e talvez o mais romântico, diz que foi uma homenagem ao seu amante e parceiro de negócios, Arthur “Boy” Capel, afinal, o próprio guarda-roupa de Capel serviu como a principal inspiração para as coleções de Coco. E não importa a inspiração original, o que fica é que a marca também foi uma das pioneiras em usar e abusar da sua logomania, algumas vezes de forma discreta, outras divertidas/criativas, mas o CC sempre se fez presente em todas suas roupas.

O CHA NEL da polêmica da blusa na realidade não tem nenhum mistério, pelo contrário, é um aceno da marca para o público mais jovem e a tentativa de correr atrás do tempo perdido e criar novos simbolismos. Apesar da blusa ser ABSURDAMENTE cara, o logo em si provavelmente é o de menos e atinge seu público-alvo, os mais jovens – e ricos, é CClaro.

Por falar neles, os jovens de hoje usam a logomania mais como uma bandeira ou declaração, do que como um símbolo de status ou ostentação. Quando falamos dos logos modernos – ou até dos antigos, mas reinterpretados, como da Gucci – falamos muito mais de irreverência, ironia e até mesmo resistência. Não sei se esse é exatamente o caso da Chanel, mas é importante deixar registado a importância, necessidade e naturalidade de um logo para marca de moda.

A marcas mais sofisticadas sempre fizeram uso dessa ferramenta, as marcas de streetswear são a logomania presente no nosso dia a dia e agora até as marcas fast fashion detém sua logomania e provavelmente essa é a estampa mais autoral e autêntica feita por elas. Recentemente, Zara e H&M criaram seus modelos com nome próprio e também querem entrar na engrenagem. 

No final das contas – e muitas vezes literalmente falando, vai da gente, analisar, filtrar, questionar, mas sem deixar de entender que o artifício faz parte da engrenagem da moda e, se feito com bom uso, tá tudo bem, é só uma estampa com nome próprio.

 

No Podcast: O que o consumidor precisa saber hoje, sobre a forma de consumo do amanhã

28/05/2019  •  Por Thereza  •  Podcast, Publicidade

Quando o assunto é comportamento de consumo, compras em geral e, claro, moda, você é um early adopter ou tradicionalista? Bom, pra quem não sabe, a expressão em inglês significa basicamente aquele que nota – e adota – as tendências antes de todo mundo, antes mesmo de virar… tendência! Aquele que sai na frente, um desbravador em algum tema vigente.

Bom, a ideia não é ser o pioneiro ou o diferentão, mas usar de informação – no nosso caso, de moda – pra sair na frente no sentido de: ser mais atento, antenado, e também consciente e sustentável. No podcast da última sexta, falamos como esse comportamento e como ressignificar nossa relação com a compra desenfreada, pode nos ajudar individualmente, mas principalmente o mundo onde a gente vive.

Com isso, fiquei super feliz em produzir um Podcast em parceria com a BoBAGS, plataforma de aluguel de bolsas, roupas e acessórios, para falar sobre o fim do modelo convencional de consumo, a transição do presente e o que poderemos esperar do futuro. Dica: envolve alugar de um tudo!


De toda essa dezena de podcasts que fiz nos últimos 2 meses, sem dúvida esse foi meu favorito! Nesse especial, abordamos 5 temas e 3 trago para cá:

ALUGUEL
Claro, não poderíamos começar falando de um método que é até antigo, porém foi amplamente ressignificado nos últimos anos e o futuro será mais gigantesco ainda e, hábito comum entre todo e qualquer consumidor. Quem catapultou essa nova onda? A geração Z, leia-se jovens nascidos entre 94 e 10. A previsão é que por conta deles, o formato de aluguel cresça 1,8 bilhão de dólares até 2023. Babado!
Ja contei aqui que na BoBAGS, é possível alugar bolsas grifadas, das clássicas às mais descoladas, mas também é possível alugar acessórios e até mesmo roupas de marcas gringas ou nacionais (tem uma popup da A.brand dentro do site deles!). Mas além dos clássicos da moda, lá fora eles alugam de edredon a móvel, de flores (sim, flores!) a todo e qualquer objeto. Seja com um propósito experimental ou pela praticidade.
Para essa nova geração, compras fazem sentido para coisas que você sabe que vai usar com frequência, já a locação faz sentido para as coisas que você gostaria de tentar. E esse espírito deles, em muito breve será mais comum ainda pra gente também.

ASSINATURA E CLUBES
As empresas não vão mais vender produtos, mas sim entregar serviços através de assinaturas. Basicamente isso, tudo girará em torno da experiência e comodidade. Precisaremos poupar tempo e dinheiro, logo, novos formatos surgirão pra preencher tais necessidades.
Assinaturas são comuns e existem há décadas (quem nunca assinou uma revista?!), mas hoje em dia é possível assinar de um tudo: flores, leite, ovo, carro e até energia!

CURADORIA
Já bati nessa tecla nesse post aqui, mas 1 ano depois reitero e reafirmo a necessidade de recorrer à marcas e especialistas para facilitar e incrementar nossa vida! Seja no aspecto de nos direcionar a uma tendência, através de um e-commerce com peças mais apuradas e de acordo com a moda vigente, mas também da conveniência de ter o produto “da vez” no conforto do nosso lar.
Por exemplo, existe assinatura de vinhos com escolhas dos experts, que vão te facilitar na tomada de decisão do vinho de acordo com seu gosto pessoal. Olha só, a reunião dos mundos das assinaturas + curadoria = sucesso!

Bom, esses foram 3 temas abordados no nosso Podcast, por lá falo muito mais, cito outros 2 e ainda faço uma projeção de como serão as lojas físicas do futuro. Palpite?!

Tem Podcast Fashionismo Para Ouvir aqui no ITUNES, SPOTIFY e em muitos outros apps de podcasts!

Podcast: Quanto mais idade tenho, menos base uso

23/04/2019  •  Por Thereza  •  Beleza, Maquiagem

Oi eu sou Thereza, tenho 36 anos e sempre achei que poderia “aplacar” o avanço da idade com base. Tolinha, é justamente o contrário que está acontecendo. Explico.

Eu sempre gostei de maquiagem, mas nunca daqueles extra reboco, mas também não muito de apenas uma corzinha (um bb cream) só. Sempre fui mediana, gosto de base com média (ok, pra alta) cobertura, acabamento matte e me dou por satisfeita. Até uns anos atrás, achava que com o advento da idade, iria recorrer à bases cada vez mais caras e com maior cobertura pra disfarçar as intempéries da minha cútis rs. Repito, fui tola.

Na vida real (aka sem make), minha pele é até boa, nunca fiz nenhum procedimento estético, não tenho rugas, minha testa ainda não franze, o que me incomoda mesmo na minha pele é a falta de firmeza e manchinhas (que vão de espinhas esporádicas e olheiras sistemáticas). Com isso, por um lado a base me ajuda nesse segundo ponto, mas não tem base no mundo que vai difarçar a tal falta de firmeza… muito pelo contrário.

Com essa perda de viço e ganho de flacidez – totalmente normal, sinto que a base muito pesada e com muitas camadas tem até RESSALTADO isso. Deixando a pele opaca, aka sem viço, e marcando o que originalmente são apenas linhas de expressões (que você pode ter em qualquer idade) e transformando em rugas, entende? O que é uma coisinha ali que nem incomoda, acaba sendo potencializado com uns 2cm de espessura de base.

A questão é a seguinte, a base é e sempre será um eterno aliado, raramente saio de casa sem uma basesinha pra ao menos uniformizar o tom da minha pele, mas hoje em dia entendo que ela não faz milagre e, se mal usada, pode potencializar aquilo que eu eventualmente quero disfarçar.

E ainda tem outro ponto, confesso que base sempre foi o item de maquiagem que mais gastei e hoje em dia entendo que é possível encontrar bases mais em conta, mas ainda muito eficientes (cito duas que amo e uso frequentemente, a da L’Óreal e a da Maybelline, ambas já tiveram resenha aqui). Então, com o tempo e a experiência, a gente entende que a maquiagem pode ser usada a nosso favor, ser um acessório poderoso, mas sempre com parcimônia e sem achar que será nossa tábua de salvação de beauté.

No quesito base, sinto que com o passar da idade tenho usado menos, mas com mais inteligência.

 

O papo desse post estendeu para um podcast no Fashionismo para ouvir, clique e escute!

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