5 vinhos tintos nacionais que você precisa experimentar!

03/06/2016  •  Por Rodrigo  •  Vinho

Inverno dando as caras, e com ele, aquele friozinho gostoso se aproxima pra dar um empurrãozinho extra pra todo mundo tirar do guarda-roupa uma roupa especial, sair pra comer um prato mais elaborado e como não poderia faltar, tomar um bom vinho tinto.

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Esse período do ano é mais que propício para os vinhos um pouco mais encorpados, com estrutura para acompanhar o clima. Há algumas semanas, fiz um post sobre espumantes nacionais e percebi um interesse grande das pessoas nos vinhos daqui, portanto, para esse primeiro post de vinhos para o inverno, falarei sobre os nossos tintos, e aproveitando a comemoração do Dia Estadual do Vinho, as estrelas de hoje serão os vinhos do Rio Grande do Sul, estado que tanto contribuiu para a cultura da bebida no Brasil.

Já falei inúmeras vezes sobre a qualidade crescente da produção nacional, mas não me canso de bater nessa tecla pra tentar erradicar qualquer resquício de resistência que as pessoas podem ter com os nossos vinhos, sejam do RS quanto de Santa Catarina, Nordeste e por aí vai. Se antes, lá pelo início dos anos 2000, só se falava na qualidade dos espumantes, atualmente são os brancos e tintos que tem recebido atenção especial. Muito mais macios e frutados e menos austeros e duros.

Abaixo, algumas indicações de excelentes tintos gaúchos que conquistaram prêmios em concursos importantes, como a Grande Prova de Vinhos Brasileiros.

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Aurora Cabernet Sauvignon Millesime: Escolhido como o melhor Cabernet Sauvignon brasileiro na safra de 2011, esse elegante tinto é fresco, frutado, com uma pitadinha de tabaco no nariz, característica da uva. Na boca tem aqueles sabores de madeira, baunilha e tostado. Vi no Pão de Açucar por R$69.

Monte Paschoal Dedicato Merlot: Sem dúvida, a Merlot é a rainha do Brasil, a uva que se adptou magicamente no terroir brasileiro, tem gerado pelas mãos de habilidosos enólogos, vinhos fantásticos. O Dedicato, da safra de 2013, com apenas 12,5% de álcool é a prova de que é possível produzir vinhos menos alcoólicos, mas de bom corpo e textura. O vinho é amadeirado, floral e com aromas de especiarias e chocolate. Na boca é macio e com boa acidez pra harmonizer tranquilamente com pratos de carne vermelha.

Casa Venturini Reserva Tannat:  Belo exemplar da casta Tannat, famosa no Uruguai. Vinho saboroso com boa concentração de frutas negras e pimenta. Na boca é tânico, porém sedoso. Está por R$40 na Bebidas do Sul.

Cainelli Marselan: Grande vinho para grandes momentos. A Marselan é uma uva francesa capaz de produzir vinhos bem aromáticos, como no caso do Cainelli. Aromas de frutas vermelhas, ervas aromaticas e um toque muito fresco de hortelã. Meio difícil de encontrar, mas vale a pena para uma ocasião especial.

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A forte tradição vinícola do Rio Grande do Sul se deve à influência da imigração italiana na região. Muitas famílias oriundas do norte do país da bota, se estabeleceram por lá e trouxeram seus costumes que são seguidos até hoje. Não é de se estranhar então, a uso de uvas italianas nos vinhos. Castas como a Nebbiolo e Barbera, do Piemonte, se dão muito bem em terras gaúchas. Um bom exemplo é o Nebbiolo produzido pela espetacular vinícola boutique, Lídio Carraro, que já foi avaliado como o melhor vinho da uva, feito fora a da Itália.

A uva Ancellotta é outra que tem feito bonito no Sul. Conhecida por produzir o vinho frisante Lambrusco, ela também é cultivada para elaborar excelentes tintos frescos e perfumados como no caso do premiado Ancellotta Reserva da Giacomin.

Já a quase desconhecida Teroldego tem um background histórico muito rico. Acredita-se que tenha sido originada no Trentino, região de onde saíram muitas famílias que imigraram para o Brasil. Atualmente, vários enólogos brasileiros, no intuito de resgatar a cultura dos antigos colonos e dar mais identidade à nossa produção, se dedicam a estabelecer a uva no RS.

O resultado são vinhos robustos, exóticos, mas com taninos mais suaves e doces. Quem puder conhecer, não perca a chance. O Don Guerino Gran Reserva Teroldego representa bem a uva, com sua boa acidez e sabores achocolatados e de ervas finas. Está por R$57 na Casa Mayer.

Tem muita coisa boa dessas castas no Mercado e acredito que seja uma boa alternativa pra sair um pouco da caixinha e experimentar coisas novas. Eu, particularmente, gostaria de ver cada vez mais vinhos Teroldegos e Ancellottas sendo produzidos. São feitos de uvas que contam uma história, expressam uma cultura e entregam o DNA dos imigrantes enraizado nas terras daqui.

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Essas foram apenas algumas opções de vinhos que acho que agradarão, adoraria ler de vocês sugestões de outros rótulos da região. Qualquer dúvida, é só deixar um recado!