Colunista Convidado: Precisamos falar sobre o desfile da LAB no SPFW!

26/10/2016  •  Por Thereza  •  Fashion Week, Moda

Há tempos venho pensando em chamar gente legal pra falar sobre assuntos específicos aqui no Fashionismo. Vocês sabem que amo escrever, sou bem apegada, adoro contar minhas histórias e fazer os posts que vocês estão acostumadas a ler há tanto tempo <3 Mas ao mesmo tempo tenho lido gente tão legal e que pode acrescentar tanto ao nosso universo, que o desejo de estender esse espaço é enorme!

Nossa tag #FeministaSim começa semana que vem, mas antes disso chamei uma convidada especial pra falar de um uma pauta que rolou ontem no Grupo do Fashionismo sobre a spfw, um desfile específico e todo esse universo digital que a gente vive e assiste. A Carmen Tatto é leitora antiga do Fashionismo, super ativa na nossa comunidade e levantou uma pauta importante. Com vocês, nossa #ColunistaConvidada!

Toda semana de moda é igual, assim como vocês, tento acompanhar em tempo real – na medida do possível – tudo que rola durante as temporadas através de blogs e redes sociais: backstages, streetsyle, eventos off fashion week, re-sees, special edition, capsule collections, launches, lounges, jantares, festas, after parties, vlogs no Youtube, Snapchat, Instagram, Facebook e Twitter. Ainda por cima, sou assinante de todas as revistas que se possa imaginar, todo início de mês acumulo pilhas e mais pilhas porque amo o universo da moda, consumo e me interesso pelo tema e história. Tudo por prazer.

No início da semana não foi diferente, estava acompanhando o 2º dia do SPFW pelas redes sociais e percebi que em determinado momento houve um hiato entre os conteúdos de desfiles e eventos, justamente no momento em que a LAB, dos rappers Emicida e Evandro Fióti estreava no line-up.

Momentos depois, os perfis de revistas e portais de moda passaram a repercutir o casting formado em 90% por modelos negros, plus size, a estréia do modelo gatíssimo portador de vitiligo, rostos conhecidos no rap e da militância negra. Ou seja, surra de representatividade, empoderamento, diversidade, legitimidade e ocupação de lugares de fala… Mas cadê a cobertura dos bloggers e influencers?

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Ao final do desfile, Emicida disse “hoje é o dia da favela invadir o fashion week”. Sim! E é preciso dimensionar a importância deste acontecimento, não se atendo somente às tendências, ao corte das roupas ou à cartela de cor utilizada, tudo isso perde importância diante da grandeza da mensagem transmitida ontem. Precisamos repetir que moda é espaço de manifestação coletiva e individual, isso significa que a forma como nos vestimos e nos comportamos reflete diretamente em como pensamos e nos posicionamos em sociedade.

Não é mais possível dissociar a moda dos movimentos e questionamento sociais atuais, este recado também foi dado no último desfile da Dior, na estreia de Maria Grazia Chiuri, com a camisetinha “We should all be feminists” (teve post aqui). Não dá mais para fugir do debate da representatividade, da importância da moda enquanto veículo de expressão em nossas vidas. As roupas que empoderam quem as veste voltaram com tudo rs.

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O desfile da LAB é tranquilamente um marco na história do SPFW pois trouxe pessoas da favela, criando roupas para a favela e usadas por representantes da favela. Tudo isso num espaço onde circulam peças que serão comercializadas por três quatro cinco dígitos, num ambiente notoriamente elitista e segregador. Isso faz MUITA diferença.

Não dá pra ignorar a importância do streetstyle na moda, os papéis se inverteram e hoje ela precisa muito mais deste para sobreviver que o contrário. Não é meramente um convidado especial ou “atração da temporada”, no mundo de hoje não há mais espaço pra quem não dialoga com as ruas.
Pode-se até pensar na questão da apropriação cultural, na “gourmetização” da favela, na tomada do lugar de fala por pessoas privilegiadas, porém o SPFW é um espaço que precisava ser ocupado, a perspectiva das favelas precisa(va) ser apresentada de dentro das passarelas (porque já domina do lado de fora). Não acredito que o fashion week vá invadir a “quebrada”, até porque a “quebrada” é bem longe dos jardins do Parque do Ibirapuera.

É importante mencionar o valor das peças desfiladas, acompanhando a tendência “see-now buy-now”, que já estão disponíveis aqui no site da marca, todas com preços acessíveis justamente para atingir e vestir o público representado. Ou seja, não se trata de escrever “Favela” numa camiseta e vender por quase mil reais para vestir it girls.

Voltando para meu questionamento inicial, o #SPFWTRANSN42 deu um passo importante para este movimento de reflexão pela qual a moda passa, sinalizando que é preciso agregar públicos e mensagens. No entanto, por que os principais bloggers e influencers do Brasil, capazes de atingir milhões de pessoas, não deram devido espaço e importância para o desfile-acontecimento da LAB? Não se pode deixar que o feito de Emicida e Fióti à moda se torne fato isolado e um respiro de autenticidade no meio de mais do mesmo.

Por mais que não haja identificação visual com as roupa desfiladas, que tente-se justificar que o público alvo não é o mesmo, é preciso repercutir, dar visibilidade, jogar luz neste debate e fazer com que os termos “empoderamento”, “diversidade” e “representatividade” se tornem naturais, as marcas dependem desta exposição para darem certo num cenário de moda nacional tão incerto e volátil. Anos atrás os blogs de moda foram percussores de uma grande transformação na forma como consumimos e absorvemos informação de moda, será que não acompanharão este novo debate?

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Carmen, muito obrigada por trazer a sua visão sobre um tema tão importante e de uma forma tão lúcida, coerente e certeira. Espero que o Fashionismo tenha colaborado para a mensagem e debate e que isso seja só o começo!

Ronda da Semana #11 [Especial SPFW]

29/04/2016  •  Por Thereza  •  RDS

Já que a Semana foi de Moda (acompanharam meus dias de SPFW no Snap e Insta @fashionismo>?!), nossa Ronda será temática e com meus destaques da temporada fashion nacional! Antes disso, um breve lembrete, NESSA SEGUNDA TEM O BAILE DO MET UHULL, não preciso nem falar que teremos cobertura completíssima, aguardem! Enquanto isso…

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O SEE NOW BUY NOW DA RIACHU Outro dia falamos desse novo momento da moda, no qual as marcas tem organizado o timing da informação de moda + compra. Se a ordem sempre foi ver o desfile e esperar 4 meses pra comprar a roupa, agora cada vez mais marcas tem feito esse movimento mais próximo.

Lá fora, Burberry, Tom Ford e Vetements seguem esse ideal, por aqui, a Riachuelo repete a ordem, depois da coleção de Versace, é a parceria com Karl Lagerfeld que tem compra imediata logo após o desfile na SPFW.

Por falar nisso, cada vez mais tenho ficado bem impressionada com a Riachu, não só pelas parcerias (quero a tote de gatinho!), mas pelas araras repletas de moda esperta, atual e com a qualidade cada vez melhor. Aqui no Rio, menção honrosa para as lojas do Metropolitano e a Flagship de Ipanema.

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O NOVO HERCH Se pensarmos em moda brasileira, o estilista mais famoso sem dúvida é Alexandre Herchcovitch. Mas e quando eis que outro dia ele encerrou as atividades de sua marca homônima, o que seria do SPFW? Pois bem, em pouco tempo depois do turbulento (e até misterioso) fim da AH, o estilista vem numa nova empreitada à frente da À La Garçonne, marca que começou como um brechó que vendia de móveis à roupas vintage, e agora estreia em grande estilo na SPFW.

A coleção foi feita em tempo recorde (geralmente leva-se 8 meses) e é uma visão renovada do estilo de Alexandre. A pegada street segue forte, o toque feminino e o rigor técnico de sempre. Junte a isso, peças únicas que foram reutilizadas de modelos vintage, reforçando assim o novo modus operandi da moda, já visto na Vetementsna sua reutilização de peças antigas. É algo a se observar!

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OUTRA PATBO “Ai, não aguento mais canutilhos e rendas” dizem muitas pessoas. E se você acha que o ~look bloguete é algo que não vai a lugar nenhum, Patricia Bonaldi se reinventa a cada desfile.

À frente de sua Pat Bo, a estilista trouxe um desfile incrível, fora do seu famoso – e incontestavelmente belo – fna e fez uma ode nada óbvia ao Brasil, sendo um dos desfiles mais comentados e elogiados da semana. É moda pra gringo admirar e a gente usar!

RDS BIQUINIS

BIQUINI DE 2017 A temporada é de verão e foi tempo de desfilar biquinis, claro! Mesmo o frio congelante lá fora (isso não é uma reclamação), uma coisa é fato na seara moda praia: maiôs e biquinões, eles não vão a lugar algum.

Se temporadas atrás víamos profusões de biquinis e um ou outro maiô, agora é exatamente o inverso. A moda praia está comportada, cada vez mais high fashion e com saídas de praia dignas de qualquer festa passeio completo (num iate).

Da moda carioca e colorida de Salinas, passando pela brasilidade da Água de Coco, ousadia da Triya e fechando com chave de ouro na sofisticação couture de Lenny e Degreas. Tudo muito lindo, mas que não venha o verão :)

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JOULIK + C&A Já que nossa Ronda é especial moda, vamos encerrar com a melhor notícia do dia e muito vida real. A Joulik, marca paulista super cool, com peças modernetes em bordados e paetês poderosíssimos, assina sua primeira parceria com a C&A.

As peças chegarão às araras no dia 31/05 e serão em torno de R$50-500 e eu apenas desejo qualquer coisa com muito paetê envolvido, obrigada!

SNAPCHAT, O APLICATIVO SENSAÇÃO (E O PORQUÊ DELE SER TÃO LEGAL!).

13/04/2015  •  Por Thereza  •  Pense

Lembram do mIRC? Orkut? ICQ? Ô-ow, são tantas ferramentas, aplicativos e formas de nos relacionarmos que, enquanto algumas vem e vão, outras entram num ostracismo cibernético que nem fazem falta.

Nos últimos 2 ou 3 anos vivemos a geração Instagram. Tudo glamouroso, belo, popular e populoso. Se Andy Warhol estivesse vivo, sem dúvida repensaria nos tais 15 minutos de fama pois lá no Instagram, ao mesmo tempo que um sucesso pode ser fugaz ele também construiu notoriedade, digamos, questionável, ou melhor: frágil.

Muita gente fala que o Insta já viveu seus dias de glória e agora ele provavelmente se encaminha pro período de saturação, logo, declínio, ou pelo menos se tornar apenas mais um aplicativo.

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Qual é a sensação da vez? O Snapchat. O app do fantasminha não é nenhum lançamento, mas virou febre nos últimos meses. Confesso que fiquei bem reticente a aprender-mais-um-aplicativo, mas um belo dia entrei de bobeira “pra ver colé que é” e adorei. Por lá compartilho do meu café da manhã às lambidas do Gucci. É tudo natural, instantâneo e viciante.

Como sei que muita gente ainda não pegou o espírito da coisa, esse post é pra testemunhar a graça do app e incentivar o uso!

AFINAL,  ONDE – E PQ – SURGIU O SNAPCHAT?

É um aplicativo criado por estudantes (agora Bilionários) que tinha o intuito de gerar, segundo eles, uma “mídia efêmera” e mais particular. Muitos dizem que ele se tornou popular mesmo porque as pessoas usavam pra trocar fotos ~apimentadas~, logo, deletadas. Tipo, quem viu viu, quem não viu não pode ver mais.

COMO ELE FUNCIONA?

Você tira uma foto, escolhe quanto tempo ela pode ficar “no ar” e pode mandar pra alguma pessoa específica ou pra sua “História”. O mais legal pra mim do Snap é a arte envolvida, uma coisa emoji meets paintbrush! Você pode colorir sua foto ou video e tudo fica mais  legal e sem a formalidade de uma Instagramada perfeita.

Você também acompanha o dia a dia de quem você segue na timeline e suas fotos rápidas. Vale lembrar que você tem que ficar com o dedo pressionado na tela (no início eu não entendia haha) pra ver tudo. Além disso tem local pra trocar mensagens e ver snaps temáticos pelo mundo.

Recentemente famosas como Madonna, Rihanna e (a única Kardashian, ok Jenner presente) Kylie Jenner aderiram à onda. Por lá rola de acompanhar a vida de bloggers, sites, empresas e +++ (O Starving fez um post com ‘must follows’ aqui).

POR QUE ELE É MAIS LEGAL QUE O INSTAGRAM?

Eu acho que o Instagram virou uma farsa ;] e perdeu a legitimidade. A começar com a tal lojinha, na qual as pessoas podem comprar seguidores, likes e se bobear comentários “Linda!”. Pra quem acha que isso acabou com a varredura recente, não, ela segue firme e, se bobear, mais forte.

Acho uma lástima a pessoa ter que comprar seguidores pra ser alguém na noite no instagram, no nosso meio da moda isso chega a ser desleal com pessoas comprando seguidores, burlando números e ludibriando clientes. Enfim, não quero entrar a fundo no tema, mas resumindo, o Instagram se tornou um circo e o legal do Snap é: lá não tem número de seguidores ou likes públicos. Por lá tem views, e só você sabe quem viu. Com isso, o ego fica menos inflado, as coisas ficam menos rígidas e mais naturais.

Mas o melhor pra mim mesmo é a ~desfiltração~ da vida. Enquanto no insta você perde 5, 10, 20 minutos editando uma foto, seja pelo filtro perfeito ou até naquela facetunada completa, no Snap não tem disso (ou tem eu ainda não sei). Por lá são 2 ou 3 filtros e fim e, até onde sei, você não pode ‘subir’ uma foto, tem que ser aquela do momento e pronto. Por favor, continue assim, Snap!

Por fim, o 3º ponto mais legal do Snap, ele é AGORA. Não tem latergram, é aquilo que você tá fazendo mesmo e pode ser cantando uma música enquanto dirige, cozinhando, vendo uma paisagem qualquer ou simplesmente snapzando seu gato.

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O Snapchat é uma vida menos glamurousa, porém mais legal e real. É tipo o backstage do Instagram, você mostra tudo de forma mais nua e crua e no final é apenas isso que precisamos. Sem forçar a barra, sem querer parecer o que não necessariamente somos pra ter um mísero like.

No final das contas, achei o app um sopro de frescor em meio à loucura generalizada causada por essa geração do Instagram. Ele é um aplicativo bem cru, de fato precisa ter várias melhorias (sem mexer na essência), mas pra mim tem sido mais empolgante que o Insta, por lá me sinto à vontade pra compartilhar, falar e relaxar.

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Por falar nisso, me acompanhem no #SNAPVLOG que estou fazendo durante meus dias na SPFW. Mostra uma visão diferente do meu dia a dia, blogagem e tudo mais!

Ah, por lá me achem como @fashionismo :) Vocês estão usando, gostam, nunca entenderam?

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