9 Dicas de restaurantes em Lisboa

27/08/2020  •  Por Thereza  •  Viagem

[post feito antes da pandemia]

Oi, pessoal, tudo bom? Rodrigo, quem vos escreve, para falar sobre Lisboa, ou melhor, experiências enogastronômicas em Lisboa. Primeiro, devo fazer um mea culpa por demorar tanto para conhecer essa cidade incrível. Sempre que a agente viajava para a Europa, acabava pulando, não sei por que Lisboa, mesmo com todo hype que a cidade tem ostentado há pelo menos uma década. Entretanto, com um certo atraso, visitamos e nos apaixonamos pela capital portuguesa, e assim sendo, nada mais justo do que compartilhar por aqui os restaurantes e bares que mais gostamos.

Acredito que muita gente saiba, mas é bom ressaltar, em Portugal come-se muito, muito bem e barato! Mesmo com o euro x real do jeito que está, dá pra ficar impressionado com o preço tão acessível de restaurantes tão incríveis. E pra quem é fã de vinhos, aí que a coisa fica ainda mais interessante! Por isso, o post tem essa inclinação, digamos assim, enoinformativa.

Time Out Market

É quase que uma obrigação para quem chega em Lisboa, antes de mais nada, visitar o Time Out Market para ter uma imersão rápida na gastronomia lusitana. Esse moderno mercadão municipal foi totalmente revitalizado para encantar turistas e moradores, sem perder a essência culinária local. Você pode explorar os inúmeros stands e saborear pratos, de frutos do mar até porco alentejano, os tradicionais bolinhos de bacalhau e os populares pastéis de nata (que causaram um certo vício na Thereza). A maioria dos stands vendem vinho, mas minha dica é pegar uma taça no bar de vinhos do mercado e apreciar numa mesa compartilhada.

Restaurantes do Avillez

O talentoso e estrelado Chef José Avillez, conhecido aqui no Brasil por ser jurado do Mestre do Sabor, possui vários restaurantes em Lisboa, com diferentes propostas. Nós conhecemos o Mini Bar, com foco em experiências de culinária fusion, tapas e molecular. Fomos também ao charmoso Páteo do Avillez com gastronomia clássica e o Cantinho do Avillez (noso favorito dos 3) com deliciosas releituras da culinária Portuguesa.

Todos com belas cartas de vinho e muitas opções em taça (muito bem servidas). No Cantinho, por exemplo, pedimos entradas pratos principais, sobremesa e algumas (muitas) taças de vinho, incluindo Champagne, e a conta ficou em 80 euros.

Cervejaria Ramiro

Outra parada obrigatória! Portugal tem uma gastronomia muito rica, mas quando falamos em frutos do mar, Lisboa é a rainha dos crustáceos. Posso afirmar que me esbaldei com a variedade de lagostas, carabineiros, percebes, sapateira, camarões, ostras e muito mais… Até a Thereza que não curte muito, amou!

Foi o restaurante mais caro que fomos (uns 200 euros), mas se levarmos em consideração a quantidade quase irresponsável de frutos do mar que comemos e ainda tomamos cerveja e um belo rótulo de vinho branco pra harmonizar, foi uma experiência transcendental. Sem exagero! E a experiência ainda é divertida e o ambiente tradicional e despretensioso.

Solar dos Presuntos

Tradicionalíssimo restaurante com os clássicos portugueses, e o preferido do nosso querido Rei da América, Jorge Jesus. Excepcional variedade de peixes, carnes, queijos e cordeiro, mas minha sugestão é degustar uma enorme posta de bacalhau e torcer para o Mister dar o ar da graça.

By The Wine

Moderno, aconchegante e descolado! Esse bar de vinhos no boêmio bairro do Chiado é mais que perfeito para conhecer deliciosos vinhos do Alentejo e da Península de Setúbal de forma super descontraída com taças a partir de 2 euros. Tem uma cozinha bem legal com ótimos pratos de tapas, petiscos e chacrutaria numa pegada bem novos chefs. Obs: tem muito brasileiro trabalhando lá.

JNCQUOI

Talvez o lugar mais internacional e hypado de Lisboa, O JNCQUOI na Avenida Liberdade é um espaço que reúne lojas de roupas, vinhos, livraria e restaurante com pegada asiática. Não tem nada de tradicional, mas a cozinha contemporânea é incrível. Nós fomos no Red Bar, no andar de baixo. Super bem decorado e sofisticado, logo pensei, deve ser caro!

Pra minha surpresa, ao abrir a carta de vinhos, me deparei com várias sugestões de taça a partir de 6 euros, então me deleitei com ótimos rótulos do Douro, Alentejo e Bairrada, tudo muito bem servido. Ainda tem o Happy Hour com taças de Champagne a preço promocional (a Thereza agradece). O Lugar é lindo, você senta no balcão e fica vendo os chefs preparando deliciosos pratos ali na sua frente e ainda tem um DJ pra animar.

A Cevicheria

Pra quem ama ceviche, esse restaurante do badaladíssimo Chef Kiko, é a pedida. Com clássicos peruanos, mas com uma pegada portuguesa e apresentação impecável, é uma bela experiência. Minha dica é pedir uma taça de Rosé pra acompanhar os sabores fortes e apimentados das construções do Chef. A decoração é charmosa e com um giga polvo flutuando pelo salão.

Espero que tenham curtido as dicas! Eu amei Lisboa e já quero voltar para conhecer mais de Portugal! Se tiver alguma dica, é só comentar.

VINHOS PORTUGUESES, COM CERTEZA!

16/07/2015  •  Por Rodrigo  •  Gastronomia, Vinho

Se alguém me perguntar sobre um país produtor de vinhos com grande diversidade de uvas, estilos, tradição e com boas ofertas no mercado brasileiro, minha resposta seria Portugal.

O país vem ganhando a cada ano mais e mais espaço e relevância no universo dos vinhos, seja pela qualidade crescente de seus produtos, seja pela excepcional relação custo x benefício. Assim sendo, é muito comum que consumidores, conhecedores ou não, se apaixonem pelos vinhos da terrinha. A Thereza, por exemplo, adora e já que ela tem várias leitoras portuguesas, por quê não postar sobre o tema?

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Tem gente (principalmente acima dos 40) que ainda torce o nariz quando ouve falar de vinhos portugueses. Isso ocorre basicamente por um motivo: na década de 80, antes da abertura dos portos no Brasil, a maioria dos vinhos que chegavam aqui eram de qualidade duvidosa. Portugal, por sua vez, tinha uma enorme produção de vinhos de mesa simples, para exportação e as pessoas acabavam achando um tanto rústicos e sem atrativos. Perguntem para os pais de vocês se eles já tomaram os Periquitas e os Grãos Vascos da vida. Contudo, a produção vinícola portuguesa passou por uma espécie de reforma geral com modernização e posicionamento voltado para a qualidade.

Hoje em dia, seus vinhos exportados são infinitamente superiores e conquistaram mercados super competitivos como o dos EUA, por exemplo. No Brasil não é diferente, é impressionante o salto qualitativo dos rótulos de Portugal que temos atualmente por aqui. Hoje, posso afirmar que são vinhos especiais, de produtores extremamente competentes com visão para o futuro, mas sem deixar a tradição de lado.

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Como vocês podem ver no mapa acima (retirado do site Wines of Portugal, vale visitar o site para entender as delimitações adotadas), Portugal tem várias regiões produtoras, cada uma com suas particularidades. Dá pra encontrar de tudo quando falamos de vinhos portugueses. Climas e solos distintos oferecem as características perfeitas para a elaboração de rótulos com estilos diferenciados que representam muito bem suas regiões de origem. A região do Douro certamente é a mais conhecida, principalmente pela fama alcançada pelos vinhos do Porto, que ao contrário do que muitos imaginam, não são produzidos no Porto (adquiriram esse nome, pois os vinhos eram despachados no Porto para exportação). É um Vinho Fortificado que recebe adição de aguardente vínica, por isso tem um teor de álcool mais elevado e é a combinação perfeita para sobremesas e queijos fortes no final da refeição.

Contudo, o Douro é também a região mais famosa do país para vinhos de mesa. De um bom rótulo do Douro você pode esperar por um vinho elegante com aromas florais, de frutas negras em compota e muita elegância.

Outra região incrível e muito apreciada por consumidores brasileiros é a do Alentejo, mais ao Sul, com um clima ensolarado produz vinhos exuberantes e concentrados. O Dão, que por muito tempo ficou em segundo plano no quesito qualidade, atualmente tem sido responsável por vinhos maravilhosos com muita sutileza e aromas vegetais que encantam. Eu, particularmente sou fã da região da Bairrada, que utiliza a uva Baga para fazer vinhos que transbordam mineralidade e são perfeitos para harmonizar com comida. Enfim, tem muita coisa boa e todos anos, regiões que antes não tinham tanto prestígio ressurgem com produtos de alta gama, resultado do trabalho de enólogos competentes que investem em tecnologia e buscam em cada pedaço de terra as melhores condições para a uva brilhar.

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Portugal é sem dúvida um país com uma infinidade de castas nativas. É impossível citar todas, mas podemos dizer que a Touriga Nacional é a mais emblemática. Plantada em todo território português, é uma uva que pode gerar vinhos muito elegantes, complexos e perfeitos para envelhecimento, principalmente no Douro, onde ela é rainha, e é geralmente misturada com outras cepas como a Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Tinta Amarela e por aí vai!

Além disso, temos as uvas alentejanas, que também são plantadas em outras regiões, porém alcançaram fama nos vinhos do Alentejo. A Alicante Bouchet, por exemplo, é uma cepa considerada tintureira, pois tem um suco muito escuro e produz vinhos quase negros. Geralmente são vinhos exuberantes, cheios de vida com muito corpo, ótimos pra quem gosta de um estilo “pancadão”. É normalmente misturada com a Trincadeia, Aragonês, Alfrocheiro, assim como com as internacionais Cabernet Sauvignon, Syrah, Petit Verdot… Isso mesmo, Portugal além de produzir excelentes uvas nativas, também adota castas de outros países e o resultado é a mais pura diversidade de estilos. Para os brancos uvas como Alvarinho, Antão Vaz, Arinto, Encruzado, Malvasia são apenas uma pequena amostra de nativas, mas é fácil encontrar um Chardonnay ou um Sauvignon Blanc por lá.

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Aconselho a quem puder, visitar as regiões vinícolas de Portugal. Eles são bem voltados para o turismo e as visitas podem ser uma experiência única. A gastronomia é maravilhosa e os preços convidativos. Na Europa, é difícil encontrar outro lugar onde se coma tanta qualidade por preços tão convidativos.

Agora pra quem quer se aventurar pelos vinhos portugueses, aqui vai uma pequena seleção de vinhos que eu conheço e que são fáceis de agradar o paladar:

Tapada do Fidalgo Reserva 2011, Alentejo: Clássico alentejano produzido com as castas Alicante Bouchet, Trincadeira, Aragonez e Castelão, envelhecido por 12 meses em carvalho é um vinho macio, frutado e com um toque de pimenta delicioso. Por volta dos R$60.

Cabriz Colheita Selecionada 2012, Dão:  Elaborado com Touriga Nacional é elegante, leve e com aromas de morangos frescos e flores. Por volta de R$50.

Assobio 2011, Douro: Corte de Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz é um vinho de excelentes avaliações da crítica, muito frutado, concentrado, floral e na boca é redondo e persistente. Ótima compra por R$60.

Quinta de Pancas Branco 2013, Alenquer: Feito com Arinto, Sercical e Chardonnay é um branco fresco com baixo teor alcóolico, cheio de frutas como pêra e maracujá, refrescante e com ótima acidez. Custa R$38 na wine.com.br

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Os vinhos acima podem ser encontrados na maioria dos mercados e o peço pode variar, com exceção do Quinta de Pancas que é exclusivo da Wine.

Não se assustem caso se deparem com nomes curiosos de rótulos como por exemplo: Monte dos Cabaços, Chão das Rolas, Quinta da Rapariga :] Portugal tem muito desses nomes para vinhos e de forma alguma isso quer dizer que os mesmos não sejam bons, muito pelo contrário, os três que mencionei são espetaculares.

Espero que tenham gostado e se interessado a procurar por vinhos portugueses, garanto que vai valer a pena. Se os leitores de Portugal tiverem outras sugestões ou histórias, vou adorar ler e quem tiver alguma dúvida, só perguntar.