A idade mental do nosso armário

09/05/2011  •  Por Thereza  •  Moda, Pense

Considero-me uma pessoa que viveu cada fase da sua “vida fashion” em seu momento certo. Já fui tímida, já fui piriguetinha, já até ignorei a moda. Meu humor e personalidade sempre interferiram saudavelmente no meu armário, conforme a idade chegava, o armário se adaptava, com isso, vivi – e vivo – cada fase.

Não estou dizendo que devemos obedecer um dresscode de cada idade, até porque ele não existe. Podemos ter um armário ora mais maduro, ora mais juvenil. Radicalismos nunca são bem-vindos, mas doses de bom senso não fazem mal a ninguém.

Mas uma coisa que ando observando, seja na vida real ou até em blogs, como algumas meninas de 18, 20 anos parecem ser muito mais velhas do que realmente são. O rosto pueril continua lá, mas mascarado por roupas tão pesadas (densas, maduras, pra não dizer artificiais) que em nada condizem com o RG impresso.

Confesso que acho um pouco triste como algumas meninas abdicam de todo o frescor da idade em detrimento à moda vigente. Geralmente, essa obediência aos looks do dia, não só deixam as pessoas padronizadas, como também envelhecidas.

Isso tudo também pode ser fruto da busca da tal da elegância, do “se vestir bem”, da impecabilidade, isso é errado? De forma alguma, mas pode-se pagar um preço caro (mas caro que uma it bag) pela leveza que tal idade sugere.

 

Com 20 anos eu usava sainha jeans (ai como eu podia), top de paetê, pernas e braços de fora (gente, valorizem seus braços finos). E isso acontecia com todas da minha geração, pois víamos de referência na vitrine da Espaço Fashion e da Farm e era bem simpático. Hoje, vemos na vitrine dos blogs a busca em ser como aquelas moças dos street styles mudo afora a além.

Ser madura, em hipótese alguma significa abandonar sua jovialidade em busca da saia rodada perfeita, a consciência é necessária, mas porque abdicar dos seus 20 e poucos anos? Eles não voltam.

Esse texto pode parecer louco, vocês podem discordar, mas o que eu vejo de gente com carinha de 20 e armário de 38 não tá no gibi. Será que jovens meninas se arrependerão de usar tal moda? Até onde vai essa obrigação de usar calça vermelha ou saia plissada? Não sei.

Como disse mês passado no twitter, prefiro uma piriguete honesta do que meninas travestidas de jovens senhoUras. Muitas meninas (ops, mulheres) concordaram e também notaram essa “tendência”. E coincidentemente, na semana passada, a editora do moda da Elle, Susana Barbosa (já entrevistei-a aqui), soltou esse tweet que resumiu o que pensamos.

 

Acho que na realidade, toda essa reflexão esbarra naquela questão até onde a moda nos diverte, até onde ela nos obriga a seguir tal padrão. Blogs facilitaram nossa vida-fashion, mas ao mesmo tempo nos deixaram acomodadas, pois é muito fácil saber a tendência tal, ir lá e pronto. Quem é mais madura, sabe discernir, mas as mais novas sofrem para caberem em padrões estipulados. Poder ser bom, mas geralmente não é.

Isso é apenas um pensamento aleatório,  mas quando vi que muitas outras pessoas pensam igual, virou post. Mas os comentários estão aí para estendermos à novas reflexões.

Pela não banalização dos blogs

19/03/2010  •  Por Thereza  •  Moda, Pense

Andei refletindo sobre blogs, o ato de postar e compartilhar informações. Mas desde já preciso informar que não estou pensando em cometer o blogcídio, adoro isso aqui e é minha terapia ocupacional favorita, mas não quero me tornar refém dela, porque quando a gente vira profissão-blogueira, rola uma obrigação, a gente pode perde a naturalidade, aí ferrou! O blog precisa de frescor, não somente posts aleatórios.

O que eu andei pensando é o seguinte, muitos blogs surgem a cada dia, uma proliferação desenfreada, MUITOS são ótimos, mas outros podem ser  mais do mesmo.  Normal. Não estamos pedindo pra ninguém (re)inventar a roda, mas sim que tenha um certo cuidado ao postar, sim, um pouco de zêlo não faz mal a ninguém. Um post mal escrito, palavras mal ditas, uma “reputação-virtual” pode ir por água abaixo.

Mas mais dos que neo-blogs, muitos blogs antigos, mais ou menos famosos, parece que perderam a espontaneidade na hora de postar. Sei lá, o “tal do frescor” de falar sobre moda, tendências e amenidades se esvaiu nesse mundinho virtualmente glamurizado que é (parece) ser blogueira.
Pois bem, esse texto, talvez sem pé nem cabeça começou de um tuíte meu falando do meu desamor pela saudável leitura do MEU Google reader, e que foi altamente apoiado-e-endossado. Antes, ia sedenta por novidades, curiosidades ou deliciosas frivolidades, hoje em dia alguns blogs que leio (não a maioria) parece que ou se perdeu, ou desanimou, ou se afetou, ou talvez vive da natural – e super permitidaentresafra criativa e coletiva.

No meu caso, preciso assumir, na minha humilde (in)significância, que no início do blog postava qualquer coisa sem medo de ser feliz, hoje em dia penso bem antes de apertar o botão “publicar”. Perdi a naturalidade? Acho que não, parece que a responsabilidade de escrever algo interessante e não me esconder em firulas, montagens extraordinárias e porque não, eventuais Chuck Basses, falou mais alto. É uma postura que tomei, muito pela minha consciência, mas principalmente em respeito à quem me acompanha.”

Outro assunto delicado é o relacionamento blogueira+leitora. Preciso fazer a mea culpa e admitir que muitos comentários e perguntas por aqui ou twitter podem passar despercebido por mim. Sou humana, né! Mas comparado ao que vejo na vizinhança, posso afirmar que meu relacionamente com vocês é algo muito fraterno, pois sempre me esforço em estar presente. Agora, nós blogueiras, precisamos admitir que dependemos de vocês sim pra ter ânimo de postar e tentar agradar. E quanto a vocês, e essa é uma sugestão pessoal (e blog é isso), não corram pra fazer um blog por fazer, pois muitos comentários que leio são mais importantes e pertinentes que um post aleatório num outro blog qualquer. E acho que é isso que importa, ser ouvida (ou lida), não importa o meio (post ou comentário), mas sim o fim e o efeito.

blogs
Mesmo a Luciana tendo popularizando esse mundinho, as pesquisas comprovam que o ibope dos blogs caiu e que Anna Wintour já  não curte muito. O que nos resta, blogueiras, é não banalizar o sublime ato de postar, ter algum criatividade e muito cuidado. Pelo bem da nação blogueira, aí inclui-se leitoras e agregados.

Página 6 de 6« Primeira23456