A FORMA COMO VOCÊ CONSOME MODA ESTÁ MUDANDO

17/06/2015  •  Por Thereza  •  Compras, Pense

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“Alguma coisa está fora da ordem, foram da nova ordem mundial”, talvez essa música seja a trilha sonora do momento fashion em que vivemos, estamos no meio de uma grande transição. Nós podemos até não perceber, mas tem muita coisa acontecendo e juntando cada ponto, forma-sem uma revolução, logo, uma nova geração.

Falo isso, pois de 2014 pra cá muito coisa mudou. A loja que era famosa, faliu. O veículo que era referência, acabou. Até as redes sociais estão se transformando, tudo a olhos vistos, você está percebendo?

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Em termos de publicações, no início do ano foi anunciado que Woman’s Wear Daily, principal jornal de moda e business, deixaria de ser diário e passaria a ser semanal e isso já mostra o baque e um novo cenário.

Revistas como Company, Lucky e Capricho, encerraram suas atividades impressas, se mantendo apenas na plataforma digital. E não adianta dizer que o tal digital tomará conta do mundo, o impresso não vai a lugar nenhum, mas de fato precisa ser repensado como as informações chegam.

No online as coisas também vem mudando. O famigerado Instagram perdeu sua soberania e agora encontra concorrência com Snapchat, Periscope e, até o fechamento desse post, algum gênio do Vale do Silício terá inventado um novo app que logo tomará conta dos nossos dias e dedos.

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E os blogs? Bom, aqui sigo firme e forte e lida, amém, mas e você aí? Quantos blogs lê e, o principal, por que você lê um blog? Se antes era boom, hoje, provavelmente, você não lê os 870497 que lia em 2009. E muitos blogs não postam mais todo dia, o que me causa estranheza, afinal, as redes sociais vão e vem, mas nosso domínio será eterno e enquanto houver Google (taí uma hegemonia incontestável), haverá um post pra você achar e ler e se informar e/o divertir.

A informação de moda de fato mudou, se antes você consumia informação sentado na frente do seu computador, hoje o mobile impera e ai de mim ficar 24 horas sem meu Feed disponível pra vocês lerem o blog rapidinho, mas sem perder o hábito, jamais :]] Seja qual for a forma ou origem, você sempre terá  2 ou 3 minutos por dia para ler blogs e sites, mas vai de você fazer uma curadoria e seleção natural das coisas – e posts.

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Saindo do editorial e indo pro comercial, pro negócio, pro business! Acha que o Brasil tá em crise, que o dólar tá alto? Que é tudo culpa da Dilma? Essa semana foi anunciado que a Gap (a gigante Gap, aquela Gap que compramos moletons desde 1900 e bolinha) fechará 1/4 das suas lojas no EUA e algumas no mundo. Um quarto!

Vocês tem noção disso? A marca tem 675 lojas e em breve terá ‘apenas’ 500. Crise? Bastante. A forma que consumimos roupa e-mudou? Também. E isso não foi exclusividade da Gap, marcas como Marc by Marc Jacobs, Kate Spade Saturday e C.Wonder encerraram suas atividades. As inquestionáveis  J.Crew e Banana Republic, apertaram os cintos, demitiram funcionários, mas, principalmente, tem mudado sua visão de moda E negócio. Sem contar nomes como Abercrombie e American Apparel, que tiveram que rever seus conceitos, afinal, as pessoas simplesmente deixaram de comprar suas roupas com mensagens equivocadas. É oficial, a gente não compra mais qualquer coisa.

Se você acha que isso é só com as marcas ‘medianas’. Essa semana foi publicado que a soberana Prada parou de crescer, puxou o freio e até se viu ~obrigada~ a focar em bolsas mais baratas pra atrair uma nova clientela. E ela não é a única, outras grandes labels tem ficado alerta enquanto essa tal transição não define, afinal, onde vamos parar?

Ah, se você acha que a única justificativa para tudo isso é o avanço incontestável do e-commerce e as maravilhas das lojas abertas a um clique e 24/7? Muito dessas mudanças se deve a isso, fato, mas quando uma gigante virtual como Net-a-Porter, encontra-se no vermelho, há de se refletir além do óbvio.

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E lá na China, maior comércio de luxo do mundo, marcas como Prada, Armani e até Chanel (que aumenta o preço de suas bolsas como se não houvesse amanhã), tem reduzido drasticamente o número de suas lojas, enquanto outras marcas como Zara, H&M e Uniqlo, o que fazem? Encontram uma brecha e multiplicam suas lojas em locais onde antes era território exclusivo do luxo. E isso tem acontecido lá e cá, vide o Village Mall que “precisou” colocar uma Forever 21 em meio a Vuitton e Gucci pra justamente ainda fazer a economia girar, ou apenas o shopping movimentar.

É lógico que tais fast fashions seguem crescendo… mas até quando? É bom eles ficarem ligados, pois até a forma que as pessoas consomem moda rápida-e-barata tem mudado. O afã pela tendência já não é o mesmo, as pessoas tem buscado designers locais e peças mais autorais, sem contar fatores como apoio à sustentabilidade e repulsa ao trabalho escravo, mais do que nunca em pauta.

Mas acima de tudo e até mesmo da economia, as pessoas tem valorizado mais a roupa, simples assim. Se os tempos são outros, tudo indica que as pessoas não comprarão por comprar, comprarão por amar, logo, não se identificarão com qualquer coisa, daí até o formato fast fashion precisará ser revisto.

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Onde vamos chegar? Não sei exatamente, só sei que estamos no meio disso tudo, vivendo, aprendendo, ainda comprando, mas de olho no que esse meio fashion nos reserva. Vez ou outra é bom ir além do trivial, refletir, desligar o modo automático e pensar no que você consome, seja leitura ou compra.

Você tem pensado nisso?

LEMBRETE: VOCÊ JÁ ELOGIOU ALGUÉM HOJE?

24/03/2015  •  Por Thereza  •  Cultura, Moda, Pense

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Em 2011 fiz um post chamado Praticando o Elogio e, 4 anos depois: preciso fazer de novo e reforçar essa ideia no nosso metier blogosférico :)

Não sei se vocês já perceberam, americano pode ter lá todos os defeitos, você pode nem curtir a cultura yankee, mas eles fazem algo como ninguém: elogiar. E não digo um primo ou amigo, mas sim uma pessoa qualquer na rua, se ela gostou do seu sapato, ela vai te falar “gostei do seu sapato!”. Se uma pessoa curtir seu batom, ela vai falar “curti seu batom!”.

Nesse aspecto, os americanos se expressam, verbalizam, a gente não.

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Eu tenho certeza absoluta que em alguma viagem que você fez na vida (e não tô nem limitando aos EUA, mas até mesmo a alguns outros países) já pararam pra te elogiar. Não tô falando de cantada não, mas logicamente de alguma mulher parando pra elogiar algo específico, de sapato a rímel, se eles sentirem o desejo de falar: falarão.

Eu quis relembrar esse post porque na última viagem comprei um colar lindo da Forever 21 (vou postar foto dele no snapchat) e em apenas uma noite, umas 4 pessoas pararam pra elogiar (Rodrigo chegou a falar, “nossa, vou te enterrar com esse colar” #humor #mórbido). De fato era um colar bonito, mas uma coisa que eu constatei mais uma vez: as pessoas tem necessidade de expressar e compartilhar esse tipo de sentimento, é natural e faz parte da cultura deles.

Eles nem fazem isso pra necessariamente saber de onde é (eu já falava “é da Forevinha, sista! 20 dólares, vai lá!), mas mais como um gesto de delicadeza, educação e pra enaltecer a sua bela escolha.

Eu acho muito bonito isso!

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Mas aqui no Brasil a realidade é outra. Me diga, você viu na rua uma mulher com uma bolsa bonita e se chegar mais perto pra elogiar, é capaz dela pensar que é assalto, cantada ou quem é essa loka falando comigo?!

Triste, mas é verdade. Outro dia conversando com amigas e o fato foi uníssono, ninguém era capaz de parar pra elogiar alguém. Estranho, né? Eu mesma, até depois de postar e endossar o movimento do elogio, segui sem encontrar brecha pra elogiar publicamente, e olha que muitas vezes me peguei curiosa por batom ou vestido bonito. A questão é, se a gente esperar pro brecha, não vamos elogiar ninguém. Esse gesto tem que ser espontâneo e sem planejamento.

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Seria essa nossa limitação apenas um hábito, timidez ou receio da elogiada se assustar? Não sei, só sei que é uma delícia andar pelo shopping ou num restaurante e receber um simples elogio por um item tão banal mas, que aos olhos alheio pode se tornar algo especial. Faz bem pro ego, pra autoestima da pessoa e de repente, naquele dia é tudo que ela gostaria de ouvir.

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É aquele lance da gentileza que gera gentileza e assim seguimos num ambiente menos hostil e mais amigável. Elogiar é tão fácil, reconhecer um bom gosto e verbalizar deveria ser trivial. Sei que estamos falando de algo relativamente banal, mas é assim que começa!

E vocês, já elogiaram – uma pessoa na rua – hoje, ontem ou em qualquer dia? Conseguem imaginar por que o brasileiro não tem esse hábito como outras culturas? Tem algum caso pra contar que a prática deu certo ou errado?

Que tal começarmos a elogiar um pouco mais?

 

O QUE É QUE EU VOU FAZER COM ESSA TAL FASHION WEEK?

18/03/2015  •  Por Thereza  •  Fashion Week, Moda

Critiquei os looks da Kim na PFW, mas por outro lado até a defendo, afinal, ela não foi a única ~palhacita~ desse circo. Ok, talvez a mais famosa e notória, mas o exagero das última semana de moda foi tão bizarro que transformou os looks de Kim & cia em algo até conceitual diante de tanto esforço pra (a)parecer o que não parece.

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O mês de moda terminou semana passada e se uma observação podemos fazer é: ainda bem. Nunca na história das FW’s viu-se frenesi tão grande, ego loucura tão grande, ousadia tão grande. Digo isso pelas roupas sem noção, pela forçação de barra e pela total perda de propósito e norte da situação em questão.

Já lemos por aí vários textos refletindo sobre o tema e esse é apenas mais um deles, mas afinal: o que a gente leva das semanas de moda? O que você assimila de fato pra sua vida?

Aqui no Fashionismo vocês sabem que insiro o tema de forma bem natural. Seja comentando o desfile do Elie Saab ou outras marcas que seguem nossa ‘linha editorial’ ou seja analisando as tendências trazidas pra nossa vida real e também pelo look de uma ou outra celeb/fashionista. Exemplos como Olivia Palermo ou Lena Perminova,  nos inspiram legitimamente ou ao menos nos fazem refletir, afinal, o que a semana de moda agrega pra gente?

Veja bem, faço reverência a essas pessoas que conseguem personificar um estilo da passarela pra vida real, nos inspirando seja lá como forma, maaaas, junto a isso, vem naturalmente o tal – e questionável – circo.

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Olhando honestamente, pelas lentes do famigerado Instagram, vemos um show e não falo isso das célebres apresentações de um Dior ou Zuhair, mas de pessoas que estão mais preocupadas com o look pessoal vigente do que ler aquele papelzinho que fica lá na cadeira querendo te explicar o conceito da tal coleção. Isso quando a pessoa entra de verdade no desfile , pois muitas vezes o regram é tão meticuloso que parece que estava sentada no colo da Kim ou da Chiara, mas não.

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As pessoas querem se tornar personagens. Além do fato de uma semana de moda não ser lá uma novela de Gilberto Braga, a irreverência de Anna dello Russo é única e suficiente, a graciosidade ousada é provavelmente algo inato à Miroslavas da vida.  Há de se ter sutileza, sempre aliada a autenticidade e pronto!

Pelo que observamos por aí, nem todos tem a real sensibilidade de transformar a Fashion Week em uma oportunidade legítima de brincar/ousar com a moda, mas ainda conseguir ser fiel ao seu estilo. Isso é mais que possível e vemos frequentemente em streetstyles inspiradores, mas nem sempre tal objetivo é atingido, com isso vemos um circo armado nas sublentes de Tommys e Sartorias.

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O que a moda perde com isso? Ela fica em segundo plano. O bom e velho desfile vira cenário não para Hedi e Olivier apresentarem seus 35 looks em 13 minutos, mas para as pessoas endossarem por mais uma temporada essa tal bagunça generalizada, desprestigiando assim o desfile em si.

Valorizem os desfiles.

Tenho lido bastante por aí o quanto as semanas de moda tem perdido a sua força. Aqui no Rio – uma pena – a gente nem tem mais! Pelo mundo só vemos flashes, instragamadas e patacoadas, o desfile que é bom? Nada.

Se as pessoas seguirem desinteressadas a tendência é piorar e, ao invés de admirar um desfile maravilhoso do Valentino ou Saint Laurent, a gente vai viver num mundo fantasioso de poses, estas que agora, em dias de Snapchat, duram aproximadamente 10 segundos.

Daí eu lembro daquele nobre ditado francês: “a gente fica batendo palma pra maluco dançar”

O que precisamos levar disso? Essa projeção de glamour é furada e você não é obrigada a nada. Bora exaltar a moda na sua essência, fazer nossa parte e admirar inicialmente o desfile em si. Seja leigo ou especialista, na galeria de fotos do Style.com ou no frontrow de Chanel, o desfile é pra ser admirado (assimilado, imaginado, criticado) e o resto é apenas consequência.

Se as semanas de moda voltarem a se tornar algo mais exclusivo e menos democrático, onde esse show paralelo vai passar? Acredito sim que podemos conviver pacificamente com essas duas vertentes culturais da moda, basta respeitá-las cada uma em seu quadrado :)

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Já tinha falado um pouco do tema nesse post ‘Gosto de gente básica’, mas nessa temporada, vendo fotos & fatos desse mundo paralelo de Cristinas e Emmanuelles, me deu vontade de compartilhar esse pensamento com vocês, afinal, blogar é isso!

Essa é a minha visão vigente, não tenho opinião formada sobre (quase) nada, mas com o tempo que acompanho esse meio, aguardo os próximos passos de uma reviravolta que traga frescor a essa geração. A ideia do post é que vocês compartilhem suas reflexões e impressões sobre esse delicioso – mas também questionável – mundo da moda.

Queria saber o que vocês acham, o que sentem e, no final, o que levam de uma semana de moda?

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