O QUE É CAFONA PRA VOCÊ?

03/08/2015  •  Por Thereza  •  Estilo, Moda, Pense

Pro dicionário é adj m+f De mau gosto: Chapéu cafona. s m+f 1 Pessoa que se caracteriza pela falta de bom gosto ou pelo gosto estragado, principalmente no trajar e nas coisas da vida cotidiana. 2 Pessoa sem modos, acafajestada.

E sabe de onde vem a origem da palavra cafona? Segundo meu amigo etimólogo, Deonísio da Silva, autor do livro “De onde vêm as palavras” (e de tantos outros, sem contar que também é vizinho blogueiro!)veio do Italiano “cafone”, palavra derivada do Latim “Cafo”, nome de um centurião romano de hábitos rudes, grosseiros.

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Digo tudo isso porque outro dia vi uma pessoa falando que uma peça x era “muuuito cafona”. Daí pensei, “iiisso é cafona?”, mas por quê? Nunca imaginei que tal coisa pudesse ser chamada de cafona (se eu contar vocês nem acreditam). Tipo, não era algo ~popularmente cafona~ como uma pochete ou um saruel, era uma roupa normal, do cotidiano, que você aí usa de boa e que essa pessoa simplesmente achou (“muuuito”) cafona.  Ué, mas por que esse danado é considerado cafona? Porque essa pessoa definiu isso como cafona? Acho que ela tem todo o direito, mas também acho arbitrário.

Daí me veio outra historia que li na última semana da jornalista que sou fã, Cora Rónai, que em sua coluna chamou algo de espelunca, esse algo (uma pizzaria) se sentiu logicamente ofendido e Cora fez uma excelente mea culpa e reflexão sobre o poder das palavras. Em cada ouvido, uma sentença e um peso que pode ser razoável para uns, mas pode soar infeliz para outros.

Voltando à cafonice, se você acompanha o blog há 7 dias ou 7 anos sabe que evito ao máximo (e geralmente  consigo) empregar a palavra cafona. Acho pesado e até grosseiro usar o termo assim deliberadamente. Existem maneiras bem mais sutis – e inteligentes! – de desgostar de algo, de achar feio, ultrapassado, demodé (taí palavra demodé, demodé). Chamar uma coisa x de cafona é muito raso e generaliza algo individual. Também acho um pouco arrogante e, eventualmente cafona, alguém com a pretensão de ditar o que é cafona ou não.

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É óbvio que no nosso dia a dia chamar algo de cafona é mais que natural, mas ao mesmo tempo, rótulos assim não estão ultrapassados? Palavra como essa não tem um peso desnecessário, ou pior, soa esnobe? Lógico que a pessoa em questão era pública, com isso o peso muda e a força da palavra também. Eu, enquanto blogueira, me preocupo mil vezes – até demais – com o tom das minhas palavras, preciso ser responsável e cuidadosa e, no que diz respeito à cafonice, jamais me atrevo a ditar algo tão relativo, salvo raras e inevitáveis exceções… como a pochete, tô brincando pochete, você foi só um caso clássico! :)

Acho que nos dias de hoje, nos quais as pessoas estão bem mais conscientes, libertas de rótulos e livres de preconceitos, cafona se torna uma palavra desnecessária, com o perdão do nobre centurião italiano.

Resumindo, pra mim, cafona é ditar algo de cafona e pra você, afinal, o que é cafona?

A BEYONCÉ SAIU BÁSICA PELA RUA

15/07/2015  •  Por Thereza  •  Estilo, Pense

E quando a Beyoncé sai básica na rua, isso significa muita coisa, e também um post.

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É sabido por todos, Beyoncé é a mulher mais poderosa do mundo. Ela é pop, é referência, é sucesso. Não apenas o que ela toca vira ouro, mas tudo que ela veste se torna representativo. Beyoncé não sai em vão. Se ela saiu de um jeito x, é porque: ela viu algo, quer dizer algo ou mostrar pro mundo que vai rolar algo.

E eu tô falando de moda, é claro! Beyoncé não só lança tendência, mas afirma muita coisa. E se ano passado foi o ano do normcore, onde a moda não era moda e a ideia era vestir qualquer coisa apenas pra tapar suas partes íntimas, ~digamos assim~, Beyoncé realizou e pensou, ok, voltarei ao básico.

Falo tudo isso por conta desse look de ontem…

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Enquanto Lady Gaga anda toda trabalhada na fantasia, Rihanna anda toda trabalhada na V1d4lok1ce e até Kimberly West anda toda trabalhada no fashionismo nonsense, chegou a Beyoncé e subverteu usando SIMPLESMENTE: jeans, camiseta e tênis.

Cara, BEY, a gente já usou esse look em 1997, obrigada! Quando Beyoncé sai pelas ruas do verão nova iorquino usando apenas jeans+camiseta+tênis, eu vejo como uma mensagem.

Captei, captei a vossa mensagem divina Bey!

Se nos últimos anos vivemos a onda do exagero, multi acessórios, exibicionismos desmedidos, in$halá… daí quando a mulher mais poderosa+influente+famosa do mundo me sai de jeans e camiseta, migas… ela tá dizendo alguma coisa.

E o melhor, ela não tá “mandando” você sair de jeans e camiseta, mas ela tá falando: ué, sai do jeito que você quiser! Mas sim, o momento é mais introspectivo, estamos passando por uma transição de pensamento e lifestyle (como conversamos nesse post aqui) e eu acho incrível como um simples look pode  endossar e colaborar para um momento tão importante.

Adoro a Beyoncé, não sou Beyoncenática, mas consigo enxergar um pouco além do simples look, vocês também?

A FORMA COMO VOCÊ CONSOME MODA ESTÁ MUDANDO

17/06/2015  •  Por Thereza  •  Compras, Pense

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“Alguma coisa está fora da ordem, foram da nova ordem mundial”, talvez essa música seja a trilha sonora do momento fashion em que vivemos, estamos no meio de uma grande transição. Nós podemos até não perceber, mas tem muita coisa acontecendo e juntando cada ponto, forma-sem uma revolução, logo, uma nova geração.

Falo isso, pois de 2014 pra cá muito coisa mudou. A loja que era famosa, faliu. O veículo que era referência, acabou. Até as redes sociais estão se transformando, tudo a olhos vistos, você está percebendo?

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Em termos de publicações, no início do ano foi anunciado que Woman’s Wear Daily, principal jornal de moda e business, deixaria de ser diário e passaria a ser semanal e isso já mostra o baque e um novo cenário.

Revistas como Company, Lucky e Capricho, encerraram suas atividades impressas, se mantendo apenas na plataforma digital. E não adianta dizer que o tal digital tomará conta do mundo, o impresso não vai a lugar nenhum, mas de fato precisa ser repensado como as informações chegam.

No online as coisas também vem mudando. O famigerado Instagram perdeu sua soberania e agora encontra concorrência com Snapchat, Periscope e, até o fechamento desse post, algum gênio do Vale do Silício terá inventado um novo app que logo tomará conta dos nossos dias e dedos.

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E os blogs? Bom, aqui sigo firme e forte e lida, amém, mas e você aí? Quantos blogs lê e, o principal, por que você lê um blog? Se antes era boom, hoje, provavelmente, você não lê os 870497 que lia em 2009. E muitos blogs não postam mais todo dia, o que me causa estranheza, afinal, as redes sociais vão e vem, mas nosso domínio será eterno e enquanto houver Google (taí uma hegemonia incontestável), haverá um post pra você achar e ler e se informar e/o divertir.

A informação de moda de fato mudou, se antes você consumia informação sentado na frente do seu computador, hoje o mobile impera e ai de mim ficar 24 horas sem meu Feed disponível pra vocês lerem o blog rapidinho, mas sem perder o hábito, jamais :]] Seja qual for a forma ou origem, você sempre terá  2 ou 3 minutos por dia para ler blogs e sites, mas vai de você fazer uma curadoria e seleção natural das coisas – e posts.

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Saindo do editorial e indo pro comercial, pro negócio, pro business! Acha que o Brasil tá em crise, que o dólar tá alto? Que é tudo culpa da Dilma? Essa semana foi anunciado que a Gap (a gigante Gap, aquela Gap que compramos moletons desde 1900 e bolinha) fechará 1/4 das suas lojas no EUA e algumas no mundo. Um quarto!

Vocês tem noção disso? A marca tem 675 lojas e em breve terá ‘apenas’ 500. Crise? Bastante. A forma que consumimos roupa e-mudou? Também. E isso não foi exclusividade da Gap, marcas como Marc by Marc Jacobs, Kate Spade Saturday e C.Wonder encerraram suas atividades. As inquestionáveis  J.Crew e Banana Republic, apertaram os cintos, demitiram funcionários, mas, principalmente, tem mudado sua visão de moda E negócio. Sem contar nomes como Abercrombie e American Apparel, que tiveram que rever seus conceitos, afinal, as pessoas simplesmente deixaram de comprar suas roupas com mensagens equivocadas. É oficial, a gente não compra mais qualquer coisa.

Se você acha que isso é só com as marcas ‘medianas’. Essa semana foi publicado que a soberana Prada parou de crescer, puxou o freio e até se viu ~obrigada~ a focar em bolsas mais baratas pra atrair uma nova clientela. E ela não é a única, outras grandes labels tem ficado alerta enquanto essa tal transição não define, afinal, onde vamos parar?

Ah, se você acha que a única justificativa para tudo isso é o avanço incontestável do e-commerce e as maravilhas das lojas abertas a um clique e 24/7? Muito dessas mudanças se deve a isso, fato, mas quando uma gigante virtual como Net-a-Porter, encontra-se no vermelho, há de se refletir além do óbvio.

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E lá na China, maior comércio de luxo do mundo, marcas como Prada, Armani e até Chanel (que aumenta o preço de suas bolsas como se não houvesse amanhã), tem reduzido drasticamente o número de suas lojas, enquanto outras marcas como Zara, H&M e Uniqlo, o que fazem? Encontram uma brecha e multiplicam suas lojas em locais onde antes era território exclusivo do luxo. E isso tem acontecido lá e cá, vide o Village Mall que “precisou” colocar uma Forever 21 em meio a Vuitton e Gucci pra justamente ainda fazer a economia girar, ou apenas o shopping movimentar.

É lógico que tais fast fashions seguem crescendo… mas até quando? É bom eles ficarem ligados, pois até a forma que as pessoas consomem moda rápida-e-barata tem mudado. O afã pela tendência já não é o mesmo, as pessoas tem buscado designers locais e peças mais autorais, sem contar fatores como apoio à sustentabilidade e repulsa ao trabalho escravo, mais do que nunca em pauta.

Mas acima de tudo e até mesmo da economia, as pessoas tem valorizado mais a roupa, simples assim. Se os tempos são outros, tudo indica que as pessoas não comprarão por comprar, comprarão por amar, logo, não se identificarão com qualquer coisa, daí até o formato fast fashion precisará ser revisto.

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Onde vamos chegar? Não sei exatamente, só sei que estamos no meio disso tudo, vivendo, aprendendo, ainda comprando, mas de olho no que esse meio fashion nos reserva. Vez ou outra é bom ir além do trivial, refletir, desligar o modo automático e pensar no que você consome, seja leitura ou compra.

Você tem pensado nisso?

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