A moda não está muito autêntica

29/05/2018  •  Por Thereza  •  Moda, Pense

No dicionário, autêntico significa verdadeiro, legítimo e genuíno. É um adjetivo que caracteriza aquilo que não deixa dúvidas, em que há autenticidade, que não é falso, que é real, positivo.

A moda não está lá muito autêntica, muito menos espontânea.

Os padrões de beleza idealizados, tendências massificadas,  isso resulta num look milimetricamente pensado, da maquiagem ao vestido. O que poderia ser bom, se torna um déjà vu sem alma, fica insosso. A gente sabe que vai esperar fulana com look x e estilista y. E isso também se deve, em muitos casos, a contratos milionários que fazem atrizes usarem apenas 1 estilista, muitas vezes, veja só, conseguimos até mesmo descobrir o vestido que elas vão riscar o tapete vermelho rs.

Isso pode ser muito de um resultado da geração Instagram, onde cada flash é um publi, cada acessório displicentemente colocado é fruto de uma parceria. Não que isso seja ruim, é bom, faz parte, mas isso não é tudo. A gente sente falta da tal da espontaneidade, do cabelo bagunçado e look do dia do dia mesmo, daquele dia e daquele minuto.

Depois disso, entra uma outra questão, e talvez a mais relevante que vai levar onde quero chegar: os profissionais envolvidos nessa, os stylists incríveis e maravilhosos que conseguem concatenar looks, roupas, acessórios e ocasiões. Não sei o que seria um tapete vermelho sem eles, um look sem lé nem cré, eles são imprescindíveis para essa engrenagem milionária da moda, mas em alguns momentos alguns deles tiram a tal da espontaneidade da famosa em questão.

Onde você quer chegar com isso, Thereza? Nessa legenda da Paris Hilton…

“O início dos anos 2000 foi uma época tão divertida e icônica para a moda. As pessoas não tinham stylists e realmente tinham um estilo pessoal. Agora todo mundo parece o mesmo #tbt”

E não é que ela está coberta de razão? Se tem uma coisa que Paris foi e sempre será, é autêntica e espontânea, seja nas suas falas e looks, mas um ponto é fato, até onde o estilo pessoal de uma atriz que arrasa no tapete vermelho é dela… ou do stylist dela? Quando saberemos que aquela escolha foi prioritariamente dela ou de uma equipe maravilhosa e em sintonia? Ok, muitas vezes isso não importa, mas fica a reflexão do estilo pessoal x estilo de um pessoal, se é que me entende.

Por exemplo, Blake Lively. A atriz é ícone de estilo, arrasa do Baile do Met até uma saída marota pelas ruas de Nova York e ela é categórica ao dizer que não-tem-stylist. Talvez isso até seja uma reação de uma apaixonada pela moda que percebe a tal falta de estilo próprio vigente. A gente sabe que os looks da Blake tem a personalidade dela e por um simples e autêntico fato: eles não são coesos, e isso é bom demais. Explico.

Mês passado postei aqui um #DecifrandooLook dela e explicando que o look era bem intencionado, mas que mostrava que de fato que Blake não tinha stylist (acredito que ela tenha uma grande equipe que coloque tudo em prática).  Os looks de stylists são mais orquestrados e tem uma conexão do look anterior com o próximo, os A+ stylists não pensam no hoje, mas no legado que, olhando de longe, uma dúzia de looks da pessoa x vai deixar registrado. Já Blake veste pro hoje, o tal look do dia do dia mesmo e isso é excelente.

E sobre o que Paris Hilton fala, ela tem razão, um feed organizado pode ser harmônico, rentável e vistoso, mas uma miscelânea de estilos de uma pessoa só, pode ser muito mais autêntico e de fato inspirador. Se a gente fala que a moda dos anos ’00 era esquisita, eu não sei o que a gente vai pensar de ’18 daqui uns 15 anos, já pensou nisso?

moda

E vocês, gostam de looks autênticos ou milimetricamente arranjados?

Minhas 4 resoluções de ano novo!

03/01/2018  •  Por Thereza  •  Pense

Ano novo, novas metas, mas, veja bem, nesse meu caso aqui é pra se inspirar! Não gosto muito destas listas pra gente cumprir, pois pode gerar uma ansiedade, pressão e, no final, decepção, mas nesses dias off de fim de ano, pensei em 4 resoluções relacionadas ao nosso universo que vou buscar ao máximo colocar em prática. Daí achei que vale compartilhar com vocês, afinal, estamos aqui pra isso, trocar boas ideias!

BUY LOCAL

O famoso “compre nas lojinhas de bairro”, prestigie mais as marcas locais. E não só aqueles novos talentos que estão bombando no Instagram, mas, especialmente, aquela lojinha da esquina. Entre, dê uma chance, vai ter uma brusinha legal, um look maneiro, vai ser barato e você ainda vai estar incentivando o comércio local e direto.

No meu caso, loja de bairro significa shopping-shopping-shopping, mas casualmente entrei numa feira de moda (no Uptown) e encontrei várias roupas legais e de marcas pequenas que merecem nossa atenção. Dei a chance, deu certo e todo mundo sai feliz. Não sou hipócrita em dizer que dessa Zara não comprarei, mas cada vez mais buscarei outras opções sim.

LEIA A ETIQUETA

Se você vai comprar na loja de bairro ou no super shopping de luxo: leia a etiqueta. Ela vai te ajudar a entender o valor da peça, o material envolvido, comprar conscientemente e saber se aquele lindo vestido tem poliéster, algodão ou pura enganação.

Até mesmo a forma de manutenção do look está bem explicado na tão rejeitada (pinica tanto) etiqueta, leia antes de cortar. A Gabriela fez um post legal explicando sobre.

ELOGIE

Sei que tá nessa moda de elogiar-o-próximo e isso é o máximo, mas aqui no Fashionismo já falamos desde 2011 (lembra desse post?) de o quanto nós, brasileiras, não temos o hábito de elogiar uma estranha na rua. “Moça, seu brinco é lindo, de onde é?”, “Oi, adorei sua brusinha, onde comprou?”. Enquanto essas abordagens entre mulheres são super comuns lá fora, aqui no Brasil, ironicamente (afinal somos super abertos e despachados), isso raramente acontece.

Portanto, se cruzou com uma pessoa na rua, no ônibus ou elevador e gostou do look, elogie e de quebra ainda descubra a marca daquele batom maravilhoso. Atitudes assim incentivam mulheres a se elogiarem mais e o resultado é aquele up na autoestima quando a gente menos espera. É simples, fácil e imbatível.

PRESTIGIE

Prestigie, faça barulho, aplauda quem mereça e faz um trabalho legal. Parece simples, mas a gente esquece. Assim como o tópico acima de elogiar as manas na rua, prestigie o trabalho alheio e, nesse caso, digo muito relacionado à internet. Viu uma matéria legal? Comente. Um look maneiro? Curta. Dê valor a quem faz um trabalho autoral, autêntico, seja sua escritora favorita, a blogueira que você ama e, especialmente, novos talentos, tipo aquela menina que tá começando e você vê potencial.

Pessoas de milhões de acessos já estão bem encaminhadas, mas que tal inventivar e ver nascer uma nova geração de mulheres poderosas e que ganham a vida na internet? No mais, prestigie quem mereça, curta e comente, isso é de graça pra você, mas muito valioso pra quem se propõe a trabalhar com isso.

Beber mais água, praticar um esporte, criar hábitos saudáveis e afins, essas resoluções são triviais e clássicas, mas essas acima são minhas metas que quero botar em prática já! E você, tem algum foco pra 2018? Comenta aqui e quem sabe vira o nosso também!

Underboob, Sideboob e muita transparência!

23/01/2017  •  Por Thereza  •  Moda, Pense

Vamos falar de peitos, simples assim. Enquanto homens saem impunemente com seus mamilos à mostra, mulheres ainda sofrem censura do Facebook e Instagram, que não deixam a gente mostrar, e ainda não rola nem um topless na praia, nesse careta país chamado Brasil.

Bom, eu não tô aqui pela polêmica, mas no mundo da moda os peitos andam cada vez mais exibidos. Simples fashionismo ou um desejo latente de mostrar que direitos são iguais? Não sei, só sei que nesse final de semana 2 4 peitos causaram polêmica lá em Paris…

Kendall Jenner e Bella Hadid, saíram com looks à mostra e à flor da pele. Na minha época noventista, isso era chamado “segunda pele” e era super moda, LÓGICO, com uma brusinha por baixo. Hoje em dia, as mais descoladas usam uma espécie de “lib” estrelado ou, no ápice da ousadia, sem nada mesmo, apenas com um casaco estratégico.

Eu postei o look da Kendall no insta e ele foi polêmica na certa, vejam só, mais polêmico que a pochete que ela usou no mesmo dia. Eu gostei. Gostei porque parece libertador, ela pode usar isso simplesmente pra aparecer, claro (afinal, falamos do dna Kris Jenneriano), mas gostei porque parece simplificar algo até então intocável – há controvérsias. Parece ironia, e talvez até seja, afinal estamos falando de uma parte do corpo, mas o peito tem andado na moda.

A segunda pele é febre pelo Instagram, Pinterest e nos closets das fashion girls gringas em geral. Essa moda, que talvez não combine muito com verão, certamente virá forte quando o outono chegar. O look é sexy, fashionista e, mesmo que discretamente, manda uma mensagem: estamos cada vez mais exibidas, aguentem.

side-boob

Falando de peito propriamente dito, o Sideboob foi uma espécie de moda que foi tomando conta das famosas, invadindo os tapetes vermelhos, até chegar na vida real. Afinal, qual é o problema de uma “bochecha” de peito à mostra? Já mostramos o ~topo, agora partimos pros lados. Pagar peitinho? Que nada, é tudo muito espontâneo.

under-boob

Acrescente aí a última tendência mamária, o Underboob! Era o lado que faltava, aquele que pouca gente vê, mas agora anda mais exibido do que nunca. A parte de baixo do peito virou hit e recheou decotes. A contar pelas fotos, dá até pra ver que é um look praticamente democrático, para qualquer ocasião e volume de peito. Tem coragem?

Ok, tudo isso é muito lindo na prática. Aparições em tapetes vermelhos, poses para redes sociais, mas no final das contas, a moda segue implacável em mostrar o lugar da mulher e, mesmo que indiretamente, nos libertar. Se um decote “tradicional” já foi uma conquista de décadas atrás, que venham novas formas de exibição, simples assim. Tem coragem?

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