Vinho de quinta: Espanhóis para sair do óbvio!

08/09/2016  •  Por Rodrigo  •  Gastronomia, Moda, Vinho

Continuando com a série de dicas de vinhos para aproveitarmos esse finzinho de inverno, hoje falarei sobre os espanhóis. A Espanha é o país com a maior área de vinhedos plantados no mundo e possui uma tradição milenar na produção vinícola. A uva emblemática do país é a Tempranillo que pode ter outras nomenclaturas dependendo da região de cultivo.

Entretanto, não é só de Tempranillo que vive a Espanha, há uma boa diversidade de uvas nativas com grande potencial, assim como uvas internacionais como a Cabernet e Syrah que produzem vinhos cheios de tipicidade com aquele sotaque espanhol.

As regiões mais famosas são Rioja e Ribera del Duero, com vinhos de alta gama, classudos e famosos no mundo inteiro, como o icônico Vega Sicilia que pode atingir cifras astronômicas. Outra região que tem adquirido muito prestígio com seus vinhos potentes e encorpados é a do Priorato, perfeita pra quem curte uma pegada mais forte.

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Considerando que a Espanha produz vinhos em quase todo o seu território, é fácil encontramos outras macro e micro regiões de fantástica qualidade por preços muito mais atraentes. Cataluña, Penedés, Navarra, Aragón, Bierzo, La Mancha, Toro, Castilla y León são apenas algumas denominações que você pode encontrar nos rótulos de vinhos espanhóis vendidos no mercado brasileiro.

São justamente essas regiões que podem trazer as melhores relações qualidade X preço, principalmente pelo fato de nos dias de hoje, seja pela crise, seja pela necessidade das importadoras criarem benefícios para os consumidores, as promoções estarem mais frequentes.

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Beso de Vino Selección 2009: Belíssimo corte de 85% Syrah 2 15% Garnacha, da denominação de Cariñena que já encanta pela arte do rótulo, mas é no sabor que o vinho brilha na verdade. Aroma aberto de frutos silvestres e blueberry doce, parece uma torta de frutas vermelhas. Na boca tem corpo médio toques de baunilha, tostado e ótima cremosidade. Grande pechincha pra sair da caixinha. R$ 46,90 na Vinho Reserva.

Fuerza 2011: Vinho da região de Jumilla produzido com as uvas Monastrell e Cabernet Sauvignon. Complexo e muito aromático no nariz com notas de ervas frescas tipo alecrim, condimentado deixando parecer que o vinho foi temperado com especiarias tipo canela e páprica doce além de uma pontinha de tabaco que mais lembra cachimbo. Na boca, a fruta aparece em forma de cereja madura. Grande vinho pra surpreender e harmonizar com pratos sofisticados. R$70 na Grand Cru.

Alceño Premium 50 Barricas 2012: Outro tinto de Jumilla. Muito peculiar e até inusitado, quem gosta de sabores com uma pegada de defumado não vai se decepcionar. Esse Syrah com uma pequena parcela de Mouvèdre tem aromas tostados e que lembram carne defumada tipo bacon e salame. Na boca é repleto de ameixas pretas e uma boa mineralidade. Diferente e gostoso. Vai muito bem com carnes, principalmente uma costelinha de porco na brasa. R$74 na Grand Cru.

Senda 66 2011: Elaborado com a uva Tempranillo, esse tinto da região de La Mancha é amplo e frutado com um nariz cheio de morangos maduros, café, baunilha, alcaçuz e flores. Na boca, tem corpo delicado, taninos macios e um saborzinho de anis que dá um charme especial. Boa compra por R$55 na NetWine.

Xabec 2011:  Tinto de estilo exótico e elegante da nova região de Montsant, que obteve crescimento de qualidade meteórico nos últimos anos. Coladinha na badaladíssima e cara denominação de Priorato, Montsant compartilha do mesmo clima e solo da vizinha, porém, felizmente seus vinhos são de valor mais acessível. O Xabec é um corte de Garnacha e Carignan e seduz o olfato com aromas florais de acácias, compota de amoras, pimenta, especiarias doces e chocolate. Já no primeiro gole você pode sentir um sabor balsâmico e refinado, além de um toque de ervas pra dar mais frescor. Grande vinho e belo achado de R$81,60 na Grand Cru.

Liberalia Monte Hiniesta 201: Delicioso vinho da região de Toro, feito com a uva Tempranillo, por lá chamada de Tinta de Toro. Tem tudo aquilo que você espera dessa uva quando amadurece em madeira, aromas de tostado, baunilha queimada, toque apimentado que parece açafrão e um sabor suculento de geléia de framboesa. Contudo, o que mais chama atenção nesse vinho, é a mineralidade e acidez que entregam um frescor maravilhoso em contraponto à concentração de fruta e madeira não deixando o vinho pesado, e sim sutil. Encontrei uma barganha de R$71 na NetWine.

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Então, esse foram alguns espanhóis que eu gosto e que acredito serem fáceis de agradar paladares diversos. Alguns deles estão em promoção e certamente entregam mais do que o preço. Se tiverem alguma dúvida, já sabem, é só deixar um comentário, bem como sugestão de post!

 

VINHO DE QUINTA: POR DENTRO DE RIOJA, NA ESPANHA

09/04/2015  •  Por Rodrigo  •  Gastronomia, Vinho

Olá, pessoal! Estou aqui novamente para mais um Vinho de Quinta. Espero que esse espaço esteja ajudando a esclarecer dúvidas e facilitando com informações úteis aos que desejam ingressar nesse mundo, mas que muitas vezes se afastam devido ao tal excesso de glamourização e complicação impostas no mercado.

Digo e repito, vinhos, enogastronomia e afins, são tópicos que pelo menos deveriam ser abordados de forma mais simplificada e didática. Para os iniciantes, assuntos relacionados ao vinho muitas vezes são considerados chatos e pedantes pelo fato de receberem as informações numa espécie de dicionário técnico, no qual os autores assumem que os interessados são já conhecidos ou profissionais do ramo. Resumindo, o conteúdo deve ser mais “simpático”, e acima de tudo, acessível. Espero que eu esteja conseguindo transmitir dessa forma :)

Testemunho feito, hoje falarei um pouco sobre a Espanha, com foco em Rioja, região clássica e super conhecida do país, responsável pela produção de vinhos extraordinários. Ao final, darei minhas impressões sobre um rótulo de Rioja que degustei com a Thereza.

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Pois bem, a Espanha é o 3º maior produtor de vinhos do mundo e a prática da viticultura por lá é bem antiga. Há registros sobre o cultivo de uvas pelos fenícios há mais de 3 mil anos. Atualmente, os produtores tem um estilo de produção bem focado no mercado, onde características frutadas, amadeiradas e com mais doçura são apreciadas. E mesmo com uma demanda doméstica considerável, as exportações tem um grande peso, principalmente para EUA, Alemanha e Inglaterra. Porém, há aqueles produtores mais tradicionais que continuam a fazer seus vinhos à moda clássica.

No Brasil, os vinhos espanhóis se tornaram um grande sucesso de vendas, e a cada dia as importadoras colocam em seus portfólios novos produtores e vinhos com preços bem atraentes.

O país possui diversas regiões vinícolas com aspectos particulares. Rioja, Priorato, Navarra, Cataluña, Toro, Bierzo, Aragon e a badaladíssima Ribeira del Duero são apenas algumas. Após a entrada na União Européia, a legislação de vinhos na Espanha sofreu algumas modificações e ficou mais específica com relação às denominações, que funcionam como selo de qualidade das regiões produtoras, que vão desde os Vinhos de Mesa (VDM) até os vinhos com Denominación de Origen (DO) e vinhos com Denominación de Origen Calificada (DOCa).

No fim das contas, as D.O e D.O.Ca são as classificações que passam por critérios mais restritos. Na hora de “ler” um rótulo na prateleira de uma loja, estas siglas podem ser um indicador qualitativo.

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O vinho de hoje é de Rioja, região mais tradicional da Espanha, situada ao norte do país. Lá são produzidos uma infinidade de vinhos e a principal uva da região, e de toda a Espanha, é a Tempranillo (apesar de existir uma boa variedade de uvas espanholas), cepa de casca grossa e amadurecimento rápido que faz vinhos maravilhosos e que se comportam muito bem com amadurecimento em carvalho, trazendo sabores tostados e que por muitas vezes lembram doce de coco queimado.

A Tempranillo também é bem cultivada na Argentina, Califórnia, Portugal conhecida como Aragonês entre outros, mas é na Espanha que ela mostra toda a sua força.

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Tobelos Crianza 2008: Trata-se de um vinho da DOCa Rioja elaborado com 100% Tempranillo. Vocês podem se perguntar: mas o que é Crianza? Bem, na Espanha existem algumas normas referentes à classificação dos vinhos de acordo com seu envelhecimento e maturação.

No caso específico de Rioja, as mais utilizadas e que vocês podem ver nos rótulos dos tintos são:  Crianza, Reserva e Gran Reserva. Cada uma caracteriza-se por um período estabelecido de envelhecimento em barris de carvalho e em garrafa, dentro das próprias caves, antes de ser comercializado.

Os Crianzas precisam de pelo menos 1 ano em madeira e mais 1 em garrafa. Os Reservas, pelo menos 1 ano em madeira e 2 nas caves. Os Gran Reservas, pelo menos 2 anos em barris de carvalho e 3 em garrafa.

No caso, nosso vinho é um Crianza envelhecido por 13 meses em barricas de carvalho francês, americano e do centro da Europa e com 13% de teor alcoólico.  Esse vinho tem cor rubi translúcido, brilhante, no nariz é fácil reconhecer ser um espanhol, em especial de Rioja. Aromas bem frutados com notas de cereja preta, ameixa seca e geléia de morango, tostado, coco queimado, baunilha e chocolate.

Girando a taça, as frutas ficam mais aparentes e dá até pra aparecer um pouquinho de menta. Na boca (nunca esquecendo de “mastigar”, bochechar, deixar o vinho “passear”) traduz-se no vinho fresco, com boa acidez, com bastante fruta madura e os aromas tostados da madeira. Possui álcool sem incomodar e um final longo e gostoso. Recomenda-se abrir a garrafa pelo menos uma hora antes de começar a degustar, pois é bom pra oxigenar o líquido e revelar seus aromas.

Ótimo vinho para conhecer um pouco da Rioja. Produzido pela Bodega Tobelos, vinícola com uma pegada bem moderna e que aposta em vinhos produzidos para satisfazer aos mais diversos paladares. Comprei na Enoeventos por R$71, um excelente preço e rótulo que agradará aos mais diversos paladares.

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Acredito que falando um pouco de cada região ou país produtor, vocês poderão notar suas particuliaridades e se direcionar de forma mais acertada para os vinhos que mais se identificarem. A Espanha, principalmente Rioja, pode ser a melhor porta de entrada para os vinhos Europeus, tanto por seu paladar mais fácil de entender e gostar, bem como pela grande oferta de espanhóis existente no mercado. Pesquisem e procurem por vinhos da uva Tempranillo e se tiverem alguma dúvida, podem perguntar! Aceito sugestões para um próximo país ou região!