O TRISTE FIM DA REVISTA CAPRICHO

02/06/2015  •  Por Thereza  •  Moda

Era uma vez uma revista que era nossa melhor amiga, que nos ensinou tantas coisas, que esteve por perto tantas vezes. Era uma vez uma revista que nos ensinou a botar um gelo dentro do copo pra treinar o beijo, que nos ensinou a usar o look certo pra ir ao cinema, que nos ensinou até como conquistar aquele gato em 27 passos.

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Falo tudo isso, pois hoje foi anunciado o fim da revista Capricho. O título que encantou e ensinou gerações, lançou Gisele ao estrelato, entre outras muitas influências, encerra suas atividades. O nome segue na internet, mas mesmo assim pra mim tá longe de ser a mesma coisa. Ao mesmo tempo que sou forte entusiasta desse meio cibernétio (pq será?!), também tenho meu momento de ler revista impressa.

Hoje os tempos são outros, a internet taí pra multiplicar a informação sem esperar a próxima edição, as regras tão aí pra gente quebrar e o adolescente de hoje não é o mesmo dos anos 80-90. Será que a razão é essa? Será que as revistas estão ficando ultrapassadas ou tudo é apenas culpa da economia? Acho que um pouco de tudo.

Dos, dont’s, machismos e pré-conceitos, sei que muito que rolava nas décadas passadas, hoje é obsoleto e questionável, mas ao mesmo tempo que é desnecessário fazer o teste pra descobrir se ~você é fera na paquera~, nas páginas da revista aprendemos muitas coisas legais, desconstruímos mitos e tiramos aquela dúvida que sequer perguntaríamos pra amiga mais próxima, a Capricho era mais do que isso.

Um assunto que hoje pode ser corriqueiro e de conhecimento geral, nas páginas da revista quebrou-se tabus e foram abordados assuntos como sexo, racismo, body shamming, preconceito, bullying ou simplesmente debatíamos quem seria o próximo colírio. Ah, se você foi adolescente nos anos 90, certamente aprendeu que “Camisinha: Tem que usar”, nas páginas da revista, lembra?

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Sigo me questionando se os jovens de hoje não querem mais ir às bancas comprar uma revista, relaxar e entrar nesse fantástico mundo colorido por 40 minutos e 150 páginas? Ou, afinal, é tudo culpa mesmo da economia e o jornalismo sofre mais um baque e perde não só esse como outros títulos e profissionais (aqui tem uma matéria que fala mais do fim da revista e da transição de outras publicações)?!

Por razões óbvias – 33 – eu não era mais o público direto da Capricho, mas vez ou outra gostava de ler e via uma revista muito bem feita. Nem de longe imaginava que ela poderia ser mais uma vítima do mercado, como aconteceu com a querida Gloss anos atrás.

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Como disse, cresci pautando minha adolescência com as matérias da Capricho e acredito que vocês também. Uma adorável juventude, mais ingênua que a de hoje, porém completamente entregue num mundo mais real e materializado e quando eu digo isso é no sentido de folhear a revista, sentir o papel, isso eu acho que faz tanta diferença! Dado esse cenário, que revista sobrou pro pessoal teen ler?

Lembro tão bem das capas com os gatinhos da vez, as modelos e atrizes. Quem não se lembra do Fábio Assunção irresistível? Dos adoráveis cachinhos da Ana Paula Arósio, da polêmica Piovani e da doce – E BV!!! – Sandy!? Capricho sem dúvidas era o assunto do recreio, você não era ninguém na fila do pastelão se não tivesse a última edição da revista para saber que o in vigente era camisa pólo com Keds e que tava totalmente out usar esmalte Misturinha.

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Vocês sabem que meu nostalgismo bate forte com a década de 90 e se naquela época a internet ainda era uma raridade, a Capricho era nossa real conexão com o mundo dos famosos, da moda, beleza e novidades, sem contar comportamento. Por lá, falava-se de relacionamento, saúde, doença, alertas e experiências, tinha de tudo um pouco, suficiente pra conscientizar.

Lembro que quando era criança, minha profissão dos sonhos era ter uma banca para ler de graça tooodas as revistas, eu via muita vantagem nisso haha, e se naquela época tinha Capricho, Atrevida, Todateen, Querida, Carícia (e que alegria achar a internacional Seventeen), pergunta séria: o que sobrou hoje pra essa geração?

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Sei que internet é tudo, os blogs são vida e suas amigas virtuais, mas não quero viver num mundo que as revistas estão começando a entrar em extinção. Também sei que o nome Capricho sairá apenas das bancas, mas com certeza a próxima geração de adolescentes será um pouco mais sem graça.

Abaixo selecionei algumas capas e fotos históricas, não deixem de reparar nas chamadas, umas hilárias e outras surreais kkk E ainda tem alguns #rips vindos direto do nosso Facegrupo!

Você tem alguma lembrança eterna com a revista, alguma capa memorável ou matéria inesquecível?