Por que arquitetura?

23/11/2011  •  Por Thereza  •  Moda

Nessa temporada de vestibulares e decisões importantes sobre o futuro acadêmico, e consequentemente profissional, tenho recebido vários emails de meninas que estão em dúvidas sobre ser arquiteta, ou não. Não só a opção de entrar na faculdade, mas também o que encontrar pela frente.

Daí, ao invés de responder pontualmente (posso complementar nos comentários), resolvi reunir algumas questões pontuais e um pouco da minha experiência. Lembrando que ano passado fiz um post repleto de dicas da área, que vale ler também.

Antes de mais nada, confesso que fico feliz em receber esse tipo de email, onde a leitora me enxerga mais que uma blogueira, mas também como arquiteta e uma referência com a profissão que elas desejam. Costumo falar que só optei em me dedicar integralmente nesse mundo dos blogs, porque no fundo, tenho a arquitetura como estrutura (sem/com trocadilho). Sei que a hora que quiser, seja lá qual for o futuro dos blogs, a minha formação acadêmica estará sempre lá, pronta pra eu retomá-la, mas também sei que a curto prazo, tentarei conciliá-las da melhor forma, o sonho plano é esse.

Agora um dos principais tópicos que me perguntam: Arquitetura ou moda? Acho que todos os emails que respondi, dado cada cenário informado, sempre puxei sardinha falei: arquitetura. Nada contra a moda, mas acho que o embasamento da arquitetura é maior. Não só porque o curso dura pelo menos 5 anos, mas por toda a questão técnica e cultural, sem contar o background mais completo.

Também acho que começar uma faculdade exaustiva como essa, requer algum frescor e paciência, ou seja, coisa de jovem-cuca-fresca, não sei se eu começaria uma facul dessa mais velha (madura, estressada), daí, a graduação (ou até mesmo pós) em moda, pode ser uma segundo passo. Mas vamos agora aos 4 medos que mais recebo acerca do tema!

“Thereza, odeio cálculos, números, estou pensando em desistir”, esse é o questionamento No1. Não vou te dizer que o curso é um mar de desenhos-e-belezas, mas a matemática e física são minoria sim. A grande dica é: se dedique MUITO na primeira matéria de cálculo (cada facul tem seu nome, a minha foi Isostática), o bê-a-bá vem daí, se você abdicar das aulas em prol de chopadas (oi!), vai perder o fio da meada de todo o resto das matérias do curso, com isso, uma hora vai repetir e atrasar a formatura, já que as matérias são pré-requisitos até o fim do curso.

“Eu não sei desenhar!”, eu também não, até hoje. Mas te garanto uma coisa, você não vai precisar desenhar bonequinhos ou arvorezinhas, o desenho é técnico e você vai aprender tudo logo no primeiro período. Do peso que você dá sobre cada traço, até à famosa letra de arquiteto (que não sei se caiu em desuso, mas é fofa). E depois que você pega o gosto pelo desenho, vai querer comprar “estojo” novo todo período e ter uma coleção de Prismacolor$ e Caran D’ache$. Mas logo depois, o Autocad que será seu verdadeiro bff.

“Também serei decoradora de interiores?” Não. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, na realidade, por mais que seja uma confusão comum, durante a faculdade, são pouquíssimos créditos em decoração propriamente dita. Mas por lá, aprendemos outras matérias complementares e imprescindíveis, como Conforto Ambiental, Iluminação e Acústica. O que geralmente se faz (e eu até fiz, mas tive que trancar por conta do trabalho) é assim que se formar, já emendar com uma pós em interiores, caso você queira se especializar nessa área.

“E o mercado de trabalho, vai bem?” Já contei da minha experiência incrível na Cidade da Música, comecei como estagiária e assim que me formei fui efetivada, e isso acontece com muitas pessoas, especialmente se você trabalha em grandes construtoras. A dica é, faltando 1 ou 2 anos pra se formar, já procure um estágio onde você tenha aspirações e, obviamente, se dedique dobrado!

Agora, não preciso nem dizer que o mercado de arquitetura, assim como o de engenharia, estão totalmente aquecidos. Seja Copa, Olimpíadas, a melhora na nossa economia também incrementou esse ramo e só não arranja emprego nessa área quem não se entrega.

Se alguém tiver alguma dúvida, pode mandar. E quem for arquiteto (estudante já é arquiteto), pode contribuir com sua experiência e pontos relevantes.

O tal do Art Déco

28/09/2011  •  Por Thereza  •  Moda

Depois do “tal do” minimalismo e do barroco, chegou a vez de falar de outra corrente artística muito conhecida e admirada: Art Déco. E quem pensa que esse é um post aleatório, super se engana, nessa última semana aconteceu um grande desfile em Milão que era all about Déco!

Gucci apresentou um desfile deslumbrante e inspirando na arquitetura nova iorquina. Construções como Chrysler e Empire State deram o tom das roupas, que mais pareciam vindas da década de 20, a mesma década que, assim como os tais prédios, surgiu o Art Decó! Fácil notar semelhança na sutileza dos traços, sem parecer uma fantasia arquitetônica.

Surgido na França e popularizado nos EUA, o Art Déco foi um movimento que mais prezava pela estética e design apurado. Sem nenhuma função construtiva, mas com um forte apelo decorativo, tal movimento era definido por geometria, simetria e simplicidade. Se encaixava entre o rebuscamento do Art Nouveau e a simplicidade do modernismo, que sucedeu tal corrente. Foi a época do enxugamento de arestas, literalmente.

O Art Déco é composto por linhas retas, nuances ecléticas de cubismo e futurismo e altas doses de elegância e sofisticação. Caminhou de mãos dadas com o Jazz e toda a moda minimalistas – quase masculina – de meados dos anos 20 até início dos 30. Aliás, super imagino esses looks da Gucci ao som do bom jazz! Agora o mais bacana do estilo é que ele tem todo um rigor geométrico, mas sem função apenas decorativa, sempre tem um senso estético apurado e significativo associado à cada linha.

E depois dos icônicos prédios nova iorquinos, foi Miami quem consagrou a corrente. Ali por South Beach, o que mais se vê são prédios e detalhes seguindo o preceito Art Déco. Aqui no Rio, entre o lindíssimo Biarritz e a imponente Central do Brasil, o Cristo é a maior estátua Déco do mundo, quem diria? Os traços definem!

Na moda, muito usa-se movimento Déco como inspiração. Das roupas às jóias, por mais sutis que as referências sejam, os olhos mais sensíveis enxergam cada detalhe geométrico como uma homenagem à tão famosa corrente. Se outrora, o estilista Paul Poiret foi seu maior representante, hoje em dia seja com Karl ou Marc, vê-se muitos momentos Déco em vários desfiles.

Agora para não confundir Nouveau com Deco, basta lembrar do arquiteto espanhol Antonio Gaudi (meu favorito!), notório representante da Art Nouveau com suas construções de linhas assimétricas e sinuosas, porém delicadas, de seu mix de materiais, detalhes rebuscados e referências à natureza. Enquanto isso, Déco prezava pela simplicidade, repetitividade e uso de outros tipos materiais. Ambas lindas, inspiradoras e até hoje recorrentes no nosso dia-a-dia,  sem sequer percebermos.

Aliás, Art Nouveau também merece um post próprio, que tal? E qual é a corrente artística favorita de vocês? Da moda a arquitetura sempre tem uma que nos define!

Os livros da temporada

04/08/2011  •  Por Thereza  •  Moda, Pense

Por mais que eu adore falar sobre celebridades, moda, beleza ou qualquer fofoquinha aleatória, muitas vezes tento pensar outside the box fora da caixa. Tentar sair do Just Jared mais próximo, de repetir temas ou pessoas. Daí, nada melhor do que…livros!

Como arquiteta, aprecio mais livros com boas imagens hoho, mas na busca do post perfeito bacana, a leitura fashionista é constante. Num passeio pela Fnac, comprei 3 livros que vão me encher de conteúdo para próximos posts. Ainda não li todos (até porque comprei nessa segunda), mas uma folheada básica já foi suficiente pro post!

O Style Yourself já estava na lista há um tempo, daí quando vi que lançou aqui (sem precisar esperar  3 meses pela Amazon), arrematei (leilão feelings). O livro fala sobre…blogueiras! Os streetstyles mais famosos, dicas de estilo, tendência e tudo que incremente nossa veia fashionista.

O livro é MUITO bacana, com imagens e montagens caprichadas, daquele livro que você não quer parar de ler/ver. A introdução foi feita pela Sea of Shoes, mesmo que em inglês, ele é tem um bom apelo visual, o que super vale a pena.

Outro livro que estava tentada era o da Whitney Port. Seguindo (pra não dizer copiando) o livro de estilo da LC, Whitney dá dicas bem bobinhas de decoração, o que comer no trabalho(?!), receitas de drinks e até…estilo.

Sem contar a dica de como encarar inimigas no trabalho, aka, Olivia Palermo, achei bem de mau gosto da parte dela. Como sou bem apegada à parte visual, achei esse bem pobrinho, com montagens toscas e tipo improvisado, mas preciso ler pra analisar o conteúdo e criticar melhor.

Agora o que eu mais AMEI foi o Moda – Arquitectura corporativa, pois une as duas coisas que mais amo nessa vida – e vocês estão calvas de saber. O livro é em espanhol, mas é excelente como um guia de lojas incríveis, com projetos admiráveis. E modéstia nada à parte, ano passado já tinha feito um post mostrando algumas dessas super lojas, todas no Japão, vale a (re)leitura.

Por falar na profissão do Oscar, ando recebendo MUITOS emails de vestibulandas interessadas em fazer arquitetura (chupa, muóda) e me pedindo dicas de mercado de trabalho e etc. Já tinha feito um post assim, mas acho um bom momento de falar mais profundamente, no caso, da minha experiência profissional. Se alguém tiver alguma dúvida, pode perguntar aqui, que super acrescentará ao post, grata.

E se alguém tiver outro título que possa incrementar nossa biblioteca, contaí!

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