Hierarquia da moda

05/07/2010  •  Por Thereza  •  Moda, Pense

No último Fashion Rio, junto com outras blogueiras cariocas, visitamos o lounge da Elle e fomos apresentadas à querida  Susana Barbosa que é a editora de moda da revista. Conversa vai, conversa vem e ela perguntou nossa opinião sobre o futuro-dos-blogs. Como éramos dezenas de mulheres movidas pela emoção, não chegamos a uma resposta final (e oficial, pois talvez ela nem exista).

Sei que falar sobre blogs, seu futuro, presente ou passado, pode ser um caminho tortuoso e polêmico. É meio que inadmissível você falar sobre o assunto, quanto mais traçar seu destino. Nou vou entrar nesses mérito, pois eu não faço a mínima idéia se em 10 anos blogs serão blogs ou se algum nerd visionário inventará alguma outra potente – e democrática – ferramenta de informação.

moda

Mas pensando de moda pra moda, busquei referência na própria engrenagem fashion pra relacionar os tais meios de comunicação: as revistas de moda, os sites de moda e os blogs de moda.

Tudo começa lá na alta-costura, forma mais antiga de se criar moda, comparado a isso temos as revistas impressas. Não que elas sejam feitas quase que artesanalmente, mas dado o preço, se tornaram artigo de luxo, assim como a alta-costura. Mas quem vive sem elas? Por mais que você não compre sempre as revistas, elas estão aí pra nos inspirar, nos dar referência e eternizar a moda, assim como a alta costura. Imprescindíveis!

alta-costura

Depois disso vem o prét-à-pórter (ready-to-wear; pronta pra usar). É mais recente, adaptada às atuais necessidades e adequada a cada tipo de consumidor, assim como os sites/portais de moda. É universal, criado para um público mais amplo, presta serviço, assim como o prét-à-pórter, que preenche a função de nos prover roupa pra usar, ou notícia pronta pra ler. Indispensáveis!

Algumas marcas de alta-costura também surgiram em versões ready to wear, pra se encaixar ao mercado e suprir as necessidades. E nesse mundo virtual é a mesma coisa, as revistas criaram sites pra estender o campo de atuação. E mais recentemente, o que tem nesses sites?

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Os blogs são a “nova” coqueluche virtual. Surgiram com o intuito de ser uma voz mais opinativa e democrática na internet, comparando-se com eles, o que temos? As fast fashions! Os blogs são ferramentas rápidas, eficientes e agradam à todos, assim como as redes de moda-rápida. Ok que muitos blogs se inspiram em sites e revistas, assim como na moda, Forever’s e H&M’s se inspiram em Jacobs’s e Dior’s! Mas os blogs vão além disso, são praticamente uma libertação fashion, onde a informação é rápida e  autoral. A identificação é rápida e o desejo (pela leitura) é imediato, assim como as fast fashions. Necessários!

fastfashion
Essa analogia toda foi pra mostrar que assim como todas essas referências conhecidas e afirmadas, os blogs permanecerão, encontrarão seu caminho, se moldarão de alguma forma. Alguns deles podem virar sites, outros podem adaptar seu conteúdo. Mas o maior chamariz dessa ferramenta é a opinião. E opinião existe desde antes de Coco dar suas primeiras costuradas e existirá sempre que houver vida. E neurônios!

Você é uma consumidora racional?

17/06/2010  •  Por Thereza  •  Compras, Moda, Pense

Vocês está lá diante da arara da sua loja favorita, com cabides recheados dos seus sonhos mais fashionistas, pronta pra investir alguns (bons) dígitos na tal peça mais hypada da estação e … se fosse um episódio de Você Decide, o Tony Ramos surgiria todo compenetrado te mostrando dois caminhos e perguntando qual seguir…

Mas como a minha cabeça fértil é bem diferente da vida real, apenas te pergunto, você se questiona antes de comprar?

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Por quanto tempo eu vou usar essa peça? Ela é multiuso? Serve pra trabalhar e badalar? Vou enjoar dessa estampa? Essa tendência dura mais que uma estação e meia? O tecido é de qualidade? Ela será relevante no meu guarda-roupa? Eu tenho parecida? Minha filha poderá herdar? Vai ser um real investimento ou um rompante (às vezes necessário) fashion?

Enfim, são muitas perguntas antes de investir comprar, seja numa t-shirt prodeenha ou numa jaqueta de couro. Confesso que antes de ter o blog eu não me questionava muito, muitas vezes nada. Acho que faz parte da idade, mas até um tempo atrás meu armário era cheio de viscolycras e roupas  datadas. Ou eram marcantes (tipo uma estampa inesquecível) e só podia ser usadas uma vez, ou que não tinham função multiuso (dia > noite).

Mas um sopro de esperança refrescou a minha seara fashionista, o blog me ajudou a discernir melhor. Eu sei que a moda de hoje, ano que vem já saturou, que a cor da próxima estação será x e que entramos na age of minimalismo. Tudo isso como blogueira E leitora. O mundo dos blogs contribuiu para meu amadurecimento como consumidora, me ajuda a comprar melhor e comprar MENOS (comprar menos é assunto pra outro post), mas sempre comprando certo.

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Mas infelizmente o blog não está 24/7 te mostrando o que é ideal. Então vale sempre fazer um exercício fácil e eficiente pra comprar melhor. Um momento de reflexão, praticamente um mantra em busca da compra sensata. Nunhum agente externo interferindo na sua escolha. É o fashioninsmo te fazendo agir de maneira racional, pois às vezes é bom!

E você, cara leitora? É que tipo de consumidora? A que vai no sentimento? A que questiona até sua existência na terra antes de comprar? Ou a que precisa andar com supervisão pra não comprar besteira?

Pela não banalização dos blogs

19/03/2010  •  Por Thereza  •  Moda, Pense

Andei refletindo sobre blogs, o ato de postar e compartilhar informações. Mas desde já preciso informar que não estou pensando em cometer o blogcídio, adoro isso aqui e é minha terapia ocupacional favorita, mas não quero me tornar refém dela, porque quando a gente vira profissão-blogueira, rola uma obrigação, a gente pode perde a naturalidade, aí ferrou! O blog precisa de frescor, não somente posts aleatórios.
O que eu andei pensando é o seguinte, muitos blogs surgem a cada dia, uma proliferação desenfreada, MUITOS são ótimos, mas provavelmente a maioria é mais do mesmo.  Normal. Não estamos pedindo pra ninguém (re)inventar a roda, mas sim que tenha um certo cuidado ao postar, sim, um pouco de zêlo não faz mal a ninguém. Um post mal escrito, palavras mal ditas, uma “reputação-virtual” pode ir por água abaixo.

Mas mais dos que neo-blogs, muitos blogs antigos, mais ou menos famosos, parece que perderam a espontaneidade na hora de postar. Sei lá, o “tal do frescor” de falar sobre moda, tendências e amenidades se esvaiu nesse mundinho virtualmente glamurizado que é (parece) ser blogueira.
Pois bem, esse texto, talvez sem pé nem cabeça começou de um tuíte meu falando do meu desamor pela saudável leitura do MEU Google reader, e que foi altamente apoiado-e-endossado. Antes, ia sedenta por novidades, curiosidades ou deliciosas frivolidades, hoje em dia alguns blogs que leio (não a maioria) parece que ou se perdeu, ou desanimou, ou se afetou, ou talvez vive da natural – e super permitidaentresafra criativa e coletiva.

No meu caso, preciso assumir, na minha humilde (in)significância, que no início do blog postava qualquer coisa sem medo de ser feliz, hoje em dia penso bem antes de apertar o botão “publicar”. Perdi a naturalidade? Acho que não, parece que a responsabilidade de escrever algo interessante e não me esconder em firulas, montagens extraordinárias e porque não, eventuais Chuck Basses, falou mais alto. É uma postura que tomei e acho a mais acertada PRO MEU CASO.

Outro assunto delicado é o relacionamento blogueira+leitora. Preciso fazer a mea culpa e admitir que muitos comentários e perguntas por aqui ou twitter podem passar despercebido por mim. Sou humana, né! Mas comparado ao que vejo na vizinhança, posso afirmar que meu relacionamente com vocês é algo muito fraterno, pois sempre me esforço em estar presente. Agora, nós blogueiras, precisamos admitir que dependemos de vocês sim pra ter ânimo de postar e tentar agradar. E quanto a vocês, e essa é uma sugestão pessoal (e blog é isso), não corram pra fazer um blog por fazer, pois muitos comentários que leio são mais importantes e pertinentes que um post aleatório num outro blog qualquer. E acho que é isso que importa, ser ouvida (ou lida), não importa o meio (post ou comentário), mas sim o fim e o efeito.

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Mesmo a Luciana tendo popularizando esse mundinho, as pesquisas comprovam que o ibope dos blogs caiu e que Anna Wintour já  não curte muito. O que nos resta, blogueiras, é não banalizar o sublime ato de postar, ter algum criatividade e muito cuidado. Pelo bem da nação blogueira, aí inclui-se leitoras e agregados.

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