Dica de restaurante especial: Cipriani, no Copacabana Palace

07/04/2016  •  Por Rodrigo  •  Gastronomia, Rio de Janeiro, Viagem, Vinho

A Thereza já contou nesse post aqui, que outro dia celebramos nossos 4 anos de casamento no Copacabana Palace e por lá tivemos um jantar incrível no Cipriani e, como o meu assunto é comida e vinhos, falarei hoje sobre esse jantar especial!

Considero o Cipriani o lugar ideal para ocasiões especiais, pois consegue juntar um estilo sofisticado a um ambiente intimista e aconchegante. Desde o piano bar, onde você pode experimentar os mais variados e deliciosos drinks (experimentem o Belini), até o serviço impecável e atencioso.

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A decoração é um caso à parte, salões amplos no estilo clássico proporcionam uma atmosfera especial, isso sem falar na vista da piscina mais charmosa do Rio.

Fizemos o menu degustação harmonizado, que é uma excelente opção. A cozinha do Cipriani traz o melhor da gastronomia italiana, com pratos cuidadosamente desenvolvidos por um chefe vindo diretamente da Itália. O mais interessante é que, mesmo com a sofisticação e criatividade empregados nos pratos, o sabor é que vem em primeiro lugar. O foco é encantar as papilas gustativas.

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No menu degustação, você tem a oportunidade de viajar pelos melhores sabores do país da bota e os vinhos, ahh os vinhos! A seleção não poderia ser melhor, unindo dos tradicionais aos mais inusitados e difíceis de encontrar.

O serviço começou com pães artesanais variados, acompanhados de azeite, manteiga e tudo o que tem direito. É bom não se empolgar muito, pois os pães são tão bons, que é capaz de você se satisfazer antes da hora (isso é a cara da Thereza). Logo depois, recebemos uma entrada de boas-vindas com uma fina fatia de robalo super delicada que fez a expectativa só aumentar.

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A segunda entrada foi algo surpreendente, mozzarella de Búfala com tomate cereja e manjericão, mas o que surpreenderia numa caprese? A cremosidade do queijo, os tomates reconstruídos numa espécie de gelatina e o manjericão em forma de sorbet. Que combinação de texturas!

O primeiro prato teve uma combinação de sabores espetacular. Scialatielli, que é uma massa fresca e leve da região da Campana, com alcachofras, linguiça caseira e queijo pecorino. A leveza da massa com a intensidade da linguiça e a picância do queijo não sairão da minha memória. O vinho foi um branco da raríssima denominação ‘Est! Est!! Est!!!’, com a mineralidade e frescor necessários para combinar com tantos sabores diferentes.

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O segundo prato faria qualquer um salivar, risotto crocante com lagostins e açafrão. Impressionante a textura do risotto. O vinho não poderia ser mais inusitado e gostoso, um autêntico vinho laranja, sim, esse é um estilo de vinho comum no leste europeu, no qual as uvas brancas são vinificadas com as cascas e amadurecidas em ânforas.

O que degustamos foi da região da Sardenha e seus aromas de tangerina e damasco amaciavam o paladar para os suculentos lagostins.

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Quando pensava que não tinha como ficar melhor, eis que me surge meu prato favorito na vida, Ossobuco com salsa de limão siciliano que ainda veio acompanhado de cogumelos porcini e risotto de parmesão. A carne, que desmanchava na boca, era tão rica em sabor, que só mesmo um espetacular vinho Ripasso, do Vêneto com seus aromas maduros de uvas passas e chocolate harmonizaria com tamanha perfeição.

Olha que ainda tem a sobremesa! Esfera de chocolate e frutas vermelhas com calda de caramelo e especiarias, tão boa que a Thereza nem fotografou (mas fez Snap). Um detalhe, a calda não vem no prato, ela é despejada na bola de chocolate que derrete se misturando às frutas no melhor estilo food porn.

Pois bem, o Cipriani é um daqueles restaurantes que melhor pode acolher seu momento especial. Você não precisa estar hospedado no Copacabana Palace pra poder aproveitar essa incrível gastronomia e viver uma experiência que vai ficar na memória. Seja um aniversário de casamento, comemoração entre amigos, enfim, vez ou outra nos permitimos ocasiões assim e vale muito a pena!

Como harmonizar queijos e vinhos!

03/03/2016  •  Por Rodrigo  •  Gastronomia, Vinho

Hoje o Vinho de Quinta vai falar de um assunto que muita gente adora, mas ainda tem dúvidas: queijos e vinhos! Por mais que essa combinação seja clássica e utilizada em diversas ocasiões, é preciso seguir algumas regrinhas pra que a harmonização seja certeira e traga à tona o melhor dos dois mundos.

Queijos e vinhos andam juntos quando são harmonizados corretamente, caso contrário, os sabores de um podem se sobrepor aos do outro deixando tudo uma bagunça papilar. Aspectos como acidez, cremosidade, intensidade, doçura e sal (principalmente sal!), devem ser levados em consideração na hora da escolha desse “casamento”.

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Tábuas de queijos, além de bonitas para apresentação, são muito versáteis por juntar diversos estilos de queijo em uma única degustação. Aqui em casa é um sucesso, além de ser uma graça ver a Thereza preparando com tudo que tem direito e ir além, “enfeitando” com tomates cereja, frutinhas, alecrim e outras invenções de moda dela.

E pra harmonizar? Como os queijos variados possuem características distintas, é bem difícil escolher um único vinho que combine com todos. Caso você receba mais pessoas, pode pensar em ter mais de um estilo de vinho para harmonizar com os queijos. Se for uma coisa mais intimista, tipo a dois, o ideal é escolher queijos com sabores parecidos tendo em vista que haverá apenas uma garrafa. Lembrando que as meias-garrafas podem ajudar nessa questão. Vamos aos destaques!

QUEIJOS E VINHOS

Muçarela de Búfala: da família dos queijos frescos, ela é perfeita pra iniciar a degustação. Seu sabor delicado e textura macia pedem um vinho branco leve e de boa acidez pra manter a delicadeza do queijo sem apagar o sabor. Os Sauvignon Blancs são excelentes, assim como os Pinot Grigios italianos como o Antigiano Pinot Grigio,  que possui uma mineralidade perfeita para o frescor da muçarela.

Brie e Camembert: dois queijos de mofo branco bem populares no Brasil, são especiais pela cremosidade. Assim sendo, minha dica é escolher brancos encorpados da uva Chardonnay, envelhecidos em madeira. O Santa Helena Siglo de Oro  é untuoso, cremoso e seu toque tropical vai complementar a maciez do queijo. Um tinto leve como o Pinot Noir também fará bonito!

Gruyere, Gouda e Emmental: de massa média e sabor adocicado, esses queijos são bem versáteis. Se quiser manter um vinho branco, Chardonnay fresco ou Torrontés dão conta do recado. Outra alternativa legal são os vinhos da uva Riesling que possuem dulçor e acidez pra “cortar” a gordura do queijo.

Se optar por um tinto, tente um com corpo leve ou médio, como os Merlot da América do Sul ou um Pinot Noir como o Marea, que mostra aromas frutados de morangos e cereja.

Provolone: taí um queijinho complicado pra harmonizar, mas que todo mundo gosta! Pelo fato de ser defumado e mais salgado, não é uma boa degustar com vinhos muito tânicos e secos, pois os taninos quando em contato com o sal do queijo, podem deixar um sabor muito amargo na boca. Entretanto, dá pra fazer uma harmonização interessante.

Tintos muito frutados e adocicados como os Zinfandel ajudarão a manter o sal em equilíbrio. Outro vinho que faz sucesso com o provolone é o francês da região do Rhone, Chateau Pesquié, com seus taninos macios, aromas florais e sabores que lembram alcaçuz.

Grana Padano: o preferido aqui em casa, é da família dos queijos de massa dura e possui sabor acentuado e levemente picante. Pede vinhos tintos com estrutura e bom corpo como os Malbecs argentinos, Cabernet Sauvignon ou Shiraz.

É importante que o vinho tenha bastante concentração de fruta pra segurar a intensidade de queijo. Um exemplar chileno maravilhoso é o Maycas Del Limari Sumaq Syrah. Seus aromas de ameixas e chocolate e seus taninos quase doces de tão maduros ficarão ainda mais redondos quando harmonizados com esse tipo de queijo, que por sua vez vai parecer areia doce na boca, se é que isso existe!

Gorgonzola ou Roquefort: esses queijos azuis, gordurosos, densos e deliciosos são os pares ideais para os vinhos de sobremesa. Vinhos do Porto, vinhos brancos de sobremesa, Jerez ou moscatel casarão maravilhosamente. Tintos secos não precisam ficar de fora, contanto que sejam encorpados e robustos. O italiano Antigniano R Rosso di Torgiano tem elegância de sobra e belíssima acidez pra domar o queijo, que ainda possui gordura suficiente pra amaciar o vinho.

Cabra: picante e com uma pitadinha cítrica esse queijo harmoniza com o quê? Champagne, e como harmoniza! Não só com Champagne, mas como espumantes em geral. As notas de torrefação da bebida suavizam a acidez do queijo e as borbulhas limpam a boca preparando para a próxima mordida. Um bom exemplar de espumante nacional é a Cave Geisse. Amendoada e com notas de pêra madura e pão tostado.

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Bom, essas foram as minhas sugestões. Espero que tenham gostado e se tiverem alguma dúvida sobre harmonização ou queijos que eu não tenha citado (afinal, são muitos), deixem um comentário. Abraços!

A CRISE CHEGOU PARA OS VINHOS! ENTENDA E SAIBA COMO DRIBLAR ESSE MOMENTO

14/01/2016  •  Por Rodrigo  •  Gastronomia, Vinho

Chegamos em 2016 e o Vinho de Quinta voltou com tudo! Espero que tenham passado a virada com muita alegria e é claro, bons drinks. No post de hoje, vou abordar um tema que tem gerado bastante repercussão no mundo vinho nos últimos meses. Afinal, o preço do vinho vai aumentar esse ano? Infelizmente a resposta é sim.

Não é meu intuito fazer uma resenha recheada de indicadores de mercado no estilo Valor Econômico, porém acho importante apontar o que de fato está ocorrendo e principalmente, indicar possíveis alternativas para encontrarmos boas opções sem estourar o orçamento.

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Há dois fatores primordiais para o aumento, o primeiro é a subida meteórica do dólar, que encarece de forma substancial qualquer produto importado. Seria o momento para o crescimento da indústria vinícola nacional? Não é bem assim. Mesmo com o desenvolvimento do setor de vinhos nacionais ao longo dos anos e com aumento inquestionável de qualidade e o surgimento de novas empresas, esse segmento carece de incentivos do governo e permanece com um volume de produção limitado. Isso nos leva ao segundo fator determinante.

Para 2016, alterou-se mais uma vez o modelo de tributação dos vinhos e destilados. Os impostos que já eram altos, ficaram ainda maiores! Antes, além das alíquotas base, havia uma tributação fixada em 73 centavos sobre cada garrafa. Para esse ano, criou-se uma medida provisória na qual o IPI é progressivo de acordo com o valor do produto. Para os vinhos, esse imposto ficou em 10%.

Resumindo, qualquer vinho de preço superior a R$7,30, fica mais caro. Foi uma forma um tanto controversa que o governo criou para aumentar a arrecadação. Digo controversa, pois na minha humilde opinião, tal medida, além de impopular, não leva em consideração a queda brusca e inevitável sobre o consumo e consequentemente, a desaceleração do setor. Resultado, faturamentos mais baixos, enfraquecimento de diversos segmentos da economia, como importadores, varejistas, comércio de alimentos e bebidas e indústria, além da queda nas contratações. Mais uma vez, os consumidores e trabalhadores pagando o pato para o acerto nas contas do governo.

Entretanto, ainda podemos encontrar alternativas para driblar esse aumento! Apesar de todos os problemas, o Brasil é um mercado atraente para qualquer vinícola do mundo. Sendo assim, é normal que estas façam algumas concessões comerciais para os importadores, garantindo um volume de compras. Os importadores, distribuidores e varejistas, por sua vez terão que se adaptar e diminuir um pouco suas margens para manter seus estoques girando afinal, ninguém quer perder venda.

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No início do ano, é comum a realização de promoções especiais pelas lojas com intuito de liquidar estoque do ano anterior. São os tradicionais Bota-Fora, no qual os importadores oferecem descontos agressivos durante um curto espaço. A maioria faz essa ação ainda em janeiro. Um dos mais tradicionais é o da WorldWine, que começa dia 19 desse mês. Melhor oportunidade não há, para comprar excelentes vinhos por preços convidativos.

Outra solução interessante, seria ingressar em um clube de vinhos. Isso mesmo, várias lojas virtuais adotam esse modelo numa espécie de confraria online, na qual você paga um valor fixo mensal e recebe vinhos da curadoria dos especialistas da empresa. É bem legal e divertido, afinal você fica na expectativa de qual será a seleção de vinhos escolhidos para o mês, e ainda aprende com o material informativo disponível sobre mesmos.

Geralmente, os valores cobrados são menores em comparação com o preço aplicado no mercado, em virtude da loja trabalhar com uma receita antecipada dos clientes. Wine.com.br e Sonoma.com.br são exemplos de clubes que fazem bastante sucesso. Você escolhe o plano de acordo com estilo de vinho, quantidade de garrafas, ou o que couber no seu bolso!

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Acho muito válido que procuremos por alternativas de vinhos com bom custo x benefício para estimularmos cada vez mais a prática de descontos, fazendo com que o mercado se mantenha aquecido. Eu mesmo, sou um caçador de promoções no universo do vinho e se garimparmos um pouquinho, dá pra encontrar muita coisa boa!

Se tiverem alguma dúvida, não deixem de perguntar e quem tiver dicas pra driblar a crise etílica, compartilhe com a gente.