Os 10 Mandamentos do Consumo

16/05/2017  •  Por Thereza  •  Moda

Vocês sabem que assuntos sobre business da moda é dos meus favoritos aqui no Fashionismo e acho que entender esse universo muitas vezes é mais importante do que saber da “trend alert” ou “looks por aí”. A gente consegue perfeitamente bem conviver com o universo do consumo, sem fechar os olhos pras mudanças de cenário, certo?

E junto a isso, uma nova cultura do consumo se cria. Marcas lançam cartilhas, outras se posicionam (umas de forma espontânea, outras nem tanto) e ainda tem aquelas que simplesmente deixam de existir por não conseguirem se encaixar nessa nova ordem mundial. O que vale nesse momento? Conhecimento. Entender, saber, assimilar, essa velocidade de informação tem um bem incrível que é  o de nos conscientizar de forma natural, quando vemos, , assimilamos.

Digo tudo isso, pois o Business of Fashion, site que adoro, criou junto com o Euromonitor (publicação que analisa o mercado de consumo global) uma cartilha do consumo, 10 mandamentos para empresas e consumidores incorporarem à vida, seja mudando hábitos ou cobrando das marcas que gostamos. Achei tão legal, que trouxe resumido pra cá!

1. Forneça transparência em suas práticas de negócios. O consumidor moderno tem sabido cada vez mais sobre questões ambientais e condições de trabalho, com isso, é importante deixar claro suas premissas e diretrizes. “Hoje em dia, transparência é mais uma expectativa que uma opção”. A geração millennial chega disposta a apenas consumir marcas conscientes e, o mais importante, sempre buscar o diálogo e ir além. O resultado é experiência de marca e isso é muito importante nos dias de hoje.

2. Demonstre autênticos valores de marca. Não basta se forçar a viver o momento mais consciente, mas sim demonstrar através de produtos que transmitam a história e cultura da marca. As pessoas tem se questionado cada vez mais sobre o que e por que comprar, com isso a “economia de experiência” pode ser bem traduzida com produtos autênticos. A matéria cita a Burberry como exemplo, a marca segue zelando pelos seus valores, seja através de produtos ícones, mas como a herança de estilo. “Autenticidade é a nova sensibilidade do consumidor e se torna um critério poderoso na hora da compra”.

3. Crie processos de sustentabilidade. Procure trabalhar cada vez mais com materiais sustentáveis. E, o principal, informe isso aos seus clientes. A Reformation, loja californiana super decolada e que trabalha reformando roupas de brechós em itens modernos é exemplo de case e de como marcas devem se posicionar.

4. Invista em tecnologia de varejo. Busque sempre inovações tecnológicas que vão incrementar a experiência de compra do cliente. “Uma marca pode ser deixada de lado pelos clientes apenas pelo fato dela ainda não ter se adaptado a um novo modelo de negócio que inclui não só compra online, mas também atuação nas redes sociais”. Nos novos tempos, marcas precisaram mais que nunca ligados aos influenciadores digitais e estes colaborando em transmitir seus valores.

5. Ajude os clientes a atingirem objetivos pessoais. Crie experiências que vão além da venda e que vão atingir objetivos inesperados e surpreendentes. Como exemplo, eles citam a Nike, que regularmente organiza experiências para clientes locais, tudo para foco no bem estar e um convívio paralelo de marca+consumidor.

6. Precifique seus produtos de forma clara. Em tempos de consumo desenfreado e busca por produtos cada vez mais baratos, é preciso treinar o consumidor a diferenciar o que de fato vale ao preço de uma peça. Sugere-se mostrar ao cliente o preço de custo do produto pra então contextualizar de fato seu valor e explicar que nem sempre o produto mais barato pode ser o melhor, especialmente os de origem questionável. É preciso justificar destacar o valor de um produto em tempos que busca-se mais por preço e menos por qualidade.

7. Forneça serviço eficiente. O consumidor moderno tem tido cada vez mais opções de marcas, com isso, marcas que agilizem o processo da compra e facilitem esse sistema saírão na frente. “Isso é mais do que apenas conveniência, mas cada vez mais sobre facilitar. O tempo se tornou um luxo no mundo conectado de hoje”. Já existem sistemas capazes de estudar seu perfil de estilo e depois disso criar um algoritmo pra facilitar sua compra e selecionar apenas produtos do seu perfil.

8. Fornecer experiências gera vendas. Já pensou quantas páginas e páginas de e-commerce existem pra gente comprar? E as milhares de lojas físicas sedentes pelo seu espaço? Com isso, as marcas precisam criar experiência, elas precisam nos atrair, nos cativar, criar ocasiões específicas e que gerem venda. Eles investem, a gente exige, mas compra no final.

9. Apoie a economia local. Brechós, lojas vintage, comprar roupa usada estará mais que na moda. Junto a isso, e-commerces como o Enjoei são um grande exemplo de como podemos comprar não só pelo viés da sustentabilidade, mas no aspecto de dividir experiências. A marca cita o Rent the Runway, site gringo que você pode alugar peças vindas diretas da passarela. Essa ideia precisa deixar de ser uma experiência pontual, mas se tornar algo comum.

10. Reconheça a individualidade de cada cliente. Não basta criar experiência pro cliente, mas é preciso um registro. E quase que literalmente falando, do couro monogramado da Vuitton ou jeans personalizado da J.Crew, as lojas devem fornecer essa marca registrada e identidade a cada produto. A marca que reconhecer e fornecer singularidade a cada cliente sairá na frente

Incrível como esse universo de consumo tem mudado nos últimos 3 anos, junto a isso nossa visão tem ficado mais criteriosa e exigente! Da parte dele, é preciso se reinventar, já da nossa parte, vale ficar de olho e apoiar aqueles que tem saído na frente e incorporado esses mandamentos!

O compasso da moda

10/01/2017  •  Por Thereza  •  Tendência

No final do ano passado, na época que comecei a pesquisar para a Retrospectiva do Fashionismo e as tendências do ano, rolou uma conversa no #melhorgrupo de algo que já havia percebido e acho que vale trazer a reflexão pra cá: a moda está acelerada demais(?).

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A pauta era sobre as tendências saturadas de 2016, aquela que a gente não ~aguentava mais. Entre os destaques do post: tênis que pisca, brusinha sobre brusinha, bonés, flatforms e (o vitorioso, ou derrotado) patches.

E da conversa sobre o tema, trago um comentário pra cá – da leitora e miga, Clara Azevedo, “O que tá out é o fato da moda ser tão rápida por conta da internert. A tendência mal começa e a gente já tá saturada de tanto que vê pelo Instagram, Pinterest e afins. Isso é o lado ruim da globalização da moda. Às vezes nem conseguimos usar e já passou, gerando um consumo desenfreado e nada consciente.”

Reproduzi aqui integralmente, pois eu não poderia concordar mais.

Uma das minhas tags favoritas aqui no Fashionismo é falar de “trend alerts” e analisar tendências que estão chegando, virando moda ou, até mesmo, no seu auge. Gosto também de compartilhar gostos particulares, trabalhar meu feeling e tentar valorizar modas que não estão, necessariamente, na moda. Sinto que essa quase década de blog deixou meu radar apurado e busco uma curadoria vida real e de fato inspiradora e útil, mas uma coisa é fato:a moda tá acelerada mesmo!

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Se você pensar na modinha de janeiro de 2016, um ano atrás, provavelmente ela não existe mais. E aquela moda que a gente até se interessou, mas perdeu o timing da parada? Ainda tem aquela moda tão legal, mas tão legal, que parece lenda, já que a gente não vê à venda na loja mais próxima. Ainda tem aquela moda conceitual, que a gente vê no fantástico mundo do instagram, mas que é impossível colocar em prática.

De fato a engrenagem da moda está operando num modo acelerado, a profusão de informações que somos acometidas diariamente, seja em blogs, redes sociais ou em simples conversas entre amigas, mudou a forma que consumimos moda. Isso é bom, mas é ruim, entende? Eu também não.

As grandes marcas não tem só mais 2 coleções por ano, isso já mudou há algum tempo com a chegada de coleções resorts e pre-fall. No universo das fast fashions, as coleções são mensais e, muitas delas, semanais. Isso tudo gera mais informação de moda, mais desejo pelo consumo, muitos looks, uma certa falta de foco e até uma pequena frustração. Ah, já falei de o quanto nosso rico dinheiro voa a mesma medida das tais tendências?

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Agora fica um questionamento, será que o mesmo universo digital que na última década democratizou e aproximou a moda de nós, reles mortais, é o mesmo que vai transformar tudo isso em algo extremamente fugaz e fora do compasso necessário?

E você, querida leitora, qual tem sido a sua relação com a moda vigente? Você gosta da moda rápida, das profusões de tendências ou acha que está tudo além da conta? Alguma ideia do que 2017 nos reservará? Eu confesso que não faço a mínima ideia, mas estou curiosa pra acompanhar e compartilhar com vocês! De repente eu posso depois fazer um post 2 com a visão de vocês na prática dessa nova onda.

A FORMA COMO VOCÊ CONSOME MODA ESTÁ MUDANDO

17/06/2015  •  Por Thereza  •  Compras, Pense

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“Alguma coisa está fora da ordem, foram da nova ordem mundial”, talvez essa música seja a trilha sonora do momento fashion em que vivemos, estamos no meio de uma grande transição. Nós podemos até não perceber, mas tem muita coisa acontecendo e juntando cada ponto, forma-sem uma revolução, logo, uma nova geração.

Falo isso, pois de 2014 pra cá muito coisa mudou. A loja que era famosa, faliu. O veículo que era referência, acabou. Até as redes sociais estão se transformando, tudo a olhos vistos, você está percebendo?

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Em termos de publicações, no início do ano foi anunciado que Woman’s Wear Daily, principal jornal de moda e business, deixaria de ser diário e passaria a ser semanal e isso já mostra o baque e um novo cenário.

Revistas como Company, Lucky e Capricho, encerraram suas atividades impressas, se mantendo apenas na plataforma digital. E não adianta dizer que o tal digital tomará conta do mundo, o impresso não vai a lugar nenhum, mas de fato precisa ser repensado como as informações chegam.

No online as coisas também vem mudando. O famigerado Instagram perdeu sua soberania e agora encontra concorrência com Snapchat, Periscope e, até o fechamento desse post, algum gênio do Vale do Silício terá inventado um novo app que logo tomará conta dos nossos dias e dedos.

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E os blogs? Bom, aqui sigo firme e forte e lida, amém, mas e você aí? Quantos blogs lê e, o principal, por que você lê um blog? Se antes era boom, hoje, provavelmente, você não lê os 870497 que lia em 2009. E muitos blogs não postam mais todo dia, o que me causa estranheza, afinal, as redes sociais vão e vem, mas nosso domínio será eterno e enquanto houver Google (taí uma hegemonia incontestável), haverá um post pra você achar e ler e se informar e/o divertir.

A informação de moda de fato mudou, se antes você consumia informação sentado na frente do seu computador, hoje o mobile impera e ai de mim ficar 24 horas sem meu Feed disponível pra vocês lerem o blog rapidinho, mas sem perder o hábito, jamais :]] Seja qual for a forma ou origem, você sempre terá  2 ou 3 minutos por dia para ler blogs e sites, mas vai de você fazer uma curadoria e seleção natural das coisas – e posts.

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Saindo do editorial e indo pro comercial, pro negócio, pro business! Acha que o Brasil tá em crise, que o dólar tá alto? Que é tudo culpa da Dilma? Essa semana foi anunciado que a Gap (a gigante Gap, aquela Gap que compramos moletons desde 1900 e bolinha) fechará 1/4 das suas lojas no EUA e algumas no mundo. Um quarto!

Vocês tem noção disso? A marca tem 675 lojas e em breve terá ‘apenas’ 500. Crise? Bastante. A forma que consumimos roupa e-mudou? Também. E isso não foi exclusividade da Gap, marcas como Marc by Marc Jacobs, Kate Spade Saturday e C.Wonder encerraram suas atividades. As inquestionáveis  J.Crew e Banana Republic, apertaram os cintos, demitiram funcionários, mas, principalmente, tem mudado sua visão de moda E negócio. Sem contar nomes como Abercrombie e American Apparel, que tiveram que rever seus conceitos, afinal, as pessoas simplesmente deixaram de comprar suas roupas com mensagens equivocadas. É oficial, a gente não compra mais qualquer coisa.

Se você acha que isso é só com as marcas ‘medianas’. Essa semana foi publicado que a soberana Prada parou de crescer, puxou o freio e até se viu ~obrigada~ a focar em bolsas mais baratas pra atrair uma nova clientela. E ela não é a única, outras grandes labels tem ficado alerta enquanto essa tal transição não define, afinal, onde vamos parar?

Ah, se você acha que a única justificativa para tudo isso é o avanço incontestável do e-commerce e as maravilhas das lojas abertas a um clique e 24/7? Muito dessas mudanças se deve a isso, fato, mas quando uma gigante virtual como Net-a-Porter, encontra-se no vermelho, há de se refletir além do óbvio.

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E lá na China, maior comércio de luxo do mundo, marcas como Prada, Armani e até Chanel (que aumenta o preço de suas bolsas como se não houvesse amanhã), tem reduzido drasticamente o número de suas lojas, enquanto outras marcas como Zara, H&M e Uniqlo, o que fazem? Encontram uma brecha e multiplicam suas lojas em locais onde antes era território exclusivo do luxo. E isso tem acontecido lá e cá, vide o Village Mall que “precisou” colocar uma Forever 21 em meio a Vuitton e Gucci pra justamente ainda fazer a economia girar, ou apenas o shopping movimentar.

É lógico que tais fast fashions seguem crescendo… mas até quando? É bom eles ficarem ligados, pois até a forma que as pessoas consomem moda rápida-e-barata tem mudado. O afã pela tendência já não é o mesmo, as pessoas tem buscado designers locais e peças mais autorais, sem contar fatores como apoio à sustentabilidade e repulsa ao trabalho escravo, mais do que nunca em pauta.

Mas acima de tudo e até mesmo da economia, as pessoas tem valorizado mais a roupa, simples assim. Se os tempos são outros, tudo indica que as pessoas não comprarão por comprar, comprarão por amar, logo, não se identificarão com qualquer coisa, daí até o formato fast fashion precisará ser revisto.

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Onde vamos chegar? Não sei exatamente, só sei que estamos no meio disso tudo, vivendo, aprendendo, ainda comprando, mas de olho no que esse meio fashion nos reserva. Vez ou outra é bom ir além do trivial, refletir, desligar o modo automático e pensar no que você consome, seja leitura ou compra.

Você tem pensado nisso?