O que você quer ver nas lojas virtuais do futuro?!

09/04/2018  •  Por Thereza  •  Compras

Se até 4 ou 5 anos atrás, as marcas estavam começando a navegar nesse universo da compra online, hoje é exceção aquelas que não tem um espaço virtual, seja uma loja própria ou venda em multimarcas online e marketplaces, mas e o futuro?

Depois do início e reconhecimento de terreno, o que vocês esperam do futuro próximo de um e-commerce? Se no início a gente queria simplesmente que a nossa marca favorita tivesse loja online, que fosse confiável de comprar e tivesse uma navegabilidade no mínimo razoável, hoje a gente quer mais.

Essa ideia de post veio depois de um tweet que fiz semana passada falando do e-commerce que mais admiro (mas já comprei o total de zero coisas r$r$), o Moda Operandi, e como ele vem “revolucionando” o universo da compra online além do trivial, explico.

O M’O é um e-commerce (todas as fotos do post são de seu qg) que foi lançado em 2011 pela Lauren Santo Domingo. Pra quem não está ligando o nome à pessoa, Lauren foi a grande it dos anos ‘oo (ainda é até hoje!), trabalhou como assistente e depois editora da Vogue US, sempre teve um estilo inspirador e personificava muito bem a geração it girl da década passada. Depois de sair da Vogue, ela teve a ideia de criar um e-commerce, mas com um diferencial, que você visse as fotos de um desfile recém-apresentado e logo pudesse reservar o look. A ideia do Moda Operandi era basicamente essa, mas hoje em dia, eles foram muito além dessa ideia, tudo graças ao tino fashion de Lauren e noção de mercado.

Sabe quando você entra num blog ou Pinterest para ver uma tendência x ou y? Eu também gosto de entrar lá no M’O, e é aí que chego no diferencial que acredito (ou espero) que seja o futuro dos e-commerces, seja high ou fast fashion: a curadoria.

“Moda Operandi é o destino global da moda de luxo, proporcionando acesso personalizado, descoberta de marca e curadoria inigualável”, essa é a premissa do site, ok deixe o luxo de lado e pense na “curadoria inigualável”, é isso que gostaria de ver em muitas lojas virtuais.

Tem uma coisa que às vezes me irrita em alguns e-commerces, veja bem, pra muita gente isso pode ser maravilhoso, mas pra mim geralmente não é: 981247 páginas. Quando, por exemplo, estou pesquisano pro post da #blusinha2dígitos, e vejo um site com 4894 páginas de blusinhas, eu até desisto. Não por preguiça, mas quem, em tempos de informação multiplicada, mastigada e editada, vai ficar vendo milhares de blusinhas? Às vezes pode ser ótimo, mas na prática é confusão e até mesmo diminui nossa percepção de moda.

É aí que entra a tal da curadoria. No futuro, quero entrar num site que tenha obviamente todas as necessidades básicas obrigatórias (boa navegabilidade, descrição fiel do produto, opções de frete), mas que me ajude com uma percepção da tendência da vez, que eu sinta que tenha alguém por trás editando as melhores peças, que tenha um setor só com marcas novos talentos e até então desconhecidas (o Moda Operandi é craque nisso).

Não quero site só com amontoado de peças, mas sim que tenha uma seleção com uma linha editorial, um time que facilite as coisas pra um cliente interessado e pronto pra gastar nosso rico dinheirinho (e isso vale da #blusinha2dígitos ao #Investindonabolsa).

Sei que muitos sites não podem ter essa curadoria na prática e acabam partindo pro algoritmo e a nova era da big data. Marcas como Renner ou Riachuelo, que colocam online todo seu vasto portfólio ou até mesmo uma multimarca gigante, como a Farfetch, que tem milhares de marcas e produtos, a esses www o que peço é: que tenham um filtro poderoso, que possamos ordenar por tamanho, cor, preço e até estilo. Que também mesclem tais produtos com posts e guias de tendência integrados às paginas de venda (Farfetch faz isso muito bem e a própria Renner tem um blog muito legal).

De resto, que surjam mais e-commerces com essa pegada com foco na curadoria, que informações de moda estejam misturadas às peças, e que no final a gente se informe da próxima tendência e que logo ela chegue no conforto do nosso lar. Aqui no Brasil, sinto que Gallerist e StyleMarket buscam esse diferencial, mas espero que no futuro seja mais regra e menos exceção.

Outro dia participei de um bate-papo e foi conversado que uma das profissões do futuro (já presente para muitas marcas) será o “visual merchandising de e-commerces”. Preocupação em ter uma home de um site alinhada com as tendências, sempre mudando e com fotos e chamadas atrativas é o diferencial, vai fazer nos conectar com o produto, gerando assim a compra, claro! Se ano passado questionamos muito como sobreviveriam as lojas físicas, agora o papo é saber como os e-commerces vão se destacar no meio da multidão de novos e-shops.

E vocês, além das necessidades básicas de qualquer loja virtual, o que faz diferença na hora de confirmar a compra?!

Os 10 Mandamentos do Consumo

16/05/2017  •  Por Thereza  •  Moda

Vocês sabem que assuntos sobre business da moda é dos meus favoritos aqui no Fashionismo e acho que entender esse universo muitas vezes é mais importante do que saber da “trend alert” ou “looks por aí”. A gente consegue perfeitamente bem conviver com o universo do consumo, sem fechar os olhos pras mudanças de cenário, certo?

E junto a isso, uma nova cultura do consumo se cria. Marcas lançam cartilhas, outras se posicionam (umas de forma espontânea, outras nem tanto) e ainda tem aquelas que simplesmente deixam de existir por não conseguirem se encaixar nessa nova ordem mundial. O que vale nesse momento? Conhecimento. Entender, saber, assimilar, essa velocidade de informação tem um bem incrível que é  o de nos conscientizar de forma natural, quando vemos, , assimilamos.

Digo tudo isso, pois o Business of Fashion, site que adoro, criou junto com o Euromonitor (publicação que analisa o mercado de consumo global) uma cartilha do consumo, 10 mandamentos para empresas e consumidores incorporarem à vida, seja mudando hábitos ou cobrando das marcas que gostamos. Achei tão legal, que trouxe resumido pra cá!

1. Forneça transparência em suas práticas de negócios. O consumidor moderno tem sabido cada vez mais sobre questões ambientais e condições de trabalho, com isso, é importante deixar claro suas premissas e diretrizes. “Hoje em dia, transparência é mais uma expectativa que uma opção”. A geração millennial chega disposta a apenas consumir marcas conscientes e, o mais importante, sempre buscar o diálogo e ir além. O resultado é experiência de marca e isso é muito importante nos dias de hoje.

2. Demonstre autênticos valores de marca. Não basta se forçar a viver o momento mais consciente, mas sim demonstrar através de produtos que transmitam a história e cultura da marca. As pessoas tem se questionado cada vez mais sobre o que e por que comprar, com isso a “economia de experiência” pode ser bem traduzida com produtos autênticos. A matéria cita a Burberry como exemplo, a marca segue zelando pelos seus valores, seja através de produtos ícones, mas como a herança de estilo. “Autenticidade é a nova sensibilidade do consumidor e se torna um critério poderoso na hora da compra”.

3. Crie processos de sustentabilidade. Procure trabalhar cada vez mais com materiais sustentáveis. E, o principal, informe isso aos seus clientes. A Reformation, loja californiana super decolada e que trabalha reformando roupas de brechós em itens modernos é exemplo de case e de como marcas devem se posicionar.

4. Invista em tecnologia de varejo. Busque sempre inovações tecnológicas que vão incrementar a experiência de compra do cliente. “Uma marca pode ser deixada de lado pelos clientes apenas pelo fato dela ainda não ter se adaptado a um novo modelo de negócio que inclui não só compra online, mas também atuação nas redes sociais”. Nos novos tempos, marcas precisaram mais que nunca ligados aos influenciadores digitais e estes colaborando em transmitir seus valores.

5. Ajude os clientes a atingirem objetivos pessoais. Crie experiências que vão além da venda e que vão atingir objetivos inesperados e surpreendentes. Como exemplo, eles citam a Nike, que regularmente organiza experiências para clientes locais, tudo para foco no bem estar e um convívio paralelo de marca+consumidor.

6. Precifique seus produtos de forma clara. Em tempos de consumo desenfreado e busca por produtos cada vez mais baratos, é preciso treinar o consumidor a diferenciar o que de fato vale ao preço de uma peça. Sugere-se mostrar ao cliente o preço de custo do produto pra então contextualizar de fato seu valor e explicar que nem sempre o produto mais barato pode ser o melhor, especialmente os de origem questionável. É preciso justificar destacar o valor de um produto em tempos que busca-se mais por preço e menos por qualidade.

7. Forneça serviço eficiente. O consumidor moderno tem tido cada vez mais opções de marcas, com isso, marcas que agilizem o processo da compra e facilitem esse sistema saírão na frente. “Isso é mais do que apenas conveniência, mas cada vez mais sobre facilitar. O tempo se tornou um luxo no mundo conectado de hoje”. Já existem sistemas capazes de estudar seu perfil de estilo e depois disso criar um algoritmo pra facilitar sua compra e selecionar apenas produtos do seu perfil.

8. Fornecer experiências gera vendas. Já pensou quantas páginas e páginas de e-commerce existem pra gente comprar? E as milhares de lojas físicas sedentes pelo seu espaço? Com isso, as marcas precisam criar experiência, elas precisam nos atrair, nos cativar, criar ocasiões específicas e que gerem venda. Eles investem, a gente exige, mas compra no final.

9. Apoie a economia local. Brechós, lojas vintage, comprar roupa usada estará mais que na moda. Junto a isso, e-commerces como o Enjoei são um grande exemplo de como podemos comprar não só pelo viés da sustentabilidade, mas no aspecto de dividir experiências. A marca cita o Rent the Runway, site gringo que você pode alugar peças vindas diretas da passarela. Essa ideia precisa deixar de ser uma experiência pontual, mas se tornar algo comum.

10. Reconheça a individualidade de cada cliente. Não basta criar experiência pro cliente, mas é preciso um registro. E quase que literalmente falando, do couro monogramado da Vuitton ou jeans personalizado da J.Crew, as lojas devem fornecer essa marca registrada e identidade a cada produto. A marca que reconhecer e fornecer singularidade a cada cliente sairá na frente

Incrível como esse universo de consumo tem mudado nos últimos 3 anos, junto a isso nossa visão tem ficado mais criteriosa e exigente! Da parte dele, é preciso se reinventar, já da nossa parte, vale ficar de olho e apoiar aqueles que tem saído na frente e incorporado esses mandamentos!

O compasso da moda

10/01/2017  •  Por Thereza  •  Tendência

No final do ano passado, na época que comecei a pesquisar para a Retrospectiva do Fashionismo e as tendências do ano, rolou uma conversa no #melhorgrupo de algo que já havia percebido e acho que vale trazer a reflexão pra cá: a moda está acelerada demais(?).

captura-de-tela-2017-01-02-as-17-27-36

A pauta era sobre as tendências saturadas de 2016, aquela que a gente não ~aguentava mais. Entre os destaques do post: tênis que pisca, brusinha sobre brusinha, bonés, flatforms e (o vitorioso, ou derrotado) patches.

E da conversa sobre o tema, trago um comentário pra cá – da leitora e miga, Clara Azevedo, “O que tá out é o fato da moda ser tão rápida por conta da internert. A tendência mal começa e a gente já tá saturada de tanto que vê pelo Instagram, Pinterest e afins. Isso é o lado ruim da globalização da moda. Às vezes nem conseguimos usar e já passou, gerando um consumo desenfreado e nada consciente.”

Reproduzi aqui integralmente, pois eu não poderia concordar mais.

Uma das minhas tags favoritas aqui no Fashionismo é falar de “trend alerts” e analisar tendências que estão chegando, virando moda ou, até mesmo, no seu auge. Gosto também de compartilhar gostos particulares, trabalhar meu feeling e tentar valorizar modas que não estão, necessariamente, na moda. Sinto que essa quase década de blog deixou meu radar apurado e busco uma curadoria vida real e de fato inspiradora e útil, mas uma coisa é fato:a moda tá acelerada mesmo!

captura-de-tela-2017-01-02-as-17-27-51

Se você pensar na modinha de janeiro de 2016, um ano atrás, provavelmente ela não existe mais. E aquela moda que a gente até se interessou, mas perdeu o timing da parada? Ainda tem aquela moda tão legal, mas tão legal, que parece lenda, já que a gente não vê à venda na loja mais próxima. Ainda tem aquela moda conceitual, que a gente vê no fantástico mundo do instagram, mas que é impossível colocar em prática.

De fato a engrenagem da moda está operando num modo acelerado, a profusão de informações que somos acometidas diariamente, seja em blogs, redes sociais ou em simples conversas entre amigas, mudou a forma que consumimos moda. Isso é bom, mas é ruim, entende? Eu também não.

As grandes marcas não tem só mais 2 coleções por ano, isso já mudou há algum tempo com a chegada de coleções resorts e pre-fall. No universo das fast fashions, as coleções são mensais e, muitas delas, semanais. Isso tudo gera mais informação de moda, mais desejo pelo consumo, muitos looks, uma certa falta de foco e até uma pequena frustração. Ah, já falei de o quanto nosso rico dinheiro voa a mesma medida das tais tendências?

moda-tendência-2017

Agora fica um questionamento, será que o mesmo universo digital que na última década democratizou e aproximou a moda de nós, reles mortais, é o mesmo que vai transformar tudo isso em algo extremamente fugaz e fora do compasso necessário?

E você, querida leitora, qual tem sido a sua relação com a moda vigente? Você gosta da moda rápida, das profusões de tendências ou acha que está tudo além da conta? Alguma ideia do que 2017 nos reservará? Eu confesso que não faço a mínima ideia, mas estou curiosa pra acompanhar e compartilhar com vocês! De repente eu posso depois fazer um post 2 com a visão de vocês na prática dessa nova onda.

Página 1 de 3123