O Coachella saturou ou as pessoas que saturaram o Coachella?

23/04/2018  •  Por Thereza  •  Pense

Ano passado fizemos uma série de posts com colunistas, aka leitoras, convidadas! Falamos sobre a The Ordinary, Rinomodelação e agora chegou a hora de falar sobre Coachella, mas não os looks, a saturação dele!

O famoso festival terminou ontem e no grupo do Fashionismo (entra aqui!) debatemos sobre sua saturação e perda de sentido, digamos, musical. O papo estava tão interessante e li um comentário de uma leitora que deveria ser aberto pra todo mundo ler, logo, #ColunistaConvidada! Ana Carolina é carioca, advogada, 26 anos, e tem ótimas observações sobre o Coachella de uma outra perspectiva. Vem, Ana!

O Coachella Music Festival 2018 acabou, mas as polêmicas que envolvem o festival mais concorrido do Instagram parecem longe de um fim. Recentemente, surgiu a notícia de que o fundador do festival é um bilionário americano famoso por contribuir com campanhas de cunho conservador, anti direitos LGBT e anti-aborto, bem ao contrário do que parecem pregar os jovens de corpos magros e bronzeados que frequentam o evento, bem como a vibe free spirit que o Festival sugere. Mas para além dos looks e poses, fica aqui a reflexão sobre o que somos levados a consumir e quais as reais motivações por trás das fotos perfeitas que vimos circular pelas redes sociais nas últimas 2 semanas.

Muito se fala sobre o quanto o Instagram e outras redes sociais contribuem para a expansão de uma sociedade de consumo pautada mais na aparência do que na essência de quem nela está inserido. Daí que, observando o fluxo visual gerado durante o Coachella, fica cada vez mais nítido o quanto somos levados a sonhar com um padrão impossível, que se afasta da realidade ao colocar, em um festival musical em pleno deserto, milhares de famosos e influencers com looks ultra montados, botas de salto, bolsas de grife e todas as tendências possíveis misturadas.

E toda essa fantasia não existe à toa, mas é patrocinada por marcas que tentam fazer com que nós, consumidores que continuamos aqui, com a nossa vida e afazeres cotidianos, sejamos estimulados a tentar alcançar essa vida perfeita que nos é exibida a cada vez que abrimos o Instagram.

E com isso, surge o questionamento: será que essas pessoas que estão ali, nesses cliques perfeitos que vemos nas redes sociais, de fato foram ao festival pelo intuito maior que deve ser o de todo mundo que vai a um evento desses – curtir a música, o local e o momento? Ou será que a maioria só está ali tentando vender um produto e gerar o maior número possível de likes e seguidores para as suas redes?

A impressão que dá, no fim, é que a maioria dos personagens deste espetáculo são na verdade escravos do que eles mesmos vendem, já que parecem não poder relaxar nem aproveitar o que vivem, preocupados sempre em como “lacrar” mais no Instagram. Por aqui, fica então o desejo de que estas reflexões sejam cada vez mais levantadas, para que aos poucos a gente saiba consumir e escolher aquilo que, de fato, nos parece real e autêntico, abandonando padrões que nos obrigam a alcançar o que não existe.

fashionismo

Resolvi trazer o texto da Ana pra cá, pois acredito que seja a visão geral e do dia a dia de pessoas que estão inseridas do outro lado dessa máquina do Instagram, e o Coachella acaba se tornando praticamente um estudo antropológico disso.

E pra vocês, saturou ou é possível tirar algo positivo disso?!

O que você quer ver nas lojas virtuais do futuro?!

09/04/2018  •  Por Thereza  •  Compras

Se até 4 ou 5 anos atrás, as marcas estavam começando a navegar nesse universo da compra online, hoje é exceção aquelas que não tem um espaço virtual, seja uma loja própria ou venda em multimarcas online e marketplaces, mas e o futuro?

Depois do início e reconhecimento de terreno, o que vocês esperam do futuro próximo de um e-commerce? Se no início a gente queria simplesmente que a nossa marca favorita tivesse loja online, que fosse confiável de comprar e tivesse uma navegabilidade no mínimo razoável, hoje a gente quer mais.

Essa ideia de post veio depois de um tweet que fiz semana passada falando do e-commerce que mais admiro (mas já comprei o total de zero coisas r$r$), o Moda Operandi, e como ele vem “revolucionando” o universo da compra online além do trivial, explico.

O M’O é um e-commerce (todas as fotos do post são de seu qg) que foi lançado em 2011 pela Lauren Santo Domingo. Pra quem não está ligando o nome à pessoa, Lauren foi a grande it dos anos ‘oo (ainda é até hoje!), trabalhou como assistente e depois editora da Vogue US, sempre teve um estilo inspirador e personificava muito bem a geração it girl da década passada. Depois de sair da Vogue, ela teve a ideia de criar um e-commerce, mas com um diferencial, que você visse as fotos de um desfile recém-apresentado e logo pudesse reservar o look. A ideia do Moda Operandi era basicamente essa, mas hoje em dia, eles foram muito além dessa ideia, tudo graças ao tino fashion de Lauren e noção de mercado.

Sabe quando você entra num blog ou Pinterest para ver uma tendência x ou y? Eu também gosto de entrar lá no M’O, e é aí que chego no diferencial que acredito (ou espero) que seja o futuro dos e-commerces, seja high ou fast fashion: a curadoria.

“Moda Operandi é o destino global da moda de luxo, proporcionando acesso personalizado, descoberta de marca e curadoria inigualável”, essa é a premissa do site, ok deixe o luxo de lado e pense na “curadoria inigualável”, é isso que gostaria de ver em muitas lojas virtuais.

Tem uma coisa que às vezes me irrita em alguns e-commerces, veja bem, pra muita gente isso pode ser maravilhoso, mas pra mim geralmente não é: 981247 páginas. Quando, por exemplo, estou pesquisano pro post da #blusinha2dígitos, e vejo um site com 4894 páginas de blusinhas, eu até desisto. Não por preguiça, mas quem, em tempos de informação multiplicada, mastigada e editada, vai ficar vendo milhares de blusinhas? Às vezes pode ser ótimo, mas na prática é confusão e até mesmo diminui nossa percepção de moda.

É aí que entra a tal da curadoria. No futuro, quero entrar num site que tenha obviamente todas as necessidades básicas obrigatórias (boa navegabilidade, descrição fiel do produto, opções de frete), mas que me ajude com uma percepção da tendência da vez, que eu sinta que tenha alguém por trás editando as melhores peças, que tenha um setor só com marcas novos talentos e até então desconhecidas (o Moda Operandi é craque nisso).

Não quero site só com amontoado de peças, mas sim que tenha uma seleção com uma linha editorial, um time que facilite as coisas pra um cliente interessado e pronto pra gastar nosso rico dinheirinho (e isso vale da #blusinha2dígitos ao #Investindonabolsa).

Sei que muitos sites não podem ter essa curadoria na prática e acabam partindo pro algoritmo e a nova era da big data. Marcas como Renner ou Riachuelo, que colocam online todo seu vasto portfólio ou até mesmo uma multimarca gigante, como a Farfetch, que tem milhares de marcas e produtos, a esses www o que peço é: que tenham um filtro poderoso, que possamos ordenar por tamanho, cor, preço e até estilo. Que também mesclem tais produtos com posts e guias de tendência integrados às paginas de venda (Farfetch faz isso muito bem e a própria Renner tem um blog muito legal).

De resto, que surjam mais e-commerces com essa pegada com foco na curadoria, que informações de moda estejam misturadas às peças, e que no final a gente se informe da próxima tendência e que logo ela chegue no conforto do nosso lar. Aqui no Brasil, sinto que Gallerist e StyleMarket buscam esse diferencial, mas espero que no futuro seja mais regra e menos exceção.

Outro dia participei de um bate-papo e foi conversado que uma das profissões do futuro (já presente para muitas marcas) será o “visual merchandising de e-commerces”. Preocupação em ter uma home de um site alinhada com as tendências, sempre mudando e com fotos e chamadas atrativas é o diferencial, vai fazer nos conectar com o produto, gerando assim a compra, claro! Se ano passado questionamos muito como sobreviveriam as lojas físicas, agora o papo é saber como os e-commerces vão se destacar no meio da multidão de novos e-shops.

E vocês, além das necessidades básicas de qualquer loja virtual, o que faz diferença na hora de confirmar a compra?!

Menstruação em tempos de meio ambiente e feminismo

14/03/2018  •  Por Thereza  •  Pense, Saúde

Vivemos uma revolução digital, técnologica, política e social. Estamos no meio de um turbilhão e presenciando um período decisivo para um amanhã melhor. Filosofias à parte, essa mudança chegou, quem diria, ao tradicional absorvente (eu ainda chamo de modess, mais alguém?! #idades).

E não estou falando apenas de inovações mais recentes, como os providenciais copinhos ou calcinhas absorvente, mas uma mudança maior e mais significativa.

Você sabia que usaremos 11 mil absorventes íntimos em nossa vida? E que por ano são usados mais de 100 bilhões de absorventes no mundo? Pois bem, de que ele basicamente é feito? De plásticos e aditivos químicos que prejudicam a natureza. Agora apesar desse resíduo não ser nem 1% do nosso lixo produzido no ano, é preciso ficar alerta para essas questões que envolvem os absorventes tradicionais (dizem até que eles são responsáveis por muitas doenças íntimas).

Absorvente orgânico

Com toda essa revolução e atenção ao meio ambiente, é mais do que natural uma nova percepção sobre uma questão muito comum. E, apesar dos primeiros terem sido mais caros e menos acessíveis, os absorventes orgânicos feitos apenas de algodão podem resolver não apenas questões de sustentabilidade, mas também nossa saúde íntima.

Agora sabe graças a que uma nova onda de marcas vem surgindo com foco num produto tão popular e necessário? Veja só, o feminismo. Você sabia que só recentemente que foi veiculado um anúncio de absorvente usando “líquido vermelho” (e não aquele azul de praxe)?! A menstruação é tabu, mas não deveria. Agora com essa era mais empoderada, tópicos como saúde íntima e a mais pura e bela arte de menstruar tem ganhado mais espaço, logo, o debate foi além.

Li uma matéria muito legal no BoF falando da quantidade de startups surgindo que buscam não apenas conscientizar, mas também modernizar esse universo que não tem crise, afinal, a gente sempre vai comprar algo pro nosso período. Separei alguns destaques:

Absorvente orgânico

LOLA

A ideia inicial da marca americana era criar um clube de assinatura de absorventes (outro novidade cada vez mais popular), mas logo descobriram que o FDA (órgão americano que controla remédios e similares) não exige que os fabricantes divulguem os ingredientes de um absorvente, com isso, eles viram um oportunidade de ser uma marca focando na transparência em divulgar seus ingredientes. O foco da empresa são produtos simples, sem toxinas, fragrâncias ou fibras sintéticas. Simples assim! Uma caixa com 12 absorventes custa em média U$9 (à partir do momento que você assinar o clube, vai ficando mais barato).

A empresa tem uma estética super cool e minimal e vai além, usa seus canais para criar uma conversa sobre menstruação e saúde reprodutiva, diferente da forma engessada que marcas tradicionais usam suas redes sociais. Pra ver como a ideia funciona bem, em pouco tempo de vida já tem quase 100k seguidores, enquanto a tradicional Tampax não chegou nem aos 20k.

CALLALY

A marca inglesa tem a mesma proposta da Lola, foco total nos produtos orgânicos. Eles usam sua marca como veículo para propagar o assunto e simplesmente humanizar um dos gestos mais humanos do mundo, a menstruação. Em suas redes sociais eles falam do mito do período perfeito (e da modelo perfeita usando absorvente) e ainda usam as #bloodnormal e #freeperiods para estender o debate e, claro, vender mais absorventes.

Outras marcas que tem o propósito similar: Totm (box de assinatura); Dame (aplicador reutilizável de absorvente interno, eles usam o slogan, “menstrue vermelho, pense verde”); Thinx (calcinha absorvente); Pantys (calcinha absorvente feita no Br); Flex (disposito menstrual flexível).

Absorvente orgânico

Estudos mostram que as consumidoras de absorventes ainda são muito tradicionais e tendem a comprar o mesmo produto e marca por anos e anos, mas sabe o que vem trazendo mais sucesso à essas novas marcas? Blogs e sites sobre o universo feminino abordando mais o tema, conscientizando suas leitoras e mostrando opções além do tradicional.

Por fim, a nova geração millennial é mais antenada e preocupada com o meio ambiente e sempre em busca de novas marcas, mostrando assim que um novo público está se formando e mexendo no até então intocável absorvente íntimo. Preparadas?

 

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