Ronda da Semana #29

07/04/2017  •  Por Thereza  •  Pense, RDS

Boa tarde, sexta-feira! Hoje nossa Ronda da Semana vai ser um pouco diferente, vai ser temática. Vocês sabem que o Fashionismo não é só um blog de moda, mas é um blog de hoje e um blog de uma mulher e feito para mulheres, com isso, nada mais justo – e menos alienado – que compartilhar as notícias do nosso universo, afinal, chega de assédio, de machismo e a melhor parte: juntas somos mais fortes!

TITI, RAINHA Na semana passada, viralizou um vÍdeo no qual o Caio Castro, pasmem, explica à Antonia Fontenelle o quão machista era o pensamento dela de que “mulher deveria se dar ao respeito e não ficar bêbada por aí”. O vídeo é surreal, mas, ainda bem que temos Titi Muller pra explicar que não é assim que a banda toca.

Na semana anterior, a apresentadora, ao vivo durante o Lollapoallooza, já havia denunciado um dj por suas letras machistas e agora ela foi além e tentou mostrar à Antonia, o quão equivocada ela estava. O post da Titi no blog da Folha, #Agoraéquesãoelas é muito legal e expõe o quanto muita gente precisa aprender mais sobre as tais palavra de ordem: empatia, sororidade e feminismo, simples assim.

Como destaque do post “nós duas temos um amplificador nas nossas vozes e isso exige uma responsabilidade enorme. Toda a vez que eu pego o microfone ou você liga a câmera, muitas pessoas nos ouvem. Te peço então, Antonia, que não atrapalhe uma luta que também é sua. Não se boicote assim, que assim você boicota a todas nós.”, vale ler todo ele aqui.

FREE, SU! E olha como os blogs tem andado poderosíssimos, reverberando relatos necessários.  Na sexta passada, veio a público o relato de Su Tonani, figurinista de A Lei do Amor, que compartilhou o assédio que sofreu do ator José Mayer. Com certeza todo o Brasil ficou sabendo do caso que, de início poderia não dar em nada, afinal, o que é “um medalhão da Globo comparado a uma simples funcionária”, mas o que aconteceu?

Fizeram barulho, muito barulho, gritaram, se uniram e se apoiaram.  Funcionárias da Globo, sejam atrizes, produtoras, se uniram e criaram a campanha “Chega de Assédio, mexeu com uma, mexeu com todas” e o resultado dessa união? Fez-se a força, o ator foi afastado e a história só comprovou que juntas somos mais fortes, machistas não passarão e que os direitos iguais se fazem valer, mesmo no grito e força da palavra.

MEXEU COM UM, MEXEU COM TODOS? OI??? Pois é, do movimento legal, sempre surge um ou (muitos) outros querendo deturpar. Li gente falando que homens também sofrem assédio, cantadas e que, ora bolas, eles também merecem direitos iguais.

Num mar de gente cada vez mais engajada, ler esse tipo de falsa simetria entristece um pouco, afinal, é uma comparação mais que absurda, mas sigamos em frente e vale reafirmar que é uma luta das mulheres. Quer nos apoiar? Beleza, mas quem sofre com isso é a gente.

RIP BBB Se foi uma semana importante para o movimento e luta pelo direito das mulheres, o mesmo não podemos dizer da casa mais vigiada do Brasil. Não sei se vocês acompanham o BBB, mas estamos vendo ao vivo, em mais de 56 câmeras, 24 horas no pay per view… um relacionamento abusivo. Assisto o programa desde a 1a edição , gosto do entretenimento, mas também do viés antropológico e posso afirmar que nunca vi uma dupla (não dá pra dizer casal), como Marcos e Emilly.

Não quero nem entrar no mérito dela como pessoa, do caráter e incoerência, pois pouco importa,  mas como o relacionamento é problemático. E se na terça-feira, enquanto ele estava no paredão, o Brasil poderia tirá-lo da casa… ele ficou com louvor. O que me preocupada é que os fãs que votam são em sua maioria garotas adolescentes que romantizam esse relacionamento abusivo e pertubador. No mais, espero que Vivian, “a menos pior” vença o programa, operando assim um milagre na pior edição de todos os tempos!

Beijos!

 

A nova ordem do varejo de moda

04/04/2017  •  Por Thereza  •  Pense

Ano retrasado fiz esse post falando que “alguma coisa está fora da ordem” e, música à parte, estava… na realidade ainda está! Era o início da crise no país, mudança econômica global, novas formas de consumir, outros meios de comprar e no final: a internet! O texto falava do lado editorial, com o fechamento de revistas, do nosso consumo mais consciente, mas também de como as marcas estavam pisando no freio no quesito offline, tudo pra entender a tal demanda digital. Quase dois anos depois, talvez não tenhamos respostas oficiais, mas o panomara segue em observação.

Recentemente li duas ótimas – e assustadoras – matérias, uma no Business of Fashion chamada, “Se atualize ou morra” e no Business Insider chamada “O Apocalipse do varejo”, no qual elas citam a revolução do varejo, marcas falindo e como as vendas digitais vem engolindo o offline. Os títulos são assustadores, bem como a situação.

Só no último ano temos acompanhado uma grande transformação no varejo, pra contextualizar, cito algumas marcas que estão se reposicionando em busca de uma nova chance: Macy’s vai fechar 68 lojas, mas ok, ainda ficam 700; JCPenney fechará 138, mas ainda restarão 900, e ainda tem a outrora mega popular Sears, que tá fazendo as contas pra saber se deixa alguma aberta pra contar história.  Sabe o que acontece quando lojas âncoras balançam? Todo o varejo treme. E o ano mal começou, e o BoF prevê que pelo menos outras 8 grandes lojas de departamento possam entrar com pedido de falência só nos EUA.

E das gigantas, as que fazem a moda girar, mais uma leva de marcas deram sinais de crise: J.Crew vem sofrendo com prejuízos crescentes (inclusive ontem foi anuciada a saída de Jenna Lyons); Kate Spade busca comprador pra injeção de capital; BeBe está fechando todas suas 170 lojas apenas pra focar no online; a luxuosa Neiman Marcus tem uma dívida bilionária. No quesito falência oficializada, a BCBG Max Azria, que até ano passado desfilava na NYFW, entrou com pedido de falência nesse mês. Além dela, marcas jovens como American Apparel e The Limited, também seguiram nessa onda, com intuito de reestruturação. Isso sem falar do caso Naty Gal, do apogeu à queda, é dos casos mais notórios dos últimos tempos.

Sabe aquelas pequenas lojas de shopping, que não são uma grande fast fashion ou uma loja de departamento, mas elas existem e funcionam desde que o mundo é mundo e a moda era moda? Tão fechando! A moda local, a loja de bairro vem perdendo espaço pra ele, pro online!

E a matéria vai além e cita a falência do sistema shopping. Lá fora a pegada é um pouco diferente, mas ainda alarmante. Ver uma gigante fechar, impacta a economia e até o aspecto cultural, afinal, ir ao shopping é mais que comprar, é experiência, é entretenimento. O que vai acontecer? Não sei.

E aqui no Brasil, você imagina esse cenário? Pois bem, ele pode acontecer, esse é um movimento global que vai além de uma simples adaptação ao digital, mas também a força de um novo movimento de consumo consciente  e desacelerado. Mas ainda assim, a internet é a responsável, você se imagina fazendo compras apenas no online?

Ano passado postei sobre a dificuldade de comprar em loja e sermos bem atendidas, lembram? Esse é um problema real e que sem dúvida pode ser o diferencial de marcas que querem se manter com suas lojas físicas. Treinamento de funcionários, lojas que funcionem como espaço além da compra, criar uma experiência… esse é o caminho! Você pode até comprar mais no online, mas o ao vivo será preciso pra posicionar uma marca, afirmar uma identidade e criar uma memória. Lá fora esse novo sistema é realidade e por aqui só espero que chegue logo.

Já citei aqui o case da Amaro, que nasceu no digital, mas tem seus guide shops justamente pra aproximar o consumidor. Recentemente a Beleza na Web foi outra que fez o caminho inverso (tem matéria interessante no Meio & Mensagem sobre) e, se marcas originalmente online, estão buscando um lugar no shopping, burrice é das marcas que possuem lojas físicas prioritariamente não se posicionarem.

O que fica é que os tempos são outros, gostamos de comprar, de gastar com umas brusinhas, mas cada vez mais vamos querer comprar com qualidade e experiência. As marcas vão ter que nos cativar!

E vocês, tem comprado mais online ou offline? O que esperam de uma experiência no shopping e o que gostariam de viver no futuro digital?!

 

 

Como ter um blog

27/03/2017  •  Por Thereza  •  Pense

Entra na internet, cria um nome, registra um domínio, se cadastra no wordpress e compartilha o que você ama.

Resolvi falar sobre blogs hoje, porque o Fashionismo completou 9 anos ontem e me deu vontade de falar! Ao longo dessa quase década e mais de 7.100 posts publicados, uma certeza: eu faço o que amo. E, ao longo dos últimos anos, tenho buscado cada vez mais defender esse veículo blog. Amo quando tem post novo de amigas blogueiras, fico triste quando blogs param de ser atualizados, torço por uma nova geração se formando e busco incentivar quem deseja ter – ou voltar a ter – seu domínio na Internet.

Ao longo dos últimos 5 anos, vimos a invasão das redes sociais, a hegemonia do Instagram e sua vida perfeita e editada, a presença generalizada do Facebook e “no que você está pensando”. Tem também o Twitter e suas adoráveis aleatoriedades e até mesmo o Pinterest e seu mundo cor de rosa (pantone 13-520 tcx). Junto a isso, vimos o Youtube se transformar de lugar para ver vídeos aleatórios, para ser palco de um verdadeiro reality show, show!

O que difere o blog disso tudo? É que, enquanto em todos esses acima, você é /algumacoisa, no blog você.é.com.br. Literalmente falando, é o seu domínio, é seu e pronto. Se um dia o Mark Zuckerberg quiser virar um monge tibetano e desligar os servidores do Vale do Sílicio, seudomínio.com.br seguirá intacto. Ok, isso não é suficiente, eu sei, mas se você seguir criando bom conteúdo, de forma genuína, autêntica e interessante, você será lida/vista/assistida.

Digo isso, porque enxergo o blog como a origem de tudo, a base, a sede do seu conteúdo. É lá (ok, aqui) que falaremos das coisas, compartilharemos nossos textos, ideias, novidades, looks. Uns chamam de revista digital, outros de portfolio online, ainda tem aqueles que falam site ou portal, mas o blog é um veículo de informação na internet, um local pra você falar sobre o que ama, domina, o que você quer compartilhar com o mundo. As redes sociais são uma forte ferramenta, mas complementam o tal conteúdo do blog, umas de forma até mais relevante, mas o legal do blog é que ele pode ir além dos 140 caracteres do Twitter ou 24 horas do Snap/Stories, um blog pode ir bem além.

Vez ou outra me perguntam o que fazer pra ter um blog (nem vou mencionar a palavra sucesso ou não, porque isso vai depender de outros fatores e também do ponto de vista) e eu amo falar sobre isso, defender esse universo e querer cada vez mais e mais gente blogando. Enquanto Instas e Faces andam tentando definir o que vemos, é tão bom ter a autonomia de poder entrar no www que bem entender. Acredite, esse movimento de ter o conteúdo livre e independente – como era 5 ou 7 anos atrás, está voltando. Ainda bem, afinal, pagamos a internet pra ver o que a gente quiser e não o que o Mark definir (Mark, please, não diminui meu alcance orgânico, hein).

E voltando à pergunta sobre como fazer um blog, talvez a resposta não tenha fórmula, mas seja mais simples que se imagine: fale sobre o que você ama. Ama moda? Fale sobre ela. Adora sapatos e bolsas? Blogs de nicho tem um alto alcance. Gastronomia, decoração, coisas saudáveis, imagens bonitas, poesia, ter blog é gratuito e o retorno não tem preço, acredite.

Quando me perguntam como ter ~criatividade pra manter um blog com muitos posts e sempre atualizado. A resposta é igualmente simples, se afogue em inspiração. Sério, se rodeie de ideias, seja uma revista, um programa, uma ida ao shopping, uma amiga descolada. As minhas ideias de posts vem do dia a dia, do que vejo, intuição, de uma sensibilidade que fui apurando com o tempo. Afinal, falo do que eu amo, portanto vem tudo natural e totalmente incorporado ao meu dia a dia. E justamente por isso que gosto de ler blog de gente na 1a pessoa, se eu gosto de alguém, eu quero saber o que ela curte, o que ela pensa e até o que ela compra #influenciadadigitalmente.

E o mais legal de ter seu blog, não é só compartilhar ideias, mas sim TROCAR ideias. Os blogs começaram fazendo sucesso 10 anos atrás justamente por isso, a gente lia um post e sabia que tinha uma pessoa tão real e amiga quanto você disposta a trocar ideias e isso é incrível.

Se o mundo como um todo está em plena transformação, acredito que esse movimento pela volta dos bons tempos da vida real retorna com tudo. Assim sendo, espero ver uma nova geração de blogs, blogueiras e gente na internet disposta a falar de coisas, pessoas ou, simplesmente, trocar ideias! Sem nenhuma pretensão, mas com altas expectativas.

Se você pensa em ter – ou voltar a ter – um blog, o que eu posso falar é: faça, se jogue, vai dar certo. E você, que não quer ter, mas acompanha blogs (“antigamente eu lia tantos, hoje são poucos”, eu recebo muito esse tipo de comentário, entendo e fico triste, pois também sinto essa falta), leia mais, se abra para outros, veja o blogroll, isso vai ser muito legal e sem dúvida reforçará esse ideal.

Nesses 9 anos, já fiz muitos posts falando do universo dos blogs e suas transformações e afirmações, mas hoje fico muito feliz em ver que nessa década, o tal do boom passou e hoje vemos bons clássicos, gratas surpresas e uma nova geração disposta a seguir compartilhando ideias, simples assim!

E você, enquanto leitora, o que gosta de ver em blogs? E enquanto blogueira, o que tem pensado? Se curtirem o tema, podemos ter uma tag fixa sobre pra gente trocar ideias e saber de todos os lados!

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