Miroslava Duma: Moda, Tecnologia e Ciência

20/06/2017  •  Por Thereza  •  Cultura

O ano era 2008, muita gente estava começando a ler blogs e havia uma it girl, uma principal e soberana it girl, o nome dela era Miroslava Duma. A russa veio antes mesmo de Olivia Palermo e conquistava geral com seus looks cheios de personalidade, estilo e doses de fashionismo.

Bom, se você ainda é ligada nas redes sociais da vida pode cruzar com uma ou outra foto de Miroslava, mas a moça anda mais discreta, só que muito atuante. Casou, teve filho, mas ela foi além, ela se transformou: Miroslava agora investe seu rico dinheirinho (dinheiríssimo, muita grana, bilionária russa mores) em tecnologia de moda.

Miroslava se desgarrou dos looks do dia e agora usa sua experiência com ciência e tecnologia para moda pra tentar mudar o mundo a médio prazo. Em entrevista à Bazaar US do último mês ela revela o que tem feito e achei fantástico, logo, compartilho com vocês.

COMO A VISÃO DA MODA MUDOU

Na entrevista, Miroslava revela como rolou essa mudança de percepção sobre o mundo da moda, “Nasci na Sibéria, onde tem as maiores reservas de óleo da Rússia, com isso cresci sabendo que não havia nada pior para o planeta que isso. Com a minha relação com a moda, descobri que a poluição ia além do óbvio e que a indústria têxtil também era responsável por grande parte da degradação do ambiente e eu fiquei chocada”.

Miroslava ainda acrescentou que se sentiu envergonhada por “compactuar” com isso e diz que é constrangedor as pessoas se envolverem em algo tão poderoso e que rende muito dinheiro, sem ao menos se preocupar com o ambiente. Foi aí que ela começou a se envolver com mais pessoas interessadas no lado tecnológico da moda do que fashionistas que “só querem dar pinta”.

UM NOVO COMEÇO

Miro é fundadora do site de moda Buro247, mas recentemente ela foi além e abriu a Fashion Tech Labs Ventures Inc, um fundo de investimento e acelerador de tecnologia que visa conectar e apoiar boas ideias e alternativas de moda que não prejudiquem o meio ambiente. A empresa foi lançada no último mês e já tem como meta inicial o capital de U$50mi para investimento nessas ideias.

Miroslava revelou que hoje em dia ela frequenta mais São Francisco (sede da empresa e conhecida como celeiro tecnológico) do que semanas de moda, pois lá ela consegue se conectar com cientistas, engenheiros e empreendedores em geral que buscam essa transformação no universo da moda.

OS PROJETOS DA VEZ

A empresária revela alguns projetos que a fascinaram e ela já vem apoiando como, por exemplo, um laboratório que desenvolve couro e pele para roupa através de célula-tronco. Uma empresa que recicla a casca da laranja, transformando-a em cetim (Salvatore Ferragamo já lançou uma coleção usando esse material). E também uma empresa que está desenvolvendo diamantes sintéticos usando energia solar (Leonardo DiCaprio também apóia essa empreitada).

ELA VÊ UM NOVO COMEÇO DE ERA

Como Miroslava vê a roupa do futuro? “Elas serão fabricadas com os tipos de materiais que colhem energia do sol e do vento, e também podem coletar dados do seu corpo – os passos e movimentos que você faz. E ainda ajustar a temperatura do seu corpo quando começar a sentir frio ou quente”. E quando Miroslava é questionada quais estilistas já estão a frente nesse quesito? Ela é categórica “Nenhum!”.

Ela conta que essas novas tecnologias ainda seguem em laboratório para estudos e testes, mas que busca levar essas inovações para faculdades de moda, para que os novos estilistas se adequem e já cheguem ao mercado de trabalho com essa nova visão.

Fiquei bastante impressionada com essa nova Miroslava e feliz em ver essa revolução além do look do dia! 

 

A moda em tempos de overdose de informação de moda!

19/06/2017  •  Por Thereza  •  Pense

Pergunta sincera, como você filtra todas as informações de moda que recebe?

Sério, nos dias de hoje é chuva de informações, como fazer pra não se perder e filtrar o que é de fato valioso pra gente, pra nossa vida real? Você já se perguntou isso?

Por exemplo, com os blogs a gente se informa, apura as tendências, reúne ideias, estilos e muita inspiração. Já no Instagram, a moda está mastigada de maneira pontual e muito visual.  Daí tem as revistas de moda e uma versão conceitual do que provavelmente veremos em breve.  Tem aquela sua amiga com looks maras que te inspiram. Tem as novelas com aquelas peças que viram desejo de tanto a gente vê. Também tem aquela moda aspiracional, aquele sonho eventualmente distante. Ah, é claro, tem as vitrines, as fast fashions, lojas de departamento, a moda na prática, ready-to-comprar. Por fim, ou na realidade onde tudo começa, cada vez mais temos acesso aos milhares de desfiles de moda que a gente pode buscar referências e adaptar pra vida real. Ufa, é muita informação.

Volta pra 2005, não tinha blog de moda, a internet era um tanto limitada, como você recebia informação de moda? Era a celebridade usando, a revista pautando e a gente saindo pra comprar tempos depois. Olha como em 10-12 anos tudo mudou… e que maravilha! O universo digital transformou, revolucionou, democratizou a forma que consumimos e entendemos moda e isso é fantástico, que época boa de se viver.

Quer um exercício rápido? Dez anos atrás, você entrava num fast fashion da vida e via um look e que lindo ponto. Hoje, experimenta entrar na Zara e não identificar meia dúzia de cópias referências. “Essa saia eu vi no desfile da Saint Laurent, essa botinha é super Isabel Marant… nossa, a Zara copia tudo mesmo”, que nada, isso sempre existiu, nós que estamos apenas muito afiados no tal quesito informação de moda.

Mas voltando à pauta inicial, é uma questão minha e talvez seja sua. Aqui no Fashionismo vocês sabem que falar de tendências da vez, looks de celebridades “por aí” é o que move nosso conteúdo e geralmente são os mais lidos, mas hoje em dia na sua prática, como você assimila pra sua vida esse tipo de informação? Me questiono, pois é importante saber como os posts e as tais infos se propagam e também pra saber como a gente tá levando tudo isso.

Por exemplo, eu tenho um painel no Pinterest só com looks que me inspiram e que refletem meu estilo pessoal, peças que eu gostaria de usar, combinações que eu gostaria de fazer. Muitas das fotos eu salvo justamente do Fashionismo e tento guardar no meu potinho virtual de ideias. Também tenho uma pasta no meu computador e celular com ideias inspiradoras e que podem ajudar do look a maquiagem.

Outra sugestão é um mural físico de ideias, se antigamente recortávamos revistas, hoje podemos imprimir de blogs e sites aquele look maneiro que pode te inspirar de alguma forma. Aqui no meu escritório eu tenho um mega painel recheado de imagens inspiradores, conceituais, enfim, tudo de moda.

Aliás, inspirar é a palavra-chave, acredito que a função de um blog de moda seja inspirar, não é necessariamente ser didático ou dizer o que você deve fazer, mas te propor através de imagem e texto a moda vigente, enfim, deixar tudo mastigado através de um radar apurado através daquela pessoa que você se identifica, mas e depois disso? Me surgiu esse questionamento pessoal e logo compartilho com vocês…

O que vocês tem feito pra filtrar, selecionar e levar pra sua vida real esse universo enorme de informação de moda? O que transforma na sua relação com a moda e como você incorpora na prática?! Me conte!

Os 10 Mandamentos do Consumo

16/05/2017  •  Por Thereza  •  Moda

Vocês sabem que assuntos sobre business da moda é dos meus favoritos aqui no Fashionismo e acho que entender esse universo muitas vezes é mais importante do que saber da “trend alert” ou “looks por aí”. A gente consegue perfeitamente bem conviver com o universo do consumo, sem fechar os olhos pras mudanças de cenário, certo?

E junto a isso, uma nova cultura do consumo se cria. Marcas lançam cartilhas, outras se posicionam (umas de forma espontânea, outras nem tanto) e ainda tem aquelas que simplesmente deixam de existir por não conseguirem se encaixar nessa nova ordem mundial. O que vale nesse momento? Conhecimento. Entender, saber, assimilar, essa velocidade de informação tem um bem incrível que é  o de nos conscientizar de forma natural, quando vemos, , assimilamos.

Digo tudo isso, pois o Business of Fashion, site que adoro, criou junto com o Euromonitor (publicação que analisa o mercado de consumo global) uma cartilha do consumo, 10 mandamentos para empresas e consumidores incorporarem à vida, seja mudando hábitos ou cobrando das marcas que gostamos. Achei tão legal, que trouxe resumido pra cá!

1. Forneça transparência em suas práticas de negócios. O consumidor moderno tem sabido cada vez mais sobre questões ambientais e condições de trabalho, com isso, é importante deixar claro suas premissas e diretrizes. “Hoje em dia, transparência é mais uma expectativa que uma opção”. A geração millennial chega disposta a apenas consumir marcas conscientes e, o mais importante, sempre buscar o diálogo e ir além. O resultado é experiência de marca e isso é muito importante nos dias de hoje.

2. Demonstre autênticos valores de marca. Não basta se forçar a viver o momento mais consciente, mas sim demonstrar através de produtos que transmitam a história e cultura da marca. As pessoas tem se questionado cada vez mais sobre o que e por que comprar, com isso a “economia de experiência” pode ser bem traduzida com produtos autênticos. A matéria cita a Burberry como exemplo, a marca segue zelando pelos seus valores, seja através de produtos ícones, mas como a herança de estilo. “Autenticidade é a nova sensibilidade do consumidor e se torna um critério poderoso na hora da compra”.

3. Crie processos de sustentabilidade. Procure trabalhar cada vez mais com materiais sustentáveis. E, o principal, informe isso aos seus clientes. A Reformation, loja californiana super decolada e que trabalha reformando roupas de brechós em itens modernos é exemplo de case e de como marcas devem se posicionar.

4. Invista em tecnologia de varejo. Busque sempre inovações tecnológicas que vão incrementar a experiência de compra do cliente. “Uma marca pode ser deixada de lado pelos clientes apenas pelo fato dela ainda não ter se adaptado a um novo modelo de negócio que inclui não só compra online, mas também atuação nas redes sociais”. Nos novos tempos, marcas precisaram mais que nunca ligados aos influenciadores digitais e estes colaborando em transmitir seus valores.

5. Ajude os clientes a atingirem objetivos pessoais. Crie experiências que vão além da venda e que vão atingir objetivos inesperados e surpreendentes. Como exemplo, eles citam a Nike, que regularmente organiza experiências para clientes locais, tudo para foco no bem estar e um convívio paralelo de marca+consumidor.

6. Precifique seus produtos de forma clara. Em tempos de consumo desenfreado e busca por produtos cada vez mais baratos, é preciso treinar o consumidor a diferenciar o que de fato vale ao preço de uma peça. Sugere-se mostrar ao cliente o preço de custo do produto pra então contextualizar de fato seu valor e explicar que nem sempre o produto mais barato pode ser o melhor, especialmente os de origem questionável. É preciso justificar destacar o valor de um produto em tempos que busca-se mais por preço e menos por qualidade.

7. Forneça serviço eficiente. O consumidor moderno tem tido cada vez mais opções de marcas, com isso, marcas que agilizem o processo da compra e facilitem esse sistema saírão na frente. “Isso é mais do que apenas conveniência, mas cada vez mais sobre facilitar. O tempo se tornou um luxo no mundo conectado de hoje”. Já existem sistemas capazes de estudar seu perfil de estilo e depois disso criar um algoritmo pra facilitar sua compra e selecionar apenas produtos do seu perfil.

8. Fornecer experiências gera vendas. Já pensou quantas páginas e páginas de e-commerce existem pra gente comprar? E as milhares de lojas físicas sedentes pelo seu espaço? Com isso, as marcas precisam criar experiência, elas precisam nos atrair, nos cativar, criar ocasiões específicas e que gerem venda. Eles investem, a gente exige, mas compra no final.

9. Apoie a economia local. Brechós, lojas vintage, comprar roupa usada estará mais que na moda. Junto a isso, e-commerces como o Enjoei são um grande exemplo de como podemos comprar não só pelo viés da sustentabilidade, mas no aspecto de dividir experiências. A marca cita o Rent the Runway, site gringo que você pode alugar peças vindas diretas da passarela. Essa ideia precisa deixar de ser uma experiência pontual, mas se tornar algo comum.

10. Reconheça a individualidade de cada cliente. Não basta criar experiência pro cliente, mas é preciso um registro. E quase que literalmente falando, do couro monogramado da Vuitton ou jeans personalizado da J.Crew, as lojas devem fornecer essa marca registrada e identidade a cada produto. A marca que reconhecer e fornecer singularidade a cada cliente sairá na frente

Incrível como esse universo de consumo tem mudado nos últimos 3 anos, junto a isso nossa visão tem ficado mais criteriosa e exigente! Da parte dele, é preciso se reinventar, já da nossa parte, vale ficar de olho e apoiar aqueles que tem saído na frente e incorporado esses mandamentos!