New York Política Fashion Week

21/02/2017  •  Por Thereza  •  Fashion Week, Moda, Pense

Alguém tem alguma dúvida que a moda é uma ferramenta poderosíssima para falar de assuntos que abrangem um universo muito além do look do dia? Pois bem, nessa última New York Fashion Week, dezenas de estilistas mostraram que não estão satisfeitos com algumas questões que tangem nossa sociedade.

E é impossível não falar de Trump! Seu posicionamento contra a imigração foi um dos principais assuntos dos protestos vistos nas passarelas, afinal, muitos dos estilistas são imigrantes, trabalham com imigrantes e tem amigos imigrantes, ou seja, que a roupa seja a voz contra essa intolerância.

Junto a isso, vimos cada vez mais espaço ao movimento feminista. Se em outubro passado, Dior falou “We Should All Be Feminist” (título do livro da escritora nigeriana, Chimamanda Ngozi Adichie), nessa edição várias marcas endossaram o movimento, seja através de t-shirts, looks inteiros, detalhes, músicas, enfim, desde quando a moda é fútil? Não só movimenta uma indústria riquíssima, como nos abre espaço pra debater. Vamos aos destaques!

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TOMMY HILFIGER O estilista inaugurou a temporada, lá em Los Angeles, com um desfile repleeeto de insta-top-models e uma mensagem, mesmo que discreta, importante. O “Tied Together” é uma campanha criada pelo site Business of Fashion com o intuito de movimentar a indústria da moda em solidariedade a imigrantes e minorias.

A ideia é que seja “um movimento silencioso e não necessariamente uma declaração política, mas sim de positividade em apoio à humanidade, incentivando  entusiastas da moda e  pessoas de fora da indústria a participar”. Topa?

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PRABAL GURUNG Sem dúvida o manifesto de Prabal Gurung foi o de maior impacto da temporada. O estilista, nascido em Singapura, levou à passarela dezenas de modelos e t-shirts com mensagens da vez e palavras de ordem.

Ele contou que participou da Marcha das Mulheres – manifestação que rolou no último mês em várias cidades dos EUA e mundo – e os cartezes que viu o inspiraram pra criar essas camisetas. Pra completar o movimento, o estilista foi um dos poucos a se preocupar com inclusão de outro tema cada vez mais falado, trazendo modelos plus size à passarela.

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JONATHAN SIMKHAI O estilista sensação do red carpet, que veste nomes como Kylie Jenner e Emily Ratajkowski, não só encerrou o desfile com sua camiseta “Feminist AF” (af = as fuck = %#&!@*), mas também distribuiu pra todo o frontrow do evento.

Melhor maneira de propagar a mensagem entre influencers selecionadas, que logo botaram em prática pelas ruas da cidade.

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ALICE + OLIVIA, CREATURE OF COMFORT E CINQ À SEPT Sejam em camisetas ou moletons, a ideia é passar a mensagem. “Seja a mudança que você quer ver no mundo”, “Somos todos seres humanos” e “Eu amo todo mundo”, mensagens simples, mas com endereço certeiro.

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PUBLIC SCHOOL Já a super cool e alternativa, Public School, substituiu a ex-célebre e agora famigerada frase dita por Trump, “Make America Great Again”, por “Make America New York”, numa referência ao fato da cidade ser sempre receptiva e viver em harmonia com todos o tipo de raça, gênero, gente, simples assim.

LÍNGUA FRANCA Paralelamente à NYFW, uma marca foi lançada justamente pra dar voz em formato de looks às mensagens da vez. A Língua Franca tem uma coleção bordada que destaca a luta dos imigrantes, a saudade do Barack e ainda um possível grito de liberdade pra Melania.

THE ROW A marca das gêmeas Ashley e Mary Kate Olsen também deram voz ao manifesto. Assim como sua marca, super cool e minimal, o recado foi bordado de forma discreta em detalhes das roupas. Palavras como “diginidade”, “liberdade” e “esperança”, como deve ser!

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CHRISTIAN SIRIANO Por fim, Christian Siriano foi simples, mas certeiro e reproduziu o título de uma música do Depeche Mode, afinal, ~gente é gente e como a letra diz “Pessoas são pessoas, então porque é que você e eu temos que nos dar tão mal?”. Aliás, o estilista segue cada vai mais inclusivo – teve post assim sobre ele aqui – e mostrando um casting bastante heterogêneo, ponto pra ele!

Vale dizer que basicamente todas essas camisetas tem venda revertida pra instituições que falam sobre mulheres, imigrantes ou basicamente lutam contra Trump. Sabemos que o feminismo é a pauta da vez, muita gente acaba surfando na onda, mas se no final todos estão falando e quem precisa está colhendo frutos, o saldo é mais que positivo!

A Vogue América quer conversar sobre diversidade

08/02/2017  •  Por Thereza  •  Moda, Pense

Devemos ler. Em tempos de empoderamento feminino e desconstrução em todos os temas e aspectos da sociedade, é no mínimo ignorante a pessoa não parar, pensar e se questionar. Sei que tem correntes do feminismo que afirmam que não devemos aceitar ~migalhas e que as coisas devem mudar radicalmente e não aos poucos, mas no final sabemos que cada indivíduo tem seu tempo e chegou a hora da Vogue americana abrir espaço pra diversidade. Atrasada? Sim. Desnecessária? Jamais. E o assunto vem com capa e recheio da edição de março divulgada hoje, vamos às fotos e fatos.

A capa grupal (amo capas grupais) já começa um pouco diferente: modelos, ao invés de celebridades. A revista tem cada vez menos dado capas à modelos (só quando chega ao nível Gisele, err Kendall e cia), daí quando surge uma capa assim já é pra glorificar de pé aos amantes da revista. Mas essa capa carrega muito mais simbolismo, pode ainda não ser o ideal, mas um avanço comparado ao que víamos 3 anos atrás. Vamos ao casting: Liu Wen, Ashley Graham, Kendall Jenner, Gigi Hadid, Imaan Hammam, Adwoa Aboah e Vittoria Ceretti.

Sim, precisamos falar sobre Ashley Graham. A modelo plus size mais famosa do mundo, finalmente, conquista sua primeira capa de Vogue e é um reconhecimento importante pra ela e também pro esforço da Vogue em parecer ser mais inclusiva. Se isso é legítimo ou apenas pra surfar na onda da vez, será que de fato importa? Certeza que Ashley está amando esse momento, assim como o séquito de meninas que se inspiram na sua personalidade e, ok, curvas!

E a matéria ainda tem uma citação dela muito pertimente, “67% das mulheres americanas vestem 14 ou mais. Talvez vocês podiam ignorar esse público antes, mas agora, graça às redes sociais, estamos fazendo essas vozes serem ouvidas. Mulheres estão fazendo que as marcas criem o que elas querem vestir e ser”. Será que os estilistas que ilustram os editoriais e campanhas vão aumentar a grande de roupas? Já tá na hora!

Além da Ashley, Liu Wen, modelo chinesa, sempre presente em desfiles e editoriais também ganha sua primeira capa de Vogue US. Imaan Hammam é modelo negra e holandesa de ascendência marroquina. Adwoa Aboah é conhecida não só pelas suas lindas sardas, mas também por promover mensagens sobre femininismo, igualdade de gênero e outros assuntos relevantes, tudo na sua #letsgetgurlstalking, típica modelo que vai além do carão e feed perfeito no Instagram. E Anna Wintour ainda abre espaço pra nova geração, com a italiana Vittoria Ceretti de apenas 18 anos.


Onde que as americanas Gigi Hadid e Kendall Jenner entram nessa dita diversidade? As tops, que a mesma medida que causam comoção, geram questionamentos, estão aí pra mostrar o “american way of life”. Mas segundo a autora do texto da matéria, Maya Singer, elas vão além e fazem parte dessa inclusão que a internet proporcionou e a revista vem endossando, meninas relativamente normais, com star quality e redes sociais abarrotadas de gente (e ok, sei que vocês estão pensando, bons contatos).

A matéria parece muito interessante e, além da visão da jornalista, eles convidaram vários estilistas para falarem sobre esse novo modus operandi da moda e como eles vem se encaixando nesse novo padrão… ou seria ausência de padrão?! E o final é importante, “cada uma dessas garotas tem uma tipo de beleza bastante particular, mas juntas representam uma importante mudança social: a nova norma de beleza é não ter norma”.

Curtiram a capa e esse novo movimento da Vogue? Será que isso se tornará comum ou coisa de uma edição só? Bom, só os outros meses dirão, mas torço que sim, a gente sempre quer mais!

Underboob, Sideboob e muita transparência!

23/01/2017  •  Por Thereza  •  Moda, Pense

Vamos falar de peitos, simples assim. Enquanto homens saem impunemente com seus mamilos à mostra, mulheres ainda sofrem censura do Facebook e Instagram, que não deixam a gente mostrar, e ainda não rola nem um topless na praia, nesse careta país chamado Brasil.

Bom, eu não tô aqui pela polêmica, mas no mundo da moda os peitos andam cada vez mais exibidos. Simples fashionismo ou um desejo latente de mostrar que direitos são iguais? Não sei, só sei que nesse final de semana 2 4 peitos causaram polêmica lá em Paris…

Kendall Jenner e Bella Hadid, saíram com looks à mostra e à flor da pele. Na minha época noventista, isso era chamado “segunda pele” e era super moda, LÓGICO, com uma brusinha por baixo. Hoje em dia, as mais descoladas usam uma espécie de “lib” estrelado ou, no ápice da ousadia, sem nada mesmo, apenas com um casaco estratégico.

Eu postei o look da Kendall no insta e ele foi polêmica na certa, vejam só, mais polêmico que a pochete que ela usou no mesmo dia. Eu gostei. Gostei porque parece libertador, ela pode usar isso simplesmente pra aparecer, claro (afinal, falamos do dna Kris Jenneriano), mas gostei porque parece simplificar algo até então intocável – há controvérsias. Parece ironia, e talvez até seja, afinal estamos falando de uma parte do corpo, mas o peito tem andado na moda.

A segunda pele é febre pelo Instagram, Pinterest e nos closets das fashion girls gringas em geral. Essa moda, que talvez não combine muito com verão, certamente virá forte quando o outono chegar. O look é sexy, fashionista e, mesmo que discretamente, manda uma mensagem: estamos cada vez mais exibidas, aguentem.

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Falando de peito propriamente dito, o Sideboob foi uma espécie de moda que foi tomando conta das famosas, invadindo os tapetes vermelhos, até chegar na vida real. Afinal, qual é o problema de uma “bochecha” de peito à mostra? Já mostramos o ~topo, agora partimos pros lados. Pagar peitinho? Que nada, é tudo muito espontâneo.

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Acrescente aí a última tendência mamária, o Underboob! Era o lado que faltava, aquele que pouca gente vê, mas agora anda mais exibido do que nunca. A parte de baixo do peito virou hit e recheou decotes. A contar pelas fotos, dá até pra ver que é um look praticamente democrático, para qualquer ocasião e volume de peito. Tem coragem?

Ok, tudo isso é muito lindo na prática. Aparições em tapetes vermelhos, poses para redes sociais, mas no final das contas, a moda segue implacável em mostrar o lugar da mulher e, mesmo que indiretamente, nos libertar. Se um decote “tradicional” já foi uma conquista de décadas atrás, que venham novas formas de exibição, simples assim. Tem coragem?

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